fale connosco


2018-03-14

manuel vieira - esposende

Faz hoje 3 anos que faleceu o nosso amigo Peinado, num inverno triste e que nos tornou tristes, para o seu desalento de alma tal era a sua expressiva alegria. Lembrá-lo assim, pelo menos alivia-me o peso da sua ausência e confirma-me a presença do seu espírito.

O Peinado era um ativista intrépido e ao ler a via sacra do Aventino avivei algumas memórias.

O nosso Martins Ribeiro tem andado incomodado com as gripes e abandonou hoje o hospital de Ponte de Lima. Deve ter lido o texto do Aventino.

É verdade que a invernia tem sido rigorosa e os pequenos tornados visitaram Esposende a querer mostrar que também os sítios bonitos são benzidos com a força do vento e das chuvas.

2018-03-13

Aventino - PORTO

E SE FOSSEMOS COMER UMA LAMPREIA?

 

           

PRIMAVERA

 

Houve um tempo em que me sentava num daqueles banquitos de granito, dispersos pelos jardins da Avenida Montevideu, três aqui, um além, ali dois bem juntinhos, bordejando o mar, entre o Castelo do Queijo e o Largo do Molhe, na cidade de onde houve nome PORTUGAL. Dali eu avistava, acenava e trocava sorrisos com o meu filho que ali, ali mesmo, a nove mil quilómetros em frente,  Los Ângeles, pela Rodeo Drive, Santa Mónica ou Sunset Boulevard ia, porventura, em direção a sua casa.

Nesse tempo, eu tinha memória:  de uma escola, um professor, caminhos vazios de nada, um combóio e uma casa onde sonhei que vivi; eu tinha memória de lágrimas e de cemitérios, de ramos de flores e de missas, de acreditar que, no espaço infindo do céu, poderia cirandar uma divindade, um meteorito, uma nuvem branca que me tivesse criado e tivesse poder por sobre os meus destinos.

 

 

INVERNO

 

Agora, nem morte nem nascimento, nem deuses nem imaginação, nem cemitério nem qualquer resquício do passado.

                              

 

INVERNO, NOVAMENTE

 

No Verão, da varanda da minha casa, converso com os longos braços dos plátanos que me atenuam o sol. Olho-os, estico o pescoço para o ramo mais alto de todos e, por entre as folhas, tento ir além, o céu e uma claridade densa a preencher o vácuo deste nosso triste entardecer. Quando a Terra se começa a distanciar do Sol, acompanho os meus plátanos, as folhas a cair, a nudez dos seus ramos e os homens da Câmara, armados de camiões, serras telecóspicas e polícias a regular o trânsito, esventram os meus plátanos até à “nudez crua da verdade” de que Eça nos falou. Então, é quando, nesse “então”, eu sou eu, eu sou mais eu. Aflora-se-me a morte, os braços cortados, uns homens fardados, a Polícia a regular o trânsito e os meus plátanos, desnudados, órfãos do olhar deste vizinho que acaba de partir.

Manuel da Fonseca, o escritor Manuel da Fonseca, o Ti Manuel da Fonseca, escrevia. Sentado no banco de pedra que alindava a sua pobre casa em Santiago do Cacém, o mestre Manuel da Fonseca dá uma entrevista para a televisão.

Entãoeh! É prá televisãoeh!

O que está escrebendo, ti Manel?!...

Ah!... Nã tou escrebendo nádá. Ágórá, áté que tou rasgando. Tou rasgando!

 

                              

PRIMAVERA, NOVAMENTE

 

O meu sobrinho tem uma camioneta. Todas as semanas, à sexta feira, ele telefona-me. Em Direito, a linha sucessória só nos fala de sangue, da linha reta ou da linha colateral. O meu sobrinho é um sobrinho por afinidade e telefona-me, sempre à sexta feira, pelo menos. Tio, é pra carregar?

Sim, é pra carregar. E lá vem ele, camioneta vazia a chegar, camioneta cheia a partir. Leva, leva tudo,  todo o meu longo e feliz rasgar. Lá vai a roupa e os sapatos; os livros, ah! os meus companheiros/livros, as canetas, aquelas canetas, bicos gastos, Pelikan, Sheaffer, tinteiros secos, mata borrão com bolor, ah! e os caderninhos de linhas onde a minha mão direita apenas escarafunchou as letras da palavra “amor”. Apenas.

 

 

CHIÇA! INVERNO; outra vez?!

 

Agora, as camélias do meu jardim morreram; os áceres onde pendurava as telas a secar em dias luminosos de inverno, também secaram; a relva do jardim foi comida pelas daninhas; o meu Golden Retriever morreu.

Os armários plenos de roupa e de sapatos já não têm nem roupa nem sapatos; a minha empregada reformou-se, o vizinho em frente já não me toca à campainha, a cabeleireira leva-me cinco euros “porque o senhor pró cabelo que tem mais valia cá não vir” e, até a bela francesa com quem eu navegava a memória dos meus belos tempos de Paris, regressou a Paris e que eu nem pense passar na Rue de Poetie, trinta e nove, quarto andar.

Agora faço pelas pernas abaixo. Não posso abrir torneiras porque faço pelas pernas abaixo. Não posso beber água porque faço pelas pernas abaixo.

Caminho num caminhar abichanado para não fazer pelas pernas abaixo e até, há dias, no elevador, o meu esfíncter me traiu e, logo, logo, uma vaporosa mademoiselle comentou para a outra mademoiselle vaporosa,

“estes velhos são horríveis”.

 

                              

PRIMAVERA, EM FLOR

 

E se fossemos (mas é) comer uma lampreia?!

Restaurantes:

  1. António, Leça da Palmeira: eu marco.
  1. Gaveto, Matosinhos: eu marco.
  2. Vigário, Atães, Gondomar: eu marco.
  3. Casa Lindo, Valbom, Gondomar: eu marco.
  4. Camelo, Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo: eu marco.
  5. Camelo, Apúlia: marca o Manuel Vieira.
  6. Tio Pepe, Fão: marca o Manuel Vieira.
  7. Entre os Rios: marca o José Castro.
  8. Pensão Aliança, Caldas de São Vicente: marca o José Castro.

 

 

                               Aventino

                                                                       Portugal (PORTO)

 

2018-03-04

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

       

           E eu vou -me  sentindo só e olvidado

           Ainda que aviste os horizontes mais chegados

           Os amigos que por aí andam distraídos

           Por esse mundo de mim esquecidos

           De tão distantes nem os sinto a meu lado

           Parece que nada têm p'ra dizer _ estão calados

 

 

               Com aquele abraço

                                             Zé Lamas .

            

2018-02-21

Manuel Vieira - esposende

Afinal já não me sinto só nem os horizontes são tão longínquos. Andamos todos por aí, como alguém disse e por vezes a inspiração invade a mente e exteriorizam-se em palavras.

Estes dias a tristeza passou  pelo Diamantino e pelo Gumesindo pelo falecimento das suas mães, com uma idade bonita, é verdade, e vários colegas manifestaram junto deles a solidariedade que alivia. É uma etapa da nossa vida que convém passarmos, sabendo quanto custa essa separação. Um abraço bem amigo aos dois.

2018-02-19

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - Lisboa

Caramba, que sossego!!!!!!

Nem mesmo à provocação do nosso amigo Lamas o pessoal espevitou.

Acho meritório o esforço do Manuel Vieira para acordar o pessoal mas os resultados não surgem. Mas não desanimes, Manel! 

Espero que acabe depressa a nossa hibernação e que, com a chegada da primavera, apareçam  sinais de vida nesta Associação aparentemente moribunda.

Acordem, escrevam, falem mesmo que o assunto pareça não ser interessante. E que tal experimentar :

«Lembram-se daquele discurso em que o velho Tomaz dizia " Portugal esteve à beira do abismo mas deu um passo em frente e salvou-se ? »  E daquele exercício militar que, segundo o manual, devia ser executado gritando gritos parvos e selvagens tais como " viva a pátria ?

Agora já têm motivos para dizer : mas este gajo está mesmo idiota ou está mesmo para além disso.  Escolham...........  


  

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