fale connosco


2010-03-10

manuel vieira - esposende

São curiosas as leituras que cada um faz à largura dos muros e entusiasmou-me a determinação do nosso amigo Ribeiro, que já naqueles tempos ouvia cantar em coro as donzelas de longos cabelos irradiando oiro,junto ao castelinho do nosso bosque e, claro, quando saiu arreguilou as vistas e pôs em prática o que em imaginação fértil já longamente treinara. A conversa neste espaço "fale connosco" parece satisfazer mais os nossos colegas, que se identificam com as facilidades da utilização, sem necessidade de registos e mudanças de formulário e também podemos imaginar que as falas se intervalam com um bom copo,alvarinho ou não, à mercê na casa de cada um. A nossa "técnica" diz que temos espaço para utilizar, o que me leva a armar os guardassóis nesta bela esplanada e a colocar cadeiras para todos, mesmo todos, embora ainda existam muitos lugares por ocupar. Entretanto o Encontro de Alcobaça começa a movimentar interessados e será importante reservar alojamento para quem pretender pernoitar. Outros pretendem apenas reservar as refeições em grupo e já estão a inscrever-se.
2010-03-10

M. José Rodrigues - Macedo de Cavaleiros

Cá volto eu.Não foi por medo que estive ausente. "Quem tem medo compra um cão...". Tenho andado um pouco baralhado: umas vezes dizem-nos que este espaço se destina a alimentar conversas leves (beber um copo de Alvarinho...), remetemdo-nos para o Forum no tratamento de assuntos sérios; outras vezes desafiam-nos a entrarmos em debates sérios aqui mesmo. Ainda os MUROS. Tivemo-los em Gaia espessos e altos, físicos e simbólicos. Mas nesse tempo houve-os por todo o lado. (Os muros faziam moda pelo mundo,medonhos. Um, o da vergonha, caiu devido á evolução das ideias políticas, ruindo com grande estrondo o império do Leste. Outros, os da educação, ruiram devido à evolução das teorias pedagógicas. Aqui a evolução até terá ido longe de mais, por causa do "psicologismo da educação" que alguns designam por "eduquês". Isto dava pano para mangas...).Hoje não é a importãncia da coeducação que eu quero focar. Afinal, pela década de 60 a generalidade das escolas portuguesas ainda não eram mistas e, se o eram, não o eram as turmas, nem os espaços de aula, nem os recreios. Assim, nada diminuiu os habitantes de Cristo Rei a ausência de raparigas no espaço escolar, nem tão pouco os "enriqueceu" a existência de uma escola industrial feminina ali ao lado, para além de uma fugaz estimulação audiovisual. O que os prejudicou foi o isolamento prolongado, sem trocas (sociais) com o exterior. Barreiras e muros houve-os em todas as escolas, fruto da ideologia vigente.Mais vincados os muros de Cristo Rei e de escolas similares, devido à formatação com uma finalidade bem específica. A educação que tivemos, em muitos aspectos, pode comparar-se a uma fábrica: nas linhas automáticas de fabrico (ou montagem) os produtos finais têm de ser exactamente iguais e, se no percurso sofrerem uma ligeira diferenciação, são excluidos por defeito. Algumas lacunas na nossa educação, que também tinha grandes virtudes: inibição; falta e autonomia; pouca criatividade e poder critico; problemas na estruturação da personalidade e no convívio social mercê do nosso crescimento em contexto fora do habitual, constantemente dentro de muros, com trocas limitadas de experiências. Mesmo nos poucos momentos de que dispunhamos fora de muros(curtas férias "grandes"), ainda ecoava, a todo o momento a martelar-nos a consciência, o aviso: "Cuidado com as primas!" Contra estas limitações tivemos todos de lutar fora de muros, e uns conseguiram mais equilíbrio e arejamento do que outros nesta complicada tarefa. Não me parece que seja por sequelas da vida intramuros que alguns se dispensam de virem conversar neste espaço. Outros motivos haverá. Não será despicienda a desculpa da falta de tempo: veja-se que são reformados boa parte dos que por aqui andam activos. Como quem se confessa: nunca tive dificuldade em assumir que fui educado no Seminário de Cristo Rei e até sinto nisso algum orgulho. Não tive necessidade de usar o eufemismo "Colégio de Cristo Rei", como ouvi outros usarem. Abraços
2010-03-09

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Alguém, em contraditório, interpretou mal o meu tópico anterior. Quando falei nas musas das ilhas dos amores, não foi para realçar uma hipotética façanha de possível e façanhudo Casanova e sim para afirmar que fui, nesse aspecto, uma pessoa normal e que o facto de ter sido seminarista em nada me condicionou. É verdade, sim, normalmente e como todos, também apanhei o sarampo! E que mais? Quanto ao que, também hipoteticamente e, pelos vistos, de forma dogmática, (tem de ser assim e pronto) masquei entre muros e á sombra de abstinência imposta e redutora, apenas pergunto: que tem isso a ver para o caso?  Alguém me impôs ou reduziu o crescimento de rapazinho (não necessariamente bacoco) de dez aos 18 anos?  Fora da Barrosa teria sido diferente? Sinceramente, creio que não! Ah! mas já percebi: pelo que depreendo, o ressabiamento de não poderem saltar os muros, seria na vertente sexual a qual, pelos vistos, era severamente reprimida.  Mas então era isso que queriam os “rapazinhos bacocos”?  Poder sair á vontade para encontrar, eles sim, as ditas musas da ilha dos amores ou, e tal  seria o cúmulo, pretenderiam que as introduzissem intramuros  para a sua satisfação ou, na melhor das hipóteses, como método de aprendizagem? A esses que, porventura, assim pensaram ou pensam e olharam para o seminário apenas com essa ideia redutora, sabem o que lhes digo? Que vão dar banho ao cão! Por favor, trazei-me um quarto das “pedras”!


2010-03-08

JMarques - Penafiel

Só faltou ao nosso amigo Martins Ribeiro dizer que não apanhou o sarampo, incólume que viveu sempre às intempéries persuasivas dos efeitos do internato.

Esse "complexo de rapazinho bacoco", parecendo tão funesto ,mexeu com muito boa gente e só quem já viveu tanto entre abraços e braços de singelas musas das ilhas dos amores como o nosso amigo de Terras de Valdevez é que pode ter-se esquecido do que mascou entre muros e à sombra da abstinência imposta e redutora.

Tal fúria de ímpetos concupiscentes só se percebem pelos grilhões desses primórdios onde nem só a palmeira vivia firme e hirta sem qualquer consolo mundano.

O mundo terá sempre várias bandeiras e nem as armas e os barões assinalados podem condicionar o pensamento nas suas formas diferentes de ver e não será difícil de perceber  que as grandes inteligências são inconformistas e estão em minoria e muitas vezes não são entendidas à primeira.

Não é por acaso que um quarto de pedras às vezes contraria as virtudes de um saudável Alvarinho, produzido das melhores castas de Monção e arredores seguindo os melhores métodos , mas o corpo é que pede...

2010-03-08

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Tinha resolvido não intervir mais nesta rubrica e ficar só a “gozar de palanque” mas, por outro lado, tenho um bicho carpinteiro no corpo que me impele a ir para o meio do barulho e a nunca deixar ninguém a falar sozinho: por isso, aqui estou mais uma vez. Verifico que, mais atrás, alguém falou em muros, quiçá em sombras. Não vos atireis a mim pela franqueza com o que vou dizer, mas é o que sinto.  Entendo que quem fala assim em muros e sombras só pode ter um espírito pusilânime e possuir um complexo de rapazinho bacoco, mimado  e sem fundamento. Entrei na Barrosa logo no seu dealbar e percebo que as posteriores gerações, tendo vivido noutros tempos e sendo agora a grande maioria dos membros da nossa Associação, estejam um tanto desfasadas e não compreendam bem a vivência dos colegas desses primórdios, dos quais eu deverei ser um dos últimos abencerragens ou mesmo o último dos Moicanos. O certo é que, na altura em que lá andei, nunca me apercebi de qualquer muro, salvo do verdadeiro de pedra e reboque com um grande portão pintado de verde, em frente duma frondosa Palmeira.  Por conseguinte, nunca tive de saltar, nem mesmo me apeteceu, qualquer muro ou grade. Sou um tipo que me adapto facilmente a qualquer meio,  situação ou época em que e onde tenha de passar a minha vida e, assim sendo, até me sentia bem em ter de cumprir regras, seguir uma grande disciplina (suponho que muito mais rígida que aquela a que estiveram sujeitos os que foram vindo a seguir) sem tentações ou veleidades de, pela sombra, procurar saltos furtivos de qualquer espécie.  Fui sempre um homem livre, mesmo começando de pequenino. Embora não pareça ou se possa julgar tal, sempre fui possuidor dum espírito indomável, não sendo fácil de dobrar e nunca me deixando enganar; mas sem nunca ter sido revolucionário ou contestador do que quer que fosse. Depois de ter saído da Barrosa, não a salto mas pela porta, e já na vasta arena da vida e em terreno sem quaisquer muros ou ergástulos, fui continuando com a minha conduta de serenidade e calma, sem recriminações ou complexos. Nunca me coibi nem senti pejo de dizer onde tinha andado, nem nunca experimentei qualquer limitação que me tivesse impedido ou condicionado no que quer que fosse. Pelo contrário, tinha até certo prazer e orgulho em frisar essa realidade. Nesse minha fase, de resto como qualquer ser normal, vi-me sempre rodeado de muitas e lindas mulheres, como alguém disse, virgens muitas, pecadoras algumas, tendo todas conhecimento, porque eu próprio as informava  disso, de que tinha sido seminarista.  Amei, algumas vezes intensamente e fui amado, também algumas vezes com loucura.  A condição de ter sido seminarista, trouxe-me até, em alguns casos, certas vantagens: perguntavam-me; - “em que seminário andaste, em Braga, no Porto?” Respondia, com descontracção: - “não, em Gaia, nos Padres Redentoristas.” Concluíam: - “ah! Então, de certeza, tens bons atributos de carácter, formação e cultura!” Nunca ninguém me impôs nada na vida (perderiam, aliás, o seu tempo e feitio) e assimilei sempre e só aquilo em que acreditava. Poderia e aconteceu mesmo ter quebrado algumas vezes, mas sem nunca ter vergado. Fui livre de escolher sempre os meus amigos e, por isso, nunca poderia ter convivido, muito menos privado, com personagens como Zecas, Adrianos, Fanhais e quejandos, porque foram seres desacomodados, potenciais geradores de conflitos, conspiradores e, no seu âmago, insatisfeitos. Temi sempre os que se dizem arautos da Paz porque, na verdade, são geradores de conflitos e os maiores fautores da Guerra. Atente-se ao estado em que tais bonifrates puseram o meu inditoso País. Que me perdoe o Assis, companheiro a quem muito estimo, por não concordar com ele quando diz que  nos contaram histórias mal contadas.  É possível, mas nós devemos saber fazer a destrinça e deitar ao lixo o que está mal contado.  Claro que me deparei com alguns muros na existência: pobreza inicial, tempos difíceis da Grande Guerra, mais tarde na minha profissão; convivência amarfanhada com uma hierarquia  presunçosa e com uma inspecção pidesca e arrogante no seu modo de agir. Contudo, nem esses muros saltei; procurei e consegui torneá-los, aproveitando mesmo algumas vezes a superior formação que outrora recebera. Perdoai, companheiros, este meu longo testemunho, direi desabafo. Falei de mim, que querem, também já aqui outros falaram deles próprios.  Sempre amei e amo a Vida, a Amizade e, porque não, os momentos mais prosaicos, como sejam, leitões, lampreias, clarinhas de Fão, mexilhão e petiscos do Vieira, chanfana, ensopado de borrego e de enguias, a magnífica e impagável “foda” da minha terra, Monção. Não tanto os alvarinhos, loureiros, adamados e outros néctares que, para mim, até podem ser substituídos, ás vezes com certa vantagem, por um quarto das “pedras”. Passai todos muito bem, pois tenciono “chatear-vos” o menos possível.

 

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