fale connosco


2010-12-09

Assis - Folgosa - Maia

"Triste de quem é feliz" Pessoa - "Ter sido...não tem nada" Aventino

Foi, depois de haver lido um poema de Pessoa que se encontrava sobre a mesinha da sala em que trabalhava o bancário Jorge, em Fortaleza/Brasil, que o grande encontro se deu. Soube-o eu em Novembro, poucos dias antes de haver regressado a Portuigal, pela boca do próprio Jorge. Sim, era um poema de Fernando Pessoa - não se recordando qual fosse - o tal poema que Henri leu e achou "muito lindo, mas ao qual faltava uma palavra". - Qual? Deus? Amor? - "Blá blá blá... a palavra JUSTIÇA..." e um forte murro caiu sobre a mesa ao ponto de quase partir o vidro que cobria o dito poema e pôr em sobressalto as pessoas que se encontravam nas intalações do banco. Algumas chegaram mesmo a pensar que se tratava de um assalto. Só quem não conheceu o pe. Henri há uns anos atrás se poderá admirar de que ele fosse capaz de uma coisa assim. - E tinha ele razão na altura, em 1986. Viera de Coritiba a Fortaleza para cambiar os escudos que lhe restavam para poder regressar a Portuga. Entrou em quatro bancos e nada. Valerá a pena entrar num quinto? Teimoso - ele diz que não - apenas persistente, tenta o quinto banco. Surge-lhe então pela frente o empregado Jorge que, clandestinamente, através de amigos, conseguia alguns dólares para desenrascar outros amigos, mas que ainda antes de passar para a mão do Henri as milagrosas notas, acaba por ouvir aquilo que para outros seria mais que motivo suficiente para já lhos. Mas não. Jorge," um mulharengo, não frequentador da igreja", segundo as palavras do advogado da favela, José Airton, ao escutar a palavra Justiça e dita daquela maneira tão estranha, vira-se para ele e diz-lhe: "O senhor padre quer conhecer um amigo que vive na favela e que, tenho a certeza, vai gostar de o conhecer?..." - "Sim, quero" foi a resposta. - O Jorge levou então o Henri para a secretaria diocesana, local onde o Airton trabalhava em part-time como advogado. E ali ficou ele esperando enquanto o Jorge ia à sua vida. Cruzou-se este, não longe dali, com o amigo Airton e diz-lhe: "Vai depressa que tens lá um doido à tua espera, Henri Le Boursicaud, um padre a quem acabo de trocar uns escudos para regressar a Portugal". Conhecedor da história, o Airton seguiu de moto com mais velocidade para o escritório da diocese. E deu-se então o grande encontro: um padre operário que viera de tão longe apenas para trocar uns escudos para se pôr a caminho de Portugal e um advogado que, mal se apanhara com o canudo na mão, fora viver para a favela contra a vontade do pai. "Não compreendo as tuas razões, mas vou respeitá-las..." dissera-lhe este mal-humorado depois de haver batido com força a porta de casa e de haver diambulado pelas ruas uns bons quarenta minutos antes de regressar a casa. Já a opinião da mãe fora bem diversa: "É a coisa mais bela que me poderias oferecer: trabalhar com os mais necessitados..." disse-lhe ela e com abraço materno amaciou a dura decisão de José, o filho que bebera com lágrimas o café amargo e freio, mas que se mantivera todo aquele tempo sentado em silêncio. - Um passeio se seguiu em direcção à barraca da favela onde José vivia com mais alguns companheiros, "idealistas" segundo alguns. Ainda no caminho, "a canção da barca" brotou das cordas vocais do José ao avistar a praia e lançando a sua mão sobre o ombro de Henri fez-lhe o convite para ficar com ele, convite que aceitou. A barraca do José foi seu abrigo e terreiro para a sementeira de uma nova comunidade de Emaús. Ali ficou durante dois meses. Ao despedir-se de Airton, Henri diz-lhe: "José! Planeja, mas nunca amarres. Eu vim com a única intenção de cambiar os escudos e regressar a Portugal e vê o que aconteceu..." Não amarres... só a liberdade tem sementes de vida mesmo quando nos apercebemos com pés de barro. - "Ter sido..."  talvez, tudo teria sido diferente... mas que nos importa indagar o passado, quando temos o momento presente como único futuro seguro?... "Observêmo-lo" então, como disse Platão. - Uma das perguntas que faziam em tempos ao pe. Henri era esta: "O senhor é feliz?" A sua resposta: "Sim, sou...mas como posso eu ser feliz totalmente feliz quando sei que irmãos meus estão, neste preciso momento, a morrer de fome?...

2010-12-08

Arsénio Pires - Porto

Caro Assis:

Ainda bem que entraste também no tema que, sem ser teológico ou filosófico (e se fosse? não temos nós bastantes capacidades para discutir essas áreas?), pode alimentar bastante esta "ágora" que anda um pouco desanimada...

O jornalista Henrique Raposo, de quem tenho colocado aqui alguns artigos, neste caso não emitiu opinião sobre o tema de Deus. Limitou-se a fazer uma resenha do tal livro. Mas é claro que a tua citação de S. João tem todo o cabimento nesta discussão. Também penso que ninguém chegará a Deus se não for através do Homem. Melhor dito, através do serviço e do amor aos mais necessitados. E nisso estamos absolutamente de acordo.

Na sequência do meu diálogo com o Gaudêncio, surgiu outro tema paralelo que é o de saber por que razão nas alturas de crise os homens se viram para Deus. E, quando falo de crise, não me refiro só à crise económica em que nos encontramos. A crise deve ser aqui entendida num sentido lato, como tudo o que nos põe na linha de fronteira, de encontro connosco "olhos nos olhos". Neste sentido, penso que a questão de Deus surge inevitavelemente. E julgo que só duas há duas saídas: fuga ou encontro.

Era este o tema.

2010-12-08

Aventino Aventino - Porto

Meus caros AAAR:

"se podes olhar, vê; se podes ver, observa (Platão, República) 

TER SIDO não é ter sido grande coisa. Um vaga-lume, uma ausência, um olhar furtivo de alguém que passou. TER SIDO não é ninguém, não eleva nem deprime, não constrói nem destrói. TER SIDO é como não ter existido: não tem estatuto, não tem medalha, não tem, não tem, não tem, não tem NADA. 

TER SIDO é seres hoje, no teu escritório ou no teu lar, nos teus amigos ou na estrada, num caminho vazio ou no caminhar pleno de um breve silêncio. Teres sido Redentorista é seres REDENTORISTA hoje sem saberes sequer o que é ser redentorista. TER SIDO é seres como o nosso querido ASSIS tem sido: uma eternidade, um afecto, um dom ao encontro de uma humanidade.

Confesso-vos que não tenho deuses, nem heróis; nem estátuas, nem ilusões. E... pior que tudo..., nem sonhos nem esperanças. Àparte isso, carrego a alegria e o encanto dos dias, a felicidade e a ironia de que, afinal, sou mesmo feliz: felicidade triste, é certo, como nos disse o maravilhoso PESSOA ("triste de quem é feliz"), mas, mesmo assim, feliz. Rio-me, avanço, navego na alegria da minha própria estupidez. Se há algum homem a quem odeio é a mim mesmo; se há algum homem a quem, às vezes, prescruto, é também a mim mesmo. O seminário ensinou-me que não existo nem tenho vaidades; sou apenas um servo sem desejos nem satisfações. Tudo é um circo, maior ou menor e ali estou eu obrigado e condenado a bater palmas, efusivamente, ao fim de cada pantomina medíocre como se aquilo fosse o espectáculo MAIOR.

Vem isto a propósito de quem se rebaixa  a ter sido, a ter raizes num reles português ou noutro português reles, num conde ou num visconde, numa alcova ou num aido, num vazio de filho de pai incógnito ou num vazio, também, de duques, marqueses ou outros aldrabões de igual jaez; num seminário ou num restolho largo da nossa planície comunista.

Vem isto a propósito do ter sido, de ter um passado, de ter sido apenas. E, sobretudo a quem não arrisca, não desventura, não quer DIZER:

Aqui rasgo o meu passado. Aqui me rasgo. De hoje em diante sou outro antónio, joaquim, francisco, josé, antónio, tiago, jorge, miguel, pedro, gustavo, manuel. De hoje em diante sou outro antónio, joaquim, francisco, josé, antónio, tiago, jorge, miguel, pedro, gustavo, manuel. De hoje em diante apenas sou, sou, sou, sou, sou, sou, sou, sou, sou, sou, sou. Tal qual sou; sem olhar atrás. Sem olhar, sequer.

 

 

2010-12-08

Arsénio Pires - Porto

Estimado António ALves de Castro:

Agradecemos a sua sugestão para o tema "Celibato Obrigatório" para os Presbíteros. Podemos aprofundá-lo aqui, neste site. No entanto, estamos a pensar dedicar-lhe um número da nossa revista "Palmeira". Nessa altura, talvez você possa dar o seu testemunho e exprimir as suas opiniões.

Quanto ao assunto que se prende com a sua família aqui em Portugal, talvez o caminho que o Francisco Assis sugere (ver mensagem aqui) seja o mais indicado. Se você concordar, nós podemos dar-lhe esses contactos em Viseu visto serem contactos de pessoas nossas conhecidas e antigos seminaristas.

Diga qualquer coisa.

Arsénio

Cumprimentos

2010-12-08

Assis - Folgosa - Maia

Ao Arsénio e ao António Alves de Castro.

Acabo de enviar uma mensagem para um amigo e antigo colega de tropa, também antigo colega do Duarte de Almeida no seminário da cidade de Viseu. Trata-se de um Juiz aposentado, presidente da Comissão Justiça e Paz e que trabalha como voluntário da diocese no campo específico do Direito Canónico. Estou seguro que, contactado, prontamente se oferecerá para indagar o que seja necessário.

Fico pois aguardo notícias vossas

Assis

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº