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2014-09-17

A. Martins Ribeiro. - Terras de Valdevez

Amigo e companheiro Rodrigues;

 

esse meu poema á mulher rechochudinha foi publicado neste nosso espaço não tanto pelo seu significado (que pouco interesse lhe atribuo) mas sim pretendendo fazer dele uma pedrada no charco de águas quase paradas em que o nosso sítio quase se transformou; mesmo assim parece que pouca agitação causou para oxigenação das mesmas. Quanto ao poema em si e não pretendendo fazer uma auto-crítica devo dizer que ele é subjectivo pois as mulheres - e como muito bem diz o amigo e eu concordo- são todas bonitas, mesmo aquelas que se julga  serem feias. Depois, a concorrência é que dita as suas regras e elege aquelas de quem mais se gosta pelo que, todas elas são merecedoras de qualquer poema laudatório. Não direi tanto do protótipo da referida padeira de Aljubarrota que, mesmo assim, a História não reza que fosse, na verdade, uma mulher do tipo virago, podendo ter sido até um exemplar de luminosa beleza feminina. E não faço nem farei poemas inflamados dessa natureza com medo de que, em vez de um esbelto corpo de donzela, possa estar a glorificar um daqueles conhecidos machorros travestidos de virgens pudibundas ou de elegantes vestais. Fazem-me lembrar uma mulher espadaúda do lugar da Peneda, tanto quanto sei ainda viva, daquelas ditas de pêlo na venta e de bigode assanhado, chamada Ti Maria Larua que quando urinava de pé, fazia no caminho por onde seguia tal buraco que nele se podiam abrigar coelhos ou mesmo outras reses. Consta até por aqui que, em tempos mais distantes, chegou a abrigar debaixo das saias alguns contrabandistas que fugiam da guarda fiscal, muito embora os infelizes que deitavam mão de tal artimanha ficassem depois meio intoxicados pelos pestíferos aromas do abrigo. Por isso, caro Rodrigues, não conte com um poema desses vindo da minha parte. Volto a dizer que toda a mulher é um ser intemporal, uma maravilha de Deus que terá sempre a minha incondicional admiração até que a cova ma corte cerce. Quanto ao mais e nesse aspecto é tudo uma questão de gosto, absolutamente legítimo e sacrossanto. Vamos ver se isto por aqui se anima; senão até sábado em Gaia. Até lá, o meu abraço.

2014-09-16

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Com apreço e solidariedade com algumas produções literárias que ultimamente têm aparecido cá pelo nosso site direi:


Amigo Martins Ribeiro, em meu entender, apesar de amplo  e generoso, o teu enlevo parante a beleza feminina proporcionou-nos um bom poema.

Em jeito de provocação, li ou ouvi dizer que não sei quem, mas não fui eu,  afirmou um dia que não existem mulheres feias, existem sim belezas mal compreendidas. Nesta perspectiva, como  não a  reconheço incluída neste teu poema, será que nos poderás oferecer um outro poema, assim bem contruído, onde as viragos - tipo Padeira de Aljubarrota, segundo alguns dizem - surjam  artisticamente apreciadas e enobrecidas?

Não me leves a mal. Quando muito, entende-a como uma pequena e bem intencionada provocaçõ de um amigo recente.

 

Amigo Alexandre, com solidariedade acompanho o sentimento de perda, bem-querer e o elogio feito à inexcedível beleza e grandeza da tua Helena de Lisboa e intencionalmente me fico por esta.

A de Tróia, depois de raptada aos onze anos de idade por Teseu, aparece-nos mais tarde rodeada de aias que em tudo a servem, disputada por mutos, nobres e excelentes pretendentes que, por sugestão de Ulisses, firmam compromisso entre eles de respeitarem a escolha que ela fizer e todos ajudarão Helena ou o seu eleito no caso de agravo ou ofensa maior.

Surge lá pelo palácio Páris, o hóspede conveniente que por insolência, sedução  dela ou mútua, a rapta e a leva para Tróia onde não é bem vista nem bem aceite.

Por causa do compromisso firmado entre os primeiros protagonista juntam-se e partem vários chefes gregos e seus homens para irem resgatar Helena e repararem a honra do ofendido? Para conquistar Tróia? Não  o sei dizer mas. segundo a tradição, muita gente inocente sofreu e/ou foi imolada, sendo caso extremo o sacrifício de Ifigénia.

Depois de Teseu, Menelau, Páris  e Aquiles, este por intervenção de  Afrodite e Tétis, segundo duas palinódias, Helena nunca existiu e, se existiu, nunca terá estado em Tróia.

 Sendo a de Lisboa de beleza e bondade tão singulares, oxalá tenha usufruído momentos de extrema felecidade, levando deles ternas e bem queridas recordações.

 

A Wikipédia, a Infopédia e o livro " Estudos de Cultura Classica, 1º. volume", da Drª Helena da Rocha Pereira, se bem os consultei e interpretei, permitem-me divulgar esta minha opinião sobre a Helena de Tróia, bem diferente da que pretendo manifestar acerca da Helena de Lisboa.

 

No próximo dia vinte e em Gaia, espero poder estar convosco.

Um abraço.

António Manuel Rodrigues.


2014-09-16

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

 

Para escrever as quadras que invento

Não recorro a nenhum truque

             Mas a que a seguir vos apresento

             Foi - me sugerida pelo facebook

 

                                                     """"""""""""                       

 

                        Anda todo o mundo muito calado

             Confesso que tambem distraído vou ficando

             Mas como tudo isto me deixa preocupado

             Prometo - vos aparecer ... de vez em quando .

 

 

     Aquele abraço e diverti - vos no dia 20

                       Zé Lamas

 

 

 

2014-09-16

Arsénio Pires - Porto

 

Companheiros:

O Encontro Nacional é já no próximo sábado!

Vai ser um êxito! Já atingimos o excelente número de 41.

Nunca tal se viu em Israel!

 

(Ainda há lugar para ti... que estás a pensar vir!)

 

LISTA DOS FUTUROS PRESENTES NO ENCONTRO NACIONAL 2014 

01. Vieira 

02. Alexandre

03. Arsénio e Carolina

04. Nabais e Micas

05. Assis

06. Barros

07. Delfim e Dulce

08. Cabral e Antónia

09. Serapicos e esposa

10. Peinado

11. Martins Ribeiro e Conceição

12. Sacadura

13. Castro

14. Ismael Vigário e Fátima

15. Eugénio e Maria do Céu

16. António Rodrigues e Silvina

17. Aventino (não comunicou que não vinha! ehehehehe!)

18. Cardoso e Luísa

19. Lage e Adília

20. Barreira e Isabel Maria

21. Bernardino e Domitila

22. Pedrosa e Manuela

23. Samorinha

24. Duarte Almeida e Maria de Fátima

25. Freitas e Idalina

(Houve uma pequena confusão de nomes e aqui fica a correcção em relação ao post que coloquei hoje à tarde: Somos 41 e não 43. Peço desculpa)

2014-09-05

Alexandre Gonçalves - Palmela

 

CARTA  PÓSTUMA

 

Saudosa Helena de Tróia ou de Lisboa

 

Soube recentemente notícias a teu respeito. Nós tivemos em tempos uma suave  amiga comum, cúmplice dos nossos segredos, que protegíamos de todos os olhares. Encontrei-a casualmente e nem foi preciso eu perguntar. Sei os pormenores e estou a lidar com eles como se duma ferida se tratasse. Eu já sabia que não havia outra metafísica diferente da que praticávamos. Pessoa e Sofia ensinaram-nos isso muito cedo. E por isso nós começámos a comer chocolates. Rebolávamos pela relva irresponsavelmente. Um dia beijámo-nos na via pública. O trânsito parou para nos ver e nos aplaudir. As buzinas fizeram um coro de ovação. Nós queríamos provocar. Queríamos dizer-lhes que eles estavam errados. Nós e todos os dessa geração íamos ser diferentes. E íamos transformar o mundo. Nem uma coisa nem outra. Fomos quem fomos, candeeiros de chama que um pouco de vento apagou. Para sempre.  

Estou diante do teu carro partido. O mecânico adiantou outras informações. Não levavas cinto e entraste num caminho de terra batida, com o mesmo ritmo que trazias duma estrada de alcatrão. O teu seguro caducara dias antes. Não houve ninguém para pagar o reboque. Não foi um final brilhante. Nas minhas contas, deverás ter cinquenta e cinco anos. Procurei vestígios. Nem o mínimo sinal. Ao ver-me tão interessado, o mecânico perguntou-me se eu queria comprar os destroços, para aproveitamento de peças. Retirei-me com uma dor mortal não localizada. Quis chorar. Não consegui. Parei o meu carro em Monsanto, num miradouro que protegeu muitas vezes as nossas fugas. Acendi um disco e rodei para trás até onde pude.

Conhecemo-nos na faculdade. Tu a começar e eu a concluir. Foi um incêndio que lavrou os nossos corpos. Romeu e Julieta apagavam-se perante a nossa paixão. Começámos em novembro com a chuva. Molhávamos muitas vezes os cabelos e as roupas e não tínhamos frio. Amámo-nos no areal e morríamos devagar. Um dia esperavas por mim junto às escadas, ao primeiro tempo da manhã. Posso fazer-te uma proposta, perguntaste. Tu não querias aulas, eu muito menos. Entrámos no meu carro, atravessámos Lisboa e fomos parar à Baixa. O dinheiro não nos sobrava mas chegou para  comprarmos umas gangas cada um. As tuas muito justas, a ponto de o teu corpo, também justíssimo, só entrar a custo e com ajudas exteriores. As minhas bamboleavam sem jeito nem rigor, em nome de um conforto não negociável. Assim armados, entrámos como dois barcos de pesca no mar baixinho do Estoril.

Estou a ficar perturbado. Com algum esforço, talvez consiga uma lágrima que seja. Bem falta me faz. Ouço Teodorakis, um músico desse tempo, que ainda me acompanha com frequência. Andámos nisto até ao verão. Em julho foste embora e só regressaste no fim de setembro. Escrevíamo-nos quase todos os dias. Numa carta mais ousada, dizias que eu era a tua vida. Ou eu ou nada. Antes freira que perder-me. Eu estava na idade de ser sério. Disse que sim, que o destino estava do nosso lado. E coisas assim. E disse-o convictamente. Chamaste-me então "Adérito querido".E acrescentavas: eu não gostava desse nome. Mas agora soa a música! Porque te amo na ausência, mais do que a mim própria. Durmo contigo, acordo contigo, e é contigo que vou aos campos..." Também eu odiava o meu nome. Mas nessa data mudei de opinião. E afiz-me à ideia de selar tanto amor com todas as promessas possíveis.

Porém, penso eu, tudo isto vai mudar. É bom de mais para ser verdadeiro. Aumento o volume de som e vou lá baixo aos seus vinte anos. Entro como hóspede e rapto o seu corpo indefeso. Os seus olhos amendoados. Vinte anos sóbrios, contidos, duros. Estremeço. Pressinto culpa, como quem tem entre mãos um tesouro e o esbanja sem disso se aperceber. Eu já fiz trinta. Já provei muitos frutos. Quem sou eu para me armar em Páris e levar par Tróia a bela Helena? No fim das férias uma carta. Anuncia o regresso e sublinha: "uma novidade. O meu ventre, que tu exaltas, anda a dilatar-se. E garanto que não é obra do Espírito Santo. Que fazemos?" Fiquei aterrado. Não era que eu recusasse fosse o que fosse. Era antes a inoportunidade da hora. Era a relação clandestina. Era uma família incapaz de compreender, incapaz de perdoar, incapaz de receber a notícia. Esperei por ela no Rossio e chovia. Abraçámo-os e chorámos. Então eu disse: não podemos. Insisti. Não podemos. Mas a última palavra é tua. Aceitarei a tua decisão. Mas ela não decidiu. Abandonou a faculdade e regressou à aldeia. Nem palavra vai para mim. Fiz tudo. A tudo respondeu com silêncio. Dois anos depois, tenho a primeira notícia. A Helena transferiu-se para Coimbra. O ventre dela, que era belíssimo, belíssimo continuou, agora a cargo de um doutor de leis, recrutado pela família. Após a conclusão do curso, o casal vem para Lisboa, ao cheiro da política. Ele chega a deputado e reforma-se muito cedo. Mas o tempo foi escasso para saborear o ócio. Foi dormir para o campo lá para o alto de S.joão. Nunca mais voltou. Helena ficou a chorá-lo por pouco mais do que seis meses. Mas quando capotou e se extraviou pelas estrelas, ninguém apareceu para a chorar. A não ser este coro grego que eu escuto, derramando finalmente lágrimas de fogo sobre este carro partido, sem seguro e sem dono. 

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