fale connosco


2020-12-22

Gaudêncio - Lisboa

Já vimos que o Aventino sobreviveu e que o Pe Faustino se finou mas, entre estes dois actos de vida, surgiu, no site, supostamente escrito por um ex-colega cujo apelido é Vilas Boas, um texto deveras interessante que me intrigou um pouco.

Apesar de umas quantas expressões típicas nos quererem convencer que o autor vive no Brasil, alguns momentos do texto exibem uma ironia fina,   "queirosiana " que me pareceu familiar e muito própria de uma certa pessoa conhecida. 

A minha memória já foi mas, mesmo assim, dificilmente aceito não me recordar de tal Vilas Boas nos corredores da Barrosa, pelo que, mesmo correndo o risco de ser desmentido, de ser injusto e outras coisas mais, para mim, o texto, excelente texto,  deve a sua paternidade ao nosso muito querido e estimado  amigo, Adolfo José de Barros Esteves Pereira, o nosso Adolfo, que tem o privilégio de " andar pastoreando ", pelas faldas da Estrela, um rebanho de ovelhas e solidões.

Só lamento, meu caro Adolfo, é que, apenas de quatro em quatro anos, surjam textos teus. Podias ser mais generoso e encurtar os prazos ?............ É que nós precisamos de coisas destas para ir sobrevivendo..........

Citando o Zeca (Afonso ) quero-vos dizer que : "nem tudo o penso digo nem tudo o digo penso" mas espero não estar enganado no que afirmei nem estar perante um fenómeno igual ao que nos surpreendeu, há uns anos atrás, com um célebre interventor chamado «J. Marques» que nos intrigou meses a fio.  

2020-12-21

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

     

 

 

 

                           Após muito tempo esquecido

                          Eis que retorno afinal

                          Para fazer o que é devido

                         Desejar a todos feliz Natal 

 

 

                              Abraço .

2020-12-13

manuel vieira - esposende

Caro amigo,

dizem  que este ano o Natal vai ser diferente ...e por estar a aproximar-se esse dia festivo, aproveitei  para escrever mais cedo, fazendo uso do confinamento e outras restrições que vão condicionando  o  nosso dia a dia .

Temos claramente consciência dos tempos que vivemos e da forma como os devemos viver, num comportamento preventivo a que não deverá ser estranha a nossa experiência de vida.

E por ser uma festa da família com tantas e tantas tradições, vamos dar-lhe a energia contagiante e reforçada que compense eventuais ausências, com a certeza que oportunidades de abraços virão .

Conta com o meu abraço amigo e festivo, desejando-te e à família o maior conforto natalício, com saúde e felicidade. Estendo esse abraço festivo ao novo ano, que queremos bem melhor,

Manuel Vieira
2020-12-13

manuel vieira - esposende

O Osório ligou-me há minutos a informar que faleceu hoje o padre Faustino Ferreira, nosso ilustre companheiro em vários Encontros, um homem afável e de espírito aberto que encontrou em nós um grupo muito recetivo.
O padre Faustino viveu muitos anos no Seminário de Cristo Rei, onde foi professor de muitos de nós.
O seu funeral será na próxima terça feira, embora ainda não seja conhecida a hora.
Paz à sua alma...
2020-12-12

Adolfo Pereira - Guarda

 

(Texto da autoria do colega Vilas Boas , que vive no Brasil):

Eu pecador me confesso…

Como, no tempo da Barrosa, não resisti à tentação e o mais que houve.

 

Manda a Santa Igreja que todo o cristão se confesse uma vez por ano, ao menos. Obedeço, antes que o ano acabe, pois não o fiz no tempo pascal. Mas esta quarentena pandémica é uma quaresma sem fim. Não se sabe a quantas se anda. Para nós, já com alguma idade, o Natal não é Natal como a Páscoa já não foi Páscoa. Enfim… regressamos à idade das cavernas. Bem vamos indo, se o jimbo não faltar... E fora da caverna, temos de ter açaimo na boca, o que muito confunde estes cães brasucas, sempre muito afetivos e amigos do dono, ao ver-nos assim.

Mas se me confesso publicamente é para que vendo meus erros e suas nefastas consequências, nunca, nunquíssima, façais o mesmo nesta ou noutra vida. E também porque quero deixar alguma esperança mostrando que do mal se pode também tirar algum bem, se refletirmos um pouco.

Na alma há momentos determinantes de toda uma vida, momentos de não-retorno. Foi o que se passou comigo.

Saudosa Barrosa, ó que remanso de paz e felicidade! Os dias eram sempre sereníssimos. De dia no ameno bosque víamos o ciclo da Natureza, à noite olhávamos para as estrelas e assim nas mãos de Deus a noite era de um só sono. Tínhamos já deixado para trás o tempo dos cafunés. Bandeirantes desbravando selvas duma doce adolescência, a nossa vida decorria entre folguedos, o estudo sério e o louvor a Deus. Bem protegidos do mundo não pelos altos muros, mas antes pela muita sabedoria e não menos santidade dos nossos bons mestres. E por falar em santidade devo dizer que a devoção e a espiritualidade reinantes eram elevadas. O salão, após a Missa do Galo, estalava com os nossos gritos de alegria pelo nascimento de Jesus Cristinho e na Semana Santa naqueles intensos retiros chorava-se pela morte do Salvador. Se o meu tio Gregório nos visse ficaria edificado. Para qualquer um de nós seria inconcebível aquele ditado tão em voga aqui no Brasil, tanto na favela, como no boteco: Não há coisa mais bonita/ do que chegar à igreja e encontrar a missa dita!

Logo no meu primeiro ano, meados da década de 50, ocorreu um facto tão transcendente, embora acabasse esquecido, que poderia mesmo, sem dúvida, mudar o curso da História. O nosso colega Machado que era de S. João da Ponte (Taipas) foi agraciado com uma aparição de Nossa Senhora. Minha nossa! Vejam só! Claro que Nª Sr.ª concede esta graça a quem quer, como quer e quando quer, mas pelo histórico vê-se que escolhe sempre os inocentes, humildes e simples deste mundo. Era assim o nosso colega. Um cara bacano, nada pábulo, parecendo até por vezes um tanto mané. Mas compulsivamente irrequieto o seu nome constava sempre nas cadernetas dos vigilantes e naquelas sessões da sexta-feira à tardinha, onde o Diretor, P. Ibañez, escalpelizava as faltas cometidas durante a semana, ele era sempre sistematicamente um dos mais massacrados. Mas aceitava estas humilhações constantes com humildade e resignação. Ensinar os ignorantes e corrigir os que erram são obras de misericórdia dignas de louvor, mas o Diretor de então, demasiado bem-intencionado, exagerava, por falta de pa-ciência e essa correção fraterna já de fraterna pouco tinha. Nisto os vigilantes tinham culpas no cartório, porque detinham o poder de fazer denúncias, sem a preparação exigida. Claro que eles e os amigos nunca entravam na festa. Felizmente que o Diretor seguinte, o P. Madureira tão querido por todos, sem exceção, acabou com tais práticas. Mas continuemos.

Mal a aparição se tornou conhecida, logo interveio o Diretor, mas fê-lo com tanta falta de tato e de paciência ( que, como o nome indica, inclui a ciência ) ameaçando e aterrorizando o nosso colega que, ante tanta pressão e tanto stress e até chacota de alguns, não aguentou, acabando por recusar-se a assumir a responsabilidade e o papel de vidente, e pouco tempo depois deixou a Barrosa, levando consigo a verdade do que realmente se passou. Claro, se ele tivesse tido mais coragem e o P. Ibañez mais pa-ciência, hoje a Barrosa seria um lugar de culto e até de peregrinação e onde Deus seria mais louvado. Eu não culpo o cara por não aguentar, porque também eu sucumbi à tentação, no final do meu 3º ano, como passo a confessar.

Quer fosse por inspiração divina ou por um sábio conselho de algum dos nossos mestres sempre atentos ao nosso crescimento espiritual levei para férias um livro de Santo Afonso, nosso Pai e Fundador, cujo título, ao certo, não recordo bem, era mais ou menos Prática de amar a Jesus Cristo.

Comecei a lê-lo, claro. Só que não sei o que se passou em mim. Foi como se uma garoa densa me obnubilasse a mente, anulasse as sinapses.  Ainda aguentei umas quantas páginas. Lia as palavras, percebia o significado, já da frase vagamente captava alguma coisa. Dos parágrafos nada entendia mesmo e do seu encadeamento nem vale a pena falar. Qualquer um de vós teria dito logo uma jaculatória ou o célebre Vade retro sempre tão eficaz. Eu não, o Inimigo venceu-me. Não reagi. Pus o livro de parte. Sabia que ali naquele livro, de um dos 4 Doutores da Igreja de então, estava o caminho divino e o respetivo alimento espiritual. Sabia tudo isso, mas não resisti à tentação que me bloqueou. E cedi, estando eu na adolescência em que o nosso espírito, segundo uma comparação freudiana, é como cimento fresco onde tudo o que aí é gravado se internaliza. Tivesse eu assimilado e introjetado em mim toda essa sabedoria divina e hoje eu não seria este caipira que se vê obrigado a vender o almoço para comprar o jantar, como por cá se diz.

Os meus passos seriam de gigante. Não teria de andar, como agora, sempre a consultar mapas e a interpretar os sinais de trânsito para me orientar um pouco na vida sem me esbarrar ou andar em círculo, que é o que me acontece, ou cair em qualquer buraco.

Minha nossa! O que eu fiz! Nas aulas de Latim tínhamos traduzido aquele célebre texto de Stº Agostinho em que ele ouviu aquela voz Pega no livro e lê! Ele leu e os seus erros acabaram e foi Doutor da Igreja. Eu, com o livro aberto, não li e os meus erros começaram. Minha nossa! Troquei a sabedoria divina do nosso Stº Pai e Fundador por veneno. Pois daí a nada atirei-me à Morgadinha dos Canaviais e de seguida As Pupilas do Sr. Reitor, puro veneno. Direis vós: Não, cadê o mal? Se J. Dinis é todo inocência, leveza e idílio, cadê o mal? Nada mais falso, é que com vinagre não se caçam moscas. Platão, sem dúvida, o teria logo expulso da Cidade, pelo mal que dele advém. Está para os nossos avós como as telenovelas de hoje, até era publicado em folhetins. Apenas leva à ilusão, ao adormecimento e prisão da consciência impedindo-a de crescer, tal como as sereias quiseram fazer com Ulisses.

Enfim, troquei um Dr. da Igreja por um reles J. Dinis. Que brutidade! Como a minha tia Vicenta dizia Quem não tem cabeça não precisa de chapéu! É bem certo. Só que os meus erros não acabaram aqui.

É que, interrogado mais tarde sobre o que achara do livro, fui pego de surpresa, com tal cutucada. E mais uma vez cedi à tentação, menti, não confessei a verdade. E assim perdi uma outra oportunidade de regressar ao bom caminho. Que respondi eu? Ocorreu-me dizer que o livro era engraçado, mas num ápice vi que chamar engraçado seria um pouco ofensivo para um Dr. da Igreja. Optei então por um termo mais abrangente, disse que o livro era “interessante”. O que não me serviu de nada. Fui severamente repreendido, pois a resposta que eu deveria ter dado era “ É verdadeiro!”. Safei-me, mas não gostei nada. Hoje sei que foi a maior, a melhor e quase única lição sobre arte, ciência e vida que me foi transmitida.

Isto porque num bate-papo com a minha tia Vicenta, que muito privou com o nosso Agostinho da Silva aquando da longa estadia dele aqui no Brasil, falando-lhe eu desta cena, ela logo me fez ver toda a sua profundidade. É que tudo se reduz à verdade. Daí que, não parece, mas arte, deus, homem, mundo, ética são praticamente a mesma coisa. Perante a verdade não pode haver gostos, interesses, opiniões, religiões etc. Ela é a casa do ser e qualquer criação tem de partir dela, no sentido heideggeriano de desocultar, ir ao ser das coisas. E também de remeter para ela. Se o poeta é um fingidor, na aceção de Pessoa, o seu fingir é apenas para tornar mais verdadeira a verdade, tal como o cientista vai ao real para dele extrair ou revelar a verdade nela escondida. A criação é uma epifania, também a vida o é. O sentido do ser e o amor é a verdade. O absoluto que nos é dado. A minha tia mais uma vez tinha razão.

Neste momento acho que o nosso Santo Pai e Fundador deve estar a rir-se de mim naquele seu costumeiro ar de bondade bonacheirona e um pouco sapeca até. Pois ele sabe que da sua obra nem tudo está perdido em mim. As Glórias de Maria que nos eram dadas em colheradas à noite juntamente com a sopa e às vezes Ceregumil ou óleo de fígado de bacalhau, naquela extraordinária pedagogia de alimentar simultaneamente a alma e o corpo, ficaram gravadas profundamente em mim, nesse arquétipo da alma. Ela, como divina que é e como mãe que não nos abandona nunca, vai-nos guiando pelos mares nunca dantes navegados do inconsciente. Tem razão o nosso Santo Pai e Fundador: De Maria nunquam satis. Umas vezes Estrela dos Navegantes, outras Caçadora a matar os animais selvagens acoutados nas selvas mais profundas no nosso interior, Senhora da Procura é caminho dos que querem o caminho, luz dos que querem luz. Vida dos que precisam de vida e Morte dos que precisam de morte, tem mais que mil formas. Virgem, mulher e mãe, perante Ela cesse tudo na Terra e nos Infernos, pois as nossas eternas mulheres entre as mulheres (M. Torga) não passam de meras e pobres sombras suas.

Que supino néscio eu fui, minha nossa! Pôxa vida! A ignorância servir-me-á de desculpa? Lembro-me agora que o meu tio Gregória falava de mudança de paradigma, da psicologia do desenvolvimento de Erikson e de crises de crescimento. Dizia ele até que um homem nunca pode ter os pés sempre bem assentes na terra, porque, nesse caso, nunca poderia tirar as calças. E ele sabia o que dizia, era um homem de muito basto saber. Enfim… Seriam crises de crescimento todos os meus erros? Que seja o Senhor a julgar-me. Rogai apenas por mim, leitores caríssimos.

Entrando agora nos finalmentes, sabei que o Atlântico por muito grande que seja não me separa de vós, estais presentes muito no meu coração.

Que a Senhora da Aparecida tome em braços o seu Jesus Cristinho, que é todo amor e carinho e nos abençoem ambos. Que encurtem esta quaresma e nos protejam destes Covides peçonhentos.

E vós sede felizes. Recebei um abração deste cavernícola

Villas-Boas

PS 1. Como a receita para o Covid que o Bolsonaro vem defendendo é uma patacoada, e por poder vir a ser-vos útil, enquanto uma vacina futurante não chegar, aqui deixo uma receita já centenária de um xamã guarani: Um copo de cachaça em jejum com 3 figos secos (sic). O amigo que ma deu não sabe se atua contra o Corona, mas garante que lhe tem matado toda a bicharada peganhenta. Nunca a apliquei. Mas para o síndrome da caverna, sim, posso garantir: quando me ataca dou-lhe logo uma cutucada com um cálice do nosso Porto que o afasta por bastante tempo, se não for uma zurrapa. Este remédio era o usual do nosso Teixeira de Pascoais, só que ele acompanhava o Porto com pão-de-ló de Margaride.

PS 2. Olhai agora para o Menininho de Belém. Não O vedes confinado e refugiado numa caverna? Eia, sus, trogloditas! Corações ao alto! Sejamos, portanto, coraçudos e muito amorudos e aguentemos firme este “solitário andar entre as gentes” que, segundo o sábio Camões, é uma marca do amor e avivemos esse fogo interior “que arde sem se ver”, que é o nosso Sol da meia-noite.

E mais não digo.

Muita saúde. Que este estranho viver de açaimo/máscara não apague o nosso riso nem o sorriso. Saibamos que tudo quanto possa acontecer fora, nunca, nunquíssima, será superior à nossa alma.

Um santo e feliz natal são os votos deste cavernícola do fim do mundo

Villas-Boas

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