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2021-03-05

Adolfo Pereira - Guarda

Fragmentos vividos de história pátria e familiar (linha paterna) 1ª Parte

 

A História nada mais é que tempo. Tal como as palavras, é passado. O vir a ser que foi e há-de ser. Mas o vir a ser é sempre desintegração, luta, conflito resultante do condicionamento do passado. O conflito, a luta, no fundo a guerra, está entre o ser que se é e o vir a ser que se quer, o que se tem e o que se quer ter.

O vir a ser é desintegração, pois se a realidade sempre sujeita ao tempo está em constante transformação e é nova a cada instante, com a nossa mente não se passa o mesmo, como é velha não pode apreender o que é novo. De modo que o conflito, tanto interior como exterior, individual ou coletivo mantem-se. Como alguém disse, creio que G. Bachelard, mal nascemos já somos velhos. Temos a idade dos preconceitos e projeções do passado.

 

1 – Importância das galinhas e a utilidade da História.

Entrar na História é tanto um risco como um desafio. Mesmo a familiar. Mas fascinante, é como aqueles terrenos pedregosos e áridos. Ninguém dá nada por eles e de repente no subsolo descobre-se petróleo ou ricos minerais. Uma surpresa! Sob o pó do passado surgem enigmas, mistérios, revelações, compreensão súbita do que somos, formas de reconciliação e até terapia.

Veja-se o caso de Eça de Queirós. Traumatizado por ser um filho sem mãe. Tivesse ele conhecido aquela célebre frase que um filho de D. João V, o tal de nem sempre rainha nem sempre galinha, dirigiu à senhora galinha que estava muito saudosa e carente de amor filial: Sabei, Senhora, que nós, filhos de rei, não temos mãe. Filhos de rei. Saber isto teria engrandecido o nosso escritor que, aliás, inconscientemente era um elitista, estrangeirado, sempre atrás das condessas até que casou com uma. Eu preferiria que ele tivesse mãe, isso ter-lhe-ia permitido assimilar o leite, a seiva e o húmus do nosso povo, tal como Camilo o fez e graças ao seu trabalho elevou-se ao título de visconde.

Ainda bem que Eça não se coibia de entrar em tascas para degustar precisamente galinha que deveras apreciava. Esse devorar de galinhas não seria psicanaliticamente uma vingança inconsciente contra a galinha mãe que nunca teve?

Parece que o Ronaldo, futebolista, também conseguiu ter filhos sem mãe, privilégio real.

Deveras curioso isto, porque na Religião acontece sempre o contrário, existe mãe, mas pai não, e quando há, como no Cristianismo, chamam-lhe putativo. É um termo feio, que até pode dar origem a más interpretações. E chamar putativo a um santo penso que é ofensivo. Mesmo que se chamasse pai presunto ou presuntativo continuaria a ser feio. Mas a História tem destas coisas, por isso gosto tanto dela.

 

2 – Na Barrosa também não havia bela sem senão

Confesso que nem tudo eram rosas. Não posso transigir com um triste e lamentável episódio dos nossos mestres, que tanto tenho gabado, mas não posso passar por alto um caso desta gravidade. Um muito mau exemplo. Uma nódoa. É certo que quando se está totalmente absorvido nas coisas divinas, pode acontecer que se esqueçam as humanas. Lamentável. Eu explico.

A Quinta da Barrosa não era livre e alodial, estava onerada em 5 coroas ou três e quinhentos, por ano, ao Conde das Devesas. Pediu este o pagamento em falta e os nossos mestres, perante tal riram-se e, o mais deseducativo, é que nos contaram isso fazendo chacota. Um péssimo exemplo, deveras. Mal ia o Conde se precisasse dessa quantia para viver, não dava sequer para pagar o adubo duma só das suas muitas camélias, exemplares quase únicos no mundo. Não sei se acabaram por pagar-lhe ou não, o que sei é que para nós foi um escândalo em todos os sentidos. Falta de compreensão. Não era a quantia em si, tratava-se, isso sim, de uma questão de honra, respeitar a lei e o direito que nos regia e o reconhecimento devido aos ancestrais que fizeram o nosso país.

Compare-se isto agora com o que se passou com o senhor meu pai.

 

3 – Que grande lição de História

Herdara ele em finais dos anos trinta uma propriedade não alodial também. Tinha um ónus de 3 galinhas por ano. O detentor desse direito (veja-se a coincidência!) fora seu companheiro de juventude e, além disso, fora o que hoje chamaríamos seu médico de família. Relativamente afamado, era até gozado porque, como se chamava Bonfim, acabava sempre os seus atestados de óbito desejando Bomfim ao morto. Ora ele exigiu as 3 galinhas. Mas o senhor meu pai achava que um médico, no fundo um amigo, solteiro (morreu solteirão!) morando num palacete não precisava para nada das 3 galinhas e gozava até com ele. Após uma larga troca de correspondência, o médico sempre a pedir o devido e o senhor meu pai sempre a gozar, ele deixou de insistir.

Mas note-se a ironia do destino, como o que tem que ser tem muita força. Trinta e tal anos depois por desfastio fomos a uma das mais afamadas romarias nortenhas e os dois protagonistas deste caso encontraram-se. A idade já tinha avançado muito. Falaram de coisas da juventude e naturalmente o tema da dívida por saldar veio à baila. O senhor meu pai deu-me então uma grande lição de História. Tira da carteira uma nota de conto e diz para o Dr. Bonfim: Está bem assim? Que concordou e guardou a nota. Não se esclareceu se o pagamento seria para o restante das suas vidas. Só que pouco depois deu-se o 25 de Abril e a Constituição de 1976 aboliu estes resquícios senhoriais. Se calhar até foi mau. Claro que era coisa antiquada, mas bonita, uma relíquia meio pitoresca da nossa História. Os recibos desses pagamentos são até comovedores.

Mais tarde também o Fisco fez desaparecer o pagamento de rendas em carros de cereal, moios, alqueires, rasas, almudes de vinho ou azeite, meios de vinho ou trigo, fardos de palha, quarteirões de ovos, cestos de alhos e cebolas, arráteis de cera, cargas de lenha, carros de mato, arrobas de batata ou canadas de leite etc. O dinheiro tudo destrói e iguala. Baniu-se assim da nossa História o individual, o característico e o pitoresco. Por outro lado mantemos ainda velharias sem sentido e fazemos continência diante delas. É o caso do Hino Nacional, que em vez de ser a síntese da alma do nosso povo, é uma antiguidade mais que absurda. Veja-se só: Heróis do mar quando já há muito que a guerra se decidia pelo domínio do ar. Presentemente é económica e eletrónica. Contra os canhões marchar onde já se viu tal? Já só se encontram canhões nalgum que outro museu. Se ainda fosse marchar contra Bruxelas ou contra a corrupção… outro galo cantaria. Enfim… À falta de melhor hino eu preferia até um fado de Amália.

 

4 – A mais insólita, exemplar e humilhante sentença saída dum Tribunal português.

Homem íntegro, empreendedor, chegando mesmo numa Exposição Comercial e Industrial a ganhar com os seus linhos várias menções honrosas, o meu avô era, acima de tudo, um grande patriota. E por um excesso de patriotismo passou ele a maior vergonha e humilhação da sua vida. Tudo por causa duma porca. Mas eu conto.

Muito tempo após a implantação da República ainda o Portugal rural se mantinha quase todo monárquico. Porca: assim era chamada a atual Bandeira Nacional. Ora quando rebentou a Monarquia do Norte foi uma explosão de alegria por todo o lado e o rapazio derrubou a porca, apoderou-se dela, descarregando o seu ódio, pisando-a e injuriando-a. Em grande festa arrastou-a pela estrada nacional quase um Km. Tendo o cortejo festivo chegado às terras do meu avô, ele entrou também na folia e decidiu ali mesmo deitar fogo à porca. Era um farrapo, mas se fosse um ser vivo até teria ficado grata a quem a libertou para sempre de tantas judiarias e tormentos. Só que, gorada a intentona e reposto o poder da República, este crime de lesa-porca não ficou impune. O meu avô foi julgado e condenado sem apelo a dar 3 Vivas à República. Veja-se a suprema humilhação: um monárquico, ante as autoridades republicanas, ter que dar 3 Vivas à República. Mas recompôs-se e tal sentença até passou a ser motivo de orgulho para o meu avô. Se fosse hoje, seriam multas etc. Mas há um século ainda imperava a honra.

 

5 – A ordem de Malta e um beijo da praxe da Marquesa de Chaves.

O meu avô detinha um património razoável. O casal e a maior parte das terras eram foreiras da Ordem de Malta, com sede em Flor da Rosa. Detinham o título de Irmãos Auxiliares da Ordem de Malta. Os prazos eram por 3 vidas, findas as quais se fazia novo aprazamento. Os livros dos foros do sec. XVIII, capeados a pele, onde se registavam esses pagamentos e outras peitas existentes são significativos. Mas com o novo espírito saído do Liberalismo e a extinção das Ordens Religiosas estes domínios senhoriais, incluindo vínculos, coutos e honras, passaram a ser postos em causa e assim os foros foram-se extinguindo ou remido.

Com o fim do Morgadio e a extinção dos vínculos em 1863 o património passou a ser dividido entre os irmãos, mas por coincidência a linhagem do meu avô era de filhos únicos. E no reinado de D. Carlos agregou ainda algumas terras reguengas que a Fazenda Nacional decidiu alienar.

Acresce a isto os dotes entrados nas escrituras de casamento, até ao surgimento da República. Ora o meu avô casou em primeiras núpcias com a sobrinha de um padre e ela morreu logo pouco depois. O padre foi deveras generoso, um grande dote. Sabe-se que estas sobrinhas de padre a maioria das vezes eram filhas, mas neste caso não possuo quaisquer provas.

Para o triunfo da Causa Liberal, na guerra civil contra o Miguelismo muito se evidenciou um meu antepassado que pela sua bravura e dedicação foi agraciado com o beijo da praxe da Marquesa de Chaves.

 

6 – A promessa e uma serviçal fidelíssima, mas não estupidíssima.

Só que ele, após tanto tempo de serviço militar e guerra civil, arruinou-se muitíssimo de saúde, envelhecendo até. Já não estava por isso na altura de escolher noiva pelo que a linhagem correu um sério risco de extinção. Sem um filho, acabaria. Já não estava na idade de ter filhos. Situação gravíssima.

Na esperança de obter descendência fez uma promessa. Dar um anjo à igreja. E os seus rogos foram ouvidos pelo Alto, aleluia! Nasce um herdeiro, criança abençoada. Mas não foi um filho sem mãe, isso seria privilégio real, não. Finalmente depois de tantas agruras, gozou do dom da vida e das alegrias caseiras. Quem salvou a situação, diga-se, foi uma serviçal, sem dúvida, fidelíssima mas não estupidíssima. Recorro a esta expressão de Salazar, referida pelo médico que o operou após a célebre queda da cadeira. Vendo que quem mandava ali era a falada D. Maria, de quem então não se sabia se era criada ou amante, e querendo, conforme ele disse, tirar nabos da púcara, comentou para Salazar: Que mulher fidelíssima! Ele retrucou apenas: Fidelíssima, mas estupidíssima.

Mas esta serviçal não o era. Sem ela eu não estaria agora a escrever esta crónica. Soube encher de alegrias a casa dum fiel e bravo combatente do General Silveira.

 

7 – Comprar a figura e a fajardice dos franceses e outros na 1ª Guerra Mundial

O meu avô era patriota, como se viu, mas parvo não. Portanto tentou livrar o meu tio António de ir para a guerra, ter de combater em França onde a mortandade era muitíssimo grande. Recorreu pois a uma alta patente militar (omito o nome, aliás conhecido) que o iludiu até ao fim com falsas promessas, nada fazendo. E não por falta de dinheiro, mas de tempo, o meu avô acabou também por não poder comprar-lhe a figura. Chamava-se comprar a figura a um mecanismo legal, mediante pagamento, que permitia que um expedicionário indigitado para França pudesse seu substituído por outro do mesmo posto que aceitasse essa troca de identidade para fins militares. Custava dinheiro, mas ia havendo sempre algum ou outro voluntário. O que aceitava e partia era a cara do que ficava. Não sei se havia até uma troca de nº mecanográfico. O dinheiro tudo movia, claro.

Também dos nossos governantes se dizia, verdade ou mentira nunca se soube, mas da fama nunca se livraram, que recebiam dos Aliados uma certa quantia, por cada soldado português enviado para França. Não me admiraria, pois os ditos aliados, bifes e franciús, eram uns bons sacanórios. Veja-se só. Nos desfiles militares do CEP, em lugar do nosso Hino Nacional, tocavam acintosamente a Maria da Fonte, o hino já abolido. O Comando Português protestava, vinham as desculpas da praxe e na próxima faziam o mesmo, só para humilhar os portugueses. A maior parte, como eram monárquicos, até preferia a Maria da Fonte, o antigo H.N., mas serem achincalhados pelos franciús é que não toleravam.

Quanto às francesas, pela correspondência lida, nada havia a apontar. Eram só sorrisos e olhos de Páscoa. O elemento masculino com tanta mortandade escasseava muito.

 

FIM da 1ª parte

 

Leitor caríssimo:

Vê como eu quero o teu bem.

Escolhi este tamanho de letra só para que não estragues os teus ricos olhos e assim possas continuar lendo e vendo o que há de belo neste mundo, desfilando pelas nossas ruas, além de contemplar a Natureza e os nossos Monumentos.

Esta crónica amena destina-se a avivar a tua memória e exercitar as sinapses. Também com ela pretendo que atives o cérebro, aproveitando alguns dados de cultura geral. E distrair-te um pouco.

E sobretudo, isto é muitíssimo importante, não quero que te canses. Portanto interrompo agora esta crónica. Mas prometo-te que a 2ª Parte da mesma sairá daqui a alguns dias e nela irei revelar alguns dados inéditos, assim o julgo, na historiografia portuguesa. Lendo-a não desperdiçarás a oportunidade de pôr a tua cultura em dia. Assim o espero.

Entretanto, deseja saúde o vosso Villas-Boas, sempre ao dispor.

2021-02-22

manuel vieira - esposende

Faleceu o nosso colega Davide.

Residia num Lar na zona de Lisboa há algum tempo, condicionado por enfermidades crónicas que lhe limitaram a vida aos 78 anos.

Era natural do Soito, concelho do Sabugal e rumou a Gaia em 1953, regressando logo a casa devido a doença pulmonar. Voltou em 1954 e por lá andou na companhia do Assis, do Viterbo. do Barros, do Manuel Fernandes, do Bernardino Pacheco, entre muitos outros.

Foi advogado e esteve ligado profissionalmente à banca.

Nos Encontros em Palmela estava sempre disponível para assumir a cozinha.

Bom conversador, abordava com algum entusiasmo histórias do seu concelho e a sua pesquisa frequente sobre as temáticas locais permitia mostrar com alguma eloquência várias facetas do Sabugal, para muitos de nós desconhecido.

A última vez que nos encontramos foi no Encontro de Aveiro.

Até sempre, bom amigo e paz ao teu espírito.

2021-02-04

Aventino Pereira - Porto

 RESPOSTA DO AVENTINO AO QUESTIONÁRIO DO AVENTINO

 

1. Quantos anos tens?

          - Não sei; viro-me sempre para trás e “Oh! Mulher, quantos anos

          tenho?!”

 

2. Quantos anos viveste?

- DEZ. Tantos quantos foram os da minha infância.

 

3. Divides o mundo em santos e pecadores?

- Divido em honrados e perversos. Quanto aos primeiros, há de a Igreja santificá-los; quanto aos segundos, hão de pertencer a um partido político.

 

4. Sentes-te à vontade com o sexo feminino?

- Não. Antigo Testamento, Livro dos Provérbios, 7.

 

5. Sentes-te em igualdade com as mulheres?

- “Podes ter 100% de razão, perdes sempre com a mulher”, ditado popular chinês do século V a.c.

 

6. Se houvesse um regresso ao passado, eliminavas o Seminário da tua vida?

- O que eu eliminava era todo o meu passado.

7. Tens pudor ou vergonha em dizeres que foste seminarista?

- Já tive. O pudor transformou-se em pundonor, o pundonor em honra.

 

8. Tens um sentimento permanente de culpa?

- Um, não. MUITOS.

 

9. Gostas de passar na Rua Visconde das Devesas em Vila Nova de Gaia?

- Não sou eu quem ali passa; é um outro, alguém, um vento, um “ventino”, um pensamento que me conduz para aquela rua, casa grande, campos, jogos e o bosque. Ah! o bosque! Tantas e tantas vezes.

 

 10. Sonhas com o diabo frequentemente?

- Sonho comigo: o meu diabo maior.

 

11. E com um caldeirão em ebulição e tu lá dentro?

- Caldeirão, precipício, fuga, sequestro, tortura, morte, afogamento, tudo se lembra de vir passar a noite comigo.

 

12. Consegues ir ao Bingo?

- Não; nunca. “Bingo-me” no grito: “louvado seja o menino Jesus”

 

13. E persignar-te?

-Esteticamente é um belo gesto. Faço-o com regularidade apenas na expetativa de me benzer e perdoar a mim próprio.

 

14. Quando te cruzas com um homem com sotaina preta na rua, manténs-te no mesmo passeio?

- Vou uns longos metros atrás dele na esperança de lhe sentir a angústia de uma vida.

 

15. Quando a tua parceira te humilha, fá-lo com referência ao teu passado de seminarista?

- Sim, a esse, a todos os meus dias passados, a todos os instantes presentes.

 

16. Recuperaste, de alguma forma, os afetos perdidos na tua adolescência?

- Não.

 

17. Empanturras-te em bacalhauzadas para esquecer o passado?

- Bacalhau, cozido à portuguesa, rojões à moda do Minho, lampreia à bordalesa, arroz de lampreia, lampreia assada, de escabeche, empadas, croquetes e figos de lampreia, chispe, feijoada   à   brasileira,  feijoada    à    transmontana,   feijoada    à

 

portuguesa, gaspacho, sopa de pedra, sopa de cação, rabo de boi com grão, tripas à moda do Porto, leitão assado, fressura de leitão, feijoada de leitão, arroz de cabidela, rancho, farrapo velho, orelheira, bucho, caldeirada, redenho, fritada de couratos, papas de sarrabulho, javali com castanhas, perdiz com couve frita, redenho e chanfana, TUDO na mesma refeição, mas nunca me empanturro.

 

 18. Há palavras, frases, sons, gestos que te repugnam?

- SIM.

 

19. Quais?

- IRS, IMI, IUC, IEC, IRC, IVA, IA, Partido Comunista, Bloco de Esquerda, Argentino (como?! Argentino?!, é o que me perguntam quando digo o meu nome)

 

20. A Santa Madre Igreja ainda é santa, mãe e igreja?

- Claramente. Santa, mãe e igreja. De Puta Madre!

 

21. Alguma vez soubeste o que era a felicidade?

- É o meu estado permanente! O que seria a felicidade sem a minha contribuição para a felicidade dela?!

 

22. Sentes-te permanentemente só?

- “O homem nasce só, vive só e morre só” (Orson Welles)

 

23. Alguma vez tiveste algum sonho?

- Não; nunca os procurei e os sonhos não sabem da minha existência.

 

24. Só estás bem onde não estás?

- Talvez. Nunca parei em lugar algum o tempo bastante para pensar nisso.

 

25. Os convívios da AAAR fazem-te alguma falta?

- Sim, muita. Choro, esgadanho-me, grito, apelo, provoco, invoco, peço, imploro e a resposta é sempre a mesa: vai dar graxa ao cágado!

 

26. Tens campa, talhão ou jazigo reservado no cemitério?

 Já fiz negócio com o cubeiro mor de Bale Meior, Aduzindo da Fonceqa, não, não, Ado sindo da Funçe ca e tirei a senha para marcar a vez da AAAR.

 

27. Já marcaste um almoço de lampreia à bordalesa para 2021?

Sim, com os demais pratos constantes da minha resposta à pergunta 17.

 

28. Já leste a obra de René Daumal?

- Obviamente; que misturo, cum grano salis, com Bráulio Pedroso e Geraldo Carneiro.

 

29. E Margarida Rebelo Pinto?

- Obviamente, demito-a. Para lixo já bastam os meus escritos.

 

30. Quantos CD´s tens de Tony Carreira?

- Gosto de música, não de ruido. Se não fosse jurista, não preservasse o valor maior da liberdade, mandava-o cantar apenas para o seu capachinho.

 

31. Estás na fila para comprar o próximo CD?

- Sim; de Billie Ylishi, Benjamin Clementine, Cohen (póstumo) Rodrigo Leão, Rei Veloso, Ana Moura, Camané, Buba Espinho, Ricardo Ribeiro, Cante, Mercedes Sosa, Luz Casal, Zeca, Adriano, Pedro Barroso, Goes, Joaquin Sabina, Joaquin Rodrigo, Ella, Aretha, Mozart, Mozart, Mozart, Mozart, Mozart, Mozart, Mozart, Mozart.

 

32. André Rieu deveria ficar surdo, mudo, maneta e quedo?

- Um destes dias Mozart visitou-me e pediu-me, Aventino, paga-lhe para ele ficar eternamente em casa.

 

33. Quando estás em casa está lá algum homem?

- Não.

 

 

 

34. Quando te olhas ao espelho, ainda te conheces?

- Não.

 

35. O lugar do Sítio da Nazaré convida-te ao suicídio?

- Sim; muitos lugares, em muitos sítios me têm seduzido. Até mesmo uma Nazaré respondeu assim às minhas investidas “mata-te, oh porco”.

 

36. Las Vegas atrai-te?

- Os vidrados no jogo, as orientais, as luzes, os hotéis o Win, o Belagio, o Aria, o César, o Venice, o putedo, o glamour, a sedução, a perdição, o êxtase, o sonho, a liberdade fingida, a fuga, a inexistência, tudo isso me atrai para um abismo querido. E no regresso, a 100 milhas de Vegas, O Vale da Morte, quatro mil filmes de cowboys ali realizados, 100 graus Fahrenheit e os ossos ali perdidos a convidar-me, como na Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco: “nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”

 

37. Quando um drogado te pede uma moedinha, perguntas-lhe, “é pra droga?! Ele responde: não, não, é pra comer”, e tu, então não dou.?

- Sim, e acrescento: se fosse pra droga, dava; pra comida, nem pense, seu mentiroso.

 

38. A televisão é a tua patroa?

- Gostava de ter uma patroa que me sibilasse para os braços dela.

 

 

 

39. Quando respondes a questionários de merda costumas ser verdadeiro?

- Não, nunca. “a minha glória é esta: criar desumanidade. Não acompanhar ninguém” (José Régio)

 

40. Então por que não o és a este?

- Faltou-me o arrojo, o despojamento, o triste sentir do sentir; vencer o medo do medo de alguém falar de mim, dizendo a verdade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

             

 

2021-01-23

José de Castro - Penafiel

É com muito gosto que aqui estou a responder (com toda a seriedade) ao questionário que o (felizmente) inconformado Aventino nos deixou, aproveitando para antecipadamente deixar um abraço de amizade a todos o AARs.

Não possso também deixar de dar os PARABÉNS aos autores dos maravilhosos textos que nos foram oferecidos pelo Aventino e pelo António Vilas Boas (este tive que o ler duas vezes...) 

Aí vai!

1. Quantos anos tens?

R:Não tantos como gostaria de ter.

2. Quantos anos viveste?

R: Todos aqueles de que me recordo.

3. Divides o mundo em santos e pecadores?

RNão!

4. Sentes-te à vontade com o sexo feminino?

R: Com o sexo feminino sinto-me muito à vontade apesar de os tempos de glória pertencerem ao passado. Com as mulheres, o caso é muito mais complicado. Normalmente sim, outras vezes estou a mais. 

5. Sentes-te em igualdade com as mulheres?

R: Isso nunca acontecerá. Só me faltava que fossem iguais a mim... Sem prejuízo da igualdade de direitos de oportunidades.

6. Se houvesse um regresso ao passado, eliminavas o Seminário da tua vida?

R. Só se elouquecesse...

7. Tens pudor ou vergonha em dizeres que foste seminarista?

R: Não tenho uma placa na testa, mas sinto-me muito honrado por o ter sido.

8. Tens um sentimento permanente de culpa?

R: Nunca sofri desse mal a não ser nos primeiros anos depois de EU ter decidido sair do Seminário. Depois de muitos entraves à minha saída, emprestaram-me um exemplar de "O meu Cristo Partido" para ler, meditar e quem sabe voltar. Não só não voltei como NUNCA MAIS O DEVOLVI pois desapareceu em minha casa talvez raptado por alguma das minhas jovens irmãs. Essa culpa acompanhou-me de facto uns bons pares de anos. Já passou!

9. Gostas de passar na Rua Visconde das Devesas em Vila Nova de Gaia?

R: Não deixo de olhar para o edifício quando por ali passo. Mais ainda, quando vou na direção da Urbanização da Barrosa pois a vista é mais abrangente.

10. Sonhas com o diabo frequentemente?

R: Em criança (antes do Seminário), vinha ter comigo e perseguia-me sob a forma de fogo. Por mais que eu corresse, apanhava-me sempre. Felizmente acordava  sem ar e verificava que lhe tinha escapado. No dia seguinte ou assim que me fosse possível, montava e fazia explodir mais uma bomba. Isso mesmo! Aprendi a montar e fazer explodir bombas, usando serrim, pólvora, rastilho e pedra esmilhada bem antes da ida para o Seminário. Felizmente ainda tenho as duas mãos e os dois olhos provavelmente graças ao meu novo rumo a partir dos 11 anos.

11. E com um caldeirão em ebulição e tu lá dentro?

R: Isso até tinha dado jeito se eu estivesse fora do caldeirão. Mesmo quente, essa água seria eficaz para combater o fogo que me atormentava

12. Consegues ir ao Bingo?

R: Quando vou ao Estádio do Bessa levar os meus netos à ginástica passo à porta do Bingo onde nunca entrei. Recordo que também se jogava no Seminário e proporcionava bons momentos aos mais novos. Não custava nada e até se ganhavam uns "guaches" ou quem sabe um estojo "Kern".

13. E persignar-te?

R:  Experimentei agora mesmo e ainda atinei...

15. Quando a tua parceira te humilha, fá-lo com referência ao teu passado de seminarista?

R: Nunca tive conhecimento de parceiras que me humilhassem.

16. Recuperaste, de alguma forma, os afectos perdidos na tua adolescência?

R: Nnca os perdi.

17. Empanturras-te em bacalhauzadas para esquecer o passado?

R: Uma boa bacalhoada, apenas tem como consequência aumentar o meu desejo pela seguinte.

18. Há palavras, frases, sons, gestos que te repugnam?

R: Sim.

19. Quais?

R: Uma em particular: "Estúpido". Vá-se lá saber porquê mas nunca a utilizo. Posso insultar um "calhau com dois olhos" ,mas nunca uso a palavra "estúpido" .

20: A Santa Madre Igreja ainda é santa, mãe e igreja?

R: Nunca a achei Santa nem Mãe.

21. Alguma vez soubeste o que era a felicidade?

R: Sim. Muitas vezes nos meus tempos de glória...É uma fogueira que precisa sempre de lenha para arder. Com o inverno o olhar sobre a felicidade é outro. Nem melhor nem pior. É diferente. A nova lenha pode ser uma boa bacalhoada ou uma lampreiada e provocar um estado de felicidade ainda que fugaz, bastando para tanto que não provoque um bloqueio intestinal. 

22.Sentes-te permanentemente só?

R: Às vezes sim. Mas SÓ às vezes.  

23. Alguma vez tiveste algum sonho?

R: Ainda os tenho. Continuarei a sonhar enquanto puder.

24. Só estás bem onde não estás?

R: Às vezes.

25: Os convívios da AAAR fazem-te alguma falta?

R: Não que me façam falta mas deles tenho boas recordações.

26. Tens campa, talhão ou jazigo reservado no cemitério?

R: Espero ser cremado.

27. Já marcaste um almoço de lampreia à bordalesa para 2021?

R: Este ano a sorte é delas.

28. Já leste a obra de René Daumal?

R: Não conheço.

29: E Margarida Rebelo Pinto?

R: Conheço mas nunca li nada dela.

30. Quantos CD´s tens de Tony Carreira?

R: Não se ouve música aqui em casa a não ser temas infantis  

31. Estás na fila para comprar o próximo CD?

R: Não se compram CDs nos tempos que correm

32. André Rieu deveria ficar surdo, mudo, maneta e quedo?

R:  Mesmo que fosse isso tudo voltaria ao "Meo Arena" para os ouvir.

33. Quando estás em casa está lá algum homem?

R: Sim. Pelo menos um!

34. Quando te olhas ao espelho, ainda te conheces?

R: Espero estar a ver bem.

35. O lugar do Sítio na Nazaré convida-te ao suicídio?

R: Por acaso já me imaginei a voar por ali abaixo mas como não tenho asas...

36. Las Vegas atrai-te?

R: Não me sinto atraído pelo desconhecido.

37. Quando um drogado te pede uma moedinha, perguntas-lhe, “é pra droga?! Ele responde: não, não, é pra comer”, e tu, então não dou.?

R: Mas dou-lhe de comer.

38: A televisão é a tua patroa?

R: Ainda não.

39. Quando respondes a questionários de merda costumas ser verdadeiro?

R: Não respondo a questionários de merda mesmo aos das Finanças.

40. Então por que não o és a este?          

R: Respondi com verdade porque este não foi feito por um merdas.

2021-01-21

Arsénio de Sousa Pires - Porto

Aventino, não sei se lançaste um desafio para que nós respondêssemos ao teu intressante Questionário. Louvo e agradeço esta tua iniciativa! Aqui vai a minha resposta:

QUESTIONÁRIO AO ANTIGO ALUNO REDENTORISTA

1. Quantos anos tens?

R:Tantos que já nem sei.

2. Quantos anos viveste?

R: Tão poucos que nem vale a pena somar.

3. Divides o mundo em santos e pecadores?

R: Não! Também gosto dos GNR e dos UHF.

4. Sentes-te à vontade com o sexo feminino?

R: Com as mulheres, sinto-me muito à vontade. Com o SEXO feminino, depende bastante da qualidade do sexo.

5. Sentes-te em igualdade com as mulheres?

R: Não exageremos! Viramos Bloco de Esquerda ou quê? Não queiramos fazer igual o que Deus, (ou a Natureza… para não ferir os menos gnósticos!), fez DIFERENTE. Igual, é uma coisa. Diferente, tendo os mesmos direitos e deveres, é outra bem DIFERENTE.

6. Se houvesse um regresso ao passado, eliminavas o Seminário da tua vida?

R. NÃO! Transformava-o numa Unidade de Cuidados Continuados para todos os ex-seminaristas redentoristas!

7. Tens pudor ou vergonha em dizeres que foste seminarista?

R: Pudor?! Ai, credo...! (aqui juntam-se os joelhos e inclina-se a cabeça para o lado que estiver mais à mão!)

Vergonha? Não preciso de dizer. Nota-se no olhar! Basta só confirmar. Nunca entrei e disse: ”Malta, sou ex-seminarista!”

8. Tens um sentimento permanente de culpa?

R: Se, por “culpa” tiver em conta o conceito oriundo do Direito Romano que a considera como sendo a falta de diligência no cumprimento daquilo que é exigido, por lei, a todos, não sinto culpa alguma. Agora, aquela cena de ver o “pecado” em tudo o que mexe, soltado nos famosos retiros, sobretudo, espanhóis… demorou alguns anos a ser safada cá por dentro. Hoje, não sinto culpa alguma… e tendo a não culpar ninguém pois não sou advogado nem juiz.

9. Gostas de passar na Rua Visconde das Devesas em Vila Nova de Gaia?

R: Dá-me muito jeito sobretudo quando, vindo da zona do Gaia Shopping, quero evitar a Av. da República (Gaia).

10. Sonhas com o diabo frequentemente?

R: A dormir, o meu cérebro não tem possibilidades de sonhar com realidades não existentes.

Acordado, sonho com ele frequentemente. Até porque eu já fui diabo muitas vezes.

11. E com um caldeirão em ebulição e tu lá dentro?

R: Só quando fui João Ratão. Fiquei com o rabo queimado. E, como rato queimado de rabo frio tem medo…

12. Consegues ir ao Bingo?

R: Não sei o que é isso. Suponho que é um jogo do tipo daquele que se fazia pelo Natal “Viva o Menino Jesus”! Não. Não acho graça. Até porque, quem joga perde sempre!

13. E persignar-te?

R:  Só quando vou ao bruxo de Areosa (Porto)

14. Quando te cruzas com um homem com sotaina preta na rua, manténs-te no mesmo passeio?

R: Só no filme “Diário de um Pároco de Aldeia”. Ou no “Campo de Trigo com Corvos” com Van Gogh.

15. Quando a tua parceira te humilha, fá-lo com referência ao teu passado de seminarista?

R: Por ter sido seminarista nunca fui humilhado por ninguém . Antes, muitas vezes fui exaltado nalgumas ocasiões e acções. A minha “parceira”, nunca me humilhou. Violência doméstica paga uma culpa (segundo o Direito Romano…!), não?

16. Recuperaste, de alguma forma, os afectos perdidos na tua adolescência?

R: Os afectos são como o tempo: ou o apanhas ou nunca mais o recuperas! Talvez não consiga responder a esta questão pois os afectos são distintos porque são dados por pessoas diferentes.

17. Empanturras-te em bacalhauzadas para esquecer o passado?

R: Com o nosso rei D. Carlos, direi: “Conheço todas as 200 maneiras de cozinhar bacalhau: Cozido ou assado na brasa!” Para mim, comer bem nunca foi “empanturrar-me para esquecer o passado” mas deliciar-me, comendo bem, para preparar o futuro (por tal motivo, como cada vez menor quantidade!)

18. Há palavras, frases, sons, gestos que te repugnam?

R: Repugna-me mais a ausência de palavras sons e gestos.

19. Quais?

R: O silêncio dos outros.

20: A Santa Madre Igreja ainda é santa, mãe e igreja?

R: Santo Ambrósio de Milão disse que a Igreja é uma “casta meretriz”.

21. Alguma vez soubeste o que era a felicidade?

R: Muitas vezes mas, depois, esqueço-me!

22.Sentes-te permanentemente só?

R: Penso que cada homem é um ser SÓ, em relação com outros seres humanos SÓS. Só assim ele se reconhece como Pessoa no meio das outras Pessoas. Muitos SÓS em SOlidariedade.   

23. Alguma vez tiveste algum sonho?

R: Acordo sempre antes do final!

24. Só estás bem onde não estás?

R: Como o António Variações e, sobretudo, com o Sto. Agostinho.

25: Os convívios da AAAR fazem-te alguma falta?

R: Quais? Já não me lembro.

26. Tens campa, talhão ou jazigo reservado no cemitério?

R: Mau! Outra vez a cena do “cubeiro” que abre covas?!

Eu sou mais pobre que Job.

27. Já marcaste um almoço de lampreia à bordalesa para 2021?

R: Só Takeaway cá em casa. E… arroz com a dita cuja.

28. Já leste a obra de René Daumal?

R: Não. O nome soa-me MAL.

29: E Margarida Rebelo Pinto?

R: “Sei Lá”! Essa senhora nunca visitou a minha biblioteca. Se cá entrasse, por certo que o meu amigo Eça exigiria mudar de estante! Como diz António Lobo Antunes: “Há escritores e há escrevedores.”

30. Quantos CD´s tens de Tony Carreira?

R: Ao certo, não sei. Mas tenho bastantes e ouço Tony Carreira com muito gosto; assim como ouço o Júlio Iglésias. Sobretudo no automóvel.  

31. Estás na fila para comprar o próximo CD?

R: Estou confinado. Mas, segundo sei, o próximo está muito longe!

32. André Rieu deveria ficar surdo, mudo, maneta e quedo?

R:  O diabo seja cego, surdo, mudo, marreco, paralítico e tudo!

33. Quando estás em casa está lá algum homem?

R: Se for em casa dum amigo, sim. Está lá um Homem…que é ele!

34. Quando te olhas ao espelho, ainda te conheces?

R: Com este confinamento, barbeio-me menos vezes.

35. O lugar do Sítio na Nazaré convida-te ao suicídio?

R: Estamos na 3ª Onda! Não vale a pena!

36. Las Vegas atrai-te?

R: Atraem-me muito mais Las Nuevas.

37. Quando um drogado te pede uma moedinha, perguntas-lhe, “é pra droga?! Ele responde: não, não, é pra comer”, e tu, então não dou.?

R: A minha mãe dizia: “Faz o bem e não olhes a quem.”

38: A televisão é a tua patroa?

R: Ligo e desligo a televisão quando quero e me apetece.

39. Quando respondes a questionários de merda costumas ser verdadeiro?

R: Quase sempre! Hoje foi excepção!

40. Então por que não o és a este?          

R: Porque este é um questionário de merda! Ehehehehehehe!

 

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