fale connosco


2015-12-04

A.Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Caros amigos e companheiros:

 andais p´raí todos a carpir mágoas pela nossa Palmeira e, comvenhamos, que com toda a razão: ela foi um símbolo, uma referência das nossas vidas e o logotipo do nosso modo de estar. Foi do meu tempo, ainda muito pequena, e também choro a sua morte. Ah, mas eu vos digo,  o meu desgosto é já de outros tempos, não por causa duma  árvore mas duma etérea flor: poeta é assim ...

ROSA ESCARLATE DO VEZ

 

Choro por uma rosa solitária

Encontrada na margem do meu rio, 

Paixão fatal de intenso desvario,

Pecaminosa e á Razão contrária.

 

Vermelhão vivo foi a minha Vida,

Meu etéreo Céu, minha Eternidade, 

Valia também a Imortalidade

Que o seu amor faria conseguida.

 

Perdi minha rosa e a felicidade

Com funesta sina, de modo soez,

Novamente só, dura realidade.

 

Gritam vozes de dor e languidez

Pelos desfiladeiros da saudade

Ó pulcra, osa escarlate do Vez.

 

******

Novembro, 2005

2015-11-29

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

           Era uma planta tão viçosa e bela

       Com ramagem muito verde e pendente

       E o pessoal da Barrosa acreditava que ela

       Poderia por lá viver eternamente

 

       Mas um dia uma notícia chegou

       Que a todos surpreendeu

       Pois que à sua chegada disparou

       A vossa velha Palmeira morreu

 

       Morreu de pé com dignidade

       Partiu passou à história

       Seus filhos têm a obrigatoriedade

       De a fazerem perdurar na memória 

 

       Embora Ela me quisesse filho seu

       Eu não quis ser mais do que enteado

       Mas para sempre a lembrarei eu

       Pois também estou consternado .

 

 

         Aquele abraço

 

                                       Zé Lamas 

       

2015-11-28

António Manuel Rodrigues - Coimbra

O REQUIEM é cada vez um círculo menor e mais próximo de nós.

Somos cada vez menos, mais velhos e com menos forças. Placidamente fiquemo-nos pelo carpe diem e deixemos para outros o hedonista: post motem nulla voluptas.

Guardemos na nossa memória os momentos e os acontecimentos gratos que ainda ficam connosco.

Um abraço e saúde para todos.


2015-11-27

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XVI - Conto de Inverno

 

A tua ausência está cheia de frio,

leito de neve, corpo estilhaçado:

a memória sem futuro nem passado,

a terra assassinada, o céu vazio.

 

Entre nós já não corre nenhum rio.

Anda a correr em vão por outro lado.

Quem neste abismo pode ser culpado,

deste enganoso e trágico desvio?


 

Toco de leve o corpo que foi belo

e beijo à pressa o rosto que eu amei.

Já tudo agora é feito só de gelo.

 

Foi tão breve o que tanto desejei,

que em vez de o relembrar quero esquecê-lo,

gritando que da vida nada sei.

 


2015-11-26

Arsénio Sousa Pires - Porto

A palmeira

que olhava coimbrões até ao mar

estava já sem braços ou cabelos

à espera dos homens finais com uma serra na mão.

Chegaram e somaram-lhe o tronco em pedaços.

Depois

encheram três camiões

e foram-se embora sem olhar para o portão verde

que te viu entrar.

Ficaram-lhe as raízes

no ventre da terra até ao bosque.

Mas não ressuscitará!

 

A palmeira.

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº