fale connosco


2018-08-26

AVENTINO - PORTO

DIA 07 (SETE) DE SETEMBRO DA ERA DE CRISTO

 

Cá vos espero, alterando-se a minha proposta no seguinte:

1. a receção será às 20,30 horas para se satisfazer o interesse de todos.

2. sim, haverá comida e bebida.

NOTAS:

a) que ninguém traga NADA a não ser A SI PRÓPRIO, todo, inteiro: "sê todo em cada coisa" (Fernando Pessoa).

b) há três quartos disponíveis mais dois sofás cama para quem, proventura, queira pernoitar.

c) por questões de privacidade (há estranhos que têm vindo a este nosso "Fale Connosco" coscuvilhar o nosso pensamento e os nossos dados pessoais) enviar-vos-ei uma SMS com o número de polícia da minha casa na Rua Marechal Saldanha, no Porto.

d) estão já inscritos: Arsénio, Castro, Manuel Vieira, Assis.

e) Vá lá INSCREVAM-SE, por aqui, por sms, por telefone, por e-mail para: aventino@aventinos.pt

2018-08-08

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

Num lugar de mau caminho

Tão alto que toca o céu 

Mora a S. ra do Minho 

Essa linda minhota 

Uma Santa tão marota 

Que usa lenço no lugar do véu  

 

 

 Aquele abraço  

 

      Zé Lamas  

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2018-07-31

alexandre gonçalves - palmela

 

 

HORRESCO REFERENS - I

 

 

 

 

Denique! Finalmente, o esplendor da ÁGORA, abandonando os morros de Atenas e descendo à planura das instituições, onde todos os acontecimentos se tornam visíveis pela transparência da palavra. Parabéns, Aventino! O método resultou. O tertulianismo tardo-gótico renasce das cinzas, com ou sem reunião marcada. Confesso a minha rendição e ardo incrivelmente para que este praça seja tão ruidosa quanto o necessário para repelir os ataques galopantes da peridosa "demência". Gloriosas saudações a todos os delinquentes!

 

 

Meu amor de antigamente! Eu nunca me perdoei aquela escolha. Ainda hoje estremeço quando lembro a véspera daquela páscoa. Altas horas da noite, nas imediações de um olival, na cumplicidade de um luar frio. Clandestinamente, como quem rouba chocolate. Tu depões o teu amor molhado e virgem nas minhas mãos. Tu suplicas. Tu tremes. Eu não resisto, dizes. As tuas lágrimas colaram-se às minhas e juntas deslizaram pelos nossos corpos genuínos. Não vás, Alberto! Pelo teu Deus, em quem não crês. Pelo meu Deus de catequese, que nunca levaria meninas da minha idade para o inferno. Eu, cheio de uma força postiça: tu não entendes. Não queiras entender! Não compliques mais. Eu quero mesmo ser padre.

No domingo, era a grande festa. Para mim, foi sempre uma páscoa triste. A mãe-igreja punha nisso toda a solenidade. Eu sou o ensaiador. O coro são duas ou três vozes masculinas. O resto são as mais belas moças que Deus fez para cantarem nas celebrações. Quem o garante é minha mãe, que ignora em absoluto os meus desejos. E a multidão dos meus pecados. O Sr. João teles e a ti Gracinda, que vigiam a minha vocação, também garantem que nunca houve em Sto Amaro um seminarista tão dotado para a vida religiosa. Durante a missa, consegui fazer passar a imagem de um jovem sereno e seguro. Mas no coro estavam os olhos e a voz da Susana. Dezoito anos blindados, notas brilhantes e entrada no próximo ano em Medicina. Cabelos cuidados descendo com inocência pelos ombros. Um rosto de mármore sem costuras. E uma boca de frutos vermelhos, por onde a encandeante brancura dos dentes mordia sem esforço a pureza do canto. De repente, tudo o que eu dissera na véspera era mentira.

Que faço eu aqui? Que farei eu no outro lado? Quem me pôs neste incêndio? Os olhos dela derramam um rumor de lágrimas. E uma absoluta inocência de quem nunca mordeu as maçãs bíblicas. Eu tinha adaptado um espiritual negro, com letra minha, apelando para a glória e o vigor da se ser jovem. Juntei-me ao grupo dos rapazes para fazermos duas vozes, de belo efeito sonoro. Era o cântico final. Êxito retumbante. O pároco gostou e agradeceu em público. Susana olhou muito e sorriu. E eu gaguejei para dentro de mim. "À noite"..., disse-me ela em segredo.

Depois da ceia, Sto. Amaro é só silêncio. Saio de casa, vou por uma vereda sonâmbula e ao fundo é outra vez o olival. Um pouco de lua torna inverosímil qualquer encontro. Ela viu-me pela janela. Dá a volta. A noite arrefeceu ligeiramente. O abraço é inesquecível. A vida inteira não cura esta ferida. Sempre vais, diz ela. Sim, sempre vou, digo eu. Na camioneta das dez. Encostou o rosto e os longos cabelos ao meu ombro. Chorou até não poder mais. Depois, como quem avisa de que alguma coisa ficou por esclarecer: vais esquecer a quinta da ribeira? Os juncos, os amieiros?E as amoras do verão passado? Eu disse apenas, com alguma secura: podes ajudar-me a ir embora? E quanto a lembranças, veremos quem esquece primeiro! A lua deixou subitamente de nos proteger. Parecia mãe e agora é pura sombra. E a noite caiu como um pesadelo em cima dos nossos corpos destroçados. Dei a volta com ela pelo outro lado da casa. Ruas vazias. Solidões de pedra. Numa esquina da rua direita, disse-lhe em jeito de conclusão: até aos meus vinte cinco, foste tudo o que de bom me aconteceu. Apesar disso, não tenho forças para ficar mas também as não tenho para partir. Eu não sou ninguém. Sou um embrulho bem embalado, para despachar pelo correio. Eu não queria sentir este horror, este frio de partir ficando, este gelo de ficar partindo. E esta angústia de to dizer, como se me quisesse justificar. Não tenho um pingo de fé. Mas se eu der o jeito, serei padre, como outro qualquer. E se for dando o flanco, até me fazem chegar a bispo. A hierarquia eclesiástica não precisa de talento nem de santidade. Não te repugna esse risco?, interpelou-me ela. Sim, repugna, mas eles despojaram-me da consciência, disse eu com raiva. Verteram-me num molde, como se eu fosse de plasticina. Fui cozido no forno em lume brando. Agora antes quebrar do que torcer.( Uns minutos de silêncio insuportável). Os teus dezoito dão passos certos, com rumo bem definido. Vais chegar cedo a qualquer lado. Os meus vinte e cinco não têm para onde ir. Estão sem passado, sem presente e bem perto de sepultarem o futuro entre muros medievais. Disseste que eu era livre. É essa a minha imagem de venda e de hipocrisia. Sim, sou livre. Por fora, como um pregador. Por dentro, como um fardo, a despachar num comboio de mercadorias.

Susana ouviu-me e teve pena de mim. A noite gelou. Esta páscoa é amarga, como veneno. Despedimo-nos num outro abraço, que deixava janelas e portas abertas. No dia seguinte, a camioneta bufava de cansaço. Subi e olhei para trás e para cima. Susana foi a casa de uma tia para me ver partir. Vejo-a agora acenando e fazendo gestos que perduram. Os cabelos inclinados, como lianas, vão-me prender para o resto da minha vida.

 

 

 

 

2018-07-30

Arsénio de Sousa Pires - Porto

SIC TRANSIT… MA NON TROPPO

 

O Aventino abre a porta

e nós iremos entrar.

Embora andando perdidos,

agora iremos unidos

prontos pra filosofar.

 

Na nova Escola de Atenas

quem nos livrará da fama?

Só nos resta despertar,

pois são lentos a acordar,

os infiéis da mourama!

 

Comeremos, beberemos

do que levarmos prá mesa.

Se dum Simpósio se trata

falemos todos à farta

do que não temos certeza.

 

O tema deve ser dado

antes da nossa reunião.

Só tem direito a opinar

aquele que antes suar

em profunda reflexão.

 

Desde já marquemos data

Para o nosso ajuntamento.

É que as férias já aí estão

e, quer queiramos ou não,

delas nasce o esquecimento!

2018-07-29

Aventino Pereira -

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

Meus caros GAUDÊNCIO, ARSÉNIO  e CASTRO:

A vossa grandeza e generosidade chega para preencher o UNIVERSO desses encontros que aí virão. Nessa sexta feira anunciada, à hora que for a vossa hora, tereis as portas abertas para o grande banquete da nossa ignorância.

Sim, haverá pão e vinho, cajado e albergue e, chegada que seja a hora da partida, nesse dia ou em qualquer dia dos que sobrevierem,

cantaremos "Tejo que levas as águas/correndo de par em par/lava minh'alma de mágoas/leva minh'alma pro mar. (ADRIANO)


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