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2019-04-20

Manuel Vieira - Esposende

As festas pascais animam por todo o país a época baixa e as tradições ainda são o que eram ,sobretudo na região norte, onde os compassos continuam a dar vida e muita cor no domingo, segunda feira e até na pascoela.

Vale bem visitar nestes dias a região alto minhota, a zona da Ribeira Lima, a freguesia limiana de Vitorino das Donas onde os homens que asseguram o compasso usam lenços de mulher atados nas cabeças e são acompanhados por uma orquestra de instrumentos de corda, ou as vianenses Meadela e Portuzelo com as gaitas de fole e os tamborileiros  marcam o ritmo das mordomas e das jovens minhotas coloridamente ataviadas.

Em Fiscal, terra do António Variações, o compasso desce o rio Homem em dia de segunda feira, com várias embarcações construídas para o efeito, onde navegam a Banda de Música, o compasso agora sem  o padre Joaquim recentemente falecido, os fogueteiros e os jornalistas e os fotógrafos.

A espiritualidade destes momentos também pode ser intensa,  vivida nos locais certos mas a festa familiar traduz a importância que ainda se dá à intensidade da vida e à partilha de tempos felizes.

Não vou estrear roupas novas como era tradição na minha infância mas alegra-me lembrar-vos nestes dias de festa.

Uma Páscoa Feliz e um abraço...


2019-04-11

alexandre gonçalves - palmela

 

 NOTA INTRODUTÓRIA: ELOGIO DA INSURREIÇÂO


"Foi o lugar que sucumbiu. Só vinga

a espécie de halo que ficou a dar

para a distância". F. Echevarría (Introdução à Poesia)


 

Saudações insurreccionais! Abril trouxe um pouco de chuva, o bastante para o ventre da terra se agitar de fertilidade. Num  súbito gesto solidário, e claramente deslumbrados pela explosão dos campos e dos bosques, emergem da penumbra alguns dos ARs mais atentos à vertigem da idade. Rejeitando concordâncias e resignações, aí estão os suspeitos do costume, a subverter a nossa precoce aposentação, de amplo espectro... O Aventino e o Gaudêncio, em pleno exercício de leitura, convocam-nos para qualquer forma de insubordinação. Eu larguei a courela, a vinha e o faval para participar neste regresso. Abaixo as previsões melancólicas de um arismo decadente e sentado, comendo cozinhados de TV e resíduos de um cristianismo apático e obeso. Esta página é excelente para dizer uma ideia livre e criadora. Não é para jeitosos inflamados. É para todos os que preservaram a palavra e a leitura. Que seguram sentimentos e convicções. E para todos os que aprenderam a rir disto tudo que nos rodeia e sufoca. Devemos um pensamento luminoso à sociedade que nos financiou, que julga ter-nos amado e se prepara para nos instituir. Seremos cães mudos? Será perfeito o mundo onde fomos jovens? Teremos uma poupança-reforma para gerir a solidão? Dizer não é só um direito. É também uma atitude ética. 

Com estes apelos, atirei-me sem rede sobre a memória. O resultado foi um naco de prosa perturbada, com a qual me recuso a fechar a porta. Quando Echevarría foi homenageado pelos seus noventa, comentou de improviso: "e muito mais escreveria, se outros  noventa houvesse!" Houvera vinte justos como ele, a pensar por escrito o que se passa na nossa rua, nós podíamos destruir este mundo e criar outro mais habitável. Se em vez de vinte, houvesse dez, fundávamos outra cidade. Se em vez de dez, houvesse cinco, íamos a Creta e pedíamos à formosa Ariadne que nos desse um fio de ouro e nos conduzisse ao Dinossauro. Porém, disse Deus uma vez que nem um justo haveria. Por isso, arrasou Sodoma e Gomorra. Mas como nós estamos em autogestão, mesmo que nem um justo abra a fascinante brancura desta página, está ainda longe de se apagar a luz que a viu nascer.

(Dada a hora avançada e a abusiva extensão da nota introdutória, fica para breve a "prosa perturbada" referida.)


2019-04-10

Aventino Pereira - Porto

GASTRONOMIZA-TE

 

E, eis que do alto deste penhasco, vislumbro ao longe o resto dos prazeres que nos restam:

                                                                                     I

-De avental ao peito, mexe que mexe, remexe, remexe, o panelão a ferver , e o VIEIRA,

Oh mulher! Já ferve,

e ele prova, volta a provar, medita nos sabores sentidos e o que lhe apetece é começar já já a comer,

uma pitada mais de sal fica mais apurado,

a colher rola, rola outra vez, agora o vinagre, tinto, mulher é do tinto, todos pra mesa, grita ele,

eei-la: fémea, gorda, grande, às postas a abrilhantar a gula de um repasto de deuses.

                                                                  II

-O CASTRO é todo butelo e casulas que vieram lá do fim das terras quentes do Nordeste para ali, naquele cantinho de Sabrosa, à vista do vale onde o Douro parece abraçar-nos.

Fez-se silêncio. A primeira garfada à boca esilêncio de novo. Começou o banquete. Mastigai bem, devagar, devagar, que isto é indigesto, diz o Castro, e ele sorve, chupa, trinca, lambe, osso a osso,

que nada se perca,

o dia começou cedo é preciso alimento forte para aguentar,

e a vinha, vinhedos de Sabrosa onde ele ainda vai namorar o tempo antes de regressar ao Porto. Oh mulher! despacha-te que quero estar com os netos.

                                                                   III

-Agora, seja  o ALEXANDRE, vem de Sesimbra, uma posta de cherne no “O Velho e o Mar” e dois comunas ao lado, na mesa ao lado, espreitam, espreitam o prato do Alexandre e conspiram,

a burguesia come peixe fino, diz o comuna invejoso;

os pobres comem peixe vagabundo, diz o outro comuna invejoso.

O Alexandre segue o seu caminho, Coina para a direita, Palmela para a esquerda, hesita se vai a Coina ou para Palmela, pensa (o Alexandre não pensa, cogita) e lenta, lentamente, refugia-se no seu refúgio:

-ao menos se o meu pensamento parasse!... e adormece.

                                                                      IV

-Na Rua das Portas de Santo Antão, o GAUDÊNCIO espreita, espreita as ementas, restaurante, outro restaurante, outro, o Gambrinus:

-folhado de perdiz:  50,00 euros

-crepe suzete:           30,00 euros

-café de saco:               9,00 euros.

Ladrões, grita o Gaudêncio. Ladrões, Ladrões, grita o povo na rua, chamem a Polícia, ouve-se, chamem a polícia, a sirene, a patrulha chega, arma, escudo no braço, viseira e cassetete em riste para o que der e vier,

onde estão os ladrões, onde estão os ladrões grita o polícia baixinho borrado de medo,

e o Gaudêncio,

ali, ali, e aponta o Gambrinus.

Continua a subida, agora sereno, a alegria interior própria de uma patifaria infantil de que todos nós gostaríamos de ser os autores,

Avenida da Liberdade, encosta-se à vidraça e vê. Que luxo, diz baixinho, “Je ne sais quoi”, JNcQUOI restaurante, aberto das 12 horas às 02 horas, e lê os preços, incrédulo, outra vez os preços,

“grandes ladrões, soletra,

continua a subida, Avenida de Berna, o Rêgo, passagem para o outro lado, “Adega Tia Matilde”. E repasta-se. Finalmente.

                                                                       V

-O ARSÉNIO ainda não decidiu. Entre um peixe grelhado em Matosinhos e um cozido à portuguesa, talvez um bife do lombo, “mal passado, faz favor”. E depois? Depois, meditar e poetar!

                                                                       VI

-Quem circula pela A28 e pela A3 depara-se com uns cartazes que ficarão na memória para os nossos restos de sempre:

“3ª edição da Foda à Monção”.

O MARTINS RIBEIRO ri-se, impõe-se, goza com quem não sabe, é muito bom é, diz ele, em forno de lenha o anho a assar e pinga, pinga sobre o arroz, continua, mas saibam bem que a boa foda é lá nos Arcos, na minha terra.

                                                                         VII

-O nosso ASSIS escarafuncha, ancinho numa mão, a pá na outra,

a terra ainda está seca, tenho que regar isto, fala com as rosas, beija aquelas orquídeas altas que tem junto à porta e volta ao quintal,

mais mês menos estas hão de estar boas

e nós à espera das favas lá para maio ou junho misturadas com grandes doses de afeto com que nos haveremos de amar, ali, em terras de Orbam.

                                                                          ***

E eu, um prato de sopa de nabos, acompanhada com a minha imensa solidão.

 

AVENTINO, algures, em abril de 2019 (d.c.)

 

2019-04-03

Manuel Vieira - Esposende

O tempo vai encurtando, escrevia eu há dias noutro espaço, referindo-me ao desaparecimento precoce do nosso colega Amândio Acácio Pires de Mirandela, que terá entrado em Gaia no ano de 1961.

Não o conheci pessoalmente, mas dirigi-lhe palavras  escritas de agradecimento por nos ter apoiado com a cedência de um autocarro num belo Encontro que realizamos naquela região e nos permitiu calcorrear o castelo de Ansiães com as doces  cerejeiras à entrada, subir ao monte da Senhora da Assunção em Vilas Boas e descer à foz do Tua onde nos deliciámos com os gulosos "peixinhos do rio".

Faleceu com 70 anos de idade e na altura do dito Encontro estava ligado ao Município de Mirandela. Paz ao seu espírito.

2019-03-25

ANTONIO GAUDENCIO - LISBOA

Meus amigos

Apenas duas linhas para pedir desculpa ao Vieira pelo meu lapso de atribuir ao Delfim a evocação do nosso muito lembrado amigo Peinado Torres.  A paternidade do acto é do Vieira e ponto final.

O seu a seu dono, amigo Vieira, e desculpa o meu disparate que se deve imputar  a uma falta de atenção que não de consideração.

Reposta a verdade, passai todos bem. 

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