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2010-10-05

manuel vieira - esposende

Gostei dos escritos do Aventino  e no final aventei-me  a hipótese de ter lido algures o título recente de cinema "adoro-te à distância" em que contracenam Justin Long e Drew Barrymore e que poderá ajustar-se a esta teimosia em não querer tosar cabrito à quinta-feira pelas bandas frescas e límpidas do Vez, mastigando em seco os deleites criativos da soberba arte minhota de bem confeccionar a tenra substância do caprino.

Apontei alguma solidariedade com ele por causa da repetida quinta-feira, talvez por ser véspera de sexta. Claro que também se segue à quarta e esta liberdade de desbunda em qualquer dia da semana desdiz os famosos muros de outrora que continuam a enclausurar mentes mas não os repastos inter reformados dos compromissos.

Como em "adoro-te à distância" teima-se  em forçar a amizade à distância e a parametrizar as datas dos reencontros. Cheira-me a censura à liberdade das quintas, neste caso até poderia ser das sextas não fosse o obstáculo do Peinado.

Se eu fosse o Aventino a escrever ia repetir censura, censura, censura e censura por aí fora em jeito de bloqueio.

Mas estes encontros e reencontros à luz de canecos cheinhos  de  diuréticos do Alto Minho merecem esta prosa pensadora que nunca dispensará os temperos das ervas aromáticas e da cozedura certa das lenhas do forno brando dos lados do Vez.

Numa quinta-feira de 14 venham ao Minho, onde as quintas e as casas apalaçadas reforçam a paisagem e o cheiro dos néctares embebem as artes ancestrais de saberes e sabores incomparáveis.

Venham Aventinos, Diamantinos, Alexandres, Ricardos Morais e outros tais e amesendem-se nas fraldas da serrania verdejante onde os espigueiros proliferam e as vindimas dos verdes espalham já o mosto cheiroso.

É no Minho que as quintas têm mais sabores, sejam de casas senhoriais ou quintas feiras e a quinta que foi escolhida foi a de 14 e os portões estarão bem abertos para os comensais, reformados ou não, mas venham desenfastiados...que deste cabrito não há mais!

 

2010-10-05

Arsénio Pires - Porto

Um Susto para o José Maria Pedrosa

A notícia está na rubrica "Notícias" mas temo que nem todos tenham dado por ela. Por isso peço desculpa mas repito-a aqui.

O nosso colega e associado, Pedrosa, apanhou um valente susto: teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) mas, felizmente, já se encontra em casa depois de ter passado 8 dias internado no hospital S. Francisco Xavier.


Tudo aconteceu próximo deste hospital o que facilitou o seu rápido atendimento e ataque ao AVC facilitando, assim, a rápida recuperação.


O Pedrosa está, pois, totalmente recuperado sem qualquer sequela. Terá, sim, que passar ainda mais algum tempo em total repouso e “abstinência” de quaisquer actividades (inclusive o acesso ao computador).


Ao Pedrosa desejamos a consolidação da sua total recuperação e um rápido regresso, (mas com calma!) às suas múltiplas actividades.

2010-10-04

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Espantosamente pessimista este tópico do colega Aventino. Quiçá eu, por já estar fossilizado ou, como alguém um dia me classificou,  ser do tempo do Afonso Henriques, não entenda bem o simbolismo da quinta feira do nosso companheiro. Porque, reconheço, nesse meu tampo, eram,  possivelmente outros tempos: melhores, piores, não sei. Mas eu, desde muito novo, amei sempre, nunca deixei de amar e só parei já no fim do tempo, no desgaste e no esfrangalhar da máquina. Mas amei sempre: tapado pelas  dunas, escondido atrás das moitas de tojo dos montados, ao calor da  lareira, até em noites de invernia; e não me arrependo. Agora, não preciso de ir aos Arcos porque já estou nos Arcos, terra impregnada de fragrância e lindeza, que não sendo a minha terra  a fiz minha pois nela vivi o melhor do derriço e da aventura. Tudo consumado, presentemente só me resta o cabrito. Cabe-me aqui dizer que ninguém convidou ninguém e tudo o que vai acontecer nasceu dum impulso expontâneo da imaginação e da amizade: os convites estão todos feitos e se o caro Aventino quiser e estiver disposto só nos trará alegria com a sua presença. É numa quinta feira, é certo, mas este dia foi acordado entre todos os que decidiram aparecer. E qual o óbice ou a animosidade contra a quinta feira? É um dia da semana como qualquer outro, tão bom para nascer como tão mau para morrer. Caro Aventino, pelos vistos parece não gostar, mas deixe-me que  fale de amizade, de encontros, de almoços de cabrito, de Arcos de Valdevez, da serra, do mar, de noites oníricas porque, para mim, é o que me resta e que ainda me proporciona uma grande felicidade. Acho que o amigo não deveria virar-lhe assim as costas.

2010-10-04

Alves Diamantino - Terras da Maia

Aproxima-se o dia da imolação,em Terras Altas do Minho,em honra da Santa Convivência. Perante o sacrifício de um animal puro,preparemo-nos,expurgando os maléficos sabores quotidianos. Expiadas algumas convicções, elevemos o pensamento,para a Santa Degustação. Confiai nele,na nobreza proteica,anti-inflamatória e da resistência imunológica da sua carne. Mas o espírito,também se alimenta. Louvemos,as nossas raízes que seivaram nossa vida,formação e personalidade. Levai o breviário – A PALMEIRA - . As sua raízes, em cabeleira, interlaçam orações, credos e memórias. Creio na sabedoria e tolerância da solidariedade. Um Abraço do ex-seminarista Redentorista
2010-10-03

Aventino - Porro

E tu que partes, partes em busca ou buscas-te? Caminhas um quilómetro e outro quilómetro; e um silêncio e uma ausência; e o sonho e uma alegria; e um repasto e um cabrito; e um encontro e um regresso; e uma tristeza e um outro dia; e um novo dia e um outro sonho e um outro cabrito. E tu que partes, partes? E aqueles que ficaram, como ficamos, numa quinta feira, às quintas-feiras não havias aulas era o recreio e o almoço melhor e o dia melhor e uma esperança e o teu pai e o meu e a minha mãe e a tua e nós à espera que nos viessem visitar e o fim do dia e nada, nada, nada, nada e novamente o silêncio e o jantar e as orações e o dormitório. Agora tu lá caminhas para Arcos de Valdevez, convidado, só tu és convidado, só tu és quinta feira, quem é que pode ir à quinta-feira para Arcos de Valdevez? Também eu já quis ir para Arcos de Valdevez à quinta-feira, quando o corredor era ali adiante, lentamente, um passo, outro passo, o gabinete, a chave a trancar a porta, era quinta-feira e lá dentro eu e ele, uma criança, o silêncio,  e o resto. Nesse tempo é que eu queria ir para Arcos de Valdevez, ou para o mar, ou para o mar, ou para o mar, ou para o mar. Nesse tempo o que eu queria era não ir às quintas-feiras, pelo corredor adiante, uma porta, uma fechadura, um trinco e o silêncio. Nesse tempo eu não sabia que havia Arcos de Valdevez, nem Portugal, nem Europa, nem África, nem. Nesse tempo eu amava a minha mãe e o meu pai; eu amava as minhas irmãs e os meus irmãos. Nesse tempo eu amava-me a mim, a criança que eu era e era feliz assim, amando esses que não mais me deixaram amar. Esse tempo era o tempo em que eu ainda sabia o que era o amor. Agora o que eu queria era que não me falasses de Arcos de Valdevez, nem de amizades, nem de encontros, nem de almoços nem de felicidade. E muito menos de quintas-feiras.

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