fale connosco


2010-04-20

Davide Antunes Vaz - ALMADA

Meus caros: Ando há tempos a matutar se devo ou não intervir neste fórum que é o “fale connosco”. É que eu tenho o receio de que alguém não goste. E a propósito de gostar, achei oportuna a intervenção do Gaudêncio. Será que na Barrosa não houve “episódios” de pedofilia? Eu temo (ou tenho quase a certeza) de que os houve. Então, se os houve, há que falar do assunto. É que não falar disso, nos tempos que correm, e com a mentalidade que tenho, para mim será um retornar à era das trevas. Sim, porque, há que admiti-lo, nos tempos que frequentei a Barrosa, tive uma educação de trevas. Para começar, a educação que nos davam, era uma educação de dogmas: - da Imaculada Conceição, - agora parece que já não é mais dogma pois a igreja, ou o Papa já veio reconhecer que não há pecado original, - da Infalibilidade Pontifícia que, como me dizia há tempos o amigo Ricardo Morais, tão infalível era o papa que condenou o Galileu, como o que veio pedir perdão pela sua condenação e, pergunto eu que, tendo havido na Igreja dois papas em simultâneo, qual deles é que detinha o dom da infalibilidade?.. o dogma da Assunção, e outros que tais…. À igreja, quando não lhe convém discutir com base na razão, decreta dogmas…. Ou então excomunga. Foi o quer aconteceu em muitas ocasiões, a título de exemplo, com a maçonaria. Veja-se a propósito, que agora mesmo, um tal cardeal Saraiva, português por sinal, em vez de reconhecer as culpas da Igreja na questão da pedofilia, já veio dizer que lhe cheira que na denúncia destes caso andará o dedo dos partidos comunistas e da maçonaria. É preciso ter paciência para ouvir disparates destes. Será que esse dito cardeal Saraiva ignora que na Maçonaria portuguesa até houve um bispo como Grão-mestre? Sim, o D. António Alves Martins que foi Bispo de Viseu na segunda metade do Séc.XIX! Tal não seria possível depois do papa Pio IX a ter excomungado. Dizem ainda os bispos portugueses que não há notícia de haver casos de pedofilia em Portugal.. É preciso desfaçatez! Então eles esquecem-se de que em Portugal até houve um assassinato na Madeira? E que dizer do sistema de “bufos” que existia na Barrosa? Lembram-se das cadernetas pretas, entregues a alguns “escolhidos”, chamados vigilantes, para denunciarem os seus colegas? Se alguém fazia algo que ao dito vigilante não agradava, era certo e sabido que tal comportamento iria para a caderneta que seria, depois, entregue ao Director para leitura e aplicar os correctivos… Será por isso que da Barrosa saíram tantos pides? Enfim, muito há que dizer sobre os mais diversos temas, mas por agora fico por aqui. Façam favor de me quererem bem que não custa nada e não paga imposto. Aquele abraço para todos mesmo para aqueles que, eventualmente, não tenham gostado do que escrevi. Um abraço do Davide Vaz.
2010-04-18

Arsénio Pires - Porto

Gaudêncio,

agradeço a tua mensagem elogiosa em demasia para comigo mas entendível num contexto de sã amizade que também sinceramente nutro por ti. Diácono tento ser todos os dias se diácono quiser dizer “servir” na medida das minhas possibilidades. Presbítero… não tenho inclinação para jejum celibatário nem possuo espírito paroquiano.


Alex,

ainda bem que já não tens desculpa para não vires a esta praça. Descortino na tua missiva uma quantidade de lava pronta a explodir (desculpa, estamos em maré de vulcões…). Tem cuidado para não interditares o espaço aéreo!

Então aqui vai.
Mais que andarmos para aqui debruçados do alto das nossas velhices tentando escavar e moer possíveis traumas passados, ou pregar na porta da catedral catilinárias sobre os padres pedófilos, penso que seria bom ouvir aqui opiniões sobre o que e como deveria ser a Igreja Católica. Esta atitude pró-activa teria bem mais interesse e, certamente, poderia ser bem mais útil.
Avanço alguns temas:

1. Ainda não eram passados 15 anos sobre o Concílio Vaticano II, e a Igreja Católica  voltou a fechar-se sobre si mesma. A nível estrutural podemos dizer que ela é, hoje, comparável a uma lapa agarrada ao rochedo do passado.

2. A IC (como todas as Igrejas) defronta-se há já muito tempo com a “modernidade” e não a tem compreendido. Se não fala para o homem do nosso tempo, como pode ela anunciar convenientemente a Boa Nova de Jesus?

3. Uma das características da modernidade é a autonomia da pessoa: o homem de hoje define-se pela sua capacidade de tomar decisões e de afirmar o seu “eu” como responsável pelos seus actos. O discurso normativo morreu. A IC não tem que dizer aos outros o que é bom para eles, mas ajudá-los a encontrarem-se, a iluminar as suas consciências despertando-os para a solidariedade com os outros homens, com os animais, com a terra, com o Universo!
Jesus foi assim que fez: passou a vida a levantar homens e mulheres postos à margem, a torná-los responsáveis, a dizer-lhes que Deus é Pai e não um tirano, a ordenar: Levanta-te e anda!
Numa sociedade laica e pluralista ninguém pode querer impor a todas as pessoas um único código de conduta. Jesus não impôs limitações aos seus discípulos; respeitou sempre a liberdade do homem: Se alguém me ama… Se me queres seguir… Se alguém me escuta…
Apelou sempre à liberdade do homem!

4. A IC ainda não assumiu para si os valores que aconselha à sociedade. Um deles é a democracia. Vive num sistema absolutista: o padre tem que estar de acordo com o bispo e o bispo tem de estar de acordo com o papa. E este, com a sua Cúria, é o Imperador.
E neste organigrama, o povo é o rebanho que eles conduzem! Como se o Espírito de Jesus fosse propriedade privada do clero!

5. A IC não sabe comunicar a Boa Nova de Jesus para os homens de hoje. Vivemos num mundo de comunicação, imaginativo, inovador nos seus meios de chegar a todos. A linguagem da IC é arcaica, demasiado racional, e a sua liturgia é monótona, quase nada apelativa ao sentimento, repetitiva, cheia de fórmulas que ninguém entende!
É preciso muita fé para aguentar certas missas que deveriam ser “Comemoração da Ressurreição de Jesus”.
E tudo isto tendo em conta que temos por Mestre aquele que foi um comunicador por excelência, com uma linguagem clara e bela que arrastava multidões.

Venham daí!

2010-04-18

jmarques - Penafiel

Não há fome que não traga fartura e o debate com o meu amigo Martins Ribeiro, carregado de irredutibilidade jacobina da sua banda, acabou por despertar anseios de intervir de alguns colegas, com alguma curiosidade pelo aparecimento do Alexandre Gonçalves das bandas da terra do bom vinho, Palmela, que nem tempo tem para "afagar os ditos", embora esse constrangimento tenha mais a ver com a motivação do que com os ponteiros do relógio.

Não lhe faltarão as ditas musas e as Nereides inspiradoras, pois não são exclusivas das terras de valdevez e folgo em não estar só nesta invocação das portas do céu para afagar o futuro.

Agora que o debate está em 3D, afigura-se-me mais potencial de diversificar a temática, embora me aperceba que haja alguma sintonia na problemática que afecta a Igreja Católica, com o Gaudêncio a perspectivar funções de fé para o Arsénio, o que eu estranho pelas suas discordâncias de base, tanto quanto me tenho apercebido em alguns conteúdos.

Nesta dialéctica de palco a quem deve faltar tempo é ao Arsénio e tenho pena da distância que me não facilita a vida para estar presente no Encontro de Alcobaça (ainda não percebi se é de Fátima ou Alcobaça).

Mas vou invocar as Musas para que as coisas corram bem.

2010-04-18

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Ora, seja bem vindo, caro Alexandre; folgo em que a sua informática, se bem que tudo seja muito simples, esteja aí p’rás curvas e bem afinada, para poder continuar. Como digo a alguns amigos quando querem entrar na liça e começam a lançar as suas “bojardas”, eu “tomo nota” do que expõe, desde que o não faça de forma capciosa. Para o restolho que fica de  alguns jacobinos, apenas lhe posso chegar um fósforo ou uma patanisca de isqueiro, esperando que façam muita labareda para, no caso de estar frio, ao menos se aproveitar alguma coisa disso. Estou em crer (aliás, tenho a certeza) de que o Alexandre é dos sãos, mesmo exibindo um espírito  inquieto e truculento. Grande abraço!

2010-04-18

António Gaudêncio - Lisboa

Gostei da última intervenção do Arsénio: calma, tolerante, sem toque de agressividade, enfim muito católica, ( embora eu pense que a Igreja, desde que no tempo de Constantino, se começou a organizar como INSTITUIÇÃO DE PODER, tem sido muitas coisas mas " tolerante " nunca ). E nos anos do Papa Karol, então foi um completo desastre: na cabecinha daquele tosco polaco o que interessava é que a sociedade se submetesse à Igreja não lhe tendo ocorrido que devia ser a Igreja a acompanhar a evolução da  sociedade. No pontificado dele creio que a Igreja retrocedeu, pelo menos 50 (cinquenta)  anos em relação à Igreja que surgira do Vaticano II. E que prometia!!!

  Mas voltemos ao meu amigo Arsénio ( sem eufemismos, hipocrisia ou coisa do género, confesso que tenho uma grande consideração, estima e amizade pelo Arsénio ) . É óbvio que havia uma clara provocação no meu escrito, sobretudo quando relacionei Fátima, Eucaristia e Encontro sabendo eu que ele é um dos que não regateia esforços para que a Associação saia sempre bem " em todas as fotagrafias " . ( E aqui muito muito à puridade, julgo que ainda hei-de ver o Arsénio como um bom Diácono ou até como um bom Padre casado desde que a Igreja reveja os seus conceitos sobre o celibato ). E para terminar, uma pequena brincadeira:  Arsénio, nunca te arrependas de fazer e pregar o bem e, agora, até podes exagerar  porque no tempo do Papa Karol arriscavas-te a ser canonizado como tantos outros com menos merecimentos como,  vg , Monsenhor Escrivá, os Pastorinhos etc.

Abraços, mas só abraços, porque não me vejo a dar beijinhos a matulões.  

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