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2016-01-21

manuel vieira - esposende

Estes dias o Martins Ribeiro celebrou o seu 83º aniversário e sei que muitos nossos colegas lhe manifestaram  satisfação com um abraço festivo.

Choveu nesse dia, não tão copiosamente como há 3 anos, quando  juntamos um grupo de 17  e almoçamos com ele no Alto da Prova, em Ponte da Barca. Preparamos esse almoço sem que ele soubesse e coube-me o papel de o convidar no dia anterior para almoçarmos juntos, mais o Assis, o que ele acolheu muito bem e só ficou zangado com a D.Conceição por não querer juntar-se a nós , sabedora que estava da situação, alegando que era um alomoço de homens e assim estaríamos mais à vontade.

O Martins Ribeiro só se apercebeu da "tramoia" à entrada do restaurante, quando encontra surpreendentemente um grupo grande de velhos amigos da Quinta que lhe endereçam os parabéns com um abraço presencial.

Eram os 80 anos de vida do nosso amigo Martins Ribeiro, o nosso decano como o intitulava o saudoso Peinado. que lá por cima sorrirá por esta minha lembrança. Recordo que nesse dia o Aventino foi a Lisboa e veio para estar presente no almoço do Martins Ribeiro e sabendo nós que não é o super homem, mostrou como é um homem super para quem a amizade tem um super valor.

Criou-se recentemente uma página no Facebook para um grupo fechado com o nome "palmeira" e o que lá se publica só pode ser lido pelos membros do grupo. É mais um "chat" de conversas que completa este site com a possibilidade de se publicar fotos, sempre com o acesso restrito. Já temos cerca de 40 membros com uma percentagem grande de colegas mais jovens que se sabiam andar por aquela rede social, criando-se assim uma nova ligação.

Alguns dos últimos textos aqui publicados mostram como também o "vento que leva" nos traz a referência principesca da partida de alguém que já só o vento nos sopra. É bom ler emoções que estremecem os menos sensíveis até, e sentir no cultivo das palavras como é bom ser amigo e ter amigos também.

2016-01-18

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

            Já se dizia em tempos antigos

             Que é bom ter país e avós 

             Hoje também é bom ter amigos 

             Que se lembrem e gostem de nós  

 

  E porque hoje é o dia 18 de Janeiro... Parabéns p'rò amigo Martins Ribeiro. 

 

  Aquele abraço 

 

 

                       Zé  Lamas

2016-01-10

Arsénio Sousa Pires - Porto

Ainda estou a recompor-me do estado em que fiquei depois de ler a "Carta a um Amigo que foi no Vento"! Magnífico texto! Pleno de tanta realidade que até parece ficção. "Quanto mais poético mais verdadeiro", dizia Novalis. E este é um texto prenhe de poesia e realidade. Obrigado, Alex. Dei-te a notícia e tu escreveste-me (nos).

Vivi tudo. E sofri. Como quem puxa dum livro antigo esquecido na biblioteca e se fixa só nos apontamentos à margem ou nos sublinhamentos a lápis para tão ferir o texto. Foi o suficiente para ler cerca de 8 anos passados com (ao lado?) o Monteiro. Nem sempre serenos de convivência. Mas estas são as tais folhas que a morte (o Vento?) espalha. Sem apontamentos ou sublinhamentos nas margens. (Obrigaram-nos a representar um melodrama para ver se nos olhávamos e gostávamos! Era Castelo Branco. Mas não.E já nem sei porquê!). Depois... depois foi até àquele domingo, 3 de Janeiro passado, em que, na Serra do Pilar, o Cardoso me mostrou a necrologia.

E tantas vezes eu perguntei: Que é feito do Monteiro?

Porquê?

PS. Como gostava de o ter abraçado. Pode ser que um dia...

2016-01-09

AVENTINO - PORTO

A MORTE SAIU À RUA NUM DIA ASSIM (Zeca Afonso, o querido Zeca Afonso)

CAPÍTULO PRIMEIRO                         

Vem-nos a notícia da morte. GERMANO NETO. Seminário, Palmeira e Avé-Marias.Ninguém se lembra do ANTES. O que foste antes de morrer, o que foste? Com que angústia esconjuraste a perda, com que dor?! Os braços da tua mãe, os teus irmãos e um lugar, aquele lugar de uma aldeia rural que te abraçou aos primeiros gritos do nascer. Com que dor se foi fazendo a vida se não à espera deste dia de morte!

Conheci GERMANO NETO há vinte e cinco, trinta anos. Advogados que éramos, combatentes pela justiça e pela verdade, encontrámo-nos muitas vezes em tribunais, nesses lugares fingidos de justiça; nós lutávamos pela dignidade do HOMEM; os tribunais portugueses nunca lutaram por nada.

Nem eu nem ele sabíamos dessa palmeira, do seminário, de uns padres e de um passado comum. Nem ele soube alguma vez que eu fui aquele puto enfezado e escanzelado, um dia encarcerado num dos mais belos lugares do silêncio, nem eu sabia que ali estava à minha frente um outro Redentorista, sem redenção. Mas, na verdade, os valores da nossa comum matriz ali estavam todos: a lealdade, a cultura, a dignidade e um qualquer sentir que voava para além do confronto dos homens. E eu honrava-o, na mesma dimensão, nesta grandeza de termos bebido num qualquer rio desaguado por esses lados de Cristo-Rei. Elevação, pureza, verdade e lealdade pautaram-me sempre no confronto da minha vida profissional.Com GERMANO NETO, ambos lutávamos pelo mesmo valor da humanidade: não pela justiça, valor dos homens, mas pelo justo.

O percurso de GERMANO NETO foi de molde a que há muitos anos jamais o tivesse encontrado na barra dos tribunais. A áurea de GERMANO NETO deu-me a saber, num dos recentes encontros da AAAR que, esse homem, advogado por Vizela/Guimarães, um tal GERMANO NETO, também tinha andado por este Seminário que, ainda que ténuamente, ainda nos une. AH!, exclamei. Sim, Tem sentido, sim. O sentir da grandeza. A morte dele não extingue NADA. Apenas o transforma em perenidade.

CAPÍTULO SEGUNDO

Encontrei por estes caminhos da vida, uns outros que tiveram o nosso comum passado. Os mais novos recordam-se dos mais velhos; os mais velhos fingem recordar-se dos mais novos:

Ah!, sim, sim, lembro-me de ti; jogavas bem à bola, cantavas bem ,oh! desenhavas! e aquele dia em que o padre te apanhou a espreitar as criadas?!

(Memórias construidas, verdades maquilhadas de felicidade. triste a nossa sina de não termos sina!)

Capítulo Terceiro

Um dia, no meu gabinete de advogado, a minha secretária, fala-me: está ao telefone um senhor que diz que andou consigo no Seminário!. Oh! passe, por favor, passe! És tu Aventino, do lado de lá do telefone?! Sim, sou. Eu sou o Castro, andei no Seminário contigo, lembras-te?!. Sim, sim, lembro-me bem (e eu sem qualquer imagem dele, tantos anos passados, tantas terapias que fiz para esquecer esses tempos de perda, tantas memórias de dias felizes e dos amores da minha mãe, do meu pai e dos meus irmãos, tantos dias que tinham sido ...e tudo era como se estivesse a nascer naquele instante). Sim, sim, Castro, claro, tu eras...Eu era do terceiro ano e tu do sexto ano... diz o Castro. oh! memória, pára, não queiras as minhas lágrimas! 

Capítulo Quarto

 Nestes anos que já lá vão, encontrei tantos outros AAAR'S nos meios judiciais. Advogados, procuradores, juízes. Quando, eu ou eles nos reconhecíamos com o nosso passado comum de meninos de sacristia, oh! cairam as barreiras, as formalidades,as honrarias do senhor doutor para cá, o senhor doutor para lá, e imperou sempre a grandeza dos grandes homens que somos os saídos de Cristo Rei.

Mas. como no melhor dos rebanhos e no melhor pano, lá vem sempre alguém que merece o nosso desprezo: um menino, fingido de juiz de direito, mais novo no Seminário, trabalhou muito comigo. Eu, como advogado; ele sentado no palanque do tribunal no lugar para o qual a sua dignidade nunca lhe deu passaporte. Ele conhecía-me bem. Ele sabia que tínhamos sido redentoristas em Cristo-rei. Eu, nem memória nem sinais dele na Quinta da Barrosa (aliás, quero confessar que adquiri, há muitos anos, um chip que instalei no cérebro para eliminar a voz e a imagem dos medíocres e, esse chip, àparte a mudança da pilha, é um instrumento de extraordinária utilidade e que recomendo. Compra-se nos berços, na família, no pensamento, à beira dos caminhos onde se forma o caráter).

Esse menino que também foi parar à BARROSA, jamais revelou que me conhecia, que tinha sido um menino de coro como eu, que tinha bebido essa dádiva dos Redentoristas. Socorreu-se do meu prestígio e da minha qualidade de advogado para o patrocínio de um seu familiar direto, foi juiz em muitos processos judiciais em que eu fui advogado, cruzou-se comigo em muito corredores dessas instituições mas jamais revelou que eu e ele tínhamos cruzado as mesmas fraldas de Cristo Rei. Vim a sabê-lo há muito pouco tempo, em conversa informal sobre esse tal menino, conhecido por uma alcunha que, na verdade, lhe faz juz e encaixa no seu caráter.

E eu, tristemente triste, aqui me confesso:

a morte saiu à rua num dia assim.

 

2016-01-05

manuel vieira - esposende

Faleceu estes dias o nosso colega Germano Monteiro Carneiro Neto que faria no próximo dia 19 sete dezenas de anos.

Natural de Pedrados, concelho de Santo Tirso, era advogado, exercia em Vizela e residia em Guimarães.

Alguns colegas souberam pelo jornal de Notícias, outros por solidariedade de classe e a notícia correu.

O Germano, ou Monteiro como era conhecido, entrou na Barrosa em 26.08.1958 e não participava nas atividades da Associação, pelo que não o conheci.

Foi colega no ingresso do Diamantino, Pedro Barreira, do Laurindo, do Álvaro Gomes, do Lontro, do Arsénio entre outros .

Era notado pela qualidade da sua voz e o Alexandre faz o elogio também a essa particularidade no belo texto que partilhou, sendo mais tarde conhecido como exímio no fado de Coimbra, cidade onde se licenciou em Direito.

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