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2010-10-25

Alexandre Gonçalves - Palmela

Variadíssimos Amigos da Diáspora: Como se comprova pelos comentários aos Sete Magníficos, a associação tem vida e dinamismo. Aquele encontro em Arcos, como outro mais alargado em Macedinho do Mato de há um ano atrás, e muitos outros que se vão fazendo por aí fora, prova que não são apenas aqueles dias solenes e organizados anualmente que alimentam o nosso espírito. Estes gestos espontâneos motivam-nos. Produzem-nos uma alegria tranparente. Acordam-nos uma fala antiga, cujas palavras permanecem intensas na boca e nas atitudes. Ao longo dos dias, viajámos muito, estabelecemos muitas relações. Mas os eqívocos sobejaram e a memória não tomou nota nem dos nomes. Muitas pessoas passaram perto de nós. A algumas até declarámos os nossos afectos, fossem eles quais fossem. Mas veio um vento qualquer do pinhal, soprou e levou para o mar o nome, o rosto e a circuntância da sua presença. Até podemos ter vagas saudades e outros sentimentos. Mas ninguém traz de volta aqueles que o tempo foi afastando. Os que passámos por Vila Nova trazemos de certo modo todos os que lá andaram. Foram anos de aprumo das raízes. Como se tivéssemos nascido ali e no desconforto de tantas ausências nos agarrássemos à vida possível. Como árvores mal situadas que ou se adaptam ou se extinguem. Mas é próprio da vida segurar-se no perigo e inventar recursos imponderáveis. E diga-se com justiça que de entre os muitos que havia o menor não era por certo uma solidária e saudável amizade. Isso, associado a outros factores, gravou-se por dentro em forma de linguagem e de valores. O que se gravava nesse tempo durava, dura e explica a necessidade dos encontros. Note-se que até os ausentes nos fazem falta. E não raro, procuramos por eles. Tudo isto para uma ideia muito breve, que pode ter efeitos de longa duração. O outono avança pela nossa vida adentro. Com a sua doçura portuguesa, a melancolia serena das plantas despidas e este excesso solar do sul. Novembro, um mês discreto mas penetrante, celebrando a nossa idade com sábias sugestões de resistência e confiança. Castanhas douradas, uma fogueira no campo, uma taça de vinho novo a testar o verão distante. Um pouco de gregoriano que parece suspenso no ar, como o que se ouvia no Advento nos corredores do barrosal. Sem o salmo cinquenta, para acalmar a justa fúria do António Luís. É mais ou menos isto o que se promete para o dia treze, sábado, em Oliveira do Paraíso, situada entre Tejo e Sado, das dez às dezassete horas. Bom seria que viessem do Norte e do Sul, do Centro e do Nordeste. Se o rectângulo é tão estreito e se a inteligência política o retalhou em tiras de alcatrão, então não há razões que justifiquem qualquer ausência.
2010-10-20

Peinado Torres - Porto

Bom dia companheiros Como diz o grande cantor portuense PEDRO ABRUNHOSA "VAMOS FAZER O QUE AINDA NÃO FOI FEITO", e eu plagio e digo "VAMOS ESCREVER AQUILO QUE AINDA NÃO FOI ESCRITO" Pois é amigos o almoço- convívio dos Arcos teve duas vertentes : 1ª a retribuição e continuação do encontro que realizamos em Aveiro 2º era também nosso objectivo conseguir a presença do HUMBERTO MORAIS e do ARSÉNIO, por motivos óbvios e de companheirismo. Escrevendo por minha responsabilidade, mas em comunhão com o núcleo duro o MANUEL VIEIRA e o ALEX não estiveram a mais, antes pelo contrário. Daqui para a frente, os TRES MAGNÍFICOS que passaram a ser SETE, vão continuar a pugnar, para que sejamos muitos mais, e portanto se DEUS quiser no próximo dia 13 estaremos em Palmela, como não é Quinta Feira esperamos encontrar lá o nosso companheiro AVENTINO e muitos mais. Li com o maior prazer a crónica do ALEX a respeito do nosso almoço. Amigos e companheiros só quem esteve presente consegue interpretar algumas das passagens deste seu magnífico escrito. Admiro profundamente o seu estilo de escrita, mesmo quando escreve em prosa para mim é um POETA, e ouvi-lo falar é continuar a ouvir POESIA, além do mais convivemos pouco tempo no seminário, mas faz parte do meu rol de amigos-companheiros. Voltarei PS -No próximo dia 13, quando estivermos em Palmela, faz anos precisamente 84 o Rev Padre MANUEL FERREIRA DE CARVALHO, telef 224 899 068 ou 966 417 040. Foi nosso professor e educador, meu amigo ,que não só me casou como celebrou as minhas bodas de prata.
2010-10-19

manuel vieira - esposende

 

Para os que queiram enviar uma carta ao Padre Henri, aqui fica o endereço:

Padre Henri Le Boursicaud

 Comunidade de Emaús Vila Velha
Rua 23 - Casa  06  -  Conjunto Polar
Barra do Ceará
CEP -  60347-690  FORTALEZA
BRASIL

2010-10-19

Alexandre Gonçaves - Palmela

Outono de ouro verde em Arcos. Já toda a gente lá esteve um dia, provavelmente como quem passa. Ruas limpas, arborização luxuriante, restauração excelente. Sentar-se à mesa, afogar-se em vinhão e retirar-se no conforto obscuro dum ventre recheado. Havemos de cá voltar, diz ele abundantemente para ela. Mesmo que isto já seja motivo bastante para esta viagem, é preciso dizer com justiça que é pouco demais para um encontro tão doce, tão ecológico, tão intensamente simples. Trata-se dum filme original, com argumento, realização e produção dum clássico da nossa cinematografia amorosa. No auge da sua criatividade, Ribeiro deixou os actores à solta, explorando cada um o seu talento, o seu ritmo, o seu texto. Isto não foi passar por Arcos. Foi penetrar nos seus segredos, beber os aromas da paisagem, entender o silêncio conventual dos granitos. De rua em rua, de igreja em igreja, de memória em memória, o guião foi sendo executado com perfeccionismo e ternura. Comecemos pelo ALVARINHO, sem complexos nem hesitações. Após breves degraus, há uma porta larga cheia de luz e da serena presença da Dona Conceição. O alvarinho acena de longe, como quem diz: venham para aqui. Tenho tanta sede de vós quanta vós tendes de mim. Apoiem-se no presunto e devorem-me com a urgênciqa que a minha frescura reclama. Assim foi. Os actores sabiam de cor o papel e o desempenho foi notável. Porém, as paredes, as mesas, os móveis sequestraram-nos de tal modo o olhar, que se tornou difícil dar ritmo àquela cena. A Dona Conceição, com um jeito específico de intuição e gosto, fez daquele espaço um lugar afectivo e lento. Uma espontânea exposição diversificada de retratos, louças e outros objectos simbólicos trouxe para a sala pessoas e costumes de outras épocas, numa harmoniosa mistura com tempos recentes. Parecia até que os ausentes tinham ido ao café e não demoraria o seu regresso. Ribeiro, gestor titular de todo este universo familiar, era um homem feliz. Foi então que nos conduziu por ruas e largos, miradouros e monumentos. Destes, não pode ser omitido o nome do Delfim e da sua tasca aristocrática. Os grandes do Reino marcaram presença e deixaram sinais. Tudo ali é memória. O condado bracarense está todo plasmado nas paredes e prateleiras. Delfim sabe disso e não demorará até que acorde na concertina todos os ranchos minhotos de que há memória. Enquanto as malgas se derramavam pelas gargantas abaixo, levantou-se uma onda sonora que perturbou os pés e os corpos dos actores. Seria difícil adivinhar as consequências se o elenco fosse misto. Eternamente proscritos do paraíso, estamos condenados a que nenhuma filha de Deus nos ofereça maçãs enquanto duramos. Enfim, o guião não pára e o realizador dá as últimas indicações. Agora é a cena do cabrito. Tudo decorre na perfeição. O verde tinto esclarece as dúvidas que possam ter surgido, tal é a luz que espalha na sala. Uma espécie de poeira simultaneamente dourada e húmida, que solta a fala e a alegria. É então que começa a palavra e se manifesta a glória dos mortais. Como era previsível, o FIM de "OS SETE MAGNíFICOS" coincide melodramaticamente com Romeu e Julieta a mergulharem num açude rural. Julieta, mais doce do que os marmelos de que é feita, morre desamparada na boca voraz do tosco Romeu. Como todas as histórias amorosas, também esta teria de acabar mal. Não por culpa de Ribeiro, mas pela natureza perversa das coisas. Concluindo, num dia assim o espírito levanta-se por sobre a miséria dos dias e clama por uma onda de vitalidade que vá de norte a sul e do poente às viçosas terras do nordeste. Pontes e vias rápidas para chegarmos a qualquer lado, eis o programa decretado em Arcos para a próximas épocas!!!
2010-10-18

manuel vieira - esposende

Pois é. Só os ausentes perderam pois a vila dos  Arcos de Valdevez soube receber muito bem este agradável grupo, bem por culpa do Martins Ribeiro que esmerou o dia.

Ouvimos a concertina do Delfim,entre as largas dezenas que expõe na sua tasca afamada (consultem o Google) e onde se provaram petiscos aveludados pelo tinto verde da malga. O Alex e o Peinado exibiram danças de malhão e depois corremos melhor algumas ruas magníficas da Vila onde apreciamos um património construído rico.

Antes o Ribeiro recebeu-nos em sua casa com um Alvarinho de uma macieza fresca e fatias de presunto a atenuar a graduação daquele verde das quintas de Monção.

O almoço foi no Alto da Prova, quem entra nos limites dos Arcos vindos de Ponte da Barca e a ementa reforçou a fama do cabritinho da região, acolitado pelo "vinhão" de quinta, de um negrume fresco e doce acidulado  a marcar o branco porcelanoso das malguinhas.

As entradas eram variadas e atractivas a incentivar ao repasto.

As travessas do cabritinho com batatas gulosamente temperadas assumiam o travo no ponto e acompanharam-se de um arroz solto e sápido.

As sobremesas de referência regional e o champanhe bruto Laurent Perrier do  cardápio de oferendas do nosso Diamantino, remataram um almoço requintado, que o meu escrito não soube certamente transmitir em pleno os perfumantes sabores.

Conversas foram aos montes com o Alexandre a desenhar o enredo concupiscente de percursos de um jovem encantado, que o penalizaram à mesa pois comendo foi o que menos comeu, tanto falou.

Lá longe, o nosso amigo Davide estava inquieto pois sabe que no Alto Minho se cozinha bem e recebe ainda melhor e telefonou aflito para que não restassem sobras.

Um dia bom, muito bom,  sob o olhar afeiçoado do Martins Ribeiro, a quem agradeço honrosos momentos e amizade e aos restantes colegas pela convivência muito amiga que tornou o tempo curto.

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