fale connosco


2010-03-07

jmarques - Penafiel

Muros tão altos e pesados. Incomoda-me que tantos colegas não consigam desprender-se da sua sombra.Será?Saltaram de vez ou apenas o contornaram? e viverão ainda do lado da rua voltados para o casarão? Será timidez ou vergonha de olhar a luz de extra muros que ainda persiste no tempo?Participar neste espaço é um fenómeno de regressão psicológica a que se quer evitar?Estar aqui será viver a timidez do passado?

É  facto que o ambiente molda o comportamento das pessoas, e o processo repetitivo levou à segregação gástrica do cão de Pavlov. Poderá ser este espaço a marquesa que vai gerar a atenuação de recalcamentos?

Já pareço o Ismael a filosofar mas sinceramente acho que isto são meros fetiches que justificam o comodismo tranquilo do bom sofá que enchem as salas comuns dos nossos bons colegas. É também um defeito de atitude pois para alguns os grupos são meras fórmulas que só servem para reclamar mais acomodações. Ainda por cima as noites têm estado frias e os dias também e os prazeres da reforma entorpecem e enferrujam as articulações e mexer com os hábitos encurralados em poses robotizadas não é bem para eles. Por favor não me incomodem!Não sou muito dado a essas novas tecnologias a não ser para home banking ou trocar uns e-mails com uma antiga colega.

Bem, talvez um bom alvarinho do Ribeiro e uma empada de lampreia do Cávado do Vieira mexesse mais com esta gente.Gente boa claro mas muito comodista. Talvez um bom leitão em Aguada de Cima, não sei se há Aguada de Baixo, fizesse mexer as padiolas.

2010-03-06

Aventino - Porto

Privei com Torga e privei com Zeca. Com Adriano e com Xico Fanhais. Com Paulo Quintela e Pedro Barroso. Com Orlando Carvalho e com António Arnault, com padres e seminaristas, com cristos-rei e senhoras de fátima, com missas e ladainhas, com virgens e com pecadoras.

Cantei com alguns e com eles gritei liberdade; discuti com outros e com outros quis mudar o mundo; fui proscrito e amado. Amei tantos deles e tantos deles me deram o melhor do amor que recebi. Mas com todos me silenciei e a nenhum fui capaz de dizer que tinha andado no seminário. Ainda hoje cultivo essa mentira. Injusto? Injusto serei! Como é que não consigo dizer-lhes: sim, sim, andei no seminário e... foi bom, maravilhoso, o paraíso, e aqui estou, Aventino, cinquenta e seis anos de idade, seis de seminário e o resto de infelicidade!

Porque é que não sou capaz de vos dizer?

 

2010-03-06

António Gaudêncio - Lisboa

Deponho no processo do meu crime.


( Sou testemunha
E réu
E vítima
E juíz. )
Juro que havia um muro,
E na face do muro uma palavra a giz.

MERDA ! - lembro-me bem.  ...........................................
O poema, que é do Miguel Torga, continua mas para o caso só me interessa esta parte para associar a palavra " Muro " do Arsénio e a palavra " Merda " Merda para os muros, merda para a timidez, merda para a forma de pensar pequenina que alguns dos que cresceram na Quinta herdaram. Não acredito que seja por falta de tempo que muitos dos nossos companheiros da juventude se mantêm neste silêncio ... triste que este nosso espaço não merecia.
Por isso, reitero o apelo do Arsénio, subjacente na sua última intervenção : escrevam, digam, confessem, apontem, mexam-se...carago porque, para muitos de nós, o tempo entrou já na contagem decrescente.


.....Deixa as sombras e vem ! És homem como eu sou, hás-de gostar -
De pisar com desdém - a herança que não podes renovar. ( M. Torga )
 

2010-03-05

Arsénio Pires - Porto

Não tenhais Medo!

Hoje apetece-me falar de muros.
Dos muros da Barrosa que nos amaram e cercaram mesmo depois de termos saltado.
Quase tudo o que de bom temos aos muros o devemos. Sabemos.
Mas, porque será que, mesmo depois de termos saltado, ficámos lá, por lá, sem nunca termos aprendido o caminho do Grupo, da Comunidade?

E não falamos, que o silêncio é a nossa casa. Só nossa.
E assim ficamos pedras silenciosas, sem dialogar, sem opinar, sem contestar, sem acertar, sem errar, sem gritar, sem… VIVER!
Aqui mesmo, no “Fórum” e no “Fale Connosco”, o silêncio continua a ser a nossa casa. Aferrolhada. Trancada. Selada. Murada.
Dela espreitamos atrás das cortinas, tolhidos de medo que os outros saibam o que pensamos.
Nela fenecemos sem história, descobrindo reprimendas em todos os cantos da sala de aulas, em todos os campos de recreio, atrás de todas as tílias que morreram, em todas as filas sufocantes da confissão em dia de retiro.

O muro é a nossa casa!
O silêncio é o nosso futuro!
Deixem-nos dormir! Em paz.
Que ninguém nos incomode!
Por favor!

2010-03-04

Arsénio Pires - Porto

Amigos:
Saúdo a entrada do Gaudêncio nesta troca de impressões!
Vamos a isto!

Quando utilizamos o termo “Igreja católica”, convém definirmos bem de que estamos a falar.
Se nos referimos à Igreja como a Comunidade dos crentes em Jesus, convirá recordar que já Sto. Ambrósio dizia: ela é uma “casta meretriz”. Sempre, ao lado do pior existiu o melhor dentro da Igreja.
Nesse sentido, a Igreja é a imagem de cada um de nós, crentes ou não crentes. Todos somos castos e prostitutos, no sentido de que uma coisa são os nossos ideais e valores, e outra, bem distinta, é o modo como os levamos à prática, ou não. Todos falhamos!
Se nos referimos à Igreja como hierarquia, ao conjunto dos seus pastores desde o diácono ao papa, então, mesmo devendo aplicar-se também o mesmo princípio de St. Ambrósio, temos que realçar um aspecto muito importante:
A maior responsabilidade que têm todos aqueles que escolheram dedicar-se ao anúncio da Boa Nova de Jesus: Anunciar e dar o exemplo. É disto que se trata e convém não divagarmos.

Por isso, quando o Gaudêncio afirma que “A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, APESAR DE DEFENDER A CASTIDADE, NUNCA FOI CASTA NEM NUNCA SOUBE LIDAR COM A SEXUALIDAE HUMANA”, penso que ele se refere mais à hierarquia da Igreja e suas directrizes no campo da moral sexual. Aliás, ele especifica isso mesmo logo a seguir.
Concordo com o Gaudêncio neste ponto. Aliás, acrescento ainda mais: nem a Igreja nem a sociedade civil souberam ainda lidar BEM com a sexualidade humana. Vejamos só um exemplo: Educação sexual nas Escolas. Onde está? Como será feita? Por quem? Como? O que é a sexualidade humana? O que é uma educação sexual integral que prepare os homens e mulheres para um dos aspectos mais importantes das suas vidas?

Aqui temos que referir a profunda influência que o estoicismo teve na Igreja e na sociedade:
No pensamento dos estóicos, o fim supremo, o único bem do homem, não é o prazer, a felicidade, mas a VIRTUDE. E quem de nós não foi educado para a virtude, para a perfeição, sem preocupação pelo prazer, pela própria felicidade?

O certo é que não podemos inferir que o prazer, o sentir-se bem consigo e com os outros e a própria felicidade não tenham sido também a mensagem e prática de Jesus: ele foi acusado de comilão, e de gostar de jantaradas, de vinho e de ter mulheres entre os seus discípulos.
E a prática dos primeiros cristãos e seus pastores não tem quase nada a ver com o que se passa hoje em relação, por exemplo, ao celibato. S. Paulo até recomendava aos “episcopos” que deveriam ter uma só mulher!
O arcebispo de braga, Frei Bartolomeu dos Mártires, quando no Concílio de Trento se aprovou o celibato obrigatório para os padres, pediu a palavra e disse mais ou menos isto: Tudo bem. Aprove-se mas faça-se uma excepção para os padres de Barroso!

Gaudêncio, acabo também com uma anedota. Dois padres conversavam sobre esta infundamentada lei do celibato obrigatório. Um deles diz:
- A ver se este Papa acaba de vez com esta lei!
Responde o outro:
- Oxalá que não! É que, nesse caso, ficaríamos obrigados a ter uma só mulher!

P.S. O desafio final que fizeste, Gaudêncio, é... UMA PEDRADA NO CHARCO! Talvez uma pedrada a nível nacional! Onde estão as vítimas?

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