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2010-12-17

manuel vieira - esposende

“Entremos apressados, friorentos,

numa gruta, no bojo de um navio,

num presépio, num prédio, num presídio

no prédio que amanhã for demolido…

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos e depressa, em qualquer sítio,

Porque esta noite chama-se Dezembro,

Porque sofremos, porque temos frio.”

Escrevia assim David Mourão Ferreira sem perceber então, que muitos dias depois, sob o fantasma verde de uma palmeira algures plantada, se reforçava o toque do “entremos”, “entremos” e até o Alexandre Pinto, sob a penumbra altiva do castelo  de Palmela também martelava “entremos”, “entremos”.

Acabei por entrar eu outra vez, não que não tenha mais nada para fazer, mas sobretudo porque me passaram pelas órbitas os versos ligeiramente estridentes do poeta e em jeito de partilha resolvi encostar-me à varanda para ver se alguém passava e desfraldar o poema neste recanto.

Será que este frio inóspito (já pareço o Martins Ribeiro com as palavras caras) me intimou a repetir presença neste espaço aaariano?Até acredito que sim e isto porque sou um homem de fé, bem ao contrário do nosso colega J.Marques que se fundiu em gelo e contrariamente à crença sebastiânica, desapareceu numa noite de cruel nevoeiro.

2010-12-17

Alexandre Gonçalves - Palmela

Pois é, meu caro! Invocaste o Pai-Natal, para nos proteger do absentismo. Mas esse sujeitinho anda completamente derramado em compras. E nem consta que tenha secretária. O teu pedido provavelmente nem chegará aos olhos/ ouvidos das instâncias decisórias. O FALECOMNOSCO, que na melhor das horas foi inventado para consolo dos viajantes, é assim desperdiçado, tornando-o um lugar de ausência. Já agora aproveito para uma palavra de reconhecimento ao seu inspiradíssimo criador. Quando me apercebi das óbvias possibilidades que esta iniciativa proporcionouapressei-me a resolver o apoio logístico indispensável. Entrei tarde mas com toda a disponibilidade para arrepiar caminho. Não tanto quanto eu queria. Sou um aposentado que se deita às três da matina e se levanta às nove horas. Não acreditam mas o tempo está ficando curto. Eu estico mas ele encolhe. Garanto no entanto que é raro o dia em que não deito um olho ao Site em geral mas do FALECOMNOSCO não perco nada. Também quero referir-me às sensatas entrevistas que o Vieira tem desenrolado com uma notável perícia jornalística. É um gosto pegar nelas e no fim só lamentar que pequem por serem curtas e poucas. Especialmente a mais brilhante de todas, a que ele chamou de "Auto-Entrevista". Um conceito novo, e uma nova metodologia de autoconhecimento. Parabéns, Vieira, pela maneira como conduzes este combóio pesado que se chama AAAR! Isto não é ar, são calhaus de granito. Mas a paciência é a virtude dos ganhadores. E já ganhaste. Não só porque instituíste os mais aptos meios de comunicação, como também porque estás em todos os momentos onde o diálogo abranda. Instigas, desculpas, dás o exemplo. É uma liderança tanto mais discreta quanto eficaz, tanto mais pedagógica quanto mais os destinatários se enredam nas mais diversas aposentações... Tudo bem. É assim e já nenhum de nós persiste na perversa intenção de salvar o mundo. Nem tudo parece sofrer de absentismo. Desta vez a PALMEIRA deu o salto. Graficamente parece uma donzela a chegar ao mercado amoroso. Delicada na cintura, alguns volumes a mostrarem substância, curvas rítmicas onde se espera que estejam. Grácil, leve e múltipla! Parabéns à equipa técnica! O conteúdo choveu do céu de novembro, onde terá aproveitado os benefícios do RORATE. Diverso, intercontinental, quase sinfónico. Todos diferentes mas todos, e de todos os lugares, fazendo desta PALMEIRA um modelo de publicação específica. Amigos meus de todos os tempos, é a hora de contar. A escrita foi-nos dada a beber quase no berço. Naquela época ainda não sabíamos o sabor dos morangos. Ainda não tínhamos provado o doce veneno do amor. Sabíamos dizer mas desconhecíamos o quê. Agora não há desculpas. Temos o sótão cheio de objectos. Escrever é resgatá-los, compreendê-los e disponililizá-los. Para quê? Primeiro, para nos entendermos a nós próprios. Segundo, para ler o mundo e quem o habita. Terceiro, para entoar ironicamente canções de escárnio e maldizer. Moramos num território ocupado pelo inimigo, cheio de vendilhões e trafulhas. Escrever também é denunciar. Etc. Amigos meus, a associação é uma causa nobre. Protege-nos a memória, respeita-nos a palavra e sabe o nosso nome e a nossa idade. Pede-nos em troca pouco mais do que uma voluntária e suave participação. Que ninguém se distraia! Os dias já não são muitos e nada se repete. "Atentos, disse, estai, que o vento cresce/ daquela nuvem negra que aparece!"
2010-12-16

manuel vieira - esposende

Natal é só nestes dias e é verdade que quase só as crianças o sentem.É outra dimensão, a da ansiedade, dos sonhos, também muitas vezes da frustração das diferenças. Outras vezes da indiferença.

Para os adultos Natal é um arquétipo na definição iunguiana, como constante repetição de uma mesma experiência durante muitas gerações.

Para muitos ele satisfaz ou não conforme os orçamentos confirmados, para outros é um mero cenário profilático onde se desenvolve a crença na figura pomposa mas amiga do Pai Natal, o tal que destronou presépios.

Por falar em presépios, a estrela desafiadora que foi brilhando aqui já fez chegar alguns reis magos vindos do oriente e ocidente  com os presentes da agradável presença e mais virão porque a este presépio iconoclasta todos devem voltar. Claro que falta o Peinado, o Zé Manel Rodrigues, o Duarte de Almeida, o Celso, o Castro, o Diamantino, o Marques,o Samorinha, o David, o Neves, o Nunes, o Eugénio, o Sacadura... bem, é melhor ficar por aqui, pois é aqui que podemos compor o nosso presépio, um presépio vivo e com graça.

Mas Natal é também uma forma de estar, de rever o presépio da família, de onde as figuras primas já não voltam. É por vezes a nostalgia dessa ausência. Pode ser tudo o que nós queiramos, menos o que já foi. Natal dá para sorrir, para chorar, para contestar, para filosofar ... e para estar agora aqui a divagar, também a partilhar. Bem, vou repetir : Natal dá para sorrir... sempre sabe melhor!

2010-12-16

Antonio Gaudêncio - Lisboa

 Não tenho dúvidas de que a minha intervenção não vai ser muito oportuna mas, mesmo correndo o risco, vou fazê-la.

Creio que já o escrevi e o disse em conversas : mas não gosto da época do Natal. Não se deve essa minha posição ao que a quadra se associa mas ao que se passa neste mês em que se finge haver  ( muuuuuita )solidariedade, em que alguns, para aparecerem nas tvs, se armam em benfeitores e de, avental ao peito, vão servir umas batatas com bacalhau aos deserdados e escorraçados da sorte, da sociedade e da vida. ( Nota: muitas vezes esses ditos cujos que vão servir as batatas nem um tostão deram para as adquirir mas adiante ).

Vem isto a propósito da última entrada do nosso mais que estimado presidente ( da AAAR ) quando aplica a palavra " TRESANDA " no seu escrito . No meu ponto de vista, o verbo está correctíssimo e bem aplicado porque o que vemos nestas duas ou três semanas que antecedem o Natal, " tresanda" mesmo, ou seja, cheira mal, deita mau odor etc, etc, etc .

Neste momento, por falta de tempo, não vou fazer considerandos à intervenção do Arsénio que merece faladura. Vou fazê-lo mas daqui a um bocado. Pessoalmente também acho que é preciso mandar, de quando em vez, algum " pitrol" para manter acesa a chama da Palmeira. O interesse é nosso por isso não vale a pena assobiar para o lado. Vamos contribuir!!    

2010-12-16

Ismael Vigário - Braga

Olá,amigos da Palmeira,

Já li parte da Palmeira e nela encontrei textos bem burilados. Alguns que brotam mais da razão, outros caldeados com a emoção/coração. Gostei de ler o texto do Pe. Bernardo, uma boa visitação que podemos ter através de um texto. Um texto é um enunciado que interpela o leitor. Nem todo o leitor. Os textos podem interpelar um leitor e não dizerem nada a outro. Mas os textos da Palmeira vêm ter connosco e  são palavras que nos "beijam" como diz o poeta Eugénio de Andrade.

Gostei das recordações dos natais dos nosos associados. Mas o meu não devia constar na lista. Apenas referi que não tinha memória de nenhum Natal no Seminário e é verdade. Uma palavra honesta. Quando proferi aquele juízo nunca imaginei que o Arsénio o aspergisse na Palmeira - documento ilustrado de todos os escrevinhadores.No meu tempo, a maioria dos meus colegas iam passar o fim de semana a casa, porque moravam nas redodezas. Hoje ,penso que também já havia uma intenção economicista. E penso que os colegas mais antigos, por um lado tinham sorte em poderem ficar pelo Seminário, onde passavam o Natal a fazer teatros, a musicar e a jogar.

Eu morava na raia com Espanha, lá nos quintos, mas era o meu lar, lá também tinha os meus Lares e Penates e era , nessas ocasioões que me refazia e me completava emocionalmente. Também era humano o reencontro com a família e os nossos educadores tudo isso percebiam.

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