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2018-01-29

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

  Há quem pensa o que diz e de tanto pensar,

acaba por nada dizer . Eu não penso no que digo e digo sempre o que penso .

    Assim como ...

 

                           É passarinha e é periquita

                 E é pardaleca também

                 Essa coisa p'ra alguns esquisita

                 Que p'ra mim muito interesse tem

                 Por tanto prazer que me dá na vida

                 Vou chamar - lhe porque acho bem

                 CHAROQUINHA PERSEGUIDA . 

 

      Aquele abraço 

                            Zé Lamas .

           

2018-01-18

manuel vieira - Esposende

Há 5 anos chovia desmesuradamente e apontei o meu carro a caminho do Alto da Prova, entre os Arcos e Ponte da Barca. Antes fui buscar o Martins Ribeiro para um almocinho de aniversário com o Assis. Ele celebrava 8 décadas de vida e a amizade ditou que ele ficaria feliz em celebrar com amigos.

80 anos merecia uma festa de arromba e lá fomos ao cabritinho acompanhado de um verde tinto da região da casta vinhão, de arregaçar as mangas. Quando lá chegamos estava um magote de gente à porta e só quando se sentiu efusivamente  abraçado é que o Ribeiro se apercebeu que lhe organizaram uma festa surpresa com quase 2 dezenas de comensais, num ato cénico preparado com tempo e com vários cúmplices que nunca mais esquecerá, nem esquecerão. O Aventino foi a Lisboa e veio a tempo do repasto, que era um almoço.

Pois o Martins Ribeiro celebra hoje 85 anos e já lhe enviei um abraço com pilhas Duracell. Sendo o nosso decano, com o perfil que todos bem conhecem, faço votos de longa vida e muita saúde.

 

2018-01-15

manuel vieira - Esposende

O frio tem-se afirmado e também notado, tal é o encolhimento das mãos e a fraqueza dos dedos que tendem ao silêncio dos gestos.

Vem isto a propósito de algum apagamento, de um silêncio escrito, a fazer marcar o conformismo da idade, como se o tempo adormecesse e nada quisesse mais dizer.

Custa-me ver as flores a murchar como se o viço moribundo fosse um destino escolhido e uma opção de ser e estar.

Sorrio quando alguns colegas referem que ninguém escreve no site, como se apenas os outros merecessem essa obrigação de contributo. Tem o seu quê de prazer de bancada ...

Mas acabo por sentir que nos educaram para o silêncio e o prefeito que calcorreava o longo corredor sobrevive ainda  num arquétipo mental  perfeito.

Mas valerá a pena esta conversa?

E voltaria à discussão a Palmeira ...

Dizem-me que temos quem escreva bem, quem saiba até azedar o conformismo latente e desses estamos sempre à escuta. Dizem-me também que o tempo, esse tempo métrico que já muitos invocam é o causador de tanto silêncio...que não será.

Mas curiosamente quando nos encontramos, seja para umas castanhas ou umas favas, ninguém conhece o silêncio e até as horas são curtas. E porque o meu tempo é curto nesta tarde bem fria e sem sol entendi aquecer os dedos  e introduzir este lamiré.

 

 

2017-12-21

Manuel Vieira - Esposende

Caros amigos,

Mais um Natal se achega, cheinho de lembranças várias e transversais a uma vida com tantas histórias para rever. É a infância, a aldeia gélida, a ansiedade das viagens de férias para reviver afetos tão ternos pertinho do presépio familiar.

Para cada um de vós e para a vossa família votos sinceros de um Feliz Natal, de um ano novo com muita saúde e claro, um abraço forte,


Manuel Vieira
2017-12-18

alexandre gonçalves - palmela

NATAL: UMA CAMA DE NEVE

 

Desde muito cedo gostei da fonética da palavra "natal". Rimava com muitos termos de iniciação sonora, quando tentava referir-me em verso a este mítico nascimento de Cristo. Primeiro, foi o som. Mais tarde, quando o latim se abateu sobre a infância desprevenida, foi a descoberta do verbo nascor (nascer). Então o natal não é mais do que celebrar o nascimento. De quem? De um menino mais antigo que a sé de Braga, perdido nos desertos bíblicos? 

Sempre gostei dos bonecos do presépio. Dos caminhos de acesso ao curral. Da imensa luz de uma estrela, pendurada incrivelmente no altíssimo céu de inverno. Em frente da velha igreja de granito, mais alta e mais fria que os centenários carvalhos do monte, havia um fogo imponente. O filho de Deus tinha frio. Era imperioso que os possantes varões da aldeia mostrassem o que valiam. Os carros de bois descarregavam a sua virilidade em troncos mais pesados do que a força humana podia imaginar. No dia vinte e quatro, quando a tarde morria sobre a neve, as chamas subiam gloriosas no adro, percorriam ruas e quelhas e abrandavam docemente nos braços de um menino, cheio de frio. 

Nesse tempo, terei sete ou oito anos e sou pastor. No dia vinte e três não guardarei o meu gado. Ao acordar, a neve cobria os  campos e cobria os meus olhos de paz e reconciliação. A brancura matinal dava-me um intervalo de alegria e de pureza. Também era menino. E embora as botas me abrissem pequenas ranhuras laterais, talvez para os pés respirarem melhor, quem sabe?, eu juntava-me a outros meninos e fazíamos bonecos de neve, mais altos do que nós. Íamos ao largo, víamos a montanha dos troncos e eu, se me distraísse, quase era feliz. Mas eu não queria. Em rigor, precisava de um pouco de tristeza, para não morrer. A tristeza, além de justa, sempre me deu a mão, nos obscuros perigos do mundo. 

No dia seguinte é que é o natal. Preciso de muita  tristeza para chegar vivo à noite, ainda a tempo de fazer uma cama de neve. E adormecer como um anjo, as mãos postas sobre o peito. Nesse dia vinte e quatro, a manhã cortava os meus anos de pastor como lâmina de barba. Porém, o meu gado tinha prioridade sobre toda a minha infância. O céu era de um azul metálico, não deixava dúvidas. Os campos prometiam abundantes pastos. E o horizonte não era de neve. Nesse tempo, os meninos nasciam sem direitos. Por isso, calcorreei caminhos de pedras, até chegar aos vales que as chuvas de outono revestiram de erva. Ao fim da tarde, o céu ficou estranho. Das serranias, desce uma película de vidro gelado, que se cola ao corpo nascente. Morrer, disse eu. Morrer com estrondo. Como se assim me vingasse de uma agressão anónima. Disse-o com um claro sentimento de terror. Nem sabia até que ponto eu lutava pela vida. Depois de pôr os animais a salvo, fiz uma fogueira, aqueci pés, mãos e algum futuro que sobrasse. Mas apenas sobrou uma paisagem de neve, igual às fotografias que a professora mostrara sobre a guerra. Sem alternativas, pus os meus anos de pastor nos braços da noite. O caminho de regresso é assustado pelo sino, que pela última vez chama os piedosos cristãos: vinde a mim, filhos dos homens. Eu sou a salvação do mundo!

Pois era. Mas eu preferi uma cama de neve, com lençóis de cambraia fina. Deitei-me vestido e tudo. Tão pesado era o meu sono. Ainda tive tempo para sonhar que o natal rimava com muitas palavras de iniciação. Mas o verbo nascer fora sendo expulso desses rituais.  

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