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2015-11-22

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

Com a sua prosa rica e exuberante, ( mas onde cada palavra diz o que tem a dizer não sendo nenhuma excessiva nem servindo para florear ), vem o Alexandre comunicar-nos que, sem Requiéns nem antífonas e sem o formalismo duma convocatória, realizámos uma bela "assembleia geral" em Palmela, no sábado passado. Não vou fazer o panegírico desse convívio por me parecer desnecessário mas quem esteve presente pode atestar a alegria, a amizade e o espírito das tarefas partilhadas que geraram em cada um o sentimento de que valeu bem a pena  participar. 

Não estou com isto a defender a ideia de não haver regulamentos, de não haver assembleias gerais, de não haver convocatórias para assembleias ou de não se respeitar os formalismos  que regem  a AAAR. Nada disso.

Mas disseram-se demasiadas coisas e algumas delas dispensavam-se. Todavia, espero que continuemos com este espírito "belicoso" pois também isto faz parte do nosso"viver" e espevita-nos. Uma boa briga faz sempre bem...........

Posto isto, julgo desnecessário cantar requiéns à Associação e não creio que tenha sido muito decoroso enxovalhar-nos chamando  " caloteiros " a todos nós por ainda não termos pago a quota anual.

O convívio de sábado passado prova que a AAAR está bem viva e que as " assembleias gerais" acontecem onde e quando nós quisermos. E as outras, com Convocatória, também irão realizar-se a seu tempo.

Não nos agarremos tanto aos formalismos e vivamos mais a Associação pois o tempo vai contando............e, qualquer dia, acaba.

2015-11-20

alexandre gonçalves - palmela.

BARROSAL  XV - Alevantamento dos Agapantos

 

Ouvi falar em "REQUIEM"por nós, os que somos indiferentes aos estatutos e à necessidade das assembleias. Há na expressão alguma iniquidade, na medida em que presume que é na letra da lei que mora a vida. Fora dos estatutos, cavamos inevitavelmente a nossa extinção. Nada mais falso, mais injusto e mais ocioso. Quando os irmãos vêm de longe e de longas ausências, sentam-se à mesa sem regulamentos, bebem um copo, falam, encontram-se e são felizes, nem que seja por uma hora. Os que não vêm de parte nenhuma, estejam perto ou longe, esses sim, nunca se encontram. Nem que andem com estatutos pendurados ao pescoço. Os factos contrariam os artigos citados por diversos especialistas. E de entre eles, trago à consideração geral o encontro de Palmela. A um simples gesto, como quem acena apenas um endereço, emergiram do silêncio vinte e sete criaturas entusiasmadas, matinais, e abundantes de risos, de abraços, de géneros líquidos e sólidos e de tudo o que é belo numa festa de sabedoria. Nós, os flagelados de outras idades, de inspiração castelhano-jesuítica, nós os que partimos as tábuas da lei, nós os que inaugurámos um modo novo de estar vivos, nós devolvemos o REQUIEM a quem no-lo encomendou. Nos verdes campos de palmela, onde correm o leite e o mel, onde a paz pagã de Ovídio e de Horácio nos dá um sossego espiritual surpreendente, nós, os herdeiros dos agapantos, patrocinados por Martinho de Tours, inventámos um encontro inesquecível. Pelas dez, chegaram os primeiros poetas do prazer e da alegria. Em ondas sucessivas, chegaram os restantes, todos com fúria de viver. Estendemos um lenho clássico, amplo e arejado, rente à churrasqueira, coberto de uma toalha branca, tecida por gestos sem nome ali expostos. Entradas, meadas e acabadas, sol, frutos e vinhos, tudo uma infinita oferta de afectos, mais doces que o líquido que os envolveu. A palavra circulou de mão em mão, fácil, alegre e solidária. E cada um à sua maneira soube saborear a doce amizade que deu e recebeu. Será isto uma comezaina? Ou não será antes uma vitalidade desconhecida, agora mais virada para as coisas simples e não para a obesidade ornamental? Mais, eu atrevo-me a chamar-lhe uma ressurreição, muito mais digna de um hino de glória do que de um obscuro requiem, como alguns já sugeriram. Não estamos disponíveis para cânticos tristes mas sim para salmos de sabedoria, sem vingança nem culpa.

Após o banquete grego, ali ritualizado, passámos ao momento mais litúrgico, mais arcaico, mais intimista. O círculo do fogo aguardava impaciente a nossa criatividade. Os engenheiro da hora montaram uma gingajoga eficaz, que, após uma primitiva fogueira, nos dava chama para o crepúsculo iminente e as douradas castanhas outonais. Cada qual extraiu das suas emoções o comentário que uma chave sugere quando rasga a opacidade de uma porta, de uma casa escura, de um coração fechado. Derramámos vinho, canções, abraços e despedidas. A noite já descia pelas casuarinas. Os que vieram de longe anteciparam o adeus. Os outros foram ficando, conversando à luz do fogo. Os últimos arrumaram os lenhos e o cadeirame. Tudo tão igual ficou que mal se notava que ali estiveram centenas de rostos cantando e vivendo mais um dia brilhante, para inscrever em narrativas futuras. O portão selou de silêncio o espaço, agora vazio, pelas vinte e duas. Mas quando acordei no domingo, para mais um dia de sol, ainda pude experimentar o consolo de uma "oliveira do paraíso" cheia de gente.

2015-11-12

alexandre gonçalves - palmela

Companheiros de Jornada

 

Que bom! Sábado à tarde não morre

ninguém na cidade:

a agência funerária faz semana inglesa

Anda comigo meu irmão

podemos passear tranquilamente

Ruy Belo

 

Pois é! Neste sábado, tal como estava previsto, vai haver sol no céu de Palmela. A chuva lavou os cedros e as casuarinas. Acendeu o brilho da erva e enchegou os campos. É hora de preparar a saída. Vamos martinhar a alegria serena de estarmos ainda muito vivos, mesmo que às vezes pareça que há um coma induzido. A proposta foi ganha por todos, pois as inscrições excederam as expectativas. Há já 25 nomes confirmados e mais seis em franca disponibilidade para virem de todos os lados do mundo. O vinho já corre pelas ruas inclinadas, a cor, o aroma, a textura já entram pelas narinas, afinadas por um olhar renovado. O vinho e o fogo são sinais litúrgicos deste outono escaldante. 

O programa inclui uma pequena visita à vila, pois há muitos que nunca tiveram essa oportunidade. Por isso venham soltos, confortáveis, calçado próprio dos campos e alguma prevenção para o cair da tarde. O almoço será constituído por pedaços de imaginação, com sobremesa de castanhas douradas, assadas por especialistas. Uma fogueira clássica anunciará ao mundo a nossa vitalidade e um encontro original, cheio de juventude, de canções e de esperança. Outono a sul é um hino à natureza, aos frutos e à mais doce amizade. Liguem os motores e ponham-se na auto-estrada. Às 10 horas é o primeiro contacto com o prazer da festa, a cargo de um moscatel  ou um branco perfumado, e outros sabores condizentes. Segue-se um breve passeio, para merecer e desejar um almoço inesquecível. Assim seja!

NB. Para quem não se lembre, a morada do convento é na Rua do Agricultor, a 300 metros da entrada, do lado esquerdo de quem desce, com um portão verde, guardado por três feras. Estes dados são matematicamente precisos, pelo que não é desculpável qualquer extravio.

2015-11-06

alexandre gonçalves - palmela

BARROSAL XIV - Liturgia Outonal

 

A propósito de estatutos, assembleias e quotas, só me ocorre uma solução: invocar o S. Martinho e pedir-lhe que nos livre dessas teias de aranha, onde se enreda o mais fecundo pensamento da pálida palmeira. De onde nos virá essa tendência subtil para regras, para leis, para estatutos? É tempo de agarrar o tempo com urgência, enquanto ainda há luz e energia para caminhar, para ir ao encontro de quem espera, para ver e ser visto, para falar e para ouvir. É isso que se chama estar vivo. Que tipo de humor é esse que tanto nos distrai do que é urgente? Um ano inteiro de ausências não foi bastante para espalhar um pouco de inquietação e outro tanto de zelo solidário para mudar. Vamos em cruzeiro de rotinas, repetimo-nos, plagiamo-nos, vegetalmente associados. Somos um bosque amarelecido pelos ventos que nos levam. Árvores iguais, sem folhas, sem ideias, sem desejos. Se o teclado fosse um tampo de madeira, e se em legalista assembleia discutíssemos o sexo dos estatutos, eu usaria a violênia da marreta para acordar as próprias pedras.

Mes eu sou daqueles que alimentam a fé e não desistem de esperar. Não há idade que nos vença. Nem doença que paralise os nossos membros. Por isso, lavro aqui um convite geral para uma ampla afluência ao S. martinho de Palmela. Há muitos, mas este é único. É um ritual de encontro, para uma liturgia de frutos outonais. O vinho, que por estes solos generosos se alevanta até à transcendência divina, iluminará as nossas mentes e os nossos corações. S. Martinho de Tours, a quem a tradição pediu a capa e a cumplicidade, vai proteger os nossos desvarios, na sua condição de grande oficial dos exércitos. Bem seguros, bem comidos, bem bebidos, entoaremos cânticos de alegria. O espírito falará pelas nossas bocas no círculo do fogo. Sentar-nos-emos em cordão, ligados pela palavra, pelas castanhas e por todos os frutos da terra. E a sede não será nossa inimiga.

Viajantes deste rectângulo, prontos estai para a jornada! Marquem as coordenadas para o dia 14 deste húmido novembro, porque há vinho novo na paisagem. Não vai chover. Está escrito nas estrelas. O sol de S. Martinho é garantido por ele, em seu próprio proveito. Não tarda, chega o rigor invernal. A neve cobre os campos e os caminhos, e o pior é que ela cai dentro de nós. E já vamos correndo riscos de o sangue gelar nas mãos. É tempo de colher estes escassos dias que passam na rua e acumular a doçura que ainda nos trazem. Não se pode permitir que o frio entre pelas ranhuras dos sentidos abandonados. 

 Companheiros de viagem, é esta a hora. Castanhas e vinho novo, esse fruto da videira que não entristece o rosto das Senhoras e alegra secretamente o coração dos homens. 

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Nota de pé de página. Que ninguém fale em dinheiro mas sim em imaginação. Se essa falir, haverá de sobra noutras fontes. Os portões do paraíso abrir-se-ão pelas 10 horas e só fecharão quando a lua vier. Os comboios estão coordenados com os horários  pretendidos. Façam o favor de ser felizes e ponham-se a caminho!

2015-11-04

manuel vieira - esposende

O REQUIEM DO AVENTINO

 

Não é que o Dia de Finados tão recente tenha inspirado a terminologia escolhida pelo Aventino pois bastaria a função do subconsciente para atiçar o sistema cognitivo do nosso extremoso colega.

Estaria no seu nobre propósito atiçar também os Presidentes dos Órgãos Sociais da nossa Associação, recitando-lhes “versos” estatutários a lembrar as obrigações que lhes cabem na condução deste barco enorme, que alguns teimam em vaticinar o afundamento.

Apreciei a resposta do José de Castro também pela quota parte da responsabilidade que lhe cabe  e percebendo que às vezes um bom vinho é também um bom medicamento, lembrei-me das instruções que acompanham os verdadeiros da farmácia e onde se questiona se eventualmente se esquecer de tomar num dia, as ditas instruções referem que deve continuar a tomar certinho no dia seguinte para que o efeito da prescrição retome o processo de cura.

Não sendo este o primeiro ano de ausência de Assembleia Magna, pode entender-se que o que mais se sente é a falta do tal Encontro chamado de Anual que, em muitos deles agrega entre duas e três dezenas de associados, a que as esposas dão depois a imagem de maior magote.

Em espaços diferentes juntam-se por vezes quase outros tantos a apreciar a sombra das oliveiras do Alexandre ou a apreciar as paisagens de largos horizontes do Assis.É a regionalização. Melhor cumprimento do espírito estatutário da Associação não há e só não sente quem está ausente (até rima).

Claro que os compromissos e obrigações formais de qualquer organização e o seu incumprimento atraem naturalmente a atenção do mais astuto e distinto causídico, sobretudo quando é também parte no interesse da coisa.

E até o Presidente da Direção, a quem cabe o exercício da gestão do grupo, é acossado pela ausência de Plenário, pois lhe compete estatutariamente velar pelo cumprimento dos Estatutos, trivialmente atribuído ao Órgão maior que deveria ser a Assembleia Geral e a sua Mesa.

É no meu entendimento uma restrição à capacidade civil de resistir e afirmar a necessária divisão e separação de poderes organizacionais, afetando direitos, liberdades e garantias pessoais constitucionalmente consignados no livro maior da sociedade portuguesa.

O meu direito à liberdade de exercer e de livremente interpretar o sentir coletivo, levou-me a informar por escrito a não realização de Assembleia Geral em dia de Cristo Rei,mas claramente  por assunção solidária com o Presidente da Mesa.

Este direito de resistência que senti também o foi por não se ter realizado o Encontro anual por falta de quórum, mas foram ouvidas as partes militantes. Também a ausência de qualquer penalidade estatutária, levou-me a assumir e afirmar convictamente a Inconstitucionalidade do Requiem do Aventino, fazendo constar que a nossa Associação está bem viva, pese alguma doença por vezes incontornável nas hostes.

2015 não é um ano para esquecer, bem pelo contrário, foi um ano de reflexão que viu partir também um dos colegas mais entusiastas e que sabia quanto era importante conviver, valorizando a força de um abraço fraternal. É importante dar força à vida porque o tempo se estreita e penso que nós percebemos e sentimos como são importantes os nossos amigos.

Em 2016 queremos fazer melhor!

 

 

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