fale connosco


2011-01-30

aventino aventino - Porto

Também eu já escrevi poemas de amor. Também eu já fui de perguntas e de certezas. Versos e rimas de amor, acreditando que sim, que o que escrevia era isso de que nunca nos ensinaram o que era isso. Também eu nunca falei à minha mãe: "amo-a, minha doce mãe" mas o que queria hoje era um silêncio, um beijo, a sua angústia de ter dado um filho para o seminário. Hoje ela já não me ouve; hoje as nossas mães já não nos ouvem; vós continuais na esquerda e na direita, na fé e na ausência dela, num cabrito ou num vinho ácido a aliviar a nossa carência.

Hoje não quero viver.

Nem sorrir ou sonhar.

Nem comer ou respirar.

 

Hoje não quero, pronto.

Não quero sofrer nem ser.

Quero o nada que sou.

Guerra ou paz?!

tanto me faz!

Hoje não voo.

Hoje não vou.

 

Passa dia, passa.

Depressa, depressa,

estou com pressa.

Hoje rasgo o calendário,

Rasgo o diário,

Rasgo-me.

Há o tiro e a forca,

comprimidos e ácidos, sim.

Mas hoje não me mato (ainda)

vou fazer qualquer coisa por mim

e esperar amanhã,

que seja já.

                                            ***

Também eu já escrevi poemas de amor para esta mulher. E continuo à espera. À espera da voz dela, sibilina e terna a dizer-me: " apesar do seminário, vem, vem; quero-te".

 

2011-01-28

Arsénio Pires - Porto

Caro Ismael:

Eu penso que em toda a mentira há um fundo de verdade.

Foi por isso que certa mulher, já quase no fim da vida, confessou ao seu marido:

- Menti-te sempre! Mesmo quando te dizia a verdade!

Assim sendo, posso afirmar-te:

- Na segunda-feira, sou do BE. Na terça-feira, sou do PCP. Na quarta-feira, sou do PS. Na quinta-feira, sou do PSD. Na sexta-feira, sou do CDS. E, no fim-de-semana, passo os dias a vomitar!

 

Isto a propósito do tal texto gaulês.

2011-01-27

Ismael Malhadas Vigário - Braga

Nem de direita nem de esquerda. Isto não é possível. Mas é, pois a verdade pode estar em dois ou mais lados. A verdade não se resume a uma classificaçaõ dicotómica. Essa divisão é apenas uma possível classificação académica. As classificações dos objectos respondem a determinados interesses do sujeito. Henri Lebvre, pensador francês, dizia que havia mais pontos de contacto entre a esquerda e a direita que divergências. E, neste ponto, acho que, hoje, estes dois conceitos ou dois esquemas de "arrumar" a realidade político-ideológica é, cada vez mais vazio e mais gasto.

O ser humano é incapaz de se calar, de guardar silêncio, de escutar, de receber a palavra do outro e dar-lhe um tempo de maturidade, para depois a poder oferecer ao outro com uma mais-valia. As palavras vão e vêm e algumas são tão recorrentes que as esvasiamos pelo facto de com elas pronunciarmos as mesmas ou quase mesmas ideias a que a elas andam associadas.

Neste ponto, agrada-me a palavra dos poetas, a sua figuração, porque recriam novos sentidos e deleitam o leitor pela sua força estética, pela enorme abertura que manifestam e pela oferta de um mundo, quase sempre novo e estimulador para a confiança do homem. Viva o Alexandre, o Fernando Echevarría e  o Bernardino dos Fóis e todos aqueles que, beberam dos nossos valores e palmilharam os campos da Barrosa, que riram e suaram nos jogos, nas pequenas tertúlias e que continuam a viver connosco.

Esquerda e direita.

Ninguém devia acreditar nestes conceitos, porque redutores e, em geral, portadores de coisa nenhuma. Até aqui, neste sítio, já houve vezes que nos desentendemos. Porque é mais importante tudo aquilo que nos une, que nos aproxima e nos identifica e, esta realidade redutora, necessariamente que pouco tem a ver connosco. Viva o Aventino, grande amigo, que me ofereceu o seu livro e que me deliciei a lê-lo, porque falou de uma realidade recriada pelas virtualidades da palavra e sentidos sempre novos que sabe atribuir às palavras e com elas sabe dar esperança ao leitor.

O desencanto pela política começa a ser já um tormento. E essas duas arrumações já fizeram grandes estragos. Imagination au pouvoir, diziam os revolucionários do Maio de 68.

Com isto, Arsénio, ponho tudo mesmo saco e bem atado, tal caixa de Pandora!...

Um abraço pra todos.

Ismael Vigário

 

 

 

 

2011-01-27

Arsénio Pires - Porto

 

Descubra as Diferenças

Você é de esquerda ou de direita?
 
Quando um tipo de direita não gosta das armas, não as compra.
Quando um tipo de esquerda não gosta das armas, quer proibi-las


Quando um tipo de direita é vegetariano, não come carne.
Quando um tipo de esquerda é vegetariano, quer fazer campanha contra os produtos à base de proteínas animais.
 
Quando um tipo de direita é homossexual, vive tranquilamente a sua vida como tal.
Quando um tipo de esquerda é homossexual, faz um chinfrim para que todos o respeitem.

Quando um tipo de direita é prejudicado no trabalho, reflecte sobre a forma de sair desta situação e age em conformidade.

Quando um tipo de esquerda é prejudicado no trabalho, levanta uma queixa contra a discriminação de que foi alvo.

Quando um tipo de direita não gosta de um debate emitido por televisão, apaga a televisão ou muda de canal.

Quando um tipo de esquerda não gosta de um debate emitido por televisão, quer prosseguir em justiça contra os sacanas que dizem essas sacanices. Se for caso disso, uma pequena queixa por difamação será bem-vinda.

Quando um tipo de direita é ateu, não vai à igreja, nem à sinagoga, nem à mesquita.
Quando um tipo de esquerda é ateu, quer que nenhuma alusão a Deus ou à uma religião seja feita na esfera pública, excepto para o Islão (com medo de retaliações, provavelmente).

Quando um tipo de direita tem necessidade de cuidados médicos, vai ao seu médico e, seguidamente, compra os medicamentos receitados.
Quando um tipo de esquerda tem necessidade de cuidados médicos, recorre à solidariedade nacional.

Quando a economia vai mal, o tipo de direita diz-se que é necessário arregaçar as mangas e trabalhar mais.

Quando a economia vai mal, o tipo de esquerda diz que os sacanas dos proprietários são os responsáveis e dão cabo do país.
________________________________

Nota final: O texto original é Francês
 

2011-01-26

manuel vieira - esposende

O livro “História Breve da Música Ocidental” da autoria do nosso colega José Maria Pedrosa vai ter o seu lançamento em Lisboa no próximo dia 2 de Fevereiro, Quarta-Feira, às 18.30 horas na Leya na CE Buchholz, no nº4 da rua Duque de Palmela.

O Convite para estar presente é da Imprensa da Universidade de Coimbra, da CE Livrarias e do nosso colega que verá com muito agrado a presença dos seus amigos neste evento a decorrer na capital portuguesa na próxima semana. Isto pode ser lido em "Notícias" mas repeti-lo aqui é uma garantia de que a mensagem chega mais depressa a cada um.

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