fale connosco


2010-07-10

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Vieira,  como soe dizer-se, não te metas! Porque tudo isso não passa de desabafos e divagações de um inveterado e lamecha animal romântico, saudoso de tempos que não voltam mais. Poiso o caso é que, ao ler o belo texto do Alexandre a filosofar fininho, pensei comigo mesmo; " …Ai ele é isso? Pega lá  então e apanha com as dunas que, ao menos nelas, sempre aconteceu alguma coisa de palpável e não foi só poesia abstracta e vaga". 

Por outro lado, ocorreu-me que também se deveriam diversificar os temas e os conteúdos pois a poesia, mesmo a que, supostamente, possa esconder algum escândalo, é uma linda maneira de falarmos uns com os outros. A grande maioria dos companheiros da Associação ainda sãobastante jovens e, quiçá, ainda não apreciem muito estes fantasiosos devaneios, mas lá virá o tempo  em que os hão-de valorizar.

Apreciei muito a animação sugerida pelo Arsénio, mesmo descontando as citações a Saramago, personagem que eu não suporto; mas esse, claro, é um problema meu!  

Se o alimento e os legítimos prazeres do corpo nos sabem bem, igualmente estes levezinhos condimentos do espírito nos deverão alegrar. E olhai que eu, destes, tenho muitos!

2010-07-10

Arsénio Pires - Porto

Estou a gostar.
O outro dizia “andam faunos na floresta” mas as musas, decentemente despidas e submissas, não se esconderam e em boa hora inundaram o “Fale Connosco”.

Parabéns aos excelentes textos aqui trazidos pelo Alex e pelo Martins Ribeiro.

Como estamos em maré de poesia, quero homenagear um grande ESCRITOR português enviando-vos  este sítio.

Não percam. Vale a pena!


http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/


2010-07-10

manuel vieira - esposende

Pois é. O Verão tem destas coisas e espevitam as elucubrações concupiscentes onde até a pele ebúrnea da mulher amada se deleita sobre as areias macias de qualquer praia lusitana e os desejos espúrios envolvem-nos como o vento torpe vindo do norte.

E o nosso amigo António de Terras de Valdevez amansa-nos o espírito sedento de voluptuosas formas e entorna sobre nós os descritivos sensoriais que nos levam aos ais, embora isto não devesse ser para rimar como em deleite poético.

E inexoravelmente a temática cai bem neste espaço porque sabe bem e os contornos debroados do objecto imaginário aceleram lentamente o compasso cardíaco.

O "fale connosco" até sabe bem com estes temperos destemperados...

2010-07-09

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Aquele foi um dia sereno, cheio da luminosidade dum céu esplendoroso, calmo e tranquilo na paz do sossego e do isolamento.

E ali me encontrei, nas dunas daquela praia, ao lado da mulher que eu amava; naquelas dunas de areias quentes e macias, naquelas dunas do meu sonho, naquelas dunas do meu encanto, naquelas dunas do meu amor!  E naquelas areias macias e quentes daquela praia imensa e calma fizemos, eu e a mulher que amava, o maior amor do mundo; um amor arrebatado e louco, um amor sem peias e sem fim!

E os nossos corpos nus e belos pareciam gozar as delícias de um estranho paraíso!

O corpo da mulher que eu amava, corpo lindo e terso, ali estava, delicioso como a felicidade, tentador como o desejo, escaldante como a fervura, ardente como o braseiro do nosso apetite.

Era um amor calmo como as pequenas e murmulhantes vagas daquele mar e ao mesmo tempo grandioso como aquele céu aberto e azul que nos cobria, infinito como a extensão daquela imensa praia!

De vez em quando a brisa fresca e suave perpassava ternamente pelos seios da mulher que eu amava, afagando e agitando com lascivo toque as madeixas do seu cabelo. E os raios daquele sol resplendente beijavam e enchiam de luz duma intensa transparência a pele suave e ebúrnea do maravilhoso corpo da minha mulher amada.

E os nossos beijos eram sôfregos e vorazes, os nossos suspiros desconexos e arfantes, o nosso  desejo feito fúria e paixão, o nosso êxtase inebriante e etéreo, a nossa volúpia sem medida, incomensurável, eterna!

E então foi ali, naquelas dunas extensas e sem fim, que eu e a mulher que adorei, nos amamos com delírio, com louco frenesi, sem lei, sem entraves, sem peias, sem fronteiras!

Por isso, aquelas foram as dunas do meu sonho, as dunas do meu amor, as dunas do meu encanto e da minha felicidade!

E aquelas dunas macias e quentes daquela praia imensa e calma foram as dunas que nunca esquecerei, que nunca poderei olvidar; porque nelas amei a mulher do meu deslumbramento, da minha loucura e da minha perdição!

 

2010-07-09

Alexandre Gonçalves - Palmela

"Cada bago de uva sabe de cor o nome dos dias todos do verão." Depois de árduo combate sem vencidos, não podemos, não devemos emudecer. E o tema que me chamou foram os dois versos em epígrafe. Falam do verão, destes dias tão velozes que mal se sente que já vão em cruzeiro de vertigem. Aqui nasce o paradoxo. Por um lado, as horas são demoradas, como se não houvesse urgêncas. Justapomos os corpos lado a lado, na praia, na cama, em frondosos bosques. O tempo passa e vai-se embora, sem deixar consequências. E nem podemos ver, ao fim da tarde, que nada aconteceu. A fala não falou, o amor não teve atenção bastante para amar. E a solidão cresceu por cima das rotinas e dos cansaços. Deita-te na areia que disputaste aos outros concorrentes. Fecha os olhos por momentos e ouve. Um ruído sem nome abafará até o próprio mar. E o dia pára sem razão nehuma. Podes até olhar gulosamente para um corpo que passa. Podes mesmo sacudir hormonas aposentadas. Levantas-te, tens quarenta anos e dás um passeio legítimo na orla da praia. Tudo vai dar a um tédio lento e avassalador. O reverso do outro lado é a consciência penosa de que tudo se está repetindo em vão na vida. O prazo que nos foi dado parece estar a esgotar-se e a agenda não pára de se acrescentar. Ruidosos caminhamos sem ouvir. Olhamos mas não vemos. Somamos anos mas não crescemos em sabedoria(sophia). Movemo-nos entre palavras que não dizem, entre códigos que esvaziamos de sentido. No entanto, as amoras silvestres, o fogo das framboesas, a erótica pele das maçãs agarraram cada dia da sua vida para dar ao verão a doçura da existência. E semearam no abismo do desejo a nostalgia e os delicados contornos do AMOR. Como se fora fé. Como se fora sentido. Porventura o único sentido. Mesmo que tudo isso seja uma utopia, um lugar paradisíaco, algures entre os rios tigre e eufrates, antes da pata americana ter maculado a nossa memória mítica. Dá um nome aos teus dias! Ao fazê-lo, abre o ameno lenho, cobre-o com uma toalha branca e pratica um ócio grego. Lento, para recusar a contagem. Líquido, porque a sede é imensa. Chama os ausentes para o banquete, porque a mesa é de muitos. Se encontrardes um homem sozinho, ou é um deus ou uma besta, mas homem não é, escreverá o velho e sábio Aristóteles. Um sentido para o verão? Talvez! Também somos sazonais. Um encontro não acontece com marcações de agenda. Somos titulares dum ócio contingente. Ninguém o garante e em rigor tem o sabor das coisas íntimas. Nomeia os teus dias e dá-lhes a lentidão que merecem. E derrama sem pena o teu vinho de hoje por sobre toda a melancolia. Desde que o faças atentamente, vagarosamente, amorosamente. Nas vinhas, já os bagos se preparam para setembro. Em verdade vos digo que a terra é muitas vezes um lugar habitável.

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