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2010-03-08

JMarques - Penafiel

Sei do que falo quando falo em leitão, lampreia e alvarinho, produtos portugueses de elevado padrão gustativo. Ponte de Lima é catedral de gastronomia mas provavelmente já não tem restaurante Mãe Preta pois na Ribeira do Porto existe o restaurante  Filha da Mãe Preta onde se satisfazem os sentidos do palato.

Penso que todos nós que frequentamos os muros de Gaia saímos em dia de nevoeiro que se fazia sentir cá fora muito espesso e na nossa bagagem numerada embrulhavam-se muitos receios e timidezes resultantes da interiorização de preconceitos. No entanto, quem nos educou foram fruto também de educações similares ou ainda mais rigorosas e apenas nos transmitiam o que sabiam e como sabiam.

Coube a cada um usar na vida os seus recursos congénitos para se adaptar ao novo mundo, ao mundo real e ainda hoje nos apreciamos nas diferenças que se notam nos nossos comportamentos, em uns libertos e bem limados, em outros com a marca da chapa fundida na personalidade, saída da forja de Cristo Rei. Tantos anos depois os sinais ainda resistem em muitos dos nossos colegas, seja de Cristo Rei, dos Franciscanos ou dos seculares ou dos capuchinhos.

Na rua cada vez mais identifico os traços marcantes de quem cresceu na sombra do mundo, estando certo que sob aquela capa caminha alguém com uma formação grande.

Fobias de que nos identificassem também, ou alguma frustração perante o outro sexo, o tal que se apelidava de fraco, de fraqueza? Todos nós sentimos essa fase inicial, que em alguns ainda não findou.

Mudando de ementa: em Esposende o Vieira tem a gastronomia ao rubro com a lampreia e as Clarinhas de Fão, um doce de chila que se compra numa lojinha junto à Estrada Nacional onde há bastantes anos estava sentado um ceguinho. Porque não juntar um bom grupo e cantar o malhão em frente a um bom tacho de arroz malandrinho daquele magnífico ciclóstomo?

Diz na internet que a acompanhar sabe bem um bom verde de quinta. Há coisas em que eu alinho...

2010-03-08

Arsénio Pires - Porto

Caro Gaudêncio:

Obrigado pela tua chamada de atenção. Respondo.

Mesmo sabendo que os historiadores não coincidem nos números exactos de mortos nos vários campos de concentração na floresta de  Katyn (Polónia), depois de ter lido bastante sobre este tema parece-me que uma coisa é certa: nas valas descobertas (pode ter havido mais que não foram descobertas ou "eliminadas" a fogo…) deu-se mais relevo aos 26.000 destes prisioneiros por serem ilustres: 14.700 oficiais e os restantes que eram “contra-revolucionários” e “inimigos do poder soviético”: estudantes, juízes, proprietários de terras, funcionários públicos, engenheiros, professores, advogados, intelectuais, padres e religiosos.

Outra coisa parece ser certa: milhares de civis que se revoltaram ou que simplesmente poderiam ter visto e ouvido o que se passava  por ali, foram também “preventivamente” eliminados. Esses incógnitos pereceram, na sua maioria, em campos de concentração nas florestas de Katyn: fuzilados, mortos à fome e ao frio.

Os referidos 26.000 foram quase todos executados com todo o requinte: tiro na nuca! (ver o meu artigo no “Pontos de vista”).

AS MINHAS FONTES

“Apenas em 1989, depois de quase meio século dessa gigantesca farsa, o governo russo se rendeu às irrefutáveis provas que atestavam a culpa do Exército Vermelho. O líder soviético Mikhail Gorbachev reconheceu a responsabilidade do seu país. Em 1992, o então presidente Boris Yeltsin, entregou ao então chefe de Estado polaco, Lech Walesa, documentos que provavam o massacre de dezenas de milhares de militares e civis polacos em Katyn. Entretanto, em 2005, a Promotoria Militar Russa, reacendeu a discussão quando negou que o Massacre de Katyn foi um genocídio.
O facto é que um dos capítulos mais negros da história mundial foi encoberto por uma farsa agora revelada. Estima-se que mais de 140 mil polacos entre civis e militares foram mortos nos campos de concentração de Katyn.”
(“Massacre de Katyn, a Verdadeira História” por ED CAVALCANTE):

http://jornaliaed.blogspot.com/2009/10/massacre-de-katin-verdadeira-historia.html

Outras fontes:

1- "Katyn Massacre":

http://en.wikipedia.org/wiki/Katyn_massacre

 2- “O Massacre de Katyn” por Sérgio Oliveira (70 págs.) Disponível on-line:
http://www.vho.org/aaargh/fran/livres9/OLIVEIRAkatyn.pdf

3- Filme: "Katyn":

http://video.google.com/videoplay?docid=-2080155985610903776#

No entanto, concedo que, nalgumas fontes mais antigas, posssa haver números mais baixos. Por exemplo, no livro "Estaline, a Corte do Czar Vermelho".

Como sabes, este é um campo em contínua investigação nada fácil, que se baseia em pesquisas constantes in loco seguindo o método de registo por 3 grupos: Um grupo com os números menores; um outro com os números maiores e um grupo final com a média daqueles dois. Esta investigação faz-se por recurso às testemunhas, aos números oficiais até ao momento, à investigação no registos de nascimento, etc. 

Bom, este é outro tema.

Um abraço.

2010-03-07

Assis - Fplgosa - Maia

1 - Nem sei por onde deva começar, tantos são já os motivos que despertaram em mim o desejo de entrar em conversa com os meus amigos...Vou começar pelas palavras últimas do Arsénio e da saudosa Sofia com ph. "Como é possível?....Não podemos ignorar". Somos todos testemunhas das barbaridades que neste mundo se vão fazendo cada dia.Não me preocupam já tanto as passadas quanto as presentes, embora todas elas me toquem. Mais que recordar as passadas, - que tantas elas são, até do nosso cristianismo e não apenas da parte dos regimes comunistas - a morte injusta dum único ser humano deve deixar-nos incomodados, revoltados mesmo. A nossa preocupação deverá ser a de evitar que uma única injustiça se cometa com um nosso irmão, mais que entrar em comparação de quem cometeu, no passado próximo ou remoto, mais barbaridades. Estas terão a finalidade única de nos lembrar que qualquer injustiça é já em si mesma uma morte injusta. E tantas se cometem ainda nos nossos dias... 2 - Mais que uma vez, aqui deixei as palavras de S. Paulo:"Quando era criança, pensava como criança. Agora que sou adulto, tenho de pensar como adulto". Também escrevi que nem sempre as coisas nos foram ensinadas da forma mais correcta e verdadeira, que nos foram apresentadas de forma dogmática pelos nossos formadores. Mas também sublinhei que nunca deixarei de estar grato a todos os formadores, mesmo nestes casos, pois sei fizeram o melhor que que souberam. Contra a opinião de alguém, continuo a defender estes dois princípios. E creio que a leitura das últimas intervenções me têm vindo a dar razão. Sim, houve muros em Gaia, em Nava del Rey e até em Valladolid e provavelmente em Castelo Branco e Lisboa, cujas sombras é compreensível ainda continuem a molestar alguns dos nossos colegas, sobretudo àqueles que foram expulsos injustamente. Compreendo pois que alguns deles não desejem aparecer. Eu próprio tive as minhas razões mas, felizmente, já as deixei para trás e hoje rio-me de alguma injustiça de que fui vítima. Já não penso como criança e portanto não aceito os dogmas do passado. Por isso digo "presente!" neste nosso local de encontro, local onde todos, sem excepção, temos assento por direito próprio. Venham pois todos com as suas experiências, ou até queixumes, para que todos nos sintamos mais humanos, mais fraternos, e não de costas viradas. Fico-me hoje por aqui. Um abraço para todos

2010-03-07

António Gaudêncio - Lisboa

Meu caro Arsénio

Como já te disse uma vez, creio que o Hitler comparado com o Estaline  é um autêntico "menino do coro". São dois malandros de altíssimo quilate, embora o russo seja, em meu entender, bastante pior. Mas, o seu a seu dono, julgo que estás a exagerar um pouco quando dizes que os mortos de Katyn foram 140 000.

Em Katyn foram executados, essencialmente, os oficiais do exército polaco ( derrotado a ocidente pelos nazis e a leste  pelos soviéticos ) e esse número , pelo que tenho lido, foi bastante menor, embora tenham sido uns largos milhares de vítimas, liquidadas de uma forma aviltante porque se tinham acolhido aos russos que no fim os fusilaram em segredo e foram sempre dizendo que tinham sido os nazis a fazer o trabalhinho. 

Só depois da queda do império é que os russos reconheceram a autoria do massacre .

O Estaline deve ter dado uma gargalhada quando se soube a verdade.  

2010-03-07

Arsénio Pires - Porto

NÃO tenhais medo!

Como é possível que os jornais não falem?

Como é possível que as televisões fechem os olhos?

Como é possível que as rádios emudeçam?

  • No dia 5 de Março fez 70 anos que o regime comunista de Estaline mandou eliminar perto de 140 mil polacos nas forestas de Katyn. Com um tiro na nuca! Porquê? Porque eram polacos!
  • No dia 5 de Março fez 57 anos que o "serial killer", Estaline, responsável por 62 milhões de mortos, morreu depois de ter confessado:

- "Sou o mais infeliz dos homens! Não tenho com quem tomar um chá!"

"Vemos, ouvimos e lemos!
Não podemos ignorar!" (Sophia de Mello Breyner Andresen)

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