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2015-11-06

alexandre gonçalves - palmela

BARROSAL XIV - Liturgia Outonal

 

A propósito de estatutos, assembleias e quotas, só me ocorre uma solução: invocar o S. Martinho e pedir-lhe que nos livre dessas teias de aranha, onde se enreda o mais fecundo pensamento da pálida palmeira. De onde nos virá essa tendência subtil para regras, para leis, para estatutos? É tempo de agarrar o tempo com urgência, enquanto ainda há luz e energia para caminhar, para ir ao encontro de quem espera, para ver e ser visto, para falar e para ouvir. É isso que se chama estar vivo. Que tipo de humor é esse que tanto nos distrai do que é urgente? Um ano inteiro de ausências não foi bastante para espalhar um pouco de inquietação e outro tanto de zelo solidário para mudar. Vamos em cruzeiro de rotinas, repetimo-nos, plagiamo-nos, vegetalmente associados. Somos um bosque amarelecido pelos ventos que nos levam. Árvores iguais, sem folhas, sem ideias, sem desejos. Se o teclado fosse um tampo de madeira, e se em legalista assembleia discutíssemos o sexo dos estatutos, eu usaria a violênia da marreta para acordar as próprias pedras.

Mes eu sou daqueles que alimentam a fé e não desistem de esperar. Não há idade que nos vença. Nem doença que paralise os nossos membros. Por isso, lavro aqui um convite geral para uma ampla afluência ao S. martinho de Palmela. Há muitos, mas este é único. É um ritual de encontro, para uma liturgia de frutos outonais. O vinho, que por estes solos generosos se alevanta até à transcendência divina, iluminará as nossas mentes e os nossos corações. S. Martinho de Tours, a quem a tradição pediu a capa e a cumplicidade, vai proteger os nossos desvarios, na sua condição de grande oficial dos exércitos. Bem seguros, bem comidos, bem bebidos, entoaremos cânticos de alegria. O espírito falará pelas nossas bocas no círculo do fogo. Sentar-nos-emos em cordão, ligados pela palavra, pelas castanhas e por todos os frutos da terra. E a sede não será nossa inimiga.

Viajantes deste rectângulo, prontos estai para a jornada! Marquem as coordenadas para o dia 14 deste húmido novembro, porque há vinho novo na paisagem. Não vai chover. Está escrito nas estrelas. O sol de S. Martinho é garantido por ele, em seu próprio proveito. Não tarda, chega o rigor invernal. A neve cobre os campos e os caminhos, e o pior é que ela cai dentro de nós. E já vamos correndo riscos de o sangue gelar nas mãos. É tempo de colher estes escassos dias que passam na rua e acumular a doçura que ainda nos trazem. Não se pode permitir que o frio entre pelas ranhuras dos sentidos abandonados. 

 Companheiros de viagem, é esta a hora. Castanhas e vinho novo, esse fruto da videira que não entristece o rosto das Senhoras e alegra secretamente o coração dos homens. 

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Nota de pé de página. Que ninguém fale em dinheiro mas sim em imaginação. Se essa falir, haverá de sobra noutras fontes. Os portões do paraíso abrir-se-ão pelas 10 horas e só fecharão quando a lua vier. Os comboios estão coordenados com os horários  pretendidos. Façam o favor de ser felizes e ponham-se a caminho!

2015-11-04

manuel vieira - esposende

O REQUIEM DO AVENTINO

 

Não é que o Dia de Finados tão recente tenha inspirado a terminologia escolhida pelo Aventino pois bastaria a função do subconsciente para atiçar o sistema cognitivo do nosso extremoso colega.

Estaria no seu nobre propósito atiçar também os Presidentes dos Órgãos Sociais da nossa Associação, recitando-lhes “versos” estatutários a lembrar as obrigações que lhes cabem na condução deste barco enorme, que alguns teimam em vaticinar o afundamento.

Apreciei a resposta do José de Castro também pela quota parte da responsabilidade que lhe cabe  e percebendo que às vezes um bom vinho é também um bom medicamento, lembrei-me das instruções que acompanham os verdadeiros da farmácia e onde se questiona se eventualmente se esquecer de tomar num dia, as ditas instruções referem que deve continuar a tomar certinho no dia seguinte para que o efeito da prescrição retome o processo de cura.

Não sendo este o primeiro ano de ausência de Assembleia Magna, pode entender-se que o que mais se sente é a falta do tal Encontro chamado de Anual que, em muitos deles agrega entre duas e três dezenas de associados, a que as esposas dão depois a imagem de maior magote.

Em espaços diferentes juntam-se por vezes quase outros tantos a apreciar a sombra das oliveiras do Alexandre ou a apreciar as paisagens de largos horizontes do Assis.É a regionalização. Melhor cumprimento do espírito estatutário da Associação não há e só não sente quem está ausente (até rima).

Claro que os compromissos e obrigações formais de qualquer organização e o seu incumprimento atraem naturalmente a atenção do mais astuto e distinto causídico, sobretudo quando é também parte no interesse da coisa.

E até o Presidente da Direção, a quem cabe o exercício da gestão do grupo, é acossado pela ausência de Plenário, pois lhe compete estatutariamente velar pelo cumprimento dos Estatutos, trivialmente atribuído ao Órgão maior que deveria ser a Assembleia Geral e a sua Mesa.

É no meu entendimento uma restrição à capacidade civil de resistir e afirmar a necessária divisão e separação de poderes organizacionais, afetando direitos, liberdades e garantias pessoais constitucionalmente consignados no livro maior da sociedade portuguesa.

O meu direito à liberdade de exercer e de livremente interpretar o sentir coletivo, levou-me a informar por escrito a não realização de Assembleia Geral em dia de Cristo Rei,mas claramente  por assunção solidária com o Presidente da Mesa.

Este direito de resistência que senti também o foi por não se ter realizado o Encontro anual por falta de quórum, mas foram ouvidas as partes militantes. Também a ausência de qualquer penalidade estatutária, levou-me a assumir e afirmar convictamente a Inconstitucionalidade do Requiem do Aventino, fazendo constar que a nossa Associação está bem viva, pese alguma doença por vezes incontornável nas hostes.

2015 não é um ano para esquecer, bem pelo contrário, foi um ano de reflexão que viu partir também um dos colegas mais entusiastas e que sabia quanto era importante conviver, valorizando a força de um abraço fraternal. É importante dar força à vida porque o tempo se estreita e penso que nós percebemos e sentimos como são importantes os nossos amigos.

Em 2016 queremos fazer melhor!

 

 

2015-11-03

José de Castro - Penafiel

OLÁ MEUS CAROS AMIGOS AARs:

Escrevi com maiúsculas não para que vejam melhor mas para tentar acordar os que eventualmente estejam ensonados.

Antes de continuar quero desde já penitenciar-me por algum erro de escrita ou ortográfico que venha a acontecer e nem sequer vou preocupar-me com a pontuação pois não tenho muito tempo para reler pelo que fica desde já feita a ressalva.

O nosso caro Aventino merece este esforço pois por mais que se possa teorizar sobre os conteúdos dos escritos que nos apresenta é de facto um AAR. Se havia alguma dúvida ela terá ficado sanada com o seu último recado para os órgãos sociais.

Mas é um recado delicioso quanto mais não seja porque me levou a este empreendimento de responder e apelar aos que esperam pelo Inverno que o façam também sob pena de nem sequer lá chegarem.

Socorreu-se o Aventino dos estatutos para dar um tiro na ninhada e que certeiro foi...

Mas depois de meditar na sua missiva e na resposta a dar que parecia ser apenas uma... recordei um Amigo a quem no seu dia de aniversário ofereci um embrulho muito cuidado com laço e tudo que continha no seu interior uma caixa com três garafas de vinho  do mais barato que encontrei (penso que paguei menos de um euro por cada uma delas). É sempre agadável receber um belo embrulho e logo com três garrafinhas de bom vinho ainda que apenas tenha utilidade para temperos.

Claro que quando esse Amigo viu os rótulos ficou de imediato a cismar que raio de marca era aquela que ainda não conhecia devendo ela ser muito prestigiada pois a não ser assim não lhe teria sido oferecida. Nada comentou sobre o conteúdo de tão belo embrulho a não ser quando eu mesmo lhe perguntei se tinha gostado da pinga. NEM PARA TEMPEROS SERVIU. FOI PELA BANCA ABAIXO!

No ano seguinte de novo convidado para o seu aniversário voltei a oferecer-lhe uma pinga. Mas agora o embrulho não passava de um bocado de jornal que protegia a garrafa não fosse ela partir-se e perder-se o OURO EM PÓ que continha. Sem cerimónias mas com muito gosto entreguei tudo numa saca do Pingo Doce, e esperei que fosse desembrulhado. Ainda não lhe conheço os comentários mas estou certo que não será gasto em temperos e muito menos para desentupir os canos da banca.

Serve isto para dizer que a forma sendo importante é evidentemente muito mais importante o conteúdo. Esse conteúdo pode ser servido com toda a formalidade numa reunião da Assembleia (muito bem embrulhada) também ela convocada com toda a formalidade mas também pode ser servido a uma mesa bem recheada e bem regada onde o espírito da Associação não deixara nunca de estar presente.

Já que falei do espírito da Associação... VOLTEMOS AOS ESTATUTOS:

 


Objectivos

1 - Promover a amizade, a convivência, a solidariedade e a comunicação entre todos os associados.
2 - Fomentar, organizar e dirigir actividades de carácter cultural, formativo e recreativo para os associados e seus familiares.
3 - Estudar e concretizar acções de tipo social e assistencial para apoiar os associados que se encontrem em dificuldades de qualquer ordem.
4 - Estabelecer formas de colaboração com a Congregação do Santíssimo Redentor nomeadamente nas áreas da Educação, Acção Social e Pastoral, podendo para tal, organizar-se grupos dinamizadores dentro da Associação.
5 - Promover estudos, investigações, publicações, cursos, seminários e conferências que visem os objectivos propostos nos números anteriores.

Destes OBJECTIVOS (que certamente todos conhecemos) destaco em particular o nº 1 e o nº 3 (por esta ordem). São certamente objectivos da maior nobreza se cumpridos com ou sem Assembleia Geral.

Capítulo II

Artigo 5º

Deveres

São Deveres dos associados efectivos:
1 - Cumprir os estatutos e as decisões aprovadas em Assembleia Geral.
2 - Contribuir, mediante o pagamento das quotas, para os encargos e actividades da Associação.
3 - Colaborar activamente para a consecução dos objectivos e fins da Associação.
4 - Participar nas assembleias da Associação e nas reuniões quando lhes for solicitado o parecer ou ajuda.

Destes DEVERES destaco também dois deles: o 3º e o 2º (por esta ordem). Também estes podem ser praticados com ou sem Assembleia e certamente se cumpridos por todos nós farão com que esta Associação se mantenha viva sólida e com fôlego para vencer as dificuldades. Mas uma coisa e certa: O REQUIEN SERÁ INEVITÁVEL SE ESPERARMOS PELO INVERNO.

Obrigado Aventino por não desistires. Espero que o teu doce veneno seja assimilado pelos Associados estimulando os mais distraídos para que também eles participarem quanto mais não seja escrevendo.

Apesar de não vir a ser convocada a Assembleia nada impede que o conteúdo do embrulho dos nossos Estatutos seja OURO EM PÓ, assim saibamos trabalhar nesse sentido.

VAMOS AO GARIMPO!

Um Abraço fraterno

2015-11-02

AVENTINO - PORTO

REQUIEM POR VÓS

                                                                                   I

Lembram-se de BARTLEBY?! Bartleby, o personagem de MELVILLE que navega num dos outros modos da existência: o non facere?

"Preferiria não fazer" repetia Bartheby sempre que se lhe surgia uma qualquer obrigação.

Não fazer, preguiçar, não construir, é um direito?

Não, não é. A cidadania e a nossa condição de gregários impõem-se-nos por sobre a veleidade do abandono.

                                                              II

Vá, vá lá. Os ESTATUTOS  da AAAR estão ao nossa dispor aqui mesmo ao lado deste écran em que escrevo:

artº 4º: direitos dos associados: participar com voz e voto nas Assembleias Gerais.

artº 5º nº 4: dever dos associados: participar nas Assembleias Gerais.

artº 7º nº 4: A Assembleia Geral é convocada...

artº 11º: Funções do Presidente da Direção: velar pelo efetivo cumprimento dos Estatutos (nº 4)

                                                               III

Non facere, "preferir não o fazer", decidir NÃO CONVOCAR a Assembleia da AAAR para a sua reunião anual NÃO está na disponibilidade do Presidente da Assembleia Geral e muito menos do Presidente da Direção. Enquanto tivermos os Estatutos que temos, as vontades dos membros dos órgãos da AAAR não são vontades pessoais. Nem sequer são um poder- -dever. São OBRIGAÇÕES.

O Presidente da Assembleia Geral está, pois, obrigado a convocar a Assembleia Geral em sessão ORDINÁRIA, uma vez por ano. E a Direção está obrigada a promover os meios para que a Assembleia se realize. Se à Assembleia hão-de comparecer 300 associados, meia dúzia ou nenhum, não é mister que eles possam antecipar.

                                                                 IV

Ao longo desta jovem Associação, pareceu-me algumas vezes que havia a tentação de transformar a ASSOCIAÇÃO num grupo de maganos interessados apenas numas comezainas num lugar ou noutro dos mais próximos ou distantes do nosso Portugalzinho. E que essa tentação, à força de tanto tentar, lá se ia impondo por um repasto aqui, um repasto além, esvaziando, assim, lenta e programadamente, essa necessidade de nos encontrarmos e termo-nos como AAAR´s e Associação.

E aí está: como não convocar a Assembleia Geral é o ato mais eficaz para a AAAR "começar a acabar".

REQUIEM, pois, POR VÓS.

2015-10-29

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XIII - Epidemia Vegetal

 

Prometo que não vou derrubar palmeiras. Nem remover o entulho que elas deixam quando morrem. Num caso não é preciso, porque elas caem por si. No outro, que seja a protecção civil a tirar das estradas esses detritos que infectam os espaços públicos. Porém, não quero deixar esta epidemia vegetal passar impunemente à nossa porta, sem manifestar repúdio e denúncia. Refiro-me a essa população infestante, que emergiu há quarenta anos no território nacional, instaurando a mediocracia reinante, a que chamam democracia. Eu não tenho quaisquer saudades dos salazarentos dias que ainda nos couberam em má hora, tendo ido parar às costas africanas, para ceifar searas e vidas alheias. Até nos pareceu que todas as desgraças se abatiam sobre nós. Primeiro foram os dias inquisitoriais do internato. "Ojos en el suelo/ corazón en el cielo". Como toupeiras. Não vendo, não ouvindo, não tendo direito aos quinze anos que a vida nos oferecia. Abstratamente condenados a olhar para o infinito, cheios de sede e de sonhos, amputados nos mais doces ramos de crescimento lateral. 

É claro, as forças da natureza, nunca ninguém as venceu (Gedeão). A seu tempo, saltámos o muro e o prémio de tão arriscado acto foi a guerra das colónias. Nem tempo tivemos para provar os frutos da época, fotografada a preto e branco, deixando no ar um doloroso desejo de circular por esses pomares da terra, rente aos fenos e aos ribeiros. O desejo transformou-se de repente num medonho navio, uma cidade marítima, comandada por gente sinistra e sanguinária. Tão anjos éramos que nem sabíamos as razões, os perigos, a vida a morar ao pé da morte, a mais brutal crueldade rente à maior das inocências. Nem tempo tivemos para fugir. Nem a consciência desse direito e até dessa obrigação. Em contrapartida, sobrou-nos tempo para sermos heróis, embrulhados na bandeira ensanguentada, com aviso de recepção para as famílias nos esperarem num caixote de pinho. Tudo para servir um louco, apadrinhado como um santo pela igreja católica, cuja santidade já nós conhecíamos.

Quis o destino que regressássemos. Andámos por aí aos caídos, mais vencidos do que vencedores, com todo o futuro adiado, com tudo por fazer, como se tivéssemos outra vida depois desta, que assim se gasta imperceptivelmente. O louco pareceu-nos ter caído da cadeira. Isto ia muddar. Não mudou. Outro louco se apressa a substituí-lo e tudo vai de mal a pior. Viver assim tornou-se um fardo para a consciência do tempo. Tínhamos que falar baixinho. Tinhamos que não pensar. Tínhamos que olhar para os lados, a ver se havia sombras sinistras. Não se podia respirar.

Nós fomos apanhados em cheio, especialmente os que andámos em obscuras orações, quando os turcos atacaram Bizânio. Como o poder estava podre, mais roído que as palmeiras infectadas, ele tombou no chão com o vento que passava. Logo a seguir, emerge a turba dos parasitas, disfarçados de gente grande. Falam bem, amam o povo e enriquecem. Os eleitores fartam-se e forçam-nos a sair de lá. Eles, como democratas bem treinados, não se importam. Muito educados, com as contas no banco a engordar, saem com elegância. Mas antes já se promiscuíram com os primos, os cunhados e os sobrinhos. Eles são todos tios e tias. Fica tudo em família. O país começa a derrapar, a não perceber e as pessoas a sentirem as traições. Como é que nos podem enganar se eles falam com doçura, com bondade, com sincera atitude de tomar o poder para que nasça um país novo? A conclusão é triste. A democracia é mediocridade. A pedagogia geral é prometer e depois devagarinho explicar que somos pobres. Isto não dá para mais. Quarenta anos vertidos na areia. Todos os dias os vemos por aí. Sabemos quem são, o que fazem e o que pensam. São uns irrevogáveis trafulhas. De todos os lados. Porque a democracia tornou-os e tenta tornar-nos uniformes e pequeninos. Nivelados pela fasquia mais deprimente da augusta Europa. Gente poucochinha, inculta e igual a si própria, como um todo indiferenciado. Epidemia de palmeiras cancerosas, ornamentando o poder, nesta alameda enlameada, que há há três semanas ninguém remove das televisões.  


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