fale connosco


2016-01-18

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

            Já se dizia em tempos antigos

             Que é bom ter país e avós 

             Hoje também é bom ter amigos 

             Que se lembrem e gostem de nós  

 

  E porque hoje é o dia 18 de Janeiro... Parabéns p'rò amigo Martins Ribeiro. 

 

  Aquele abraço 

 

 

                       Zé  Lamas

2016-01-10

Arsénio Sousa Pires - Porto

Ainda estou a recompor-me do estado em que fiquei depois de ler a "Carta a um Amigo que foi no Vento"! Magnífico texto! Pleno de tanta realidade que até parece ficção. "Quanto mais poético mais verdadeiro", dizia Novalis. E este é um texto prenhe de poesia e realidade. Obrigado, Alex. Dei-te a notícia e tu escreveste-me (nos).

Vivi tudo. E sofri. Como quem puxa dum livro antigo esquecido na biblioteca e se fixa só nos apontamentos à margem ou nos sublinhamentos a lápis para tão ferir o texto. Foi o suficiente para ler cerca de 8 anos passados com (ao lado?) o Monteiro. Nem sempre serenos de convivência. Mas estas são as tais folhas que a morte (o Vento?) espalha. Sem apontamentos ou sublinhamentos nas margens. (Obrigaram-nos a representar um melodrama para ver se nos olhávamos e gostávamos! Era Castelo Branco. Mas não.E já nem sei porquê!). Depois... depois foi até àquele domingo, 3 de Janeiro passado, em que, na Serra do Pilar, o Cardoso me mostrou a necrologia.

E tantas vezes eu perguntei: Que é feito do Monteiro?

Porquê?

PS. Como gostava de o ter abraçado. Pode ser que um dia...

2016-01-09

AVENTINO - PORTO

A MORTE SAIU À RUA NUM DIA ASSIM (Zeca Afonso, o querido Zeca Afonso)

CAPÍTULO PRIMEIRO                         

Vem-nos a notícia da morte. GERMANO NETO. Seminário, Palmeira e Avé-Marias.Ninguém se lembra do ANTES. O que foste antes de morrer, o que foste? Com que angústia esconjuraste a perda, com que dor?! Os braços da tua mãe, os teus irmãos e um lugar, aquele lugar de uma aldeia rural que te abraçou aos primeiros gritos do nascer. Com que dor se foi fazendo a vida se não à espera deste dia de morte!

Conheci GERMANO NETO há vinte e cinco, trinta anos. Advogados que éramos, combatentes pela justiça e pela verdade, encontrámo-nos muitas vezes em tribunais, nesses lugares fingidos de justiça; nós lutávamos pela dignidade do HOMEM; os tribunais portugueses nunca lutaram por nada.

Nem eu nem ele sabíamos dessa palmeira, do seminário, de uns padres e de um passado comum. Nem ele soube alguma vez que eu fui aquele puto enfezado e escanzelado, um dia encarcerado num dos mais belos lugares do silêncio, nem eu sabia que ali estava à minha frente um outro Redentorista, sem redenção. Mas, na verdade, os valores da nossa comum matriz ali estavam todos: a lealdade, a cultura, a dignidade e um qualquer sentir que voava para além do confronto dos homens. E eu honrava-o, na mesma dimensão, nesta grandeza de termos bebido num qualquer rio desaguado por esses lados de Cristo-Rei. Elevação, pureza, verdade e lealdade pautaram-me sempre no confronto da minha vida profissional.Com GERMANO NETO, ambos lutávamos pelo mesmo valor da humanidade: não pela justiça, valor dos homens, mas pelo justo.

O percurso de GERMANO NETO foi de molde a que há muitos anos jamais o tivesse encontrado na barra dos tribunais. A áurea de GERMANO NETO deu-me a saber, num dos recentes encontros da AAAR que, esse homem, advogado por Vizela/Guimarães, um tal GERMANO NETO, também tinha andado por este Seminário que, ainda que ténuamente, ainda nos une. AH!, exclamei. Sim, Tem sentido, sim. O sentir da grandeza. A morte dele não extingue NADA. Apenas o transforma em perenidade.

CAPÍTULO SEGUNDO

Encontrei por estes caminhos da vida, uns outros que tiveram o nosso comum passado. Os mais novos recordam-se dos mais velhos; os mais velhos fingem recordar-se dos mais novos:

Ah!, sim, sim, lembro-me de ti; jogavas bem à bola, cantavas bem ,oh! desenhavas! e aquele dia em que o padre te apanhou a espreitar as criadas?!

(Memórias construidas, verdades maquilhadas de felicidade. triste a nossa sina de não termos sina!)

Capítulo Terceiro

Um dia, no meu gabinete de advogado, a minha secretária, fala-me: está ao telefone um senhor que diz que andou consigo no Seminário!. Oh! passe, por favor, passe! És tu Aventino, do lado de lá do telefone?! Sim, sou. Eu sou o Castro, andei no Seminário contigo, lembras-te?!. Sim, sim, lembro-me bem (e eu sem qualquer imagem dele, tantos anos passados, tantas terapias que fiz para esquecer esses tempos de perda, tantas memórias de dias felizes e dos amores da minha mãe, do meu pai e dos meus irmãos, tantos dias que tinham sido ...e tudo era como se estivesse a nascer naquele instante). Sim, sim, Castro, claro, tu eras...Eu era do terceiro ano e tu do sexto ano... diz o Castro. oh! memória, pára, não queiras as minhas lágrimas! 

Capítulo Quarto

 Nestes anos que já lá vão, encontrei tantos outros AAAR'S nos meios judiciais. Advogados, procuradores, juízes. Quando, eu ou eles nos reconhecíamos com o nosso passado comum de meninos de sacristia, oh! cairam as barreiras, as formalidades,as honrarias do senhor doutor para cá, o senhor doutor para lá, e imperou sempre a grandeza dos grandes homens que somos os saídos de Cristo Rei.

Mas. como no melhor dos rebanhos e no melhor pano, lá vem sempre alguém que merece o nosso desprezo: um menino, fingido de juiz de direito, mais novo no Seminário, trabalhou muito comigo. Eu, como advogado; ele sentado no palanque do tribunal no lugar para o qual a sua dignidade nunca lhe deu passaporte. Ele conhecía-me bem. Ele sabia que tínhamos sido redentoristas em Cristo-rei. Eu, nem memória nem sinais dele na Quinta da Barrosa (aliás, quero confessar que adquiri, há muitos anos, um chip que instalei no cérebro para eliminar a voz e a imagem dos medíocres e, esse chip, àparte a mudança da pilha, é um instrumento de extraordinária utilidade e que recomendo. Compra-se nos berços, na família, no pensamento, à beira dos caminhos onde se forma o caráter).

Esse menino que também foi parar à BARROSA, jamais revelou que me conhecia, que tinha sido um menino de coro como eu, que tinha bebido essa dádiva dos Redentoristas. Socorreu-se do meu prestígio e da minha qualidade de advogado para o patrocínio de um seu familiar direto, foi juiz em muitos processos judiciais em que eu fui advogado, cruzou-se comigo em muito corredores dessas instituições mas jamais revelou que eu e ele tínhamos cruzado as mesmas fraldas de Cristo Rei. Vim a sabê-lo há muito pouco tempo, em conversa informal sobre esse tal menino, conhecido por uma alcunha que, na verdade, lhe faz juz e encaixa no seu caráter.

E eu, tristemente triste, aqui me confesso:

a morte saiu à rua num dia assim.

 

2016-01-05

manuel vieira - esposende

Faleceu estes dias o nosso colega Germano Monteiro Carneiro Neto que faria no próximo dia 19 sete dezenas de anos.

Natural de Pedrados, concelho de Santo Tirso, era advogado, exercia em Vizela e residia em Guimarães.

Alguns colegas souberam pelo jornal de Notícias, outros por solidariedade de classe e a notícia correu.

O Germano, ou Monteiro como era conhecido, entrou na Barrosa em 26.08.1958 e não participava nas atividades da Associação, pelo que não o conheci.

Foi colega no ingresso do Diamantino, Pedro Barreira, do Laurindo, do Álvaro Gomes, do Lontro, do Arsénio entre outros .

Era notado pela qualidade da sua voz e o Alexandre faz o elogio também a essa particularidade no belo texto que partilhou, sendo mais tarde conhecido como exímio no fado de Coimbra, cidade onde se licenciou em Direito.

Pena que não tenha partilhado connosco algum do seu tempo ...

2016-01-04

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XVII - Carta a Um Amigo que Foi no Vento

(Não perguntem a um pássaro que não canta se morreu. Ele está pendurado discretamente no mais frágil ramo do bosque, aguardando a primavera. Ele teme o caçador furtivo. E não suporta o alarido dos rafeiros, quando ladram atiçados pelos donos. Ele prepara a voz para cantar no mês de maio. No silêncio treinou a leveza e acredita que ainda vai voar.) 

Amigo Germano

Soube hoje que te demitiram. A Ordem confiscou-te a carteira profissional, a que tudo te autorizava, como beber, voar, correr nas margens dos rios do norte. A que te permitia regressar ao choupal de coimbra, abrindo de par em par as portas do coração. Retiraram-te das causas todas. E até das canções. Mas a memória é mais forte. O silêncio cobriu o teu nome de neve e sombra. Mas nós vamos buscar a tua voz de menino de viena. Vamos ouvi-la a subir contra o tecto das catedrais, enrolada nas volutas dos capitéis. Depois vamos senti-la em jeito de cascata, a derramar-se sobre a nossa idade proibida. Tu eras a nossa glória, sempre adiada. Anos mais tarde, já a tua voz passara de divina para humana, pediste-me para cantar contigo a tua canção. Era um concurso geral. Eu teria de fazer uma segunda voz, na minha miserável condição de "tenor"de aviário, que, segundo ele, daria um efeito surpreendente. Quando, depois de um ensaio, nos ouvimos num gravador de serviço, eu comentei, não, Monteiro, nem morto. É a minha reputação de cantor que fica desgraçada para sempre. Como veio a acontecer, por outras razões semelhantes. Não me lembro mais de ti, Monteiro, porque o teu canto te absorve todo, naquela melancolia húmida e pardacenta de vila nova.

Em rigor, não sabemos quase nada sobre ti. Porém, a tua glória de cantor divino e a auréola que te envolveu fizeram de ti um nome que guardámos com respeito e uma estima inesquecível. Alguns de nós fizemos disso um segredo colegial. Chegam-nos rumores, apenas rumores, alguns envolvidos em círculos vermelhos, desenhados por inteligências superiores, que até distinguem o bem do mal. Nós, os que pisámos aqueles jardins perfumados, nós, as virgens mal dormidas, que apenas tinham sono quando o seu Senhor chegava, nós tivemos acesso a essas noções. E soubemos ao vivo o que era o bem e o que era o mal. Muito cedo te retiraram da nossa companhia. Foi com certeza a tua primeira demissão. Juntámo-nos na praça e esperámos por ti. Passámos perto da tua casa e chamámos-te. Tu tiveste medo. Não apareceste. O teu nome era dito e desejado. Deves ter pensado que nós estávamos do lado deles. Puro engano, teu e nosso. Teu porque não te aproximaste. O que aliás até se percebe. Nosso, porque demorámos muito a entender a fraude e não te procurámos suficientemente. Primeiro fugiste para coimbra, espalhando a tua canora voz, pelas baladas do choupal. Terás derretido sem culpa o coração feminino da cidade. Depois já és doutor e colas-te à justiça mais injusta dos nossos costumes. Aí reina a sombra e a definitiva distância. Nunca mais ninguém te viu. Soubemos agora que a ordem, a Grande Ordem te demitiu do simples direito de ires ao café, ao rio, a vila nova. Perguntei ao teu filho Guilherme como foram os teus últimos dias. Que foram serenos, disse ele, muito afáveis, como quem viveu e amou sem remorsos. Apenas uma irónica melancolia, a de já não poder cantar na próxima primavera.

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