fale connosco


2010-12-17

Alexandre Gonçalves - Palmela

Pois é, meu caro! Invocaste o Pai-Natal, para nos proteger do absentismo. Mas esse sujeitinho anda completamente derramado em compras. E nem consta que tenha secretária. O teu pedido provavelmente nem chegará aos olhos/ ouvidos das instâncias decisórias. O FALECOMNOSCO, que na melhor das horas foi inventado para consolo dos viajantes, é assim desperdiçado, tornando-o um lugar de ausência. Já agora aproveito para uma palavra de reconhecimento ao seu inspiradíssimo criador. Quando me apercebi das óbvias possibilidades que esta iniciativa proporcionouapressei-me a resolver o apoio logístico indispensável. Entrei tarde mas com toda a disponibilidade para arrepiar caminho. Não tanto quanto eu queria. Sou um aposentado que se deita às três da matina e se levanta às nove horas. Não acreditam mas o tempo está ficando curto. Eu estico mas ele encolhe. Garanto no entanto que é raro o dia em que não deito um olho ao Site em geral mas do FALECOMNOSCO não perco nada. Também quero referir-me às sensatas entrevistas que o Vieira tem desenrolado com uma notável perícia jornalística. É um gosto pegar nelas e no fim só lamentar que pequem por serem curtas e poucas. Especialmente a mais brilhante de todas, a que ele chamou de "Auto-Entrevista". Um conceito novo, e uma nova metodologia de autoconhecimento. Parabéns, Vieira, pela maneira como conduzes este combóio pesado que se chama AAAR! Isto não é ar, são calhaus de granito. Mas a paciência é a virtude dos ganhadores. E já ganhaste. Não só porque instituíste os mais aptos meios de comunicação, como também porque estás em todos os momentos onde o diálogo abranda. Instigas, desculpas, dás o exemplo. É uma liderança tanto mais discreta quanto eficaz, tanto mais pedagógica quanto mais os destinatários se enredam nas mais diversas aposentações... Tudo bem. É assim e já nenhum de nós persiste na perversa intenção de salvar o mundo. Nem tudo parece sofrer de absentismo. Desta vez a PALMEIRA deu o salto. Graficamente parece uma donzela a chegar ao mercado amoroso. Delicada na cintura, alguns volumes a mostrarem substância, curvas rítmicas onde se espera que estejam. Grácil, leve e múltipla! Parabéns à equipa técnica! O conteúdo choveu do céu de novembro, onde terá aproveitado os benefícios do RORATE. Diverso, intercontinental, quase sinfónico. Todos diferentes mas todos, e de todos os lugares, fazendo desta PALMEIRA um modelo de publicação específica. Amigos meus de todos os tempos, é a hora de contar. A escrita foi-nos dada a beber quase no berço. Naquela época ainda não sabíamos o sabor dos morangos. Ainda não tínhamos provado o doce veneno do amor. Sabíamos dizer mas desconhecíamos o quê. Agora não há desculpas. Temos o sótão cheio de objectos. Escrever é resgatá-los, compreendê-los e disponililizá-los. Para quê? Primeiro, para nos entendermos a nós próprios. Segundo, para ler o mundo e quem o habita. Terceiro, para entoar ironicamente canções de escárnio e maldizer. Moramos num território ocupado pelo inimigo, cheio de vendilhões e trafulhas. Escrever também é denunciar. Etc. Amigos meus, a associação é uma causa nobre. Protege-nos a memória, respeita-nos a palavra e sabe o nosso nome e a nossa idade. Pede-nos em troca pouco mais do que uma voluntária e suave participação. Que ninguém se distraia! Os dias já não são muitos e nada se repete. "Atentos, disse, estai, que o vento cresce/ daquela nuvem negra que aparece!"
2010-12-16

manuel vieira - esposende

Natal é só nestes dias e é verdade que quase só as crianças o sentem.É outra dimensão, a da ansiedade, dos sonhos, também muitas vezes da frustração das diferenças. Outras vezes da indiferença.

Para os adultos Natal é um arquétipo na definição iunguiana, como constante repetição de uma mesma experiência durante muitas gerações.

Para muitos ele satisfaz ou não conforme os orçamentos confirmados, para outros é um mero cenário profilático onde se desenvolve a crença na figura pomposa mas amiga do Pai Natal, o tal que destronou presépios.

Por falar em presépios, a estrela desafiadora que foi brilhando aqui já fez chegar alguns reis magos vindos do oriente e ocidente  com os presentes da agradável presença e mais virão porque a este presépio iconoclasta todos devem voltar. Claro que falta o Peinado, o Zé Manel Rodrigues, o Duarte de Almeida, o Celso, o Castro, o Diamantino, o Marques,o Samorinha, o David, o Neves, o Nunes, o Eugénio, o Sacadura... bem, é melhor ficar por aqui, pois é aqui que podemos compor o nosso presépio, um presépio vivo e com graça.

Mas Natal é também uma forma de estar, de rever o presépio da família, de onde as figuras primas já não voltam. É por vezes a nostalgia dessa ausência. Pode ser tudo o que nós queiramos, menos o que já foi. Natal dá para sorrir, para chorar, para contestar, para filosofar ... e para estar agora aqui a divagar, também a partilhar. Bem, vou repetir : Natal dá para sorrir... sempre sabe melhor!

2010-12-16

Antonio Gaudêncio - Lisboa

 Não tenho dúvidas de que a minha intervenção não vai ser muito oportuna mas, mesmo correndo o risco, vou fazê-la.

Creio que já o escrevi e o disse em conversas : mas não gosto da época do Natal. Não se deve essa minha posição ao que a quadra se associa mas ao que se passa neste mês em que se finge haver  ( muuuuuita )solidariedade, em que alguns, para aparecerem nas tvs, se armam em benfeitores e de, avental ao peito, vão servir umas batatas com bacalhau aos deserdados e escorraçados da sorte, da sociedade e da vida. ( Nota: muitas vezes esses ditos cujos que vão servir as batatas nem um tostão deram para as adquirir mas adiante ).

Vem isto a propósito da última entrada do nosso mais que estimado presidente ( da AAAR ) quando aplica a palavra " TRESANDA " no seu escrito . No meu ponto de vista, o verbo está correctíssimo e bem aplicado porque o que vemos nestas duas ou três semanas que antecedem o Natal, " tresanda" mesmo, ou seja, cheira mal, deita mau odor etc, etc, etc .

Neste momento, por falta de tempo, não vou fazer considerandos à intervenção do Arsénio que merece faladura. Vou fazê-lo mas daqui a um bocado. Pessoalmente também acho que é preciso mandar, de quando em vez, algum " pitrol" para manter acesa a chama da Palmeira. O interesse é nosso por isso não vale a pena assobiar para o lado. Vamos contribuir!!    

2010-12-16

Ismael Vigário - Braga

Olá,amigos da Palmeira,

Já li parte da Palmeira e nela encontrei textos bem burilados. Alguns que brotam mais da razão, outros caldeados com a emoção/coração. Gostei de ler o texto do Pe. Bernardo, uma boa visitação que podemos ter através de um texto. Um texto é um enunciado que interpela o leitor. Nem todo o leitor. Os textos podem interpelar um leitor e não dizerem nada a outro. Mas os textos da Palmeira vêm ter connosco e  são palavras que nos "beijam" como diz o poeta Eugénio de Andrade.

Gostei das recordações dos natais dos nosos associados. Mas o meu não devia constar na lista. Apenas referi que não tinha memória de nenhum Natal no Seminário e é verdade. Uma palavra honesta. Quando proferi aquele juízo nunca imaginei que o Arsénio o aspergisse na Palmeira - documento ilustrado de todos os escrevinhadores.No meu tempo, a maioria dos meus colegas iam passar o fim de semana a casa, porque moravam nas redodezas. Hoje ,penso que também já havia uma intenção economicista. E penso que os colegas mais antigos, por um lado tinham sorte em poderem ficar pelo Seminário, onde passavam o Natal a fazer teatros, a musicar e a jogar.

Eu morava na raia com Espanha, lá nos quintos, mas era o meu lar, lá também tinha os meus Lares e Penates e era , nessas ocasioões que me refazia e me completava emocionalmente. Também era humano o reencontro com a família e os nossos educadores tudo isso percebiam.

2010-12-15

Arsénio Pires - Porto

Meu querido Pai Natal:

Olá! Como estás? Muito frio na Lapónia? Aqui, nem te digo nem te conto!
E as renas? Oxalá que estejam todos bem e com força para a viagem.
Antes de te meteres a caminho, quero pedir-te a minha prenda.

Olha, vais ficar admirado mas, desta vez, não quero que me tragas nada. Estamos em crise e eu compreendo que tu te vejas um pouco à rasca para socorrer tanto pobre por esse mundo fora incluindo os USA e a Alemanha.
Em Portugal, mesmo assim, penso que não há grande crise! A avaliar pela “moldura humana” que enche os estádios de futebol e pelos pequenos-almoços que a malta do Rendimento de Inserção Social (?) todos os dias mete para a blusa aqui nas pastelarias da zona, ainda faltam largas milhas para chegarmos à Irlanda e à Grécia!
De modos que, não me tragas prenda nenhuma.

Só te peço um favor: A ver se chicoteias os meus amigos e ex-colegas da Quinta da Barrosa para que escrevam qualquer coisa aqui no “Fale Connosco”. Ainda que seja a dizer que “não tenho nada para dizer”!
Nunca vi pessoal assim, sabes? Amorfo, mudo e quedo, fracote, muito foleirote!
Que ao menos falem contra ou a favor, ou que digam mal de tudo e de todos. Que digam que receberam a Palmeira (grátis, à borliú, à gola, sem sequer darem um tusto, etc.) e que nem sequer a leram, “como querem que fale sobre ela?”

Olha, Pai Natal, se vires que não consegues nada, deixa-me o e-mail das tuas renas! Ao menos, essas berram quando as chicoteias!

Inté pró ano.
Xau.

 

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