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2018-07-05

Aventino Pereira - Porto

 

MORIBUNDOS DE NÓS


Aparte o texto do nosso maravilhoso Alexandre e, apesar do repasto ser de borla, “ninguém” respondeu ao meu convite.

Toda a nossa turma tem sofá e televisão em casa e a companhia de uma grande MOCA; então para que fiqueis, ainda, com mais sofá, com mais televisão e com muito mais MOCA, TOMAI e COMEI:

 

POEMA INÚTIL

 

O que me apetece é não me apetecer!

Não sentir nem ser.

Ir além, mais além e ainda mais além,

em busca de alguém

que me ajude a morrer.

 

Eutanáso-te e eutanáso-me;

corto os pulsos, corto as veias,

parto co’a minh’alma cheia

de um triste tardar em amanhecer.

 

Amanhã?! Amanhã não haverá amanhã!

Nem sol nem água nem sequer as sombras dos nossos universos.

Que fizemos nós dos nossos versos

com que à tardinha,

a tua mão na minha

nos enganávamos?!

 

Se for abril, quero ir em abril.

Foi em abril que nasci

e logo, logo nesse sentir, senti

que não queria nascer.

Aqui estou na esquininha desse mesmo lugar onde a minha mãe me deixou há sessenta e quatro anos,

à espera dos doces beijos

que continuo a querer.

 

Agora mingua-se-me o corpo.

Tenho cansaço, dor no peito, dor nos ossos,

o passo curto, tímido e lento

e até mesmo o pensamento

teima em não me perceber.

 

Houve um tempo em que tinha fé,

acreditava:

divindade; vida eterna; paraíso.

Houve um tempo em que tinha medo:

o inferno; o castigo; um final juízo.

Agora são desgraças

a entrarem-me pela vidraça

de um mundo vazio, colorido em segredo.

 

AVENTINO, em julho de 2018

 

2018-06-21

alexandre gonçalves - palmela

Muitos os chamados, nem um escolhido.

 

Meu Caro Aventino


Dando de barato que o teu convite é convicto, e que o teu humor comanda a vida, quero em primeiro lugar exprimir um lamento por até à data não se registarem inscrições. A sugestão é formalmente irrepreensível. É na hora da inevitável decadência que devíamos afrontar e provocar a melancólica sucessão dos dias. Para que serve o helénico ócio? Não o herdámos em abundância, quando o destino impôs às nossas vidas austeras obscuridades? A mesa dos gregos deu à humanidade as mais deliciosas ideias de civilização. Será que transformámos o ócio em indolência (veja-se o étimo latino), nessa insensibilidade aos apelos, às dores do mundo? 

Falando por mim, não estou muito abonado para justificações. O mês de junho esgotou antecipadamente todas as hipóteses de mobilidade. Já não é segredo que este quintal solicita sem piedade todos os meus actos, até os impossíveis. Deitar tarde e cedo erguer é o meu caminho para respirar a vida. Opções? Claro, tão legítimas como o seu contrário. Mas hei-de ainda glorificar-me por ter aumentado o tamanho da população vegetal. Duzentos seres vivos vêm comer à minha mão diariamente. Está explicada a minha imobilidade para aceder ao teu criativo convite. Das datas apontadas, não pude capturar nenhuma. Também por isso, os meus défices sociais são mais que muitos. Mas o desejo permanece. Ainda mexe atabalhoadamente, como se o futuro ainda não tivesse começado.

Enfim, sejamos misericordiosos e salvemos no mínimo as intenções. Se forem verdadeiras, já não serão punidas pelo barqueiro. Um abraço por sobre o infinito verão! A.

 


2018-06-08

Aventino Pereira - Porto

Meus caros companheiros:
No sábado passado, o Assis deu-me (deu-nos) um dos belos dias das nossas vidas. O Manuel Vieira comandou tachos, caldas e repasto. O Castro porque também quer ir.
De que falo?
Quero convidar-vos para almoçarmos num dos seguintes restaurantes:
1.       Camelo em Santa Marta de Portuzelo
2.      António em Leça da Palmeira
3.      Cozinha do Manel (???) na Rua do Heroísmo, no Porto
4.      Sapo, em Irivo, Penafiel
5.      São Gião, em Moreira de Cónegos, Guimarães.
6.      Na minha casa, no Porto, desde que o Manuel ou o Castro cozinhem, porque eu, já sei cozer ovos (e mesmo assim, às vezes, ficam crus e outras vezes recozidos, porra!)
DATAS possíveis:
09 de junho
15 de junho
16 de junho
17 de junho
22 de junho.
Vá lá, vá; botem para cá os vossos dizeres.
2018-06-05

manuel vieira - esposende

Num rastreio de satisfação foi unanime a voz de satisfação sobre a favada de sábado,lá pelos lados de Orbacém. Quem diria que uma leguminosa atarracada e curvilínea seria o mote para um dia de grato convívio à mesa, onde nada faltou. Vieram de sítios bem diferentes a mostrar que a informalidade da vida se concretiza em abraços, longas conversas e lembranças boas. As favas com os enchidos em rama verde de alho  e hortelã e um arrozinho das mesmas completou os sabores. Gostei de rever o Ismael Henriques, o Viterbo e o Gaudêncio por serem os de mais longe, não referenciando todos os outros presentes e percebi que aquilo que nos "puxa" para nos abraçar à mesa é visível nos rostos que se cruzam. Estivemos 31 e foi mesmo muito bom. Tudo valeu ...

2018-05-27

Francisco Assis Conceição - Folgosa

Já na hora da Partida?...

Ainda não, embora o silêncio secretamente partilhado por uma maioria de nós assim pareça falar.

Ainda há fogo entre nós, não obstante os dias frios de inverno nos obriguem a passar mais tempo à lareira.

Cada qual vai vivendo seus momentos muito próprios e vai conversando consigo mesmo e com os seres que o rodeiam, com os seres até que chamamos de irracionais, tantas vezes mais lógicos do que nós próprios... Na solidão da casa, ou na solidão da horta, pedimos desculpa aos insectos que nos picam ou nos comem os legumes e as frutas quando nos vemos obrigados a exterminá-los.

Continuamos vivos ao ler as folhas das palmeiras, mesmo quando por  preguicite nos esquecemos de responder e agradecer a quem nos presenteou um bom texto ou um belo poema.

Continuamos vivos quando a memória nos atraiçoa na resposta a um convite para um almoço, seja ele de lampreia ou de favas.

Continuamos vivos, sempre que o telefone toca e alguém do outro lado nos chama de jovém ou moço, sabendo nós que somos mais velhos do que quem nos proporciona o prazer da conversa.

Agarremos pois o amanhecer de cada dia, na tarde em que já vivemos, para nos juntarmos pela voz, pela escrita e, sempre que possível, também pela presença no ensopado de uma lampreia, umas castanhas, ou umas simples favas.

A todos o meu abraço fraterno. 

 

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