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2015-02-01

AVENTINO - PORTO

DA MINHA CASA JÁ NÃO VEJO O MAR

Do teu longo silêncio, estou todo prenhe. Das tuas palavras e da tua voz, sou um mero navegante. Já não creio, já não quero, tudo é treta. Tudo é o nítido nulo, tudo sou eu sem qualquer alma, 75% de água e 25% de sais. Corpo, matéria, e nada mais. Amanhã, quando acordares, ninguém se lembrará de ti, nem de mim, nem de um qualquer AAR que aqui escreveu. Amanhã, quando acordares, tudo é apenas ontem e tudo é apenas a morte. Fim.

Esquisofrénico? Sim. Felizmente. Estou entre o eco e a razão, entre o sim e entre o não. Sou comuna e anti-comuna, sou crente e o contrário. Sou o menino carente dos braços de minha mãe e o menino além com que a aridez de um Cristo triste, inexistente e inventado me inventou. Não quero ser feliz, nunca quis ser feliz, só os palermas querem ser felizes.  

Tu que ainda tentas vir aqui, apenas tentas. De nada serve. Nem Roma, nem Alexandria te hão-de ouvir. Continuarás solitário, "caminante no hay camino", és um corpo sem dama, uma alma sem corpo em busca de essa deusa proibida que te roubaram: a mãe, a nossa mãe, os beijos da nossa mãe. E aí estamos nós entregues ao engano. Fingindo a filosofia, o ser e o ter, a razão e o pensamento quando, nas profundezas das tuas entranhas, o que buscas é apenas sentir: os braços doces da tua mãe.

O resto, nem sequer é resto. Sem importância. Sem sentir. Que importa a morte, se não tiveste a vida?

2015-01-30

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

Depois da entrada do Alexandre «eruptiva» mas elegante, densa mas clarinha, cheia de recados e disparando contra múltiplos alvos, já pouco me sobra para elogiar o ensaio do Morais.

Considero excelente o trabalho do Morais e o tema, como ele nos diz, é de importância extrema na nossa formação inicial e  posterior desenvolvimento  como seres humanos bem feitos.

Já conhecia (parcialmente ) o tema pois o Morais já me tinha falado dele num daqueles "passeios " que vamos dando nesta cidade mas foi ao ler o texto completo que me apercebi da abrangência do que valem os afectos e a ausência deles.

Possivelmente vou cometer uma inconfidência mas o Morais está a preparar uma segunda parte para ampliar e concluir o tema. Aguardemos, pois o Morais, sendo um especialista no assunto, não nos vai decepcionar.

No seguimento da ideia do Morais, convido-vos a acompanhar-me numa ideia meio peregrina segundo a qual julgo poder extrapolar alguns resultados sobre os afectos e desafectos que poderão ter inquinado o pensamento de alguns dos nossos rapazes que passaram pela Quinta.

Estamos a falar de jovenzinhos já com 11, 12, 13 ou mais anos mas acredito que, quando alguns falam de traumas, poderão estar a acusar uma quebra de afectos da qual nunca mais recuperaram.

Lembremos a história de alguns antigos alunos que, ao deixarem a casa paterna para virem para a Quinta, choraram como borregos desmamados e, há pouco tempo, dizia o Aventino ( transcrevo) : De que falais vós se não da perda dos braços das vossas mães? De que falais vós se não de um tenebroso dia da nossa infância em que nos mataram o amor? Não são traumas? 

São pertinentes as perguntas do Aventino e essas situações não podem , de modo algum, deixar de produzir efeitos.  E para terminar o assunto, considero interessante  que depois, no Seminário, os nossos ilustres mestres tentaram produzir em nós um transferência de afectos dizendo-nos que a partir daí a nossa mãe era Nossa Senhora.

Depois de terminar o seu estudo sobre os efeitos dos afectos no tempo inaugural das nossas existências, convido o Morais a falar-nos sobre as consequências de tirar aquelas avezinhas tão cedo do ninho  para as " amandarem" para a Quinta da Barosa sem a asa das mães.

( Ps : A ideia  é de um associado da AAAR que me pediu para vo-la transmitir: Que tal organizar um excursão a Évora para visitar o 44 e cantar-lhe uma cantiguinha?  Aceitam-se sugestões e inscrições )        

2015-01-30

manuel vieira - esposende

O Lamas está afetado pelas "antrozes", que ele poeticamente chama de tendinite e hoje ligou-me o Diamantino, que estava no 8º andar do Hospital de Santo António ao lado do cliente Peinado a saborear umas moelinhas em urologia.

As melhoras para o Lamas e para o Peinado, embora o Lamas estivesse a exercitar o lado poético sentado na barbearia.

Falei com o Peinado que se inscreveu no Santo António já na Quarta Feira e colabora agora na recuperação com vista às ementas do tempo frio. Anda Peinado, recompõe-te. Estamos à tua espera.

2015-01-30

josé Manuel Lamas - Navarra - Braga

       Sentado numa cadeira de barbearia, esperando vez para aparar a gadelha... Eis que me apeteceu, brincar com uma arreliadora maleita, que me tem apoquentado , desde há alguns dias a esta parte .

 

                  Tenho tamanha falta de apetite.

                   Que me sinto subalimentado.

                    Isto por causa de uma tendinite.

                    Que me está deixando aleijado.

 

                     Mas que ninguém fique assustado.

                     Que não  estou assim tão mal.

                      O apetite é ficcionado.

                       Só a tendinite é real.

 

 Chegou a minha vez, tenho que parar por aqui .

 

 Aquele abraço .

 

                                Zé Lamas

2015-01-28

alexandregonçalves - Palmela

BARROSAL III: O Esplendor de um Discurso Inaugural

 

Até que enfim! Já tardava que a nossa atenção deixasse de roçar a frivolidade e se virasse para o interior de um povo e de uma cultura de onde somos nativos. Exalto desde já o nosso Ricardo Morais pela bondade, pelo esforço, pela subversão das distrações a que nos vimos dedicando neste espaço de luz, que usamos só para não estarmos calados. Ou para simplesmente bajularmos o que até em silêncio poderíamos tolerar. O ruído que se vem produzindo, com frágeis excepções, também é obesidade. Gordos e burgueses, vamos esbanjando esta preciosa antena, como se fôssemos comentadores vendidos por algum preço. Filhos da terra, devíamos regressar à terra. À mãe-terra que nos gerou, e nos entregou a Esparta, para que fôssemos apenas guerreiros, de Deus ou do diabo. Aí estamos nós, mais ou menos consumidores, alheios ao tempo que resta, sem leitura, sem reflexão, sem militância. Jogadores de xadrêz, profundamente distraídos, nem nos damos conta de que a cidade está a ser tomada pelos turcos (sem que isto signifique algum menosprezo pelos árabes). Não temos opinião sobre coisa nenhuma, a não ser o que se refere a coisas de Nosso Senhor. E mesmo aqui, revelamos um reaccionarismo atroz. Porque dá trabalho ler, dá trabalho pensar, e pior que tudo dá trabalho escrever. Mas não foi isso o que nos ensinaram? Podemos ser alheios a esta política venenosa, que despreza as pessoas, que as põe a pão e a água e que manipula com mentiras alarves esta democracia de falsos juristas e profissionais da mais óvbia mediocridade? Não haverá nada para pensar neste mundo, só porque estamos a prazo? Esta Europa, cheia de sangue e de feridas expostas, carregada de má consciência e confusa memória, não precisa de nenhuma denúncia? Esta terceira guerra mundial será um parque de diversões? Os fascínoras dos judeus, depois de terem sido odiados e quase exterminados, podem impunemente aplicar o Antigo Testamento da gloriosa revelação divina, de práticas vingativas, roubarem um território  e extinguirem um povo inteiro, sob a protecção da salvadora América?

Saúdo o texto fulgurante do Ricardo Morais pela sua fecundidade, pela sua originalidade, pela sua sustentabilidade. E por essa fabulosa bondade de regressar à única urgência, os afectos. Sem afectos, não há vida, garante-o ele. Sem afectos, não há pensamento que valha um caracol, acrescento eu. Sem afectos, a idade que nos atravessa é uma fraude, uma leviandade. Sem afectos, não temos coragem. A mudez é a nossa zona de conforto. E a caridade cristã, por mais ruído que faça, se não entender a força e a sinceridade discreta de um afecto, é manipulação e domínio. Também a caridade pode ser violência, mesmo que cite o capítulo e os versículos que a justificam.

Meus amigos, para concluir, devorem com lentidão o texto citado em Pontos de Vista. Façam o favor de o ler três vezes e já não vos faltará matéria para dar sentido ao ócio! Vacinem-se contra as gripes e contra as televisões e durem muito tempo. Só os anciãos podem ainda produzir fracções de sabedoria. E aplicá-las ainda a tempo de ficarem na memória dos que hão-de suceder-nos.

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