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2015-10-18

António Manuel Rodrighues - Coimbra

Caros amigos, os de 1958/1959/60, outros mais antigos ou recentes de quem guardo referências e os últimos adquiridos, com agrado meu, nos poucos encontros a que compareci.

A nossa associação tem de continuar pelo menos por mais algum tempo. O necessário e possível pois, sabemo-lo bem, um dia tudo acaba. Acabará tudo?

Fique esta metafísica para quem saiba ou a queira tratar, eu, por agora, quero manter-me num tempo e contexto bem mais imediatos e comezinhos.

Enquanto restarem alguns técnicos capazes e disponíveis para manter a nossa página na internet com a revista, se possível, também em suporte de papel; enquanto alguns de nós mantivermos lucidez e vontade; enquanto houver quem apenas nos visite e leia, a nossa associação não pode acabar.

Recebemos uma educação marcada pela época, é certo, mas de um ou outro modo, todos acabámos por beneficiar dela. De entre os possíveis, os benefícios conseguidos atestam isso suficientemente bem. Tentando evitar esse discurso subjectivo e moralista onde me vou sentindo enredado; voltando novamente ao mais prático e urgente, recordo aqueles adolescentes e jovens que fomos, o idealismo, a generosidade e as convicções imaginadas ou vividas e, recordando-as, meus amigos, temos de continuar o caminho encetado.

Socorrendo-me da minha memória, de uma relação dos nossos nomes em meu poder (obrigado, Diamantino) e daquela outra do nosso sítio na internet onde estão os nomes dos nossos associados, ainda lá falta o meu, é-me fácil concluir: só o nosso comodismo nos pode tornar inactivos enveredando assim numa perda individual e colectiva. (Recuso-me a utilizar o adjectivo “inevitável”).
Agitando um pouco, só um pouco, as águas quase paradas, neste aparente imobilismo será fácil reconhecer capacidade artística e económica para nos mantermos.
Em tom de brincadeira até me atrevo aventar e aceitar nas despesas do nosso balancete: almoço (ou jantar) para o convívio de quantos dispuseram do seu tempo e serviço…………. Tantos euros.

Se este texto for publicável e lido, em atitude de assentimento ou contestação, ficarei agradado.

Estou a sugerir muito mas não estou a exigir nada.

Saúde para todos, familiares incluídos.            

2015-10-17

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevz

Para o nosso Presidente Né Vieira me não acusar em vão da minha escrita libidinosa e também para agitar estas águas quase paradas, vou rabiscar mais um desses escabrosos textos. É uma fantasia literária, porém, susceptível de acontecer pelo que convém exarar a estafada exortação de que qualquer semelhança com pessoas ou factos da vida real será mera coincidência. 

 

                                                  ********

 

UMA MENTE DEPRAVADA

Tibúrcio Malaquias Salsifré, tipo já entradote em anos que se lhe pegavam como carraças na lã das reses, estatelou-se de amores por Isaura, uma serviçal também um tanto madura mas ainda boazona, fresca, tetas firmes e redondinhas, um espanto, pernas torneadas e roliças, apetecíveis, uma visão de loucura em terra de Sedução. Desassossegou, correu desvairado atrás dessa aurora boreal, escabujou como um possesso. Fazia dela um arreigado conceito de incontestáveis virtudes, um anjo sublime, a menina dos seus olhos, facultando-lhe gostosamente vultuosa ajuda material. 

Existe, no entanto, uma funesta sina nas relações amorosas e as mulheres, nesse aspecto, são as mais propensas e traidoras. Certo dia, depois de alguns já de convivência, surpreendeu a sua ‘Zaura a falar ao telefone, imperturbada, não fazendo ele ideia de quem pudesse ser o interlocutor. E foi ouvindo o teor da conversa, inicialmente com surpresa, depois com espanto. Conforme ia ouvindo sentia-se invadido por assoladora onde de tristeza que o empalidecia, depois uma saraivada de facas que lhe aguilhoavam a alma.

Dizia ela, a certa altura:

- É pena eu estar velha senão eu dava umas voltas contigo.

Respondia alguém

- Sim, já não aguenta a pedalada: está assim tão velha?

- Não, já me falta o ar mas com um novo talvez não.

- Não, há que experimentar a ver se aguenta.

- Já perdi o jeito, não sei por onde se lhe pega.

- Sério? É preciso é prazer, o jeito vi lá depois.

- Sim, sim, tenho que ver isso, tem que escolher o novo certo.

- Eu já tenho um novo mas dá-me cabo da cabeça.

- Sim, gozar enquanto se pode. Pois, tem de gozar a vida. Deve aproveitar.

- Os homens só dão valor a coisa que não presta.

- Diga-me como escolher a pessoa certa que eu não sei; quando penso que é uma pessoa certa, sai errada.

- Olhe, pode aparecer alguém. Sim, quer um novo ou velho? Que prefere?

- Olhe, eu nesta hora tenho um novo e um velho, diz-me qual é o melhor?

- O novo é melhor.

- Está enganado, o novo só é bom para dar cabo da cabeça.

- Pois, tenha paciência e tudo pode acontecer e escolha a pessoa certa.

- Pode, já está, não sei se queira o velho ou se fique com o novo. Que me diz?

- Fique com o novo.

- Não me diga isso, o velho tem dinheiro e o novo não.

- Então fique com o velho e arranje um novo para as curvas; é o que leva de ganho.

- Só experimentando.

- Quer hoje? 

- A que horas, onde?

- Aqui na minha casa; está pronto?

- Sim, estou, sabe disso. E você?

- Também. 

- Sim, não aguenta uma.

- Uma só é pouco ou nada.

- Está velha, já nem uma dá.

- Agora já nem meia. Já perdi o jeito. Quando chegar á minha idade já nem uma dá.

- Espero ainda dar duas, com a sua idade.

- Com essa idade, duas? Quantas seriam agora?

- Três, se a parceira for boa. E você, nadinha? Enferrujada?

- Não ganha ferrugem que eu não deixo. Nem que fosse uma dúzia.

A conversa foi continuando, longa, relaxada, confiante, expansiva, cada vez mais escabrosa. Ás tantas o pobre Tibúrcio procurou reagir, a muito custo, destroçado na sua ilusão. Soube que o sujeito tinha quarenta anos e não quis acreditar como eram possíveis numa mulher daquelas conversas tão baixas e degradantes. Numa roda de amigos, durante uma farra, ainda vá que não vá; agora, em privado, com um rapaz que nitidamente a estava a gozar, como se poderia admitir que uma mulher perto dos sessenta permitisse e mesmo gostasse de um palavreado tão sujo, não se respeitando a ela própria nem se dando ao respeito? 

Que pena, meu Deus, que pena! 

Afogado nessa alucinação o sonho que o consumira pouco durou a partir dessa funesta hora. O desditoso e carente Tibúrcio. perdida a sua ‘Zaurinha, voltou a carpir a sua solidão até ao caminho das sombras.

Tudo por causa de uma mente porca e depravada.

 

 

Arcos, Outubro 2015

2015-10-14

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Uma indolência inveterada, alguma abulia, e uns achaques de  saúde têm-me mantido em silêncio mas tenho andado por aqui a ler menos do que desejava. É muito bem feito e mereço-o.

Há dois temas que me andam cá provocando. Vou tentar dar-lhes forma e, depois, veremos se vale a pena publicá-los.

Tarde cheguei à nossa associação, o que muito lamento mas sem remédio. O que me falta em tempo e colaboração é o inverso do desejo e vontade de continuarmos amigos. Amigos de verdade sem necessidade de andarmos sempre em perfeita concórdia e aos abraços.

Embora não tenha filhos, já tenho pensado que a nossa associação, continuando, um dia poderia ser AAAR&Herdeiros ou:AAAR&Descendentes.

A originalidade é pouca mas esta ideia agrada-me e deixa-me com um sorriso nos lábios, levemente desenhado; um pouco mais gravado cá na alma.

Não prometo que seja em breve mas garanto-vos que já ando à procura  do meu amigo Hércules.

Um abraço e até já.

2015-10-12

alexandre gonçalves - palmela

BARROSAL XII-Que Fumo É Este que Sobe Assim pelo Céu?

 

Não posso deixar de me referir a uma decadência precoce e generalizada da Palmeira. O meu vizinho do lado fez há dias um fogo, o primero indício de um outono pontual, cujo negro fumo surpreendeu a população. Não havia qualquer rito neste lume. Nem o mais leve sopro de poesia, nesta queima quase trágica. Ele tinha uma palmeira soberba, no lado esquerdo da da quinta. Testemunhava ali a glória das suas mãos generosas. O Sr. Ernani colhe de tudo à fartura. Ele é pêssegos, laranjas, limões, tomates, cebolas, batatas. E tudo o que uma boa horta sabe dar a quem a trabalha com bondade, com idealismo, com indiscutível dedicação. O Sr. Ernani não soube salvar a "sua"palmeira. Em menos de meio ano, ela mudou de cor. Depois morreu sem ruído subitamente. Cortou-a zangado e praguejante, fez um monte enorme de ramos, que arderam sem resistência. Só um fumo alto e negro mostru o que restava da sua antiga vitalidade.

Pensei na outra PALMEIRA, aquela que nós erguemos por sobre a nossa memória em ruínas. Graças a ela, temos uma idade menos só, menos triste, e até um pouco mais jovem do que é frequente praticar-se. Já todos  admitimos que não são os muitos anos que nos tornam úteis às sociedades ditas modernas. Mais, não é nos muitos anos que aumentamos a vida. Mas é pela vida que nós aumentamos os anos. A espécie humana vingou pelo trabalho solidário, pela acção. A vida é o acto de fazer. O mundo está por fazer. Todos, em todas as idades, têm de fazer. Quem não faz, perde-se na poeira do tempo. Não é Deus nem a moral que nos mandam fazer. É a consciência de ocupar um planeta escasso, à mercê de aves de rapina, manhosas e perversas, que desviam em seu proveito o que é da humanidade.

O maior perigo da ASSOCIAÇÃO é esperar que os outros façam. É semear um ambiente geral de indolência, alegando dificuldades nas quais nem os próprios acreditam. Fazer é pagar as quotas. É falar com um amigo, nem que seja pelo telefone. É frequentar as novas capelas, em amenos encontros, fazendo das tascas lugares de cultura, de reflexão, de crítica social. Enquanto se vira um tinto, lento e mastigado, o tempo faz marcha atrás. A vida é mais leve e a amizade um pouco mais doce. FAZER é muita coisa. A imaginação está madura para quebrar amarras e libertar o espírito.

Mãos à obra, mãos ao site, mãos à revista, mãos aos amigos, feitos e por fazer. A PALMEIRA, A ASSOCIAÇÃO, a memória não podem, não devem transformar-se em fumo. Outubro espera pelo arado. É urgente revolver os campos. A sabedoria dos anciãos não pode aposentar-se. Nós estamos do lado da solução. Recusamos ser problema. Não nos chega termos trabalhado a vida inteira. Enquanto respirarmos o ar das manhãs, há sempre qualquer coisa por fazer, justamente à espera das nossas mãos. Só temos de estar atentos e ouvir a voz que bate no escuro dos dias.

2015-10-10

manuel vieira - Esposende

Desenfastiei-me com umas castanhinhas assadas no forno, deserdadas infelizmente  daqueles aromas e sabor de um testado magusto de tempos idos  no campo de cima da Quinta, agasalhadas na caruma e nos fetos, de onde deambulavam ainda os fumos requentados em final de dia.

Um vinhinho tinto ligeiro para lavar ...claro.

Antes temperara um pernil macio e cheiroso para levar amanhã ao forno em almoço domingueiro, com batatinha assada, que serão acompanhados de um Piteira Premium, um alentejano tinto de 2014 com 14º e em vantajosa promoção no Continente cá do sítio.

Isto tudo para dizer  que este ano não teremos Assembleia Geral como rogara o Aventino em invocação do Regimento e dos nossos hábitos, depois de uma reunião que tive com o Presidente da Assembleia Geral, José de Castro, que foi conclusiva. Este tem sido um ano atípico talvez, porventura a instigar a alguma reflexão geral, embora os pequenos Encontros se vão sucedendo e as formas de comunicação facilitadas pelos novos meios aligeirem qualquer ansiedade. Hoje só está longe quem quer...

Também o nosso site tem estado pouco participado, mas  tem fases e este espaço é o que nós quisermos que ele seja. Eu sei que tem faltado o nosso Peinado, vai faltar sempre, garanto-vos, e ainda hoje vou procurar aos arquivos alguma da sua força.

Mas já não "oiço" o Gaudêncio, o António Rodrigues, então o José Rodrigues, o Ismael com os seus poemas, até o Guerreiro, o Fernando Rosinha, o JMarques desaparecido, o Davide nos escritos, o Viterbo e outros, como se os ventos do cansaço os envolvessem e não os deixassem voltar. Até o Ribeiro, embaciado pelos nevoeiros do Mezio arrefeceu as artes libidinosas da escrita, toda ela em poesia do Vez.

Mas muitos se encontram à mesa, por aqui e por acolá, aquecendo o passado ... e isso vale bem pelas ausências do site ou de encontros maisa formais.

Este ano celebrámos na primavera e no Caminho do Fradinho o tradicional manjar das favas e juntamos 2 dezenas de comensais. Entretanto, na Quinta do Alex falhou o quorum por causa das maleitas que as idades vão juntando, mas espero bem que em breve as castanhas assegurem a tradição do Encontro.

Estamos com alguns constrangimentos logísticos para assegurar uma edição da Palmeira até ao Natal, o que reflete também  condicionamentos  financeiros que normalmente eram assegurados no nosso Encontro Anual.

É importante que os associados façam um esforço proporcional à sua disponibilidade e transfiram para a conta da Associação, cujo NIB podem encontrar na rubrica "Contactos," um contributo pecuniário, no mínimo equivalente ao que é já habitual.

Como diria o Peinado:VOLTAREI.

 

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