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2018-10-12

alexandre Gonçalves - subtis

S M S

Obrigado, Aventino! São leitores como tu e palavras como as tuas, e incisivos textos como os teus, que estimulam a subversão da vida quotidiana e a aventura de uma escrita que denuncie a imperfeição do mundo. Quisera ser cúmplice dessa nitidez, dessa consciência militante que não só resiste à lei da gravidade, como rasga ranhuras de fuga nos muros que cercam a vida. Quisera...mas há redes subtis por toda a parte, que nos enredam pelos flancos, sem darmos por isso. Viver é perigoso, como sugeres. E"a vida sem viver é mais segura"(O"Neil).

Um forte abraço! 

2018-10-12

Aventino - PORTO

O QUE NOS SERIA A VIDA?

O que nos seria a vida sem a poesia!!! O que seríamos nós sem ESTE divino soneto do nosso Alexandre.

No exato momento em que o li, reli e reli, fechei o computador; dei uns violentos pontapés em três processos judiciais que tinha para articular nesta tarde desta sexta feira, disse á minha secretária que dissesse aos três constituintes que estavam marcados para consulta, que lhes dissesse que morri; e fui-me embora.

Como fui de uma vida inútil?! Como me prostitui em prol da defesa dos interesses dos outros?! Como suportei uma vida sem ter vida?  

"AGORA NUNCA É TARDE".(Pedro Barroso)

AGORA NUNCA É TARDE PARA EXORCIZAR A CULPA DE UMA VIDA NÃO VIVIDA.

Agora vou-me embora, vou voar para os braços das palavras, para os braços da poesia.

OBRIGADO ALEXANDRE, "agora nunca é tarde para acordar"


2018-10-12

Alexandre Gonçalves - Palmela

 

C O N TO  D E  V E R Ã O

 

Sentado agora em cima de setembro,

apenas lembro a tua estranha ausência:

o verão escondeu-nos a violência

que incertas circunstâncias tinham dentro.

 

Nesses dias, nós éramos o centro

do esplendor do mundo em evidência:

demos ao mar o fogo da inocência,

 para entrarmos sozinhos em novembro.

 

Pouco nos foi o amor e distraído.

Retirámos do corpo a lentidão,

sem que nenhum silêncio fosse ouvido.

 

Seria apenas de água esse verão?

Ou antes um rumor desconhecido?

Ou terá sido pura distracção?

 

Setembro, 2018

 

 


 

2018-10-02

Aventino - PORTO

 

 

 

Belo é o GRITO do GAUDÊNCIO. Belo serão os gritos de todos os que nesse dia eterno em que estaremos en Valle de Los Caídos a gritar, a gritar, a gritar, a gritar, "ME CAGO EN TI, FRANCO, ME CAGO EN TI, ME CAGO EN TI, ME CAGO EN TI, ME CAGO EN TI PORCO FASCISTA, ME CAGO EN TI, FRANCO.

Belo é também o soneto do ALEXANDRE (no antepenúltimo verso apaga o verbo "é") como bela é a vida dançada ao som da poesia (também pode ser ao som de um excelente cozido à portuguesa.)

VALLE DE LOS CAÍDOS

Por razões de saúde, alojei-me em Madrid, a primeira vez, em 1982. Regressei à cidade muitas e muitas outras vezes por essas mesmas razões de saúde e, finda essa razão, porque já amava a cidade. Nesses tempos, muitos, dos que algumas das vezes comigo ali estavam, quiseram ir a San Lorenzo de El Escorial com a confessada intenção na Abadia da Santa Cruz do Valle de Los Caídos. A todos disse sempre, si, si, claro! usted quieres, usted tienes. E FUI. Quarenta/cinquenta quilómetros de estrada, conduzindo, e, cuño, aqui estás!

No vienes tambien?! No entrás, tu?! No! No! me cago en Franco.

E assim estou: Nunca, nunca entrei na Abadia da Santa Cruz do Valle de Los Caídos. Ficava fora, à espera, cravado no murmúrio dos fétidos orgasmos dos visitantes. Entrarei agora, nesse dia de glória que aí virá para, fisica e emocialmente, cravar-lhe a minha escarradela de ódio.

AVENTINO. Em setembro de 2018 (dc)

2018-09-29

alexandre gonçalves - palmela

F R O N T E I R A


(Regressando da quinta da ribeira à lua de palmela, verifico agradavelmente que ainda não é o fim mas apenas um pouco tarde. Aqui e além, ouvem-se vozes ao longe, como quem chama. O som não é nítido. A ondulação vocal tropeça no cimo dos montes e nos abismos submersos das muitas ilhas. Vai ficando para trás um currículo irrelevante, agravado pela vertiginosa decadência da memória. Vão-se os rostos, dissociam-se os nomes, esfumam-se as palavras que ainda sobravam.

Afectos? Em tempos havia uma escada, com degraus regulares. A vida não reconhece a finta. Os degraus eram para serem subidos sucessivamente, sem saltos de acrobacias pedagógicas. De que serve a uma criança a tortura metafísica? Como se faz crescer uma árvore de grande porte? Para que serve um adolescente amputado nos seus rebentos mais vigorosos? Como se pulam, sem consequências, os degraus da idade? Para que fim implantou esse DEUS magnífico o fogo hormonal no mais fundo silêncio da vida, para depois o vetar como fonte de ruína? Afectos? Só de remorso e penitência. E os perversos retiros de setembro, para retomar o caminho, presumidamente abandonado nas voláteis férias do verão. Quem na hora certa não foi amado nem amou só por obra do "Espírito Santo" pôde provar o amor.

Mesmo assim não é o fim , como se prova pelas gotas de água vertidas neste areal. Quero juntar-me às veementes vozes que repudiaram esse monstro ibérico, tão carinhosamente absolvido pela maternal instituição católica, sempre solícita e acolhedora. Quando visitei o tenebroso Vale dos Caídos, o guia informava que o Generalíssimo fez uma promessa  aos prisioneiros, que em trabalhos forçados construíam o monumento. Se a obra ficasse concluída na data imposta, eles seriam postos em liberdade. Dito e feito. Palavra de rei. Os operários, cegos de esperança, aplicaram-se e cumpriram. Nesse mesmo dia, o prémio de tanto esforço foi uma execução sumária e integral. Arriba Espanha! Morte aos Cabrais e aos Generalíssimos anónimos, que parece quererem outra vez o terror.)

 

Não digas o que tenho de fazer!

Não me invadas a vida pessoal!

Não sou, nunca serei o teu quintal,

onde vais distrair o teu lazer.

 

Se me tentas gostar, deixa-me ser!

Eu sou um território nacional.

Existe uma fronteira essencial,

uma linha vermelha sem se ver.

 

Se nos amarmos, há um passaporte,

que autoriza a passagem proibida,

tornando a vida cada vez mais forte.

 

O amor é uma árvore crescida, 

exposta ao gelo, à colera e à morte.

Se morrer, morrerá também a vida.


 

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