fale connosco


2018-05-27

Francisco Assis Conceição - Folgosa

 

Aos acima escritos e inscritos

digo :

Amen !

2018-05-26

Arsénio de Sousa Pires - Porto

PORRA! - Alex. Grande texto tu pariste.

Eu vou!

Ficar seria partir... ou ausentar-me!

Venham as favas! Ainda que não venham!

Dai-me um copo! Depressa!

2018-05-25

alexande gonçalves - palmela

 

O ESPLENDOR MÍTICO DAS FAVAS

Fortiter ocupa portum (Horácio)

 

Cheguei a esta página como se viesse do estrangeiro. Em tempos, habitei-a intensamente. Quando hoje aterrei neste heliporto, estava o Vieira acenando com bandeirinhas verdes onde era o local preciso de uma larga mesa minhota. Os frutos já medravam sob a gestão do Assis, os convidados já teriam os barcos aparelhados para se fazerem ao mar. Das vastas ilhas os nomes já soavam como plenamente inscritos. Um pouco ao lado, era a pujante ironia do Aventino, que dias antes anunciava uma surpreendente adesão à festa da lampreia. A ponto de a dita se ter esgotado nos saudosos e clássicos rios do norte. Deixo aqui uma exaltação pública da proeza aventiniana. Atento como só ele foi sendo, ao longo desta marcha para o deserto, na subtileza apelativa das palavras, o Aventino foi erguendo uma fasquia singular, para que a palmeira não tivesse qualquer complexo de existir. Multiplicou textos, na alma e no corpo, ironizou impropérios, tentou descristianizar as práticas mais arcaicas da nossa inocência colectiva. Valeu a pena? Indiscutivelmente. Muito mais do que pretendeu dizer o Pessoa. A última entrada quererá significar o seu testamento? Esse épico elogio da mulher feia será a garantia da nossa sanidade mental para os próximos anos? Xantipa, mulher do sábio ateniense, tinha duas características muito raras: a primeira era ser a mulher mais feia de toda a Grécia; a segunda era ter o mais irascível temperamento feminino da época. O velho Sócrates mostrou a sua grandeza e a da sua filosofia não a repudiando. Em apressada interpretação, será que o avisado autor está abrindo caminho para uma santidade pagã?

Deixem-me agora passar ao esplendor dos mitos. Antes de a razão tomar perversa conta do mundo, tudo era poesia. Vivia-se bem com a morte, com a velhice, com a pobreza. E até com a escravidão. Os mitos compensavam as infinitas carências da humana espécie, numa religião de afectos, em amena convivência com a natureza e com o mistério. O orvalho das manhãs, o deslumbramento do fogo, a protecção tribal, a ausência da cacarada moderna, a simplicidade dos dias, a vizinhança da água, do vento e do sol, tudo isso erradicava medos e perigos. Vivia-se em família universal, que nem a rudeza das guerras arruinava. As doces narrativas míticas, onde a poesia apagava as inqietações futuras, ordenava um mundo sereno, virado para a vida, cujo último acto era partir, ausentar-se.

A razão industrial e tecnológica, a arquitectura dogmática das religiões, o deve e o haver, os medos servidos por psicólogos e físicos encartados, tudo isso fez esquecer a ternura mítica. Sem afectos, nada sobrevive à flor da terra.

Viajantes da vasta terra, vinde de todos os confins, sobretudo os que designamos por distracções. Não há duas vidas. A única, que o casual destino levou até Vila Nova, já não anda longe de concluir a via da circunvalação. A vida é agora, não é no dia seguinte. Não guardes para depois o que te pode fazer rir hoje. E ocupa-te! Ocupa o espaço a que tens direito. Não te distraias com a telenovela. Não te sentes. Não te habitues. Se estiveres ocupado, densamente ocupado, não terás vagar para partidas súbitas. Envelhece com uma ponta de humor. Colhe os frutos que o passado te pôs no teu itinerário. É simples. Estiveste num horto não de oliveiras mas de espécies verdejantes, onde criaste estrutura e desejo. Depois partiste, amaste, enganaram-te e enganaste. Tiveste por dia oito horas para pagar impostos. Mais oito horas para dormir. Sobraram-te apenas oito horas para ires às compras, aos médicos, às finanças, para estudares a legislação social, para tratar da casa e do automóvel, para treinares o amor e assumires as consequências. Pior que tudo, tiveste que te iniciar na solidão, que é o mais provável prémio para os teus investimentos. Terá sido isto vida? Será isto um homem? 

Que resta? Uma ermida verde nas verdes montanhas deste solo sagrado? Um copo de três, bem guarnecido, bem demorado, bem composto de fala? Ir a uma catedral e pedir misericórdia? A quem? Cada um sabe de si mas todos temos como essencial amar-nos a nós próprios como aos outros. Escavar no subsolo da idade um sentido, uma estética dos afectos, um esplendor em crescendo, como quem prepara um final cheio de glória e de actos, que nos mudaram a nós e, em algum sentido, este mundo de terror. A dimensão simbólica, que une corpos, almas, e toda a infinitude do cosmos, um caracol, lento e irrelevante, que tansporta às costas todo o peso do universo, eis um programa para um final apoteótico. Favas ou lampreias, magustos ou tascas de esquina, encontros nacionais ou locais, tudo continua a convocar-nos, pois fomos testemunhas uns dos outros. Um capital sem matéria, sem utilidade, mas um filão de alegrias. Poderemos nós trocar esta herança por coisa nenhuma? Um amigo, um nome, uma palavra, é o investimento de uma vida. O resto é "sombra de árvores alheias".



 

2018-05-24

Aventino Pereira - Porto

IN MEMORIAM DE TODOS OS LUGARES ONDE SÓ ENCONTRO MULHERES FEIAS

 

Nas lojas, nas ruas, nas igrejas, em casa, à porta de casa, a entrar em casa, a sair de casa, a fazer a casa,  a desfazer a casa, a arrumar a casa, a limpar a casa, a sujar a casa, quando o sol está em brasa, e no poente e no nascente, a casar, a enviuvar, a divorciar, a ajuizar, a separar-se, a advogar, no cortejo da queima das fitas é só bêbedas e feias, a cantar, a chorar, a cozinhar, a estragar, a comprar, a sanitar, a pintar, a pintar-se, a lavar, a lavar-se, a limpar, a limpar-se, que grande badalhoca esta feiosa, a gastar, a gastar, a gastar, a gastar. E, na fila do Quai D´Orsay, dentro do Quai D´Orsay, à volta do Quai D´Orsay, a pensar no Quai D´Orsay, é tudo um bando de mulher feia. E tu, singela e bela, quando me deste a mão, Cairo, Pirâmides, Verdi e Aída, se quel guerrier lo fossi! Se il mio sogno, ao menos de uma mulher feia: A reclamar, a afogar,  a confessar , a confessar-se, mãos em prece, língua de fora, esticada, Amen, Amen e mais ninguém a não ser mulher feia,

                        A resmungar,             a afogar-te      a chingar

                        A envenenar,             a suplicar,        a chingar-te

                        A salvar,                      a rezar,             a coscuvilhar

                        A salvar-te,                 a comungar,    a roubar,

                                                       

                                                            a gamar

                                                              a guiar

                                                              a nadar

                                                              a bronzear

                                                              a espraiar

                                                              a chorar,

 

 

 

 

 

                                                              a trair, a sorrir, a fingir, a mentir, a ir e a vir, a zurzir, a zurzir-te, a curtir, a descurtir, a dormir, a conduzir, a carteirar, a sonhar, a dormitar, a acordar, a varrer, a correr, a adormecer, a bater, a trazer, fui ao Centro Pompidou com Torga e ele pediu bijou, beurre aussi s´il vous plait e la mademoiselle pas belle e, Torga, Aventino, a final, em Paris também há mulher feia,

 

No Centro Comercial e no Bolhão; nas Finanças e na Loja do Cidadão; no Notário e na Voz do Operário, no fontenário, no campanário e no armário,

 

No tribunal e à porta do tribunal; no hospital e a coisar o coisa e tal e, depois disto tudo, o único local onde só encontro mulher feia, pelo Entrudo e pelo Natal, em Las Vegas e em Xabregas, em Lisboa e em Goa, no Marco de Canaveses só às vezes, em Órleans, em New Orleans, em Pequim e a beber gin no meu jardim, e depois, no mundo, o que sobeja, o que resta, o que não presta, o que sobra, nas obras, o trolha oh! Careca aí vai massa e só há mulher muito feia na praça, o que tu querias sei eu oh marmanjo e a mulher que desce, papo de anjo pelo pescoço, o que há a fazer se não que não seja meter p´ra veia,

 

                                                           No Ribatejo, nos arrozais,

                                                           No Alentejo,

                                                           No meio do Tejo,

 

A afogar no Tejo e em tantos locais, assim que tais, menos ou mais, nos jornais e nos telejornais e o que eu gosto mesmo é de mulher feia,

 

No autocarro, no metro, no elétrico, nos aviões, no meio dos limões, aos empurrões, senta acolá oh feia, olá, são seis e meia, pra antre o milho? oh tinhoso, diz a feia, e Saint Lazare, La Fayette, femme laide en tous las toilettes, retretes na minha terra se faz favor, armado em fino o filho do fogueteiro, o provocador,

 

 

 

Volta que volta, não volta, volta e meia ainda há alguma mulher feia, só tenho dinheiro para uma omelete, mulher nenhuma quer um “home” que só tem dinheiro pra uma omelete,

 

e finalmente, eu aqui à volta do papel, profissão inútil e burguesa, não dá para sentar à mesa, senhor doutor trago-lhe aqui uns chouriços, não seja por isso, muito obrigado, lixo com isso e logo de cebola, os chouriços, chiça, está na hora da missa,

 

E a voz doce da minha mãe, pela minha alma adentro, Tino, Tino, pelo amor de Deus, arranja-me ao menos uma mulher; nem que seja feia.

 

 

 

2018-05-23

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

     O nosso amigo Martins Ribeiro

     Tinha as articulações desgastadas

     Foi ter com um serralheiro 

     Que lhe aplicou umas dobradiças emprestadas

 

     São peças emprestadas

     Que muito o podem ajudar

     Se forem bem oleadas

     Oferecem - lhe um bom andar .        

 

                          

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