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2015-08-03

Ricardo Humberto Morais - Bragança

HINO À VIDA
Com o envelhecimento da Palmeira e dos abrigados à sua sombra houve sinais de esclerose senil em tentativas de convívios que frustraram por falta de participantes. Temos de aceitar que quer a Palmeira quer os sócios poderão estar já fora do prazo de validade, como tudo o que é vivo. Não há como evitar.

 A idade leva-nos a empobrecer os contactos sociais.  Cada amigo que deixamos de ver é uma morte antecipada. É uma tendência que temos de combater, quer na associação quer no dia-a-dia com os nossos parentes e vizinhos. Soou o alarme, rumámos, de perto e de longe, a Orbacém.

Os meus três quartos de século e algumas dificuldades de orientação e condução fizeram-me pensar três vezes. Só me perdi na chegada, procurei ajuda e no regresso tudo correu melhor. Haverá uma última vez para ver amigos, não quis que fosse esta. A minha surdez e a animação de todos permitiram captar pouco do que se dizia à minha volta. Não faz mal. Lembrei-me do barulho ao almoço no refeitório da Barrosa aos domingos e quintas.

Em Orbacém as mesas estavam mais surtidas e assim convinha que fosse. Foi a amizade e não os copos e petiscos que nos puseram a caminho. Estes temo-los em casa ou no espaço comercial ao lado. Amigos é que nem sempre. Não é só sob a Palmeira que se guerreiam as polares pulsões de vida e de morte, eros e tanatos, criativas umas, negativas e destrutivas outras. Foi esta luta a história do homem e assim será o futuro.

Quer na natureza quer nos humanos a evolução deu-se e segue aproveitando as alterações ambientais, funcionais e genéticas favoráveis ao indivíduo e à espécie. Os pequenos prazeres nas relações de procriação são o isco a que poucos resistem e nos leva a trabalhos com filhos, e netos e para isso temos ferramentas próprias. Os pequenos prazeres na alimentação e bebidas vão no mesmo sentido e para isso servem o paladar e o olfato.

Exageros à parte, a nossa vida social passa-se muito à volta de uma mesa com pão, vinho e iguarias, em família ou noutros espaços. E isso acontece pelos menos desde a última ceia no monte das oliveiras, de que as missas atuais são uma estilização. Ab initio non fuit sic. A ausência dos pequenos prazeres e o corte nos contactos sociais são o ganha- pão de psiquiatras, psicólogos, farmácias e hospitais.

A nível social o Homem tem ainda um grande caminho pela frente na melhoria da vida em família, comunidades e povos. Olhando para trás foi tudo mais negro. As pulsões negativas ainda mexem em todos nós e uns minutos de meditação introspetiva, tarefa que já todos praticámos noutros tempos, poderá ajudar. Num conflito interpessoal os psicólogos recomendam contar até dez antes de responder a algum tipo de ofensa. Peço ajuda a todos para coligirmos hinos e poemas de amor para próximos encontros, de preferência inspirados por um bom vinho português.


VIVA A VIDA

2015-08-01

Aventino - PORTO

MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSA A VIDA NUM SONETO. MARAVILHOSO O TEU SONETO. MARAVILHOSO O TEU SONETO. MARAVILHOSO O TEU SONETO. MARAVILHOSO O TEU SONETO. MARAVILHOSO ALEXANDRE. MARAVILHOSO ALEXANDRE. MARAVILHOSO ALEXANDRE. MARAVILHOSO ALEXANDRE. MARAVILHOSO ALEXANDRE. "ACHAR UM CAMINHO QUE ME LEVE" "ACHAR UM CAMINHO QUE ME LEVE" "ACHAR UM CAMINHO QUE ME LEVE" "ACHAR UM CAMINHO QUE ME LEVE" Obrigado, nosso querido ALEXANDRE. Salvaste-me o dia.
2015-07-31

alexandre gonçalves - palmela

 

 

BARROSAL X - Coração de Vidro

 

Sentei-me recentemente em cima do verão, numa esplanada que dá para o tempo. Faz um céu azulíssimo, um vento brando e um ruído inverosímil de águas rústicas, tropeçando em seixos e pequenas quedas. Quase me apetecia ser feliz, não fora um súbito estremecimento de ausência. Quem me dera agora ser capaz de me distrair! Apagar a lembrança dos amieiros. Recuperar a inocência distante, que precedeu os juncos e as amoras. Era um ribeiro infantil, com pequenos açudes límpidos. Era um verão imenso e triste. E o coração era absoluto. Claro que também havia Deus, mas na hora, de tão longínquo, nem a sua voz bíblica se ouvia nem o seu imenso olho policial podia chegar a este recanto do fim do mundo. Por momentos, a terra era pura. E o pecado não existia naquelas margens desabitadas. Podia assim acontecer a primeira brancura. A primeira peça de roupa caída ao chão. E a primeira vez que a luz me cegou. Havia maçãs vermelhas. Havia amoras negras. Mas tudo se esbateu e confundiu na luz matinal que emanava do corpo dela. Dos olhos dela. Dos alvíssimos dentes dela. E dos longos cabelos dela, que ondulavam ao ritmo redondo e lento do alabastro. Não foi exactamente neste lugar. Mas foi nestas águas, que muito leves eram ao nascer e agora se retraem pesadas antes de irem morrer no mar. Aqui me sento  nesta esplanada que dá para o tempo, quase perto de ser feliz, quarenta anos depois. Não fora o estremecimento de tanta ausência. Não fora o posterior salmo cinquenta. Não fora tão enganosa a atracção da ambiguidade distraída. Não fora a vida o que é, eu corria o risco de hoje ser feliz e "quotidiano". Lamentando uma dor antiga, abrindo uma janela para as águas, assim nasceu mais um intragável soneto. Não é para que o leiam nem para dele retirar qualquer moralidade. É antes e apenas para lembrar que estamos de viagem. E que os prazos são mesmo para cumpir. 

 

 

Colher a vida como um fruto breve

que dura enquanto dura o seu desejo.

Correr ainda pelo puro ensejo

de o desejo pagar o que me deve.

 

Viver como quem morre não me serve.

Eu quero amar o mundo enquanto vejo.

É tão urgente a luz como é um beijo, 

para achar um caminho que me leve.

 

Não te distraias, coração de vidro!

És um rio que tem nascente e foz, 

trepidando entre pedras constrangido.


Vai sozinho mas não corras a sós!

O dado puro de se ter nascido

É um rio a correr por entre nós.

2015-07-22

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

O tempo vai de calores e convida a poucos  exercícios, sejam eles físicos ou doutra espécie.

Apesar disso, num tempo muito próximo, surgiram neste espaço dois nacos de prosa que mereceram o meu aplauso pelo prazer que a sua leitura me proporcionou. Refiro-me, obviamente, às entradas do Alexandre e do Aventino ( estou a respeitar a ordem alfabética).

Convido, por isso, esses dois «cabouqueiros» da escrita a prosseguirem  " a partir pedra " para deleite nosso e animação do site.

Mas eu vim a esta rubrica com outro fito e é dele que vou falar.

Na passada terça feira, 21, quatro jovens «maduros» ( partindo de direcções várias ) rumaram ao Concelho de Montalegre, mais concretamente a S.Vicente da Chã, para  ver, "falar" e almoçar com o nosso companheiro, Domingos Gonçalves Dias, "o músico" ( apelido amigo e carinhoso que ele não desdenha ).

O seu estado de saúde provoca-lhe limitações várias sendo uma delas  o não poder falar mas a sua lucidez intelectual está intacta e a memória funciona bem.

Feitas as saudações, começou o frenesim do Gonçalves no teclado do seu tablet : perguntava coisas, explicava algumas das nossas dúvidas e acrescentava pormenores que surgiam no decorrer daquela nossa «conversa». Primeiro estranha-se mas depois a troca de impressões começa a fluir de forma quase normal.

Seguiu-se um estupendo almoço onde a saborosa e tenra carne barrosã nos foi servida em forma de «posta». A qualidade do repasto foi impecável mas, talvez por causa da animação da conversa ou da proverbial fartura da mesa transmontana, não conseguimos levar as «postas» ao fim.

Mais um pouco de conversa e, aos poucos, entendemos que era tempo de dar o merecido repouso ao Gonçalves pois, para ele, foi  um dia excitante, fora da rotina normal .

Feitas as despedidas, o Morais regressou a Trás-os-Montes e o Diamantino e o Assis fizeram o favor de me deixar em Campanhã de onde baixei até à moirama.

Um último apontamento : para o caso de alguém se "perder" pelo Concelho de Montalegre e quiser visitar o Gonçalves, pode procurá-lo no único Lar que existe no lugar de S.Vicente da Chã.  


2015-07-21

AVENTINO - PORTO

MORRE LENTAMENTE QUEM NÃO VIAJA (Pablo Neruda)

 

Vá, vá lá, ruma ao aeroporto. Sim, ao fim da tarde, sexta-feira, partidas, o écran a anunciar-te os destinos. É só. Um deles e duas horas de voo. Sim, sim, é esse. Low-cost, 90 ou 100 euros e se regressares são apenas quatro ou cinco dias depois.

Já estás, já?. Os assentos têm plásticos, não reclinam e o espaço para as tuas gâmbias é curto. Que importa? Ao teu lado alguém grita, alguém tresanda a suor e, cuidado, que há marmitas mesmo por cima da tua cabeça. Podem derramar-te os restos do caldo verde, da sopa de agrião ou da feijoada. Que importa?

Tripulação! Portas em automático, diz o comandante. Motores a toda a potência e a aeronave a rodar pela pista, mais velocidade, mais velocidade e...zás, estás no ar. CARPE DIEM.

Duas horas depois, não mais que duas horas depois, "senhores passageiros iniciamos a descida, apertem os cintos, por favor e tenham atenção às indicações de cabine". Chegaste. Espera-te o automóvel alugado à operadora mesmo em frente ao terminal, carta de condução, cartão de crédito para a caução já te pediram e agora estás ao volante de um utilitário para percorreres 200 ou 300 quilómetros por um dos mais belos destinos da Europa.

Pela costa ou pelo interior?, é a tua primeira dúvida. Para o interior tens Avignon e o seu Palais des Papes, a Catedral, a ponte e toda a história de um dos lugares património da humanidade que muito nos toca sobre os interesses e os conflitos da Igreja de Roma. Ah! e o Festival D'Avignon com teatro, dança, música e artes plásticas durante um mês. Sim, sim, exatamente em julho. CARPE DIEM.

A seguir, tão próximo, como se não houvesse nem longe nem distância, Aix-en-Provence e Paul Cèzanne a abordar-te em tantos lugares como se tu e ele ali se tivessem cruzado e vivido os dias de uma eternidade possível. Também aqui em julho hás-de perder-te no maravilhoso Festival de Arte Lírica com ópera, concertos de orquestra, coros e intérpretes a solo. CARPE DIEM.

Pelo litoral?! É pelo litoral que vais?! Cassis, Bandol, Lavandou?! Isso, isso, fica por aí, Lavandou. Praias pequeninas, água quente, o mar e a montanha e o murmúrio da tua memória como única e solitária companhia. Como tudo pode ser tão simples e belo... O que importa é o momento, hás-de dizer.CARPE DIEM.

Depois, dali, quartel general em Lavandou, passeia, lentamente, para melhor namorares a felicidade. Serpenteia a costa para um lado ou para o outro. Cannes, Saint-Tropez e os iates a deslumbrarem-te o encanto. Sentado no bar azul em frente à marina de Saint-Tropez, não sonhes em partir. Tudo te é bastante neste instante. Un champagne, s'il vous plait. Non, non, pas de flut. Une bouteille. Bebe-a toda, todinha, gole a gole, até olhares o fundo da garrafa e sentires que tu e ela estão ambos felizes: ela por se livrar do peso do líquido; tu por te livrares do peso do mundo. CARPE DIEM

E, se porventura, achares que ainda é cedo para não pedires mais nada á vida, por que não Nice, Monte Carlo e até San Remo? Mas volta, regressa rápido. Tens Saint-Paul-de-Vence para abraçar.Não regresses mais. Fica aí. Reserva um cantinho no cemitério da Ville mas recusa-te a morrer. Para que jamais alguém possa cantar-te:

"Coube-te a vida em sorte,

homem mortal e é seguro.

Que é vida a própria morte,

quando se crê no futuro"

(Luis Goes) 

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