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2021-08-22

Arsénio de Sousa Pires - Porto

Voltamos à cena dos inquéritos inconclusivos… como o anterior, é?

Estou a ver que o vencedor vai ser o autor do inquérito!!!

 

Esse tal de PROUST, para além de não fazer mais nada de útil do que andar À procura do Tempo Perdido, ainda nos quer fazer perder tempo com estas tretas de Inquéritos?

Bom, por respeito ao Inquiridor Aventino, vamos lá a isto.

 

1.       Qual a tua ideia de felicidade perfeita?

              R/ Não faço a mínima ideia!

2.      Qual o teu maior medo?

              R/ Que o céu me caia encima (Abraracoursix)

3.      Na tua personalidade, que característica mais te irrita?

              R/ Nenhuma. Tolero-as todas.

4.      E qual o traço de personalidade que mais te irrita nos outros?

              R/ Que não tolerem a minha personalidade.

5.      Qual a pessoa viva que mais admiras?

              R/ EU mesmo.

6.      Qual a tua maior extravagância?

              R/ Usar a risca do cabelo à esquerda. Nunca consegui fazê-la ao centro nem à direita.

7.       Qual o teu estado de espírito neste momento?

              R/ Grande vontade de dormir uma sesta.

8.      Qual a virtude que pensas estar sobrevalorizada?

              R/ Nenhuma. Todas as minhas virtudes estão SUBvalorizadas... por mim.

9.      Em que ocasiões mentes?

              R/ Quando tento dizer uma verdade.

10.   O que menos gostas na tua aparência física?

              R/ A parte de trás quando estou a fazer a barba ao espelho.

11.    De entre as pessoas vivas, qual é a que mais desprezas?

              R/ Só desprezo algumas pessoas mortas. Poucas!

12.   Qual a qualidade que mais admiras num homem?

              R/ Ser capaz de ir a um shopping.

13.   E numa mulher?

              R/ Ser capaz de encontrar a chave da porta de casa dentro da sua mala.

14.   Diz uma palavra ou uma frase que usas com muita frequência.

              R/ Não posso dizê-la por respeito ao Inquiridor!

15.   O quê ou quem é o maior amor da tua vida?

              R/ Sempre me amei… muito!

16.   Onde e quando te sentes mais feliz?

              R/ Na cama, depois de adormecer.

17.   Que talento não tens e gostarias de ter?

              R/ Tenho todos os talentos do mundo só que não os uso!

18.   Se pudesses mudar algo em ti, o que seria?

              R/ Detesto mudanças. Não quero mudar nada em mim. Estou bem assim.

19.   Qual consideras ter sido a tua maior realização?

              R/ Ter chegado aos 77.

20.  Se houvesse vida depois da morte, o quê ou quem gostarias de ser?

              R/ Um Anjo… com asas brancas.

21.   Onde preferes morar?

              R/ Aqui mesmo.

22.  Qual o teu maior tesouro?

R/ 500 dólares que me sobraram duma viagem a Nova Iorque… de que não gostei nada!

23.  O que consideras ser o cúmulo da miséria?

              R/ Ser rico.

24.  Qual a tua ocupação favorita?

              R/ Não fazer nada.

25.  E a tua característica mais marcante?

              R/ (repetimos ou é rasteira?).

26.  O que mais valorizas nos amigos?

R/ Não serem inimigos. Ando a reduzir o número de amigos para ter cada vez menos inimigos.

27.  Quem são os teus escritores favoritos?

              R/ Era eu mas, já há bastante tempo que não escrevo nada de jeito.

28.  Quem é o teu herói de ficção?

              R/ Assurancetourix, o bardo.

29.  Com que personagem histórica mais te identificas?

              R/ Sem dúvida alguma, comigo mesmo!

30.  Quem são os teus heróis na vida real?

              R/ Não há heróis. Heroína… há muita!

31.   Quais os nomes próprios de que mais gostas?

              R/ Arsénio

32.  Qual o teu maior arrependimento?

              R/ Arrependimento de quê? O passado não existe! “Tou certo ou tou errado?”

33.  Como gostarias de morrer?

              R/ Quando já não estivesse vivo.

34.  Qual o teu lema de vida?

              R/ Amanhã pensarei nisso!

2021-08-17

Aventino Pereira - Porto

Caros AAR’S:

Nesta viagem do silêncio, sugiro-vos o QUESTIONÁRIO DE PROUST:

Vá lá, vá lá, responde. O prazo expira a 30 de agosto corrente e o vencedor será o que conseguir ser mais MENTIROSO.

 

1.       Qual a tua ideia de felicidade perfeita?

2.      Qual o teu maior medo?

3.      Na tua personalidade, que característica mais te irrita?

4.      E qual o traço de personalidade que mais te irrita nos outros?

5.      Qual a pessoa viva que mais admiras?

6.      Qual a tua maior extravagância?

7.       Qual o teu estado de espírito neste momento?

8.      Qual a virtude que pensas estar sobrevalorizada?

9.      Em que ocasiões mentes?

10.   O que menos gostas na tua aparência física?

11.    De entre as pessoas vivas, qual é a que mais desprezas?

12.   Qual a qualidade que mais admiras num homem?

13.   E numa mulher?

14.   Diz uma palavra ou uma frase que usas com muita frequência.

15.   O quê ou quem é o maior amor da tua vida?

16.   Onde e quando te sentes mais feliz?

17.   Que talento não tens e gostarias de ter?

18.   Se pudesses mudar algo em ti, o que seria?

19.   Qual consideras ter sido a tua maior realização?

20.  Se houvesse vida depois da morte, o quê ou quem gostarias de ser?

21.   Onde preferes morar?

22.  Qual o teu maior tesouro?

23.  O que consideras ser o cúmulo da miséria?

24.  Qual a tua ocupação favorita?

25.  E a tua característica mais marcante?

26.  O que mais valorizas nos amigos?

27.  Quem são os teus escritores favoritos?

28.  Quem é o teu herói de ficção?

29.  Com que personagem histórica mais te identificas?

30.  Quem são os teus heróis na vida real?

31.   Quais os nomes próprios de que mais gostas?

32.  Qual o teu maior arrependimento?

33.  Como gostarias de morrer?

34.  Qual o teu lema de vida?

 

2021-06-25

Aventino Pereira - Porto

 

                                                               SOBREVIVI (continuação)

Dez anos de idade, internato, Deus e vocação.

O princípio da bondade e da tolerância reinava no seminário. Nem bullying, nem cigarros, nem palavrões, nem sequer a imposição do divino e dos dogmas da Igreja Católica constituíam qualquer interesse. Todos sabiam que nenhum de nós ali tinha ido parar por um chamamento divino ou por algum querer o sacerdócio para a sua vida. Assim era há muitas décadas, assim tinha sido com eles próprios, eles os que dirigiam a instituição. Havia os que tinham recebido o sacramento da Ordem bem mais por se terem deixado ir na corrente das águas até ao mar, do que por qualquer esforço de navegar até uma margem. Essa questão, esse íntimo sentir e querer nunca ninguém me perguntou: queres ser padre? Quem sabe, com medo da resposta ou com medo que, na verdade, eu quisesse seguir esse caminho.

Bem mais importante eram os princípios com que nos criaram. Nem violência, nem desigualdades, nem ignorância nem genialidade. O homem médio na sua plenitude é que era o ser que poderia ter sido criado por Deus. O homem desigual ao homem não podia porvir da divindade, ensinaram-nos logo no primeiro ano. Não entenderam, pois não? perguntou o diretor, nem quero que entendam hoje, mas amanhã ou daqui a anos porque o entendimento imediato é breve, esfuma-se como a tempestade que nos leva, num instante, todas as colheitas, concluía.

E os dias eram felizes. Na verdade, só os pobres podem aspirar a ser felizes. Os outros, a quê? A serem menos infelizes. Ou a não serem. “Ter é tardar”, (Fernando Pessoa). O dinheiro e o poder deitam-se e acordam ao lado de quem os tem, como se fossem as suas companheiras de leito, como se fossem aquele amor de uma mulher ao cair da noite, fugidio, fugiu na noite, já não está ao amanhecer. Levou tudo, roubou tudo, o relógio, a carteira, os naperons e até o copo de cristal com a prótese dentária postiça. E as outras são diferentes? Sim, claro: só para os inocentes.

                                                                                                                                                                                                                                                             XXXX

A estrada comanda-me, a primeira curva, as águas que atravessam a estrada, fazem os regos, fazem poças, espreitam por debaixo do chassis e eu paro, lá está o penedo maior na borda da estrada onde tantas vezes trepei para observar o mundo.

Nos horizontes da minha criança, o mundo findava no horizonte da torre da igreja para o sul e nas bordas das oliveiras onde moravam os enforcados. O penedo subia-o nos meus anos de seis e sete e ali ficava agachado por entre a concha que ele fazia a meio da sua enormidade. Ficava ali no meio da fraga a ouvir sons e frios como só o granito é frio, os musgos e o húmido escorria com liberdade. Em todos esses momentos em que me acolhia nos braços do penedo, fazia-o a medo, esse sentir com o qual nunca estive em paz. Tive-o, tenho-o, repudio-o mas quero-o porque provoca-me, empurra-me, faz-me cão a ladrar a todo o que passa apenas porque está em pânico. O medo no penedo e se alguém me visse, ali agachado, enregelado, a olhar para além sem saber o que era além?

Era o medo da minha diferença, as vozes da paróquia, o filho mais novo do Manuel é esquisito, e o penedo, e eu a sair do penedo, novamente a estrada, agora, o automóvel, deixa a memória para trás, para meu coração para (Fernando Pessoa, Aniversário) e a primeira curva,  a outra curva, à direita são fragas, à esquerda o vale, nabiças e couves, grelos e abóboras, bardos de videiras a largarem os primeiros gomos.

O penedo dava-me calor, dava-me frio, dava-me o encanto da minha solidão. Agachado no meio do penedo eu podia tudo, ver o mundo, sentir o vento, olhar a luz dos fins de tarde com os meus olhos de apaixonado pela descoberta. Às vezes, ali aninhado, tinha desejos: que o penedo se abrisse e abrindo-se me engolisse, faria ali uma cidade uma cidade só minha e dele, com música dos cantares ao desafio que já tinha ouvido e poesia, sobretudo poesia,

o que é a poesia, perguntei ao meu professor,

 o que é a poesia, retorquiu-me, tu sabes?

deve ser como lágrimas felizes, respondi-lhe,

sim, sim, disseste bem a poesia são as nossas lágrimas felizes

 e eu a querer ficar no meio do penedo, aberto numa cratera só para mim, onde pudesse derramar as minhas lágrimas felizes. E cristalizar-me. Cristalizar-me só.

O meu penedo rachou, parece que chora, tens musgos e verdetes, tem ervas à sua volta, amareleceu, deixou-se morrer pela solidão. Já não há crianças, já não há cabras nem ovelhas que caguem à sua volta, já ninguém passa por ali a pé. São automóveis, motorizadas, turistas e forasteiros que não saúdam o penedo.

Quando lá vou, ele faz-me queixa, eu e ele, como se nos abraçássemos e ambos soubéssemos que ambos sabemos falar da morte.

 

2021-05-31

assis - Orbacém

 ORANDINO DE QUEIRÓS ALVES

Pelo telemóvel do amigo Manel Vieira, chegou-me esta tarde a noticia do falecimento do Orandino Queirós Alves, o decano geral do seminário de Cristo Rei em 1954, ano em que cheguei por vez primeira à quinta da Barrosa. Telefonei de imediato ao seu irmão Bernardino para lhe apresentar os meus sentimentos de pesar.

Orandino, uma das pessoas que me marcaram na altura pela sua doçura e forma delicada com que a todos tratava, sobretudo aos mais pequenos. Dele continuam ainda soando aos meus ouvidos as palavras do regulamento juvenil, que semanalmente lia na capela: "Água mole em pedra dura tanto dá até que fura..." Pouco tempo houve para que se pudesse fortalecer a nossa amizade. Saiu do seminário, creio eu, que a meio do meu 1º ano. Todavia, conosco continuaria na Barrosa, por mais 5 anos, o seu irmão José para que a amizade perdurasse. E bastantes anos depois, o meu encontro com o Pe. Henri conduziR-me-ia ao conhecimento do Pe. Bernardino Queirós, um dos mais chegados ao nosso saudoso Henri Boursicaud, do seu pai e do Amâncio, o outro irmão que  também frequentara a Barrosa. 

 Orandino, uma Pessoa Boa que nos deixou. A Paz seja com ela.


2021-05-30

AVENTINO - PORTO

ORANDINO DE QUEIRÓS ALVES

 

Morreu-me. Um dos grandes amores da minha vida.

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