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2011-03-03

manuel vieira - esposende

O mês de Março é o melhor tempo para a lampreia, que se quer relativamente fresco para estar acomodado aos pratos quentes e daí o "encontro" para degustar aquela iguaria marcado para o próximo dia 16.

Dizem da lampreia “ou se gosta muito ou se odeia”, ou se exalam  impropérios   perante o aspecto serpentiforme do virtuoso ciclóstomo, ou em contraponto escutam-se romarias dos seus indefectíveis apreciadores pelas capelinhas gastronómicas dos recantos com fama. O velho patrão da Sonae e o da cortiça constam entre estes últimos e muitos outros famosos galgam as estradas para se amesendar e regalar.
O norte minhoto apresenta cardápios de ementas tradicionais que passam por um arroz corridinho a esbanjar do prato, suculento e escurinho, a contrapor a uma singular opção à bordalesa, estufadinha em molho guloso e a acompanhar com um arroz seco e umas torradinhas. Não é por mero acaso que a safra de Sabores de Março no Minho aponta o concelho de Esposende com as virtudes deste ciclóstomo nas diversas opções, mesmo assada com batatinhas ou em feijoada. Não se assustem os comensais porque há ainda mais variedades em uso lá para o Alto Minho, ou perguntem ao Dr. Francisco Sampaio, eterno apreciador e conhecedor do que de bom tem esta região. Claro que para sobremesa aparecem sempre uns pasteizinhos de Fão ou "Clarinhas", ou como lhe queiram chamar. Lá branquinhos são, depois de polvilhadinhos com o açúcar de pasteleiro, fininho qb.
A lampreia do rio Cávado tem fama e a forma de a preparar e cozinhar tem alguns segredos que a tornam muito apreciada. É uso retirar-lhe a pele e envolvê-la em preparo de vinhos vários e temperos a condizer, que lhe darão a consistência e sabor inigualáveis.
Num estrugidinho com azeite de Vila Flor de 0,4 , cebola, alho , bacon e louro junta-se calda da temperança, estufa-se lentamente a dita cuja, repartida em postinhas com largura de 2 dedos dos meus, para ter consistência de carnes e não se desfazer, adicionando-se ao tacho 1 colherzinha rasa de sopa de farinha triga. Junta-se o resto da marinada sem exagerar nos centilitros e cozinha-se com substância, acertando os temperos. Talvez mais umas coisinhas, mas não podemos confessar tudo, se não lá vem a penitência. Apresenta-se na mesa com os acompanhamentos já referidos, não faltando um bom tinto verde ou maduro, conforme as preferências do degustante.
Estas etapas da “Bordalesa” condizem em parte no arroz corridinho e malandro de comer à colher, que deve ser sempre carolino, na opinião dos velhos especialistas, quando os comensais estão por perto, para não empapar. 3 partes de água e 1 de arroz e a coisada fica à maneira. Não me questionem como é que eu sei, nem me convidem para a confecção, sob pena de ganhar ainda mais amigos, mas que é cá um prato quente, não tenham dúvidas.

2011-03-03

manuel vieira - esposende

 O "nosso" Martins Ribeiro teve tempo para tudo em temas de poesia e não só a Elisa lhe lançou o engodo para a perversa lírica que até  pode chegar às mãos, ao que se lê.

Um poema forte e de sabida intervenção que pinga expressões de orientação revolucionária em alguns dos seus recantos, o que mostra que os fiscais do regime andavam distraídos submersos nos bairros da capital.

Claro que o Ribeiro só falou das mãos em tempos de idade mais adulta e deixou para outras musas os acrescentos de inspiração juvenil mas o que é certo é que este decano da AAAR mostra como sabe utilizar o tempo e os meios e agora já não estou a falar das mãos, claro, na sequência do último texto dos "Pontos de vista".

A partilha que vai fazendo da sua produção literária mostra também a forma aberta como se relaciona com os restantes colegas e a sua frequência pode ser incentivo para quantos por aqui passam em exclusivo de leitura.

Este é o espaço de todos e reconheço que ler também é participar, como sentirá qualquer escritor, pese a importância do escrever.

Faz bem e gera dinâmica comunicacional que reforça qualquer relação.

2011-03-02

Arsénio Pires - Porto

Belo poema, Martins Ribeiro.

Nem sei como não te incomodaram os tais que bufavam silenciosamente pelos cafés e esquinas.

Tiveste coragem!

No fim, ficamos com a certeza de que nem sempre a revolução é evolução. Que pena!

Belo poema!

2011-03-01

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Vou trazer novamente p’raqui a poesia, desta vez não da lamecha mas da pesada. E então vos conto: escrevia eu, por volta dos anos sessenta, sob o pseudónimo de A.Licantes, vários trechos literários no único jornal que existia em Monção, minha terra, "A TERRA MINHOTA", mais para fruição duma pena ociosa do que por obrigação ou necessidade. Poucos anos antes do 25 de Abril que se afigurava ainda uma miragem, enviei para o referido jornal um poema de certo modo profético. Se fosse hoje nunca o teria escrito porque esse evento, como logo após se pôde verificar e o tempo desgraçadamente confirmou, foi a maior tragédia que se abateu sobre esta Pátria milenar e o princípio da sua derrocada. Presentemente repudio o facto histórico mas mantenho o poema porque, em quase tudo, também ele pode ser aplicado aos dias de hoje.

Então, aí vai:

                                                  

                                      POEMA DAS MÃOS

 

Mãos benditas, malditas mãos!

Malditas mãos de Nero que incendiaram Roma

E depois, sobre essas labaredas infernais, 

Tocaram na cítara a canção da loucura!

Mãos benditas que levaram ofertas ao Redentor recém-nascido,

Malditas mãos de Herodes que degolaram os inocentes.

Mãos benditas de Cristo cravadas pelo ódio á revolução do amor fraterno,

Cínicas mãos de Pilatos que tentaram lavar-se do sangue do Justo.

 

E as mãos diabólicas que retorceram as almas nos campos de Auchwitz,

Que degradaram a essência humana nos gases de Bergen-Belsen

E se tornaram monstruosas manipulando pilhas de cadáveres nos crematórios de Dachau?

Mãos nefandas que incineraram Hiroshima, 

Mãos benfeitoras que deram vida ao descobrir a penicilina.

Mãos prostituídas que matam no aborto.

Mãos redentoras que salvam nos partos difíceis,

Nas camas dos hospitais, nas salas de operações!

Mãos vilipendiosas que brandem o chicote da escravidão dos senhores feudais!

Mãos grandiosas que constroem arranha-céus ou choupanas!

 

E as mãos que sobem ao céu, 

Que descem ao fundo dos mares,

Que penetram nos mistérios das cavernas?

E as mãos que tratam chagas, cancros, podridão?

E as mãos que tapam as bocas a abafar gritos de Justiça?

E as mãos que bendizem um filho assassinado sem o poder vingar?

 

Oh!  Benditas mãos que arais a terra

Mourejando nas planícies ardentes ou nos socalcos gelados,

Tentando encontrar o saciar da fome!

 

Oh!  Mãos amaldiçoadas que fomentais a guerra entre os homens, entre as raças,

Que puxais o gatilho das metralhadoras,

Que lançais granadas, bombas, que colocais minas nos ardentes sóis africanos!

Oh!  Mãos benditas do lenhador, do pedreiro, do carpinteiro;

Não merecereis vós o prémio da humildade?

Oh!  Descaradas mãos que bebeis "Whisky" e champanhe em taças de ouro,

Que comeis manjares exóticos e requintados

Para que outras mãos comam esterco em gamelas sórdidas!

Mãos  infames de políticos que roubais o fruto de esforçado trabalho

Deixando famílias inteiras a morrer á míngua de pão!

Queridas mãos que acariciais o rosto de uma mulher amada!

Nojentas mãos de carrascos que queimais peitos de virgens com pontas de cigarro!

 

Mãos de missionários que pelo mundo semeais a "Boa Nova" de Cristo,

Da caridade, do amor ao próximo, a amigo ou inimigo;

Sois benditas!

Mãos de Padres que gesticulais nos púlpitos as arengas dos Opressores;

Mãos que traís o Evangelho, aplaudindo os que escravizam o Povo de Deus;

Mãos de Pastores que entregais o rebanho que vos foi confiado ao lobo devorador;

Sois malditas!

Mãos que rodais as chaves das jaulas 

onde se crispam outras mutiladas mãos que lutaram pela liberdade;

Sois malditas!

 

Mãos inocentes de crianças que, arrebanhadas, de batas brancas,

Atirais ingenuamente pétalas de flores aos carrascos que passam, triunfantes!

Mãos imundas que bebeis o suor e o sangue dos escravos,

Como no reino dos vampiros tenebrosos!

Mãos que fechais portas e portas e portas

Para que se não ouçam longe demais os gritos dum Povo esmagado!  

Mãos desgraçadas que limpais lágrimas da mãe

Que chora por um filho que parte para a guerra.

Mãos de pai que agitam lenços num adeus de embarque!

Mãos duras de emigrantes que moldais solo estrangeiro

Porque na vossa Pátria não produzem nem flores nem pão!

Mãos desnorteadas que aclamais os tiranos

E bendizeis os que vos roubam o amor e a paz!

 

Sois vós, mãos, que badalais alegremente os sinos nas bodas e baptizados

E que também os tangeis, lânguida e tristemente,  nos mortórios!

Sois vós que embalais entre cantigas doces um filho recém-nascido

E que transportais igualmente o caixão ao cemitério

A depositar um irmão, um amigo, nas entranhas da terra!

Sois vós, mãos benditas, que fazeis o bem!

 

Sois vós, malditas mãos, que acarretais todas as calamidades!

Vós sois benditas, mãos, quando tratais das flores e malditas quando cortais as flores;

Sois benditas quando plantais árvores e malditas quando cortais árvores!

Sois benditas quando dais vida e malditas quando matais!

Sois benditas quando abençoais um amigo e malditas quando o apunhalais pelas costas!

Sois benditas quando construís o Mundo e malditas quando destruís a Terra!

 

Mas eu tenho fé, ó mãos, benditas mãos, que um dia quebrareis as algemas

Que outras mãos opressoras vos colocaram  nos pulsos;

E então, erguidas para o céu, bem erguidas, haveis de saudar;

Primeiro a liberdade, com frenesi, com alvoroço;

Em seguida montar um imenso tribunal onde fareis Justiça a todos os Neros;

E depois, operosas, aliviadas,

Sobre os escombros do ódio, dos tiranos e dos algozes, 

Construireis em paz uma Pátria Nova, um Mundo Novo!

 

 

    Arcos de Valdevez, Maio de 1970

 

 

        A.Licantes

       (Prosas de intervenção)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2011-02-28

PEINADO TORRES - PORTO

Bom dia compamheiros ATENÇAO O ALMOÇO DA LAMPREIA, foi antecipado para o dia 16/03/2O11. A data limite para a inscrição é o próximo dia 10, segundo informação obtida junto do VAP, toda a LOGISTICA se mantem, portanto está assegurado o transporte estação de CAMPANHÃ - FÃO - CAMPANHÃ em luxuosos carros celulares conforme manda a ostentação e a ARTE de bem receber.VOLTAREI P S : Aos presentes será devidamente explicado o motivo da alteração da data. Convem não esquecer que se trata de um convivio de ex-reclusos da QUINTA DA BARROSA,

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