fale connosco


2016-04-30

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XXII - Tempo e Música

 

Na minha qualidade de animal simbólico, qualquer coisa incerta me perturba nos rituais que marcam o ritmo do ano. Como o gesto vertical e vigoroso que o maestro imprime ao primeiro tempo dos compassos. O natal, a páscoa, a chuva de março, a verde brancura de abril, o mar e os rios de verão, a melancolia definitiva de setembro, a feroz inocência da neve. São sinfonias, óperas, canções, peças dramáticas da existência. Desiguais entre si, têm em comum a interpretação quer da vida comunitária, quer do indivíduo, quando surpreende o próprio rosto no espelho. Como se, em solidão, o medo nos impedisse de atravessar o tempo sem o conforto maternal da música.

Na páscoa ouço Bach e Handel e nas suas composições vejo de ouvido a brancura da terra, que o sol arranca do verde profundo da natureza. O carro é a minha sala de audição e todo o universo estremece nessa harmonia de mil vozes. Comovo-me, acordo a infância, as palavras essenciais, os nomes espalhados pela vida. Às vezes um olhar que se cruzou comigo. Um sorriso que me chamou. Um telefonema de súbita pressa, que me faz voar. Porém, há outras vezes que não consigo ver as bermas. E arrisco a pontualidade do encontro ou do regresso. Nesses dias, abrando o código da estrada. Encosto-me à direita e sou insolentemente vagaroso. Não quero mesmo chegar a lado nenhum. Como se o território fosse tão escasso que não coubesse nele. Só a música o expande pelos recantos mais íntimos da terra. Ou do corpo em sobressalto. As palavras emprestam a emoção com juros elevados. A música apenas solicita que ouvidos e coração estejam disponíveis. Antes, era ainda muito jovem, ensinaram-me que só a fé nos salvava. Bastava acreditar. Acreditei até onde me foi possível. Nunca estive perto da salvação. Agora, já ancião, contemplando humildemente as estrelas, direi que só a música nos pode salvar. Basta aprender a ouvi-la. 

2016-04-29

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Assis,

pelos vistos escarafuncharam-te bem!

Trata de te retabeleceres de modo a aguentar meia dúzia de favadas, se necessário for. Falo da tua saúde, quanto ao resto, haja calma, as pragas principais deste ano, segundo a ANI, são as do melro branco e as do gaio albino. Mas estes não são tão vorazes.

 Se as ervas não as deixarem vingar, cada um levará o seu farnel, põe-se a toalha na mesa e ficam garantidos o são convívio e o apaladado repasto. A moléstia não há de ser geral e, por isso, o M. Vieira faça o favor de se encarregar dos molhos equilibrados e gostosos.

Saúde para todos.

2016-04-28

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Tal como deixei dito, a nossa revista nº. 39, depois de lida, ficou aqui, por perto.

 

Considero que o “fale connosco” pode ser um espaço mais interactivo e confluente ou, ao contrário, um escaparate de divergências naturais entre nós, relativas a assuntos incontornáveis e prementes.

 

Hoje, desejando manter-me dentro dos limites da conveniência e cordialidade, vou provocar um pouquinho o Guedes de Oliveira e os seus temas fracturantes. Permites, rapaz?

 

Começas por referir o orçamento e os nossos problemas por causa do Banif, dos Swaps, do BES e já agora, acrescento eu, do BPN, da SLN e dos demais que estiveram  e virão a entrar na calha.

 

Poderia ser fonte de grandes discórdias ou apenas de acaloradas discussões perguntarmo-nos como lá chegámos ou quem nos levou para elas. Dava, pelo menos, um lauto e animado simpósio.

 

Nestas lateralidades ou, se quiseres, marginalidades fiquei e continuo embrenhado/baralhado, incapaz de opinar assertivamente.

 

Na substância não quero nem posso acrescentar nada, até por saber o que é o espartilho das 750 palavras! Todos cumprissem(os) outros, bem necessários, relativos à ética, à competência e à eficácia. Ficaria ainda largo campo para o “errare…”.

 

No que toca aos deputados da nação, nada de novo! Continua aquela surpreendente persistência em alternarem opiniões e comportamentos, conforme estejam no poder ou fora dele.

 

Desde que não resultassem danos graves, até preferia que, de quando em quando, houvesse alguns bofetões em vez das insinuações, insultos e incongruências que por lá se debitam. Não era mais divertido?

 

Prosseguindo… e sendo mais abrangente: aceito e compreendo as atitudes dos deputados e do PR. Não são eles que detêm boa fatia do poder?

 

Aceito e compreendo, mas com alguma estranheza, que entre casais homossexuais haja sentimentos que possam competir com os dos casais heterossexuais. Os relativos à procriação, não. No reconhecimento legal de iguais direitos e deveres concordo.

 

Sobre a adopção, divulgados e conhecidos certos comportamentos nos casais ditos normais, perturba-me pensar: no superior interesse da criança com quem estaria mais bem acompanhada?

 

Na interrupção voluntária da gravidez, em termos éticos todos ou quase todos estaremos no mesmo lado. Agora as marginalidades:

 

·         Qual a justificação para, até há pouco tempo, a censura social recair quase exclusivamente sobre a mulher?

 

·         Se a delegação divina do poder e a sua normalização legal estivessem com elas, que tribunais e sentenças teríamos nós?

 

·         Que atitude tomar perante gravidezes resultantes de violações, sobretudo as praticadas sobre menores de idade?

 

·         Havendo sucesso no acompanhamento até uma reconsideração, como, até quando e quem acompanharia essas mulheres?

 

Sobre a eutanásia, a palavra não deixa de ser irónica, aí vão as questões:

 

·         É ou não verdade que a medicina tem prolongado a vida mas nem sempre garante a qualidade suficiente dela?

 

·         Será vontade divina ou humana mantermos artificialmente a vida, ligados a uma máquina?

 

Na interrupção voluntária da gravidez e na eutanásia seria sempre garantido o direito à objecção de consciência.

 

Fracturante e pertinente seria também discutir o tema do suicídio e o da carnificina sofrida e praticada nas guerras com tanto silêncio e/ou tolerância.

 

Este articulado fugiu um pouco ao plano inicialmente previsto mas vai ficar assim.

2016-04-27

Assis - Folgosa

Meus caros AAARs

Ainda não li a Palmeira, no seu formato de papel, embora me tenhais nomeado como um dos "trabalhadores" da mesma. Nada disso. Não contribuí nem com uma vírgula. O seu a seu dono, diz o nosso povo.

Todavia, acabei agora mesmo de ler todos os vossos belos textos aqui publicados, apartir do último que havia lido em 21 de Fevereiro, o texto do Aventino "Inútil?! Inútil é sentir"

Sem crítica ou louvor especial, deixo a todos os autores o meu agradecimento pelo vosso suor e inspiração.

É verdade. Ainda não consegui - já vão alguns dias a mais além de dois meses - porque fui forçado a abandonar o meu cantinho minhoto a fim de me preparar para uma pequena intervenção cirúrgica ao nariz. Uma primeira intervenção teve lugar precisamente no dia do 1º aniversário em que o nosso amigo Peinado nos disse adeus, motivo para que eu o recordasse em sua clara amizade, assim na do meu compadre Cipriano, também falecido nesse mesmo 14 de Março. Três semanas depois, uma nova cirurgia para me puxarem pela pele e cobrirem o buraco deixado na anterior. Há dias tiraram-me os dois últimos pontos.Tudo correu normalmente e hoje sinto-me bem. Só os óculos continuam arrumados na gaveta, longe da cana narina. Contudo, além da erva, as favas continuam a crescer e o dia da favada irá chegar a tempo, estou convencido. Talvez lá para o início de Junho ou ainda nos finais de Maio.

Não vou convidar ninguém em particular, pois todos vós já pertenceis à família. Apenas indicarei o dia na altura devida e lá vos aguardarei.

O meu abraço fraterno


2016-04-20

Arsénio Sousa Pires - Porto

Meu caro amigo Aventino:

Pois acho mal o teu programa de consultas para erradicares o silêncio!

Nem tu vês mal com os que a terra te há-de comer.

Nem as tuas mãos te tremem como quem tange viola desafinada.

Nem os teus neurónios definham nas suas conexões como margens sem cacilheiros.

Do que tu precisas é dum bom biólogo especialista em palmeiras.

Diz que as palmeiras não são árvores mas sim ervas grandes porque só têm um tecido produtor de folhas e, quando o insecto a ataca, é certo que a palmeira vai morrer.

Não consultes curandeiros!

Basta-te só armadilhar e caçar o insecto. E quanto a mezinhas, consulta as tuas tias! Aquelas de quem carinhosamente nos falaste na viçosa Palmeira.

Depois, avisa-nos por favor.

 

Tá?

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº