fale connosco


2015-12-10

manuel vieira - Esposende

Todos notaram que o tempo não parou ...

A palmeira, a tal que nos viu crescer, nos deu sombra e pareceu mostrar indiferença ao nosso vai e vem em tempos idos,  lá foi inerte. Parecia forte, não temente aos ventos e às chuvas mas lá foi.

Em Palmela viveu-se e conviveu-se e foi notada a grande  satisfação do grupo e do anfitrião em dia animado de castanhas na fogueira.

O nosso grupo resiste aos tempos porque tem como objetivo primário conviver e a tarefa dos mandatados passa por disponibilizar essas ocasiões, sabendo que essas são as oportunidades que nos interessam. É delas que falamos, que recordamos em tantas conversas e lembramos em tantos assomos de memória. Muitos de nós vimos aqui para ver se alguém  também fala de nós do passado, como se o passado tivesse ocorrido ontem ou ainda hoje de manhã.

Sorrimos quando escutamos os ais do Ribeiro a apalpar a espinhosa roseira ou nos encharcamos nas águas sonolentas dos riachos onde o Alexandre se inebria com as suas musas ternurentas. Tudo em soneto? Não só, se nos embrenharmos nas palavras ofegantes que preenchem a bela prosa que por aqui deambula.

Também o Gaudêncio, o Lamas e o António Rodrigues não dão o exclusivo a quem sabe usar as letras em artes próprias e enxotam o Requiem do Aventino, tão prolífero em provocação sadia.

Felizes os que temos  amigos em quem pensamos e até queremos "provocar" para os ouvirmos.

 

2015-12-04

A.Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Caros amigos e companheiros:

 andais p´raí todos a carpir mágoas pela nossa Palmeira e, comvenhamos, que com toda a razão: ela foi um símbolo, uma referência das nossas vidas e o logotipo do nosso modo de estar. Foi do meu tempo, ainda muito pequena, e também choro a sua morte. Ah, mas eu vos digo,  o meu desgosto é já de outros tempos, não por causa duma  árvore mas duma etérea flor: poeta é assim ...

ROSA ESCARLATE DO VEZ

 

Choro por uma rosa solitária

Encontrada na margem do meu rio, 

Paixão fatal de intenso desvario,

Pecaminosa e á Razão contrária.

 

Vermelhão vivo foi a minha Vida,

Meu etéreo Céu, minha Eternidade, 

Valia também a Imortalidade

Que o seu amor faria conseguida.

 

Perdi minha rosa e a felicidade

Com funesta sina, de modo soez,

Novamente só, dura realidade.

 

Gritam vozes de dor e languidez

Pelos desfiladeiros da saudade

Ó pulcra, osa escarlate do Vez.

 

******

Novembro, 2005

2015-11-29

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

           Era uma planta tão viçosa e bela

       Com ramagem muito verde e pendente

       E o pessoal da Barrosa acreditava que ela

       Poderia por lá viver eternamente

 

       Mas um dia uma notícia chegou

       Que a todos surpreendeu

       Pois que à sua chegada disparou

       A vossa velha Palmeira morreu

 

       Morreu de pé com dignidade

       Partiu passou à história

       Seus filhos têm a obrigatoriedade

       De a fazerem perdurar na memória 

 

       Embora Ela me quisesse filho seu

       Eu não quis ser mais do que enteado

       Mas para sempre a lembrarei eu

       Pois também estou consternado .

 

 

         Aquele abraço

 

                                       Zé Lamas 

       

2015-11-28

António Manuel Rodrigues - Coimbra

O REQUIEM é cada vez um círculo menor e mais próximo de nós.

Somos cada vez menos, mais velhos e com menos forças. Placidamente fiquemo-nos pelo carpe diem e deixemos para outros o hedonista: post motem nulla voluptas.

Guardemos na nossa memória os momentos e os acontecimentos gratos que ainda ficam connosco.

Um abraço e saúde para todos.


2015-11-27

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XVI - Conto de Inverno

 

A tua ausência está cheia de frio,

leito de neve, corpo estilhaçado:

a memória sem futuro nem passado,

a terra assassinada, o céu vazio.

 

Entre nós já não corre nenhum rio.

Anda a correr em vão por outro lado.

Quem neste abismo pode ser culpado,

deste enganoso e trágico desvio?


 

Toco de leve o corpo que foi belo

e beijo à pressa o rosto que eu amei.

Já tudo agora é feito só de gelo.

 

Foi tão breve o que tanto desejei,

que em vez de o relembrar quero esquecê-lo,

gritando que da vida nada sei.

 


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