fale connosco


2014-04-06

aventino pereira - PORTO

PACTA SUNT SERVANDA

Se a Associação tivesse memória, se o secretário da Assembleia Geral tivesse feito o seu trabalho, se fôssemos exigentes e exigíssemos que quem aceitou a incumbência de fazer as actas tivesse feito as actas, todos saberíamos que a questão levantada do local onde se há-de realizar o Grande Encontro 2014 é uma discussão estéril. De facto, como diz o nosso povo: "é preciso ter topete" para haver sugestões do local para o ano 2014.

Vá lá meninos. Lembrem-se bem da lição:

Em 2012 o Grande Encontro foi em Vila Nova de Gaia. Na Assembleia Geral houve duas propostas quanto ao local da realização do Grande Encontro: uma do nosso querido Alexandre Gonçalves e uma outra que foi a que venceu por uma imensa maioria: o Grande Encontro realiza-se, ano sim, ano não, em Vila Nova de Gaia. Em 2012 foi em Gaia, em 2013  foi no Douro e este ano onde é, onde é?!

Ainda sabem contar? Vila Nova de Gaia. Ponto Final.

Venham lá os órgãos competentes pôr ordem  na rambóiada que parece querer instalar-se.

2014-04-03

alexandre gonçalves - palmela

 

ESTEVAS  DE  MAIO

 

Parabéns Arsénio por essa distinção entre decidir e executar! É fácil defender uma ideia, mesmo que ela não tenha suporte na realidade. Mesmo que ela obtenha votos maioritários de circunstância. Mas as ideias, até quando exaltam o que de melhor existe na condição humana, carecem não só de oportunas decisões como também de generosos idealistas que as plantem no terreno. Vem isto a propósito da votação feita em Gouveia, segundo a qual o encontro anual da associação se devia fazer em Gaia de dois em dois anos. Dadas as circunstâncias, o debate não foi nem brilhante nem esclarecedor. Nem tempo havia para o ser. Uma relativa maioria aprovou a proposta mas não referiu o modo como se poderia levar à prática tal "decisão". Alguns pensarão que basta entrarmos por aqueles portões, que já não existem, para o encontro e os abraços funcionarem. Um pouco à maneira dos antigos combatentes da 1ª Grande Guerra. Juntam-se em redor dum monumento, inflamam-se num patriotismo retórico e depõem uma cora de flores. Monumento já temos. A antiquíssima palmeira aguarda, surda e muda, que arrumemos por ali os automóveis, que demos os abraços prometidos e façamos uma fotografia dos sobreviventes. Para haver algo mais, alguém teria de sair da sua rotina para criar um gesto novo que fosse. O que tem havido já não há. Nada ali acontece por obra do Espírito Santo. O Arsénio explicou tudo com excepcional clareza. Quem tem olhos para ver que os aplique. Que fazer? Quedamo-nos todos à espera de Godot? Arriscamos esbanjar por distracção estes anos acumulados em cumplicidade, em grandes momentos de festa, de cultura, de regresso a uma identidade?

Como em tudo na vida, também aqui há alternativas. Estamos já em condições de garantir uma viagem inédita, a todos os títulos continuadora dos melhores encontros já realizados. De resto, apesar de o rectângulo ser escasso, estamos muito longe de esgotar as oportunidades que se oferecem às nossas expectativas. E de ano para ano, com a aprendizagem que a experiência acumula, é possível proporcionar, às mais diversas sensibilidades, um conjunto de práticas e de bens de incalculável valor. O tempo foge, como dizem os relógios. Mas é urgente resistir. É imperioso não dar o flanco. Nem sentar-se diante dos televisores. Nem antecipar a funesta sentença. Viver é preciso. Vegetar é proibido. Somos herdeiros da sabedoria. Não a levemos connosco para o outro lado do mar.

Falemos do SUL. O sul é depois do Tejo, terra de sol, ainda ocupada pelos infiéis. Campos rasos de luz e de azul, que em maio se cobrem de infinitos matizes de "boninas" camonianas. Já explorámos o poente, num dos altos momentos de glória da associação. Recordam-se das vinte noras mouras que visitámos? Do concerto inverosímil em pleno barrocal algarvio? Pois bem, o Arsénio já o referiu. Eu corroboro. Beja espera por nós. O António Vaz será o anfitrião. Até lá, não há mar salgado, mas há mar de vinhas, de oliveiras, de estevas perfumadas, em plena flor de alegria e exaltação. Em redor da cidade e dentro dela, há um mundo pujante a renascer. 

Atentos estai, porque do sul vem a feliz notícia. Se entretanto ninguém conceber uma alternativa com assinatura, ligada a Vila Nova e aos respectivos riscos, estejam de ânimo aberto, porque o SUL não dorme. O prazo é curto e exige agilidade e tempo, para qualquer das hipóteses. Beja é muito bela mas espera por MAIO, porque é em maio que ela cresce em esplendor. Portanto, se até meados de abril não houver gaia, entra inevitavelmente em acção a alternativa de Beja.


"Em Beja não vereis o arrebique

a sua escritura é mais sem ornamento.

Estética do recato.

Poesia que

vem de dentro.

Onde outras serão excesso Beja é pouco

mais de sombra que sol é seu circuito.

Procurai no recanto e no reboco.

Vereis então que Beja é muito."

                      M. Alegre

2014-04-02

Arsénio Pires - Porto

“TEMPUS FUGIT”, dizem alguns relógios junto ao pêndulo.

De facto, o nosso já quase fugiu… mas ainda restam alguns dias. Alguns dias para vivermos junto daqueles que nada exigem a não ser um abraço antigo como a Palmeira que nos recebeu e guardou durante aqueles dias de Coimbrões. (O mar ao fundo só visível em tardes de saudade das terras que ficam atrás dos montes. Lembras-te… através dos vidros das janelas do 6º ano?)

O tempo urge para o abraço que temos reprimido desde há quase um ano.

Junto à Palmeira ou noutro sítio, tem de ser. Qualquer lugar é bom para a amizade.

Sempre fomos bons em decisões mas muito fracos em execuções. Decidir é fácil. Difícil é agir.

Haja alguém que faça! (Lembro a minha “licença sabática” em relação a esta e a outras realizações da Associação. Estarei só com a revista que, por motivos já publicitados, sairá por alturas do Natal próximo.)

1- PRIMEIRA HIPÓTESE: Encontro em Gaia.

Quem avançar para orientar o Encontro em Gaia terá dificuldades acrescidas. As hipóteses de ocuparmos o tempo com actividades extra, em Gaia ou no Porto, estão já bastante exploradas. Uma palestra para sábado? Talvez. Sarau cultural? Nunca tivemos grande êxito. Passeio “peripatético” pelos lugares de então? Amigo Aventino, esses lugares estão de tal modo reduzidos e confinados que tal passeio seria mais “patético” do que “peri”!

Não sei! Mas pode haver quem tenha novas ideias! Sobretudo aqueles que defendem a oportunidade da realização do próximo Encontro em Gaia terão uma palavra a dizer.

2- SEGUNDA HIPÓTESE: Encontro em Beja.

De certeza que leram o artigo do António Vaz que saiu na mais recente Palmeira, na pág. 3. Ele prontificou-se para, se ajudado, explorar essa hipótese.

TEMPUS FUGIT.

2014-03-28

A. Martins Ribeiro - Terras de valdevez

Era para voltar aqui muito mais tarde para não ser só eu a monopolizar este espaço e poucos mais mas, depois de ter lido o texto do Castro, magnífico, burilado, sincero, exoticamente  belo, tenho mesmo de dizer alguma coisa: e só pergunto para os meus botões, colarinhos ou bolsos das calças; onde tem andado este amigo Castro que além de nos presentear com um vinho do Porto inigualável, ainda exara trechos de tão singular beleza? Sei que ele gosta mais de estar sentado no sofá mas, ó ingentes Deuses, como é possível que um artífice de índole tão sublime só ande a intervir ás pinguinhas?

Também estou de acordo que paremos, para já, com tão pantagruélicos discursos e passemos a abordar outros temas não menos interessantes pois nem só da gula se vive. 

Trago aqui á baila o último escrito do Peinado constatando que, embora na sua parte final mantenha o seu inconfundível e jovial estilo tenha, no entanto e desta vez, versado um tópico bastante mais profundo e sobre o qual quero tecer-lhe um comentário justaposto ao meu pensamento. Como diz o povo, quem tem o vício no corpo raramente muda; pode mudar certos pormenores que não vão aquecer nem arrefecer que quanto ao essencial fica tudo na mesma. E se todos esses hábitos foram seguidos (como são) por muitas outras pessoas envolvidas no sistema, sobretudo essas agarram-se á manjedoura e nem mudam mesmo nada. Não se faz nenhuma revolução com falinhas mansas nem com palmadinhas nas costas; eu, pelo menos, não tenho disso conhecimento nem a História no-lo conta. Quem anda e sempre andou entusiasmado com leituras do KonaSutra dificilmente deixa de seguir o que lá diz e não está disposto a mudar. Desta forma, o que este Papa Francisco tem feito pode incluir-se na vertente das boas intenções, porém, ele só ou poucos mais como ele, pouco conseguirão mudar no sentido de produzirem uma reforma profunda que altere substancialmente a idiossincrasia da Santa Igreja católico-romana. Sempre assim foi há dois milénios e tudo continuará igual, ad æternum. Estou a falar de Doutrina, Códigos e Costumes, bem entendido e não me  anatemizeis porque, como seguidor da Igreja de Cristo, não entendo que ela possa mudar na essência nem mesmo poderia concordar com qualquer mudança mais profunda que A descaracterizasse. Claro que sou contra muitas práticas temporais que, não propriamente da Instituição Igreja, mas de quem humanamente a dirige e que, essas sim, deverão ser abandonadas e mesmo punidas, pois conspurcam a Santidade dos seus cânones e catecismos. Por isso, pode o caro Peinado esperar sentado que, creio eu, nada irá mudar no quotidiano da Santa Madre Igreja; e ainda bem, digo eu!

O Ricardo Morais é outro traste que comete o mesmo pecado de se fechar em copas, escondendo a sua reconhecida bagagem intelectual. Da mesma forma o Bernardino e outros mais que já foram citados.

Sabeis uma coisa? Vem aí a santa Páscoa e todos nós devemos comemorá-la com as suas rezas apropriadas; o que não quer dizer que, sobretudo eu, por tradição e festa, não me deleite com a respectiva foda, essa sim, a verdadeira.

2014-03-28

alexandre gonçalves - palmela

 

VILA  NOVA, 2014

 

Até que enfim! A lampreia conseguiu fugir desses predadores do cristão norte! Depois chamam nomes aos pagãos do sul. Haja paciência democrática! Se voltarem a atacar essas criaturas, haverá uma denúncia, com sólido fundamento jurídico, e não poucas testemunhas, dessas práticas devoradoras, que indiciam crimes de ordem gastronómica. E outros, cujo nome nem deve ser escrito. E ponto final!

Agora Vila Nova! Soletro a palavra, em busca de sons antigos. E uma fina melancolia, como a chuva da infância, essa que descia obsessivamente no bosque e na avenida, cobre de poeira húmida o que resta do coração. Já não dispomos de tempo bastante para arriscar um saldo frágil de alegria que ainda nos sobre. Dói muito aquele espaço! Dói a nossa ausência. Já não se ouve o piano do fundo do corredor. Do alto do bosque já não se vê Coimbrões. Nas salas já ninguém solfeja uma adolescência tardia nem há coro que interprete Vitória ou Palestrina. Caminhar como o grego sobre um chão de ruínas não garante um pensamento luminoso. Nem abranda tensões que a memória em vão acorda. 

Os encontros de Vila Nova são tristes. Foi ali que sequestraram o nascer do sol. O hesitante voo das águias recém-nascidas. Os impulsos originais, que pretensamente deveriam recriar o mundo. Celebrar destroços? Ignorar silêncios hormonais, cuja violência ainda perdura? 

Claro que nos fica bem a gratidão. Já todos o disseram! Filhos de um Deus menor, o nosso futuro estava hipotecado à nascença. Ali aprendemos a dizer as palavras libertadoras. Os nomes e os códigos em que se escreviam o céu e a terra. Porém, bem sabe cada um o que teve de pagar, não em dinheiro nem em géneros, mas em afectos, angústias e desesperos. Era um espaço cheio de Deus, mas um Deus possessivo, ciumento, déspota. Um Deus parecido com o minotauro de Creta. Para o aplacar, os Atenienses comprometeram-se a sacrificar-lhe as mais belas raparigas e os rapazes mais robustos da cidade. Por mais difícil que seja reconhecê-lo, não terão sido poucos os que fizeram esse papel dramático de cordeiros, imolados aos medos e aos infernos de inúmeros pregadores de serviço.

Os encontros de Vila Nova desenvolveram-se com as melhores intenções. O formato, embora discutível, serviu em tempo útil esses desígnios. Muitos nem sequer admitem que possa ser doutra maneira. No entanto, outros tantos haverá que, em aberta colisão, se afastam, se afastaram ou nunca apareceram. Creio ser imperioso que a associação preserve um espírito de máxima abrangência, por forma a integrar as mais diversas sensibilidades. Já não somos muitos nem temos herdeiros. Mas os que somos devemos aprofundar as razões deste compromisso mútuo e ampará-lo delicadamente, pois a dinâmica associativa está cada vez mais vulnerável. Se tiver de ser em Vila Nova, que seja! Mas então era urgente que uma comissão voluntária e generosa se prontificasse a defender a sua dama, com actos e planificações adequadas, com tempo, com substância e abrangência.   



Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº