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2010-06-21

Arsénio Pires - Porto

Caros amigos e, em especial, caro cotransmontano e amigo de peito, companheiro de tristezas, fome e frio, coração de grande solidariedade e amor, Ricardo Morais:


Morreu o Saramago. Morreu o Maneiro. Morreu o meu amigo António. Morreu o meu compadre Sérgio. À distância dum palmo de dias. Vão morrendo todos à minha volta. Há muito tempo que andam a morrer todos à minha volta.


E sempre que morre alguém de quem gostamos, ficamos mais sós. Até só restarem alguns, poucos, ou quase nenhuns. Então é a nossa vez.


Proponho estas palavras de Saramago que tão bem tratou a nossa língua e algumas inquietudes que nos roem por dentro e por fora.


“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.”


Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216


Também para todos "um abraço com amor".

2010-06-20

Ricardo Morais - Macedo do Mato

Para todos, um abraço com amor

2010-06-20

Arsénio Pires - Porto

Senti-me saudavelmente motivado pelo excelente post do Aventino.
Então, aqui vai ao correr da tecla.

Com Saramago morreu mais um pedaço do pouco que resta do comunismo. E quando morre mais um pedaço de comunismo eu sinto que o mundo “pula e avança”.
O maior embuste de todo o tempo da humanidade, o comunismo, merece finar-se assim. Sem ruído mas irreversivelmente.

Confesso que sou anticomunista! E sou anticomunista como sou antifascista e antinazista. Mas, com muito maior razão sou anticomunista pois este regime revelou-se em todos os sítios, na prática, como o mais profundamente anti-humano pois, à sua responsabilidade, são atribuídos mais 250 milhões de mortos, só no séc. XX.
Sou, pois, anticomunista mas não anti-comunistas! O que é diferente.

Não sou, portanto, anti-Saramago. Penso até que ele foi, como todo o homem de boa vontade, um ansioso pelo eterno, um “tarado” pelo absoluto.
Perseguiu o eterno que sempre negou. Amou o absoluto que sempre desprezou. Talvez por isso eu me atreva a dizer que ele foi um grande crente. Emaranhou-se nos dogmas do marxismo e, até o muro de Berlim cair, ele com muitos dos que agora por aí ainda andam, sempre defendeu  que a URSS era o paraíso terrestre, o sol do mundo, o local onde “os amanhãs cantam”.
O marxismo, transformado em comunismo, ficará na história como mais uma tentativa falhada de felicidade na terra. Falhada porque confinada ao horizonte atrás das nossas montanhas. Falhada porque só teve em conta uma das dimensões do homem. E, mesmo assim, defendida pelo caminho errado: a violência.

E assim se vai finando talvez a maior religião do séc. XX. Cheia de dogmas, com o seu “Santo Ofício” sempre de achas acesas, com o seu pensamento único, com as suas masmorras, com as suas excomunhões, com as suas peregrinações aos túmulos de Lenine e de Estaline e, por cá, até à campa de Catarina Eufémia.

Viva o paraíso terrestre onde a religião é o ópio do povo!
Que bons temas encontraria Saramago para fazer o elogio da “cegueira” que se opôs aos agricultores, chamados Kulaks, que preferiram morrer enfrentando o regime estalinista a aceitar a colectivização das suas propriedades!
Resistiram, até à morte, à expropriação e colectivização forçadas. E Estaline, “sensibilizado” confessou-o a Churchill: “Foi uma luta terrível durante a qual tive que destruir 10 milhões de pessoas. Foi horrível. Durou quatro anos. Era absolutamente necessário (…) Não valia a pena discutir com eles.” (“Estaline, A Corte do Czar Vermelho”, Simon Montefiore, pág. 105).

Paz à sua alma. À alma dos Kulaks, claro!

2010-06-20

aventino pereira - Porto

Anuncio-vos a boa nova: finou-se mais um comuna. Cada vez que morre um comunista, um fascista, um trotskista, um maoista ou outro ditador de igual jaez, regozijo-me e ganho uma nova esperança para o nosso mundo. O Senhor José de Sousa (Saramago) morreu. Está registado como autor de alguns livros que tenho de grande qualidade: "O Ano da Morte de Ricardo Reis", "O Evangelho segundo Jesus Cristo", o "Ensaio sobre a cegueira". Consta também registado como autor de alguns outros de má qualidade:"A Caverna", "O homem duplicado", "Os poemas possíveis" e "Cadernos de Lanzarote". Li toda essa obra e ainda, "O memorial", "levantado do chão", "todos os nomes", "ensaio sobre a lucidez" " o manual de caligrafia" mas também "li", em cada página desses livros, aquilo de que nos fala a história e o Arsénio: milhões de torturados, milhões de mortos. Sei do que falo: se aos dezassete anos de idade fui espancado pela Pide, aos vinte e dois fui torturado por um bando de comunas, arvorados em donos da liberdade. Luis Goes escreveu (e musicou  com um belo fado de Coimbra), um poema de que me sirvo, tantas vezes, quando o mar encapela, as vagas dominam e o leme parece ceder ao desespero: "coube-te a vida em sorte, homem mortal e é seguro: que é vida a própria morte, quando se crê no futuro". E assim, venho guiando os dias, sabendo que a morte pode, sempre, trazer, a um qualquer recanto da humanidade, um laivo de encanto, um laivo de felicidade: um futuro.

Viva, pois, a morte: de um comunista.

Quando eu morrer, alguém que (me) escreva: "Viva, pois, a morte: de um seminarista" 

2010-06-19

Alves Diamantino - Terras da Maia

- Sou também um dos cúmplices da convivência gastronómica, pelo que expresso a minha gratidão, ao estimado companheiro, Peinado Torres, pela partilha do seu diversificado cardápio, suporte das suas elevadas capacidades em marketing solidário. Até, o Aristóteles, se interessou pelas enguias, afirmando que elas emergiam do lodo por geração, enquanto Plínio, o Velho, considerava que elas resultavam de fragmentos da pele humana. Espécie marinha c/ fascinante história migratória, com uma enorme versatilidade em se deslocar, em qualquer curso de água, bem ou mal oxigenada. Procura sempre obstáculos, para se proteger ou camuflar, sendo mais activa à noite. O seu comportamento reotrópico, isto é, deslocamento contra a corrente, é talvez um factor necessário, no sentido de orientação. Assim, o seu ciclo de vida e comportamento, continuam a ser, em grande parte um mistério. Preparados desde a infância para os mistérios, e crentes na ciência e fé, foi com uma fezada que entramos na degustação. Impossível, companheiros, descrever a conjugação entre os apetites sensoriais, após o tratamento culinário, do peixe que não tem cara de peixe, sofreu. Esta vivência, só, no restaurante do Zé, numa das Gafanhas de Aveiro. Serve-me de pretexto, veio assim à baila, a propósito de algumas criaturas, anatomicamente diferentes, temperamentalmente algo idênticas, que se nos escapam, se movem c/ agilidade, dissimuladas e caprichosas. Que me desculpem as enguias, as verdadeiras. Saciada a gula, havia que repor em níveis aceitáveis, os conteúdos etílicos, para tal, aproveitamos os ventos da ria, para acelerar a lei da evaporação, numa amena cavaqueira em lenta caminhada, a três, para promoção da sã convivência em movimento, no ser solidário. Saudações dum ex-seminarista redentorista

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