fale connosco


2010-07-21

Alexandre Gonçaves - Palmela

Entro aqui fora de horas para falar das horas lentas do verão. Sobretudo. se uma longa mesa, à sombra da velha faia, nos recebeu maternalmente em suavíssimo encontro. Os mouros do sul, pagãos e de má fama, souberam interromper as suas pressas, os seus encargos quotidianos e sentaram-se no paraíso. Derramaram vinho e amizade pelos presentes, mas na fala estiveram todos aqueles cujo nome trazemos gravados nas nossas palavras. Cumpriu-se na perfeição o que havia sido desejado previamente. O Gaudêncio atravessou bem cedo a grande cidade e às 9.30 recolhia na sua bomba electromecânica o Luís Guerreiro e a Hirene. Quando chegou, já as autoridades locais aguardavam os ilustres visitantes. Os cumprimentos foram sinceros e abundantes. Estávamos no nosso meio, no nosso habitat, na nossa paisagem de infância. Uma coisa estava ausente: qualquer vestígio de formalidade. A imaginação foi supercriadora. As mesas rechearam-se de imediato para honrarmos com elevados brindes o moscatel nativo. Na hora éramos dez, mais tarde virão mais quatro. Distribuídos em duas viaturas, fomos mergulhar no infinito da Arrábida, onde cresce o azul mais tansparente do mundo. A tal ponto que o céu e a água se confundem, ou melhor ainda se fundem, numa explosão de luz e êxtase. Suspendemos então as palavras, porque ali só os sentidos podiam atingir a poeira divina que pelas encostas descia até ao mar sem fim do verão. Já merecido um almoço fresco e líquido, regessámos ao paraíso mesopotâmico e pusemos em uníssono as mãos na massa. É preciso glorificar aqui seis mãos femininas, que harmonizaram a nossa impetuosidade. Os frutos rapidamente deram à mesa a auréola de banquete, de sabor helénico. A lentidão apossou-se do tempo e fê-lo render até ao limite do possível. Ao cair da tarde, chegaram os que só puderam vir jantar. Ainda assim, com um ar enorme de graça e simpatia. O requinte esteve numa sopa triunfal, maternal,tradicional. Os produtos eram todos genuínos, onde se destacaram os espinafres. As mãos femininas fizaeram o resto. Só a despedida nos lembrou que o dia fora breve, tão breve como tudo o que se deseja que aconteça...
2010-07-21

Arsénio Pires - Porto

Meu caro e prezado amigo Delfim:
Agradeço o teu post apesar de já vir um pouco fora do tempo em que os nossos escritos sobre os “ismos” saíram à luz. E digo isto porque seria mais bem-vindo na altura para espicaçar o diálogo que surgiu.
Pressinto que também ontem, pelas sombras de Palmela, se falou dos “ismos” e das fugas e, como tal, a tua curiosidade trouxe-te até aqui. Ainda bem.

Vamos ao assunto.
Um dos meus maiores desejos continua a ser que nós, em parte educados mais para receber “na bancada” do que para jogar, procurar e partilhar, fôssemos capazes, neste espaço online e de plena liberdade, de propor, discutir e até combater ideias e/ou assuntos que preocupam a generalidade dos nosso contemporâneos.

Onde estará o mal em falar contra ideias, regimes, injustiças ou o que quer que seja?
Onde estará o mal no expressar uma opinião apoiada com argumentos?
Onde estará o mal em combater essa mesma ideia com outros argumentos ou novos dados?
Onde estará o mal em defender, aqui ou noutro qualquer fórum, os valores que nos constituem, sejam eles quais forem?
Que assuntos devemos então tratar na secção “Pontos de Vista”?
Não seremos capazes de falar abertamente de assuntos do nosso tempo?

É claro que, por mim falo, não me preocupa se o que escrevo não interessa a alguém. Interessa-me emitir a minha opinião para quem lhe interessar e desejo profundamente entrar em diálogo com quem quiser. Participo noutros fóruns a nível nacional e internacional e estou bastante à vontade para dizer que tem sido, para mim, muito enriquecedor.

Confesso, caro Delfim, que me entristece muito verificar que continuamos a confundir ideias com pessoas. As ideias devem ser discutidas. A pessoa de quem as emite, NUNCA!
Será que ainda estamos naquela de, entre amigos e família, nada de falar de religião, política e futebol?
Mas quem é que nos tempos que vivemos pode pensar assim?
Mas que confrontos PESSOAIS podem surgir duma discussão de ideias?
Ser pró ou anticomunista tem muito que se lhe diga! Claro que tem.
Ser pró ou antinazista, também.
Ser pró ou antiDeus, idem aspas.
Mas isso não pode querer dizer que não possamos discutir o comunismo, o nazismo, o socialismo, o marxismo, a americanismo, a crença, a Igreja, o divórcio, a homossexualidade, a pedofilia, etc, etc.
Nem a todos nos interessam estes temas ou alguns deles? Claro que sim. Só temos é que o dizer, o provar ou… passar adiante.

Não tenho nem nunca terei confrontos PESSOAIS com os meus amigos de peito e de tristezas passadas, Alexandre e Ricardo Morais. Seria TOTALMENTE incapaz de diminuir a amizade que lhes tenho por não concordarmos numa ou noutra ideia ou ideologia. A amizade fundamenta-se noutro plano. A nossa amizade já existia muito antes de sermos adultos e construirmos os nossos valores.

Meu caro Delfim, não fiques triste por verificares que há confronto de ideias.
Este nosso espaço tem muitas vertentes. Tem o “Fale Connosco” que, a meu ver não deverá ser para fórum. Só aconteceu porque o tema surgiu aí nele. Mas o lugar adequado seria o Fórum. Compreendo que esta seja uma ferramenta mais complicada de manejar por todos. Então, desviemos a discussão de ideias para o espaço “Pontos de Vista”. É fácil entrar em diálogo. Participemos. Digamos que sim ou que não. Mas fundamentemos aquilo que dizemos. Quem quiser, claro!

Deixemos de ser amorfos. Pensemos!
Hoje quase tudo é relativo. Vivemos numa época em que todos têm opinião sobre tudo mas não passa duma opinião. Nada inibe a opinião mais desastrada e infundamentada. Tudo é avaliado em função dos estados de espírito, das vontades do momento, da moda. Rigor, verticalidade e humildade intelectual são coisas do passado. As pessoas emitem juízos de valor muito levianamente. Sem qualquer base ou substância. Opinam “porque sim” e daí o termos chegado a uma sociedade de gente desinteressada e desinteressante.
Sem forma porque desinformada.
Desinformada porque apática e descerebrada.
Assistem ao nosso tempo como quem em casa assiste a um jogo de futebol de pantufas enfiadas e uma mini enterrada no gargalo!

É contra este “estado da nação” que me movo.
SEMPRE.

O abraço amigo de sempre.

2010-07-20

António Gaudêncio - Lisboa

Fiquei imensamente satisfeito pelo aparecimento, na Palmeira, do nosso amigo Domingos Gonçalves Dias. Depois de uma pesquisa ( demorada ), feita por amigos meus, na zona de Montalegre, consegui o número de telefone dele nos States e , no passado sábado, conversámos um bom bocado. Foi bom, amigo Gonçalves mas eu espero que o teu aparecimento seja apenas o princípio de uma participação activa e frequente neste espaço que, por direito, também é teu obviamente. Escreve, conta-nos as tuas vivências dos últimos 30 anos e, em Setembro, quando vieres de férias, diz-nos porque será uma boa oportunidade de revivermos a "nossa juventude" apesar de estarmos todos  ( os do nosso curso, pelo menos ) a entrar ou a ultrapassar os 70. Podes crer, meu caro Gonçalves, que não fui só eu a ficar contente com a tua  aparição; acredita que todos os que te conheceram sentiram o mesmo.

Para ti, Gonçalves, um abraço que não é só meu, é de todos os teus amigos, agrupados agora à sombra da Palmeira, onde passas a ter um lugar também.    

 

      

2010-07-20

Delfim - Almada

Reproduzo:

"2010-07-09

Alexandre Gonçalves - Palmela

"Cada bago de uva sabe de cor o nome dos dias todos do verão." "

Isto para dizer que fiquei triste quando agora li o que dois meus grandes amigos escreveram quanto aos "ismos"...

-Arsénio e Alex evitem os confrontos em questões que não (me) nos interessam ver tratadas neste pequeno forum.

Ser pró, ou anti/comunista tem muito que se lhe diga, pelo que é perigoso resumir-se em pequenos textos...podendo levar a recados indelicados...e a esquecer o que de mais importante existe: a nossa amizade e irmandade. Sinto que poderei contar com a amizade de bastantes; sinto-me bem nos convívios de muitos; e gosto de ouvir e ler alguns.

Alex e Arsénio escrevei, pois poucos o fazem tão bem como vós.

Muito do que pensais, a mim pouco me interessa, pelo que evitai irem por aí.

Ontem gostei de ter passado o dia na companhia de alguns grandes amigos (guerreiro e outros...)em casa do Alex.

Um abraço do Delfim.

 

2010-07-20

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Olé, grande companheiro Peinado! Verifico que voltou "são e salvo", o que muito me alegra.  Quero dizer-lhe que, daqui a dias, calha a minha vez … que eu também sou gente e "trabalho" como um negro!  Como certamente constatou, através da leitura do nosso site, não houve assim tanta agitação das águas como seria de desejar. Claro que deve ser, precisamente, por causa das férias. Mas devo concordar que, na verdade, a vida vai correndo sem grandes sobressaltos; o que já não é mau.  Vamos deixar passar esta quadra para depois, com mais calma, entrarmos em vias de facto. 

Abraço!

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº