fale connosco


2010-06-21

Arsénio Pires - Porto

Crónica dum mal-entendido neste calvário da escrita onde ninguém quer crucificar alguém. Muito menos um amigo leal e sincero.

Sinto-me mal. E tenho que falar, não para me justificar mas para tentar entender.

Tudo começou pelo repto do Ricardo Morais feito aqui há dias. Dizia ele:
“O nazismo só ultrapassou a Igreja em quantidade, mas ficou muito aquém nos métodos de tortura e de morte. Proponho a todos  a análise, baseada na história, sobre as causas que, quer no passado, quer nos nossos dias (e aqui discordo do Arsénio ao dar tudo como do passado) levam a tantos crimes, em que nações inteiras, porventura as mais evoluídas, por ideologia ou religião, estiveram envolvidas. O factor comum é que todos são bichos homens.”

Ele propôs “a todos a análise baseada na história” e eu respondi dizendo:
“Para já, quero só combater a forte inclinação que existe para só se falar do nazismo, esquecendo o comunismo nas suas variadas frentes, ontem e HOJE.
O nazismo, ao pé do comunismo o grande embuste do séc. XX (e continua…), passa por uma quase brincadeira não fora tratar-se do extermínio de seres humanos.
Mais tarde desmistificarei também as tais inegáveis misérias que em nome de Deus se cometeram…” 


E dei os números respeitantes ao Democídio causado pelo comunismo, pelo fascismo, pelo nazismo e pelo cristianismo.

O Morais chamou a atenção:
“O autor dos quadros estatísticos trata tudo junto e os mortos por violência no Vietname são todos atribuídos ao comunismo, razão pela que os governos da grande república da América do Norte não consta do quadro, quando ocuparia um dos primeiros lugares se a definição fosse cumprida.”

Eu respondi dando os números de Democídio causados pela América do Norte (EUA), números esses que vêm no mesmo site que indiquei.

Veio a morte de Saramago. E eu disse:
“Sou anticomunista mas não anticomunistas! Não sou, portanto, anti-Saramago.”
Não está nos meus valores ser contra pessoas.Combato, isso sim, as ideias das pessoas que vão contra as minhas. Lealmente. Respeitosamente. Fortemente. Mas tentando sempre ser racional e colocar a emoção fora do combate que nestas coisas de religião e política muito fundamentalismo nos vem da emoção.

E foi por isso que coloquei, hoje de manhã, aquela magnífica frase do Saramago.
Porque, perante a morte, nada justifica que deixemos de nos abraçar. Sempre.

Agora, que são quase 17 horas, leio o mail do Vieira a comunicar a decisão do Ricardo Morais de abandonar a AAAR e as funções de Direcção que ocupava.

Foi como se me tivesse morrido mais um amigo.
Que já vão tantos neste mês!

2010-06-21

manuel vieira - esposende

"Promover a amizade, a convivência, a solidariedade e a comunicação entre todos os associados …"

este foi e é o grande objectivo da criação deste espaço online e convém que assim se mantenha.

Entendo que alguma peleja na discussão de alguns temas aqueça um pouco o ambiente, percebendo sempre que apesar do "adubo" ter sido idêntico na formação das nossas personalidades, as diferenças sejam incontornáveis e a forma como cada um interpreta a vida é suportada em opções que têm várias raízes.

Abordar temas políticos e também religiosos é complicado, porque da conversa se parte muitas vezes para a discussão e daí para o distanciamento/afastamento vai um passo.

Os colegas que se envolvem, também têm de perceber que quem vai à guerra dá e leva e que nestes contextos nem sempre o que se "ouve" é encarado com um sorriso, pese o facto de as reacções fisiológicas estarem ocultas pela distância.

Congratulo-me porque presencio  grande formação em grande parte dos nossos colegas, pelo percurso académico e profissional que desenvolveram ao longo das suas vidas e isso é também um património que engrandece a nossa  Associação.

 Todos percebemos porque vivenciámos, que o nosso grupo se alicerçou sempre no contexto da amizade , indiferentes ao que cada um interpreta como certo nos contextos políticos e de fé.

É verdade que uns interpretam friamente o espírito do guerreiro e outros se fragilizam à mínima estocada, sendo importante nestas pelejas que ninguém deixe a armadura em casa.

Se cada um perceber o que se pretende neste espaço e saber ler a forma de convivência dos seus interlocutores, vamos aceitar com um sorriso de que este espaço é mesmo uma mais valia.


2010-06-21

Arsénio Pires - Porto

Caros amigos e, em especial, caro cotransmontano e amigo de peito, companheiro de tristezas, fome e frio, coração de grande solidariedade e amor, Ricardo Morais:


Morreu o Saramago. Morreu o Maneiro. Morreu o meu amigo António. Morreu o meu compadre Sérgio. À distância dum palmo de dias. Vão morrendo todos à minha volta. Há muito tempo que andam a morrer todos à minha volta.


E sempre que morre alguém de quem gostamos, ficamos mais sós. Até só restarem alguns, poucos, ou quase nenhuns. Então é a nossa vez.


Proponho estas palavras de Saramago que tão bem tratou a nossa língua e algumas inquietudes que nos roem por dentro e por fora.


“Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro.”


Deste Mundo e do Outro, Ed. Caminho, 7.ª ed., p. 216


Também para todos "um abraço com amor".

2010-06-20

Ricardo Morais - Macedo do Mato

Para todos, um abraço com amor

2010-06-20

Arsénio Pires - Porto

Senti-me saudavelmente motivado pelo excelente post do Aventino.
Então, aqui vai ao correr da tecla.

Com Saramago morreu mais um pedaço do pouco que resta do comunismo. E quando morre mais um pedaço de comunismo eu sinto que o mundo “pula e avança”.
O maior embuste de todo o tempo da humanidade, o comunismo, merece finar-se assim. Sem ruído mas irreversivelmente.

Confesso que sou anticomunista! E sou anticomunista como sou antifascista e antinazista. Mas, com muito maior razão sou anticomunista pois este regime revelou-se em todos os sítios, na prática, como o mais profundamente anti-humano pois, à sua responsabilidade, são atribuídos mais 250 milhões de mortos, só no séc. XX.
Sou, pois, anticomunista mas não anti-comunistas! O que é diferente.

Não sou, portanto, anti-Saramago. Penso até que ele foi, como todo o homem de boa vontade, um ansioso pelo eterno, um “tarado” pelo absoluto.
Perseguiu o eterno que sempre negou. Amou o absoluto que sempre desprezou. Talvez por isso eu me atreva a dizer que ele foi um grande crente. Emaranhou-se nos dogmas do marxismo e, até o muro de Berlim cair, ele com muitos dos que agora por aí ainda andam, sempre defendeu  que a URSS era o paraíso terrestre, o sol do mundo, o local onde “os amanhãs cantam”.
O marxismo, transformado em comunismo, ficará na história como mais uma tentativa falhada de felicidade na terra. Falhada porque confinada ao horizonte atrás das nossas montanhas. Falhada porque só teve em conta uma das dimensões do homem. E, mesmo assim, defendida pelo caminho errado: a violência.

E assim se vai finando talvez a maior religião do séc. XX. Cheia de dogmas, com o seu “Santo Ofício” sempre de achas acesas, com o seu pensamento único, com as suas masmorras, com as suas excomunhões, com as suas peregrinações aos túmulos de Lenine e de Estaline e, por cá, até à campa de Catarina Eufémia.

Viva o paraíso terrestre onde a religião é o ópio do povo!
Que bons temas encontraria Saramago para fazer o elogio da “cegueira” que se opôs aos agricultores, chamados Kulaks, que preferiram morrer enfrentando o regime estalinista a aceitar a colectivização das suas propriedades!
Resistiram, até à morte, à expropriação e colectivização forçadas. E Estaline, “sensibilizado” confessou-o a Churchill: “Foi uma luta terrível durante a qual tive que destruir 10 milhões de pessoas. Foi horrível. Durou quatro anos. Era absolutamente necessário (…) Não valia a pena discutir com eles.” (“Estaline, A Corte do Czar Vermelho”, Simon Montefiore, pág. 105).

Paz à sua alma. À alma dos Kulaks, claro!

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