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2010-03-22

Arsénio Pires - Porto

Pois a mim apetece-me nunca comentar um poema
Porque um poema não deve ser comentado
Porque um poema não é feito para ser comentado
Porque um poema não tem nada para comentar
Porque um poema não deve dizer nada para comentar
Porque um poema se diz alguma coisa não é um poema
Porque um poema se não diz nada não é um poema
Porque um poema é feito para que nasça poesia
Porque poesia é tudo o que existe

2010-03-19

Ismael Vigário - Braga

Apetece-me comentar o poema do Aventino.

"Gosto da tua voz azeda" - O poema do Aventino desenvolve-se à volta da figura de pensamento que é o paradoxo.

O eu poético dirige-se a um hipotético destinatário, um leitor contextualizado a uma vivência que se estranha. O canto de uma voz, que, de início, é afirmativa, diz uma música que pode ter um sentido encantatório, mas é "azeda". Nesta enunciação do eu poético, ele assume-se como sujeito e destinatário dessa enunciação, daí o recurso ao paradoxo. Recurso estilísto em que o eu lírico se virtualiza para melhor potenciar as virtualidades do real que, se houve prazer, ele confunde-se e mistura-se no poeta com a dor. "Gosto da mentira de que te apaixonas", porque o poeta sente e observa o que alguém apregoa como positivo, mas que ao poeta, com o seu distanciamente, lhe parce ser uma mentira, e mais ainda, porque interpreta essa ligação à vida como "paixão, espécie de lamento de ele, o poeta, não puder sentir desse modo, talvez fosse mais feliz, mas não consegue sentir essa realidade, "pachorrice", digo eu.

Mas, este modo de enunciar a existência destes destinatários como felizes, é uma ironia compungida, tom de lamento, por eles, de quem eu, poeta me distancio, porque olho de longe e sinto mais além. O poeta admira a determição dos que vão "além" e não recuam. Talvez os que apregoam a fé, os que acreditam nisto e naquilo, mas mesmo para esses, a voz do poeta proclama uma enorme descrença, embora caldeada de uma nostalgia:""serena desgraça"/ serena morte".

Como dizia Beudelaire no poema: "L'Albatros" Le poète est semblable au prince des nueés/

qui hante la tempête se ri l'archer"

Um abraço fraterno. Ismael

 

 

2010-03-19

jmarques - Penafiel

Bem...parece que a poesia do Aventino empederniu os dedos de quem teclava as pautas da boa argumentação. Parece que leram e perceberam que o destino não só do Aventino se traçou nas esquinas com sombra do palácio da Barrosa. Quase como a cirrose hepática de quem bebe para aquecer o motor do quotidiano e funde o destino da doença.

Mas será mesmo assim o destino macabro de quem galgou escadas, subiu rampas e voltou em descida de ciclos diários de orações da manhã, missas de latinorum, refeitórios e dormitórios e corridas ao pinhal para aquecer e desentorpecer o que crescia em desabono da felicidade?

Vale a pena parar para pensar?Ou o destino traçou-se em regos fundos e já nada tapa o que o fogo do redentor escavou nas nossas personalidades!

Se assim for, inscrevam-se nos Veteranos de guerra e assumam que as batalhas travadas naquela companhia  causaram mossa da grande e já não escapam ao stress pós traumático.

Razão tem o meu amigo Martins Ribeiro, que de stress não mostra nada...

2010-03-15

Aventino - Porto

AO ANTIGO ALUNO REDENTORISTA:

Gosto dessa tua voz azeda,

do teu triste sentir do teu engano.

Gosto da mentira de que te apaixonas,

e dessa nódoa que esqueces no teu porte.

Gosto de quem vai além e não volta atrás:

serena desgraça,

serena morte.

 

2010-03-11

Arsénio Pires - Porto

Amigos:

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Nota: Devido à proximidade da visita do Papa a Portugal, não temos possibilidade de garantir mais quartos. Uma vez preenchidos os quartos que temos disponíveis, não podemos garantir alojamento.

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