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2014-12-13

Alexandre Gonçalves - Palmela

O  BARROSAL

 

Acabo de receber um mail colectivo, enviado pelo Arsénio na sua função, preocupada e atenta, de coordenador da PALMEIRA. Compreendo as intenções e a bondade desta iniciativa. O último número chegou às nossas mãos com notáveis diferenças, em parte estimuladas por ele, ao solicitar colaborações nominais, insistindo em alguns critérios e normas, porventura excessivamente minuciosas. O resultado não deixou dúvidas, a avaliar quer pelas opiniões já expressas, quer até por uma simples leitura apressada. Se excluirmos alguns pormenores irrelevantes, verifica-se um conteúdo geral muito mais objectivo, mais rico , mais diferenciado. Dilui-se signitivamente aquele aroma de "sacristia", que alguns mais severos já tinham denunciado. Já se escreve uma linguagem quase laica, mais livre, mais imparcial. E o português praticado é em geral irrepreensível. Em nenhuma outra edição se verificou um conjunto tão equilibrado de autores, o que terá permitido mais originalidade, mais mundo, mais cultura. Os temas aflorados, embora sugeridos por um motivo comum, que atravessava o outono até se deter no Natal, chegam pelo menos a uma ideia de espelho sazonal. Perpassa por lá este frio institucional, este atrito de ausência de uns nos outros, este feroz lugar comum de os povos e os indivíduos serem cada vez mais competitivos, de que falam os faladores oficiais. Pressente-se também o mundo interior da memória mas já como quem o vê de longe e de fora. 

Mas não resisto a concordar, pelo menos parcialmente, com aquela ousadia crítica do Aventino, quando afirma que a Palmeira ainda tem muito de seminarístico. Ou antes, um certo tique de hesitação, de ambiguidade e de elogio gratuito. Ela parece efectivamente mais legível em regime de internato do que em terreno aberto. No entanto, sabemos que o nosso mundo já mora na cidade e que os leitores já não somos só nós. O número 37, pelas razões apontadas, já se abre a outras sensibilidades mas há ainda claros resíduos de inspiração e métodos eclesiásticos. Há também demasiada "suficiência", como diz a crítica citada. "Os AAARs são capazes de muito mais", escreve o Aventino. Sem alterar moldes e sem análises estatísticas, todos podemos escavar mais a memória e a nossa relação com a realidade envolvente. Herdámos uma palavra de excepção. Aposentámos as tarefas reprodutivas, sejam elas quais tenham sido. Mas não aposentámos os sentidos nem o pensamento. Nem os afectos ou as emoções que os sustentam. Escrever é preservar a idade. É um combate gratuito e desigual. Aqui de certeza não entra o espírito santo. Entra o esforço, a coragem voluntária de trocar a indolência por meia página de palavras. Elas moram dentro de nós, num captiveiro constrangedor. Só nos pedem que perguntemos por elas. Se transformarmos essa procura numa prática, numa ocupação de voluntariado e de idealismo, encontrá-las-emos como amizades antigas, que a vida afastou injustamente de nós. Não é o rosto da revista, nem o corpo, que deve mudar. É a sua alma, que não resistiu à frivolidade da imitação, de hábitos intocáveis, de práticas antigas que se têm como sagradas. É o conforto de nunca mudar de ideias, como se elas fossem a garantia de todas as seguranças. É uma razoável indiferença pelas coisas da cultura. Literatura? Que inutilidade! Cinema? Para quê, se tudo ali é falso? Música? Coisas de juventude, que já lá vai! Ou então assunto dos Pedrosas deste mundo, e não de nós, miseráveis mortais! A alma é um ser vivo, tão vivo como o corpo, seu irmão congénito. Quando dói o corpo, um dente, um testículo, corremos assustados para um médico. E morremos logo se ele não cura logo. Quando treme a alma, afogamo-la em culinária e anexos,  em obscuridades sem nome. Os corpos e as almas têm de negociar entre si a harmonia. Quando um chora, o outro morre. Mas quando canta, o outro ressuscita. E quando ambos cantam, ambos são belos e sem idade.

Talvez tenha parecido que me referia apenas à Palmeira. O último exemplar mostra que sabemos como fazer e temos os recursos para continuarmos. Não precisamos nem de preceitos nem de conclusões estatísticas. Ou mantemos trabalhando ou não vamos lá. O site é o nosso calcanhar de Aquiles. Ou brilhamos pela ausência ou esperamos por um novo cardápio para nos animarmos. É um privilégio dispor de um espaço de oiro para lavrar uma ideia. Tendo nós o estatuto do ócio garantido, por que raio não vamos nós até ao ginásio dourado, a treinar um sentimento, um rosto, um corpo feminino que nos atravessou sem darmos por isso? Por que motivo havemos nós de arrumar neste lugar de luxo as maiores banalidades da existência? Consultem outros sites ou blogues e vejam como isto é aproveitado por muita gente como um campo de erva ou de trigo, ou um ginásio, onde treinam a vida, ou uma breve caminhada, um comentário à feia realidade da nossa vizinhança! O corpo é muitas vezes boçal mas a alma é subtil e puxa por ele, só para lhe falar de amor. Outras vezes de raiva. E muitas mais vezes do direito às lágrimas. Porque a terra está doente, o ar anda empestado e tudo isto perturba a paisagem e o coração.

Meu caro Arsénio, sei das rectas intenções que te animam mas tenho o vício da incredulidade. Os inquéritos são fraudes estatísticas, cujos diagnósticos não acertam nem na doença nem na cura. Por isso, não responderei. Não é que me falte a tua boa vontade, que muito admiro. Este texto prova que a tenho. Mas a origem da imperfeição que persiste está noutro lugar. E é por aí que temos de começar/continuar. Especialmente no site, onde parece acentuar-se cada vez mais a decadência. E aqui sim, o que se vê não é a quinta da barrosa, mas um barrosal tardio e adoentado. Neste ginásio de oiro, não se treina a crítica, a inovação, a beleza do mundo. Nem se denuncia a vulgaridade destes salteadores que se movem na sinistra noite, aniquilando sem remorso o mais delicado jardim da terra. Às vezes ocorre-me a pérfida metáfora da redoma. Em crianças, foi lá que nos protegeram dos perigos e até da ternura. Será que ainda lá moramos?



2014-12-10

António Mqnuel Rodrigues - Coimbra

A dezanove ou vinte de Novembro, já não sei ao certo, recebi a nossa Palmeira.

Sentei-me à minha secretária, um luxo que ainda vou mantendo, e li-a de fio a pavio.

Acompanharam-me meia dúzia de castanhas e meio cálice de moscatel do Douro.

Evoquei os nossos encontros e a memória dos que vão faltando. Faltarão?

Recordei em especial o Domingos António Diz, meu companheiro de carteira durante algum tempo.

Passados anos, pela Ordem de Serviço do G. Cav 1 (Grupo de Cavalaria 1, em Angola), a que ambos pertencemos sem nunca nos encontrarmos, eu estava em Silva Porto, ele destacado no Luso, soube do acidente sofrido por ele apenas após a sua evacuação para a metrópole.

Antes do nosso último encontro em Gaia, lembrei-me de ir aos apelidos “Diz” de Parâmio, em Bragança. Tentados dois ou três números telefónicos, no último atendeu-me uma Senhora que, depois de eu me identificar, me confirmou o acidente, o Alcoitão, a incapacidade permanente, a cadeira de rodas e a sua morte ocorrida há dois ou três anos, a Senhora não me soube dizer ao certo. Atenuou um pouco a informação, dizendo-me que uma enfermeira se apaixonou por ele e tratou-o muito bem até ao fim de seus dias. Creio que ele continuou a ser sempre um dos nossos e, por isso, aqui fica esta minha informação.

Porque há que prosseguir com a vida, porque continuo afeiçoado ao suporte em papel, no dia 22/11/2014, transferi cinquenta euros para a conta da nossa revista e oxalá ela continue a ser o elo que nos vá acompanhando e marcando.

Se encontrar uma janela na minha modorra, voltarei em breve com mais prosa. Até lá e à cautela: um Natal Feliz para todos: para nós, para os nossos e todos os outros, tal como manda a mãe terra e a universal fraternidade.

Até breve.

2014-12-10

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

 

Amigos AAR

Por motivos que não interessam recebi a Palmeira quando todos já a tinham lido o que, de certa maneira, justifica o meu atraso por só agora vir a dar a minha opinião sobre ela.

Até agora apenas o Castro apareceu a opinar o que significa que ainda falta o comentário de muita gente. E acho que nos fica bem expressarmos o que pensamos quanto mais não seja por respeito pelo trabalho que os colegas tiveram em dar forma e mandar para a casa de cada um uma revista que é nossa, é para nós e que fala ( às vezes ) de nós, do nosso passado e das nossas coisas.

Gostei deste número da Palmeira e apreciei, sobretudo, o aparecimento de mais artigos, mais colaboradores e pena é que estes não aumentem.

Saúdo também o meu amigo Adolfo pelo seu excelente poema e espero que a sua colaboração persista para dar algum descanso aos poetas de serviço.

Queixava-se o Aventino, em 2013, que a Palmeira não primaria pela qualidade opinão respeitável mas, amigo, sem massa crítica não se consegue uma explosão. Eu também gostaria de nos vermos capazes de fazer uma Brotéria mas já me contento em receber uma revista feita por ex-seminaristas para ex-seminaristas.... Serei pouco ambicioso mas nesta idade creio que sou apenas realista.

Um bem-haja para todos os que se empenharam na feitura desta Palmeira!!!!!!!

O Castro lançou a ideia, e o Vieira veio secundá-la, de falar ( falarmos ) sobre a nossa PRIMEIRA VEZ. É bom que andem depressa pois quando me tocar a vez, se calhar, não irei escrever sobre a minha primeira vez mas sim sobre a minha ÚLTIMA VEZ.

Tenho cumprido, até agora, a minha obrigação e procurei sempre obedecer ao "mandamento" que o mestre Jorge Amado exarou naquele seu livro estupendo ( Os Pastores da Noite ) e que diz « um homem não pode dormir com todas as mulheres do mundo mas deve fazer um esforço ». Numa mesa do Choupal havia uma inscrição, feita a canivete, que dizia « O amor é como um fósforo: só arde enquanto há pau » para logo alguém perguntar « E se o fósforo for de cera? Tudo isto para vos dizer que, pelas aparências, já vou entrando na época da cera. É a vida................  

Por isso despachem-se.............    

 

 

 

2014-12-08

manuel vieira - esposende

"Estão chegando os Invernos," dizia o José de Castro que um destes dias nos vai falar da sua primeira vez. Uma situação que aconteceu com todos os hospedados na Quinta da Barrosa na sua infância. Comigo também, porque não serei exceção, mas não vou contar nos próximos tempos para preservar algum mistério que ainda reside nas nossas memórias e não podem esquecer que eu sou o Presidente e convém preservar aquela imagem que protege as Instituições.

Mas falava eu do frio ao tocar no Inverno e ainda estes dias senti o abraço amigo do Lamas e do Peinado cá por Esposende e são esses gestos que aquecem bem a nossa alma.

Em muitos sítios já cheira a Natal quando por lá passamos em horário escuro e é bom  que não se apaguem as luzes que nos dão a esperança do tempo que cavalgamos.

Entretanto ainda se aguardam mais uns comentários à nossa revista Palmeira ...

2014-11-27

CASTRO - Penafiel

Meus Amigos AAR:

De acordo com a acta da última Assembleia foi reconhecido o interesse deste sítio. Recordo-me até de ter desafiado pessoalmente alguns dos presentes a colaborarem para manter vivo este espaço. SERÁ QUE ESTÃO CHEGANDO OS INVERNOS?

Aqui estou e para falar do que nunca falei. Da Palmeira!

Gostei muito e em duas pinceladas deixo já tudo dito.

A primeira e a última páginas são dois postais com as cores da vinha no Outono. Só se pode gostar mesmo sabendo que antecedem o Inverno.

Folheando a revista, esta mais que qualquer outra das que recordo prima pela diversidade. Desde as experiências vividas por alguns no seu percurso pelo seminário às memórias dos desmandos inerentes a qualquer processo revolucionário, ao sofrimento daqueles que estando tão perto nem sempre conseguimos ver, à densidade do que me pareceu ser um excerto de um romance por acabar que acaba em suicídio, e até um verdadeiro tratado sobre as ideologias e os sonhos que não passam disso.

Merece-me especial referência um pequeno texto do Aventino de 28-12-2013. É o que chamarei "O ORGULHO DO AAR". Depois de tantas vezes ter lido sobre os traumas é um texto que sintetiza exactamente o que penso desse passado comum. Esse texto é simplesmente brilhante.

Todos nos sentimos de algum modo ligados a esse passado e prova disso são as palavras e os actos do José Lamas. Na sua curta passagem pelas paredes daquela casa que nos acolheu, e sem se escudar em radicalismos como aquele a que recorreu o António Borralho, o do Virgílio, contra ventos e marés, apresentou-se em casa de seus pais, ainda não tinha chegado o Natal no começo do segundo ano. Mesmo assim sente-se bem entre nós provando-o em verso mas também comparecendo. Há NÓS que nos atam, que não queremos ou não sabemos mais desatar.

PARABÉNS O OBRIGADO, a todos os que de alguma forma colaboraram para que chegasse a nossas casas.

Agora vou jantar, prometendo que tenciono voltar e vou partilhar convosco "A MINHA PRIMEIRA VEZ..." (estive sempre acompanhado do meu pai).

Um Grande Abraço. A menos que se torne impossível, VOLTAREI! E tu?

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