fale connosco


2019-03-25

ANTONIO GAUDENCIO - LISBOA

Meus amigos

Apenas duas linhas para pedir desculpa ao Vieira pelo meu lapso de atribuir ao Delfim a evocação do nosso muito lembrado amigo Peinado Torres.  A paternidade do acto é do Vieira e ponto final.

O seu a seu dono, amigo Vieira, e desculpa o meu disparate que se deve imputar  a uma falta de atenção que não de consideração.

Reposta a verdade, passai todos bem. 

2019-03-24

ANTONIO GAUDENCIO - LISBOA

O último, o que vai fechar a porta, já agora  que apague também a luz. Poupam-se umas coroas......e completa-se o serviço.

Todavia eu não acredito que haja algum  " valente " que tenha a coragem de fechar a porta depois de apagar a luz.  Sou pouco optimista em relação às coisas normais  da vida e ao mundo que me rodeia mas, depois de ler os  dois textos muito bons (   cada um no seu registo ), aqui inseridos nos últimos dias, eu sigo esperançado que o silêncio, pressagiado pelo Alexandre, não nos vai abafar tão depressa. Ainda mexemos !!!!!!

As entradas  a que atrás me referi são, obviamente, a do Aventino que, depois de um letargia invernosa, despertou impetuosamente na Primavera mostrando que as suas memórias ressaibiadas e a sua veia provocadora continuam vivas e intactas. Gostei, apreciei e relembrei com ele alguns restos das minhas memórias, passados que são mais de sessenta anos, e agora fico à espera que a próxima "crónica " não demore tanto como esta.......

A outra entrada é a do  " mestre " Alexandre que, ao mesmo tempo que nos fala, vai brincando, elegantemente, com o português. Mas desta vez noto-lhe uma pequena tendência para o pessimismo, território onde ele, penso eu de que.... , nunca tinha entrado ao longo dos anos o que se pode confirmar lendo os belos textos com que nos tem mimoseado.

É verdade que a Revista acabou e finiu-se por causas que andarão perto das " guerras de alecrim e mangerona ". Talvez me apetecesse ser mais explícito mas isso não vai acontecer.  Quanto ao fim do  Passeio Anual é diferente pois julgo que interesse havia mas a logística para juntar o norte e sul, no mesmo dia, é obra de peso quase incontornável.  ( Quase...)

Quanto ao site ele só se calará se nós quisermos. Custa-me aceitar que tenhamos gente bem dotada para as letras mas que não consegue perder uns minutos para debitar uma qualquer  laracha para fazer prova de vida e entreter a malta. E não me venham falar de velhice pois dessa moléstia sofremos quase todos......

Julgo que, no pºpº dia 08/03/2019, escrevi aqui no site o epitáfio do mesmo e dizia :  «  AQUI JAZ O FALE CONNOSCO  RIP  »  mas o gestor do site não o quis publicar, e ainda bem, porque, uns dias depois, vislumbrámos sinais de vida. Afinal o «Fale Connosco » não estava morto mas, apenas, moribundo. 

O Delfim, com muita oprtunidade, trouxe-nos à memória o nosso Peinado. Também me lembrei da data e ainda tive o telefone na mão para falar uns minutos com a MIMI, esposa dele. Mas, ao contrário dos anos anteriores, acabei por não ligar.

Toavia, ainda não consegui preencher o vazio daquele amigo que era mesmo amigo desde Agosto de 1955.  

( Código Ortográfico Antigo )  

2019-03-23

alexandre gonçalves - palmelaO

 

 

ONDE TUDO VAI MORRENDO

 

Saúdo os Ares, especialmente os que perturbaram o nosso infinito silêncio. De entre estes é forçoso salientar por diferentes razões o Aventino e o M.Vieira. A associação nasceu infantil, como tudo o que nasce. Cresceu e tornou-se árvore. À sombra dela gastámos gostosas horas de festa e construímos amizades com raizes antigas. Temos uma história, eventualmente irrelevante. Mas cada um à sua maneira terá aumentado o tamanho da sua vida, na medida em que se inseriu nas práticas desenvolvidas. Notam-se agora alguns sinais que indicam decadência? Naturalmente, estando já inclinados pelos anos e vacinados contra as fraudes amorosas; com o céu de deus cada vez mais vazio; num rectângulo cada vez mais litoral; que resta ainda para fazer da nossa idade um cântico de alegria? Primeiro, foi a revista, a palavra que não voa. Um lugar privilegiado para exercícios de ancianidade. Como foi possível que tão cedo nos faltasse esse mármore, onde poderíamos ter gravado a ouro o coracão escrito? Depois foi o encontro anual, esse filme do país profundo.Essas viagens nordestinas, como quem visitava a própria infância. Essas mesas alongadas, presididas pelo pão e pelo vinho, em circuito familiar. O regresso hesitante à música, que na sua imperfeição nos dava a ilusão sadia da vitória final sofre as sucessivas falênccias da vida. Houve ainda a breve leviandade do facebook, numa tentativa de acompanhar a onda alheia, incompatível com pruridos de "valores e princípios" de alegada superioridade moral. E agora temos esta página imaculada, que preservamos com uma sistemática ausência. Apetece dizer que tudo nos foi morrendo, sem o nosso consentimento.Sem darmos por isso e sem remorso. Qual de nós vai fechar a porta?

 

2019-03-18

Aventino Pereira -

A IMPORTÂNCIA DO PRETO

 

1964. DC. 1964 depois de Cristo, agosto.

Era agosto e era a Senhora das Graças. Maria da Graça, a minha bela e doce mãe, a única mulher, meu amor,

Manuel, Manuel, temos que pôr as pinhas, e as pinhas ardiam, crepitavam, iluminavam os sonhos deste menino, magrinho, branquinho, silencioso e triste com que os sinais desse tempo me trouxeram tantos dias tantas décadas, sim, carrego a solidão do desencanto, a infelicidade perene, a busca de procurar um nada de encontrar.

 

(Não sei o que é o amor, nunca soube o que é o amor, não quero nada com o amor, nunca amei ninguém e não quero que ninguém toque ao de leve este meu sentir se me deres um abraço eu choro, se me deres um beijo eu choro, se me quiseres levar contigo e tomares conta de mim eu quero, vem vem mulher que não encontro, vem desinteressamente vem navegar por estes dias que nos restam, vem).

 

Era agosto e o meu pai beijava-me e a minha mãe beijava-me, cá estou eu a dar-lhes vidadeixem-me por favor deixem-me enganar-me sobreviver a este desejo de morte de ir de ir de ir como se fosse para os seus braços, seminário, maldito seminário que tudo me roubaste bendito seminário que tudo me deste, era agosto. 1964. Senhora das Graças e o silêncio de uma carta.

 

As cartas traziam memórias, notícias, futuros e solidões. As cartas eram vida, eram vidas, eram continentes, hemisférios, guerra, África e morte;  emigração e bidonville, cloacas de merda em tantos e tantos bairros miseráveis de França à espera de todos nós, expulso do seminário.

Eu fui expulso do seminário.  Felizmente?! ( “o que fui, o que fui nem eu sei; apenas os teus lábios me fizeram eterno”. Aventhino. 2018. Finisterra. Penguin, pág. 139)

 

E cá estou eu a dar importância ao preto. A carta do seminário:  tem voz, tem silêncio, tem dor, a dor do ir e de não voltar: deve entrar no dia sete, outubro, enxoval, o que é enxoval, pergunta-me a minha mãe, três pares de cuecas, cinco camisas, dois pijamas e um ror de merdas e o meu pai que se fodam, o moço não vai não o quero paneleiro lá no meio dos padrecos, acabou, construção civil, fuga para França, Ultramar que se foda nem pensar, o nosso menino, antes morto em África do que paneleiro.

E agora ouço a tua voz AAR renasces em mim enxoval enxoval enxoval enxoval enxoval enxoval enxoval enxoval, um fato: “não deve ser preto”. Lembras-te?! “não deve ser preto”.

E agora, o preto dos funerais, o preto dos automóveis, o preto das cruzes nos jornais, o preto das mulheres gordas, o preto da Ivone Silva com este vestido preto eu nunca me comprometo, o preto do basquete que grande sacana que afundanço, o preto Amadora, serveh?! O preto da paneleirada gosta do preto o preto da comunistada do bloco com a mão esquerda o preto sujo da porcaria da terra o preto sujo das cloacas o preto dos coisos que são pretos como o c… e até o fumo preto da Basílica São Pedro quando não há coiso que mereça outra coisa que não seja o c…do fumo preto.

Um dia qualquer arranjo-vos um Governo que goste do preto.

 

 

 

2019-03-17

Delfim Pinto - Messines de Cima, São Bartolomeu de Messines, Caixa postal 24 S

Como me envergonho de esquecer o meu amigo Peinado!!!

Apesar de saber que só morrem connosco...

Obrigado, sempre presente, amigo Vieira.

 

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