fale connosco


2013-01-25

alexandre gonçalves - palmela

O  ÓCIO  GREGO  DA  AMIZADE

 

Não peço desculpa da minha ausência nem das muitas faltas vermelhas acumuladas. Quando muito, presumo que seja excesso de ruído. Apesar de levar uma vida conventual, por entre os verdes muros que me cercam, a verdade é que transgrido com notável empenho os clássicos votos da santidade. A ponto de até os próprios pensamentos se assustarem com a obesidade sonora dos papagaios que assaltaram a cidade. São eles que matam a palavra impunemente, inibindo a fala, a escrita, os afectos e a festa. E tão alto mentem que invadem todos os espaços. E até os mais preservados, com altos muros e não poucos impropérios.

Introduzida a questão, junto-me com entusiasmo ao coro dos que, com palavras e actos, celebraramaram o esplendor da amizade. Os textos citados são luminosos e quase comovidos. Perturbam. Convocam gestos e tempos que resistem à efemeridade. E a mim trouxeram-me de volta aquela casa de granito quente, a saltar na telha ou na lareira acesa. Choveu a tarde toda lá fora. E havia vento nos montes. Mas alguém viu chegar o frio? No rosto, nos abraços, nas palavras, na alegria da abundante mesa, na simplicidade arcaica dos símbolos, o que se respirava era a mais sábia e a mais ociosa das amizades. Ali sentados, em subversão dos confortos urbanos, sem utilidade pública ou privada, nós erguíamos um hino à nossa idade. O aniversário era nosso e o que nos movia não era acrescentar mais um ano aos anos passados. Era antes um pacto de amigos que, não querendo ser póstumos a si próprios, se declaram indisponíveis para a morte. Ou um qualquer seu sucedâneo. Morrer não é difícil. Mas não é uma questão de idade. Morre-se antes por distracção. Por ingenuidade. Por indolência. Se outro mérito não tivera, a PALMEIRA já ganhou este combate. Não éramos só dezassete os que ali saudávamos o Martins Ribeiro, o leão dos Arcos. Tantos éramos que nem contá-los pudemos. A associação tem-nos convocado e leva-nos a ver o mar, a neve, a montanha. E fala-nos aos sentidos, à memória e ao presente que ainda arde nas mãos. E nós temos respondido que sim. Nós vamos com alegria, erguemo-nos por sobre o nosso quotidiano ambíguo e muitas vezes exausto. Mas estamos vivos e por mais que o envólucro tenda a decair, o espírito resiste e renova-se. O exemplo referido, que nas margens do Vez aguenta o bom combate (quem terá abrandado semelhante fera?...) é um estímulo geral e a prova de que na PALMEIRA cultivamos os mais elevados valores espirituais. Quando derramamos o vinho e a palavra, não é para aumentar o ruído no mundo. Nem para esbanjar o tempo, como se nada soubéssemos fazer com ele. É apenas a liturgia dum ócio superior, de inspiração helénica, virado para a exaltação do sentido, dos sinais, dos  valores. E claro está, desta in-útil amizade que nos faz atravessar a terra. Pegando no oportuníssimo texto que o S.Pires descobriu em Pessoa, também nós suportamos com maior ou menor coragem a sucessiva morte dos amores. Amar é uma actividade de risco. E uma nobre utopia, mas utopia. E às vezes um doce veneno, mas veneno. Dito doutra maneira, pode sobreviver-se sem um pingo de amor. Mas enlouqueceríamos se morressem todos os nossos amigos. Se vires um homem mergulhado em absoluta solidão, garante Aristóteles, ou é um deus ou uma besta, mas homem não é. 

2013-01-23

manuel vieira - esposende

O nosso Ismael Malhadas Vigário, que o Delfim diz não conhecer ainda, mas talvez por lapso de memória, inaugurou a imagem no fale connosco, com alicerces num texto que aborda a amizade.

A celebração dos 80 anos do Martins Ribeiro vem na senda da "festa" em homenagem aos 80 do Luís Guerreiro no dia 18 de Julho de 2009 em Caminha, uma jornada de grande amizade que só teve mais sol, tal o entusiasmo dos comensais de ambos os acontecimentos.

Ficamos ansiosos por novas celebrações da marca octogenária e os candidatos andam por aí.

2013-01-23

António Peinado Torres - Porto

 Bom dia companheiros e amigos AARS.

Hoje é um dia muito especial para mim, pois celebro o aniversário de quem me deu o SER e me fez ver a luz do dia.

 É portanto motivo suficiente para abordar o convivio que tivemos no passodo dia 18.

 Desta vez coube a iniciativa do evento ao nosso caro ALEX, um convivio simples, como mandam os tempos que correm ,mas cheio de significado, duma sã convivência, fraternidade e alegria.

 Da gastronomia já falou o nosso Presidente, foi uma ementa própria para aniversário.

 É com estes encontros que se reforçam os nossos laços de amizade, e para quem ainda tem dúvidas, alguns de nós percorreram centenas de kilómetros para estarem presentes no aniversário do nosso DECANO MARTINS RIBEIRO, dobrando a língua ou seja a escrita, Sua Excelência o MARQUÊS DE VALDEVEZ. Também de cultura foi o repasto, pois o ARSÉNIO abriu os discursos lendo como ele sabe um belo texto, e também a poesia de Pessoa pela voz timbrada do AVENTINO, houve mais elementos a falar e bem .

O ponto mais alto do convivio, foi ouvir a palavra do aniversariante, ele não só nos delicia com os textos que por vezez nos envia, mas não é menos encantador quando nos fala, por isso e mesmo sem ALVARINHO teve muitos de nós à sua volta.

 Foi enternecedor, e quando se falou que os presentes ( EX-reclusos ) já são todos maduros, a sensibilidade de todos nós fez-nos estremecer.

MARTINS RIBEIRO, para o ano já não é surpresa, conte com estes rapazes e outros que se juntarão, como diz o OUTRO " que se lixe a crise " ( as eleições ), um grande abraço para si , deste AAR que muito o estima. VOLTAREI Peinado

2013-01-23

Delfim Pinto - Almada

Ismael que ainda não tive o prazer de te conhecer:

Obrigado e um abraço por me teres escolhido este pequeno/enorme texto.

2013-01-22

Ismael Malhadas Vigário - Braga

Sobre a amizade e o seu sentido, gostei sempre muito deste texto. É possível que Pessoa tivesse conhecimento deste escrito, pois antes de ser poeta, necessariamente, que também foi um grande leitor. E sabemos que lia muito os autores greco-latinos e os alemães (Nietzche e Shophauer eram autores da sua preferência)

(E agora digo eu: não queiramos demais desta vida humana que nos és dada.

Sejamos fiéis a esta natureza que que nos anima.

 Sorvamos o hálito natural que nos originou.

Vivamos com a tolerância de que somos caminheiros de um destinho que pouco compreendemos. )

Nietzsche: Amizade Estelar


"Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois navios que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos – e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol. Parecendo haver chegado ao seu destino e ter tido um só destino. Mas, então, a todo-poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos, e talvez nunca mais nos vejamos de novo – ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é da lei acima de nós: justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos – elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade. – E assim crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra".

(Nietzsche, A Gaia Ciência, aforismo 279)

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