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2011-03-11

Arsénio Pires - Porto

Caro Gaudêncio:

Fico feliz por saber que tudo está bem com a tua saúde. Isso é o que verdadeiramente importa!

Quanto ao silêncio da bancada, espero que o mesmo não se deva ao facto de, mais uma vez, aqui se ter focado o tema tabu do comunismo. Acontece o mesmo na nossa sociedade portuguesa e nalgumas outras em igual estádio de evolução. A lei do PREC que vociferava "Quem é anticomunista é fascista!" já não serve em lugar nenhum do mundo!

Continuo a não confundir pessoas com ideologias. Quero que fique bem claro. Nós não somos as nossas ideologias ou crenças. Nós somos os mesmos ao longo do tempo; as nossas ideologias ou crenças é que podem mudar. Infelizmente, esta separação urgente e necessária, parece não ter ainda entrado em muitas cabeças.

Será por isso que ficámos só nós os dois em campo? Quero crer que não. Talvez o pesado silêncio dos nossos companheiros se deva a uma espécie de colonoscopia que remonta ao tempo em que mais nos orientavam para ouvir do que para intervir!

Naquele tempo, estava tudo feito. Os dogmas estavam completos e à mão. Era só servi-los em rigoroso silêncio!

Que assim seja!

2011-03-10

António Gaudêncio - Lisboa

Amigo Arsénio

Sobre esta nossa conversa vamos ficar por aqui porque, em parte, alinho na tua maneira de pensar. E também concordo que, na prática, o pensamento de Saramago já estava a muitos quilómetros do nosso dinossáurico P C português.

Creio que J. Cristo foi, presumivelmente,  um dos primeiros comunistas e a forma de viver das comunidades cristãs dos primeiros tempos são o exemplo de um comunismo bem aplicado na prática. Mas falaremos disso um qualquer dia em que nos encontremos.

Sobre a saúde já tenho boas notícias para anunciar porque, na segunda feira passada, dia 7, para acabar com as dúvidas, fiz uma colonoscopia num hospital e os resultados foram totalmente satisfatórios. Por issso, agradeço cordialmente, as preocupações que os amigos me manifestaram neste capítulo.

Esta-me a desassossegar o facto de, nos últimos dias, termos açambarcado o palco e de ninguém nos ter interrompido.

Estará tudo morto??????       

2011-03-09

Arsénio Pires - Porto

Meu caro Gaudêncio:

A falar é que a gente, às vezes, se entende.

E ainda bem que nós nos entendemos.

Se eu me alegrei porque, com o Saramago, morreu um pouco do comunismo, com a morte dele fiquei muito triste e mais pobre porque morreu um grande escritor e cultivador da nossa língua.

A alegria pelo pouco que nele morreu não compensa a tristeza pelo muito que, na morte dele, deixou de existir.

Era isto que queria dizer.

Para além de pensar que ele estava muito acima da mediocridade vigente no Partido Comunista Português.

Se quase todos os homens merecem ser eternos, José Saramago (como o nosso Zeca Afonso) nunca deveria ter morrido.

Quanto ao comunismo como filosofia política, ou seja, quanto ao marxismo, podemos um dia falar. Tenho para comigo que o marxismo, como teoria política-económica-social foi e será sempre um fracasso na prática. O materialismo dialéctico é, em si, uma teoria manca, perneta. O Homem não é um animal de aviário cuja aspiração de felicidade se resume a encher o bandulho a horas certas. O Homem é bem mais do que só matéria.

Bem. Falaremos um dia.

Um abraço amigo.

P.S. Penso que a tua saúde já vai melhor, não?

Arsénio

2011-03-08

António Gaudêncio - Lisboa

Meu caro Arsénio

Gostei da tua resposta e como eu também não gosto de ofender quem quer que seja ( a não ser os que merecem mesmo ser ofendidos, claro ) aceito que talvez eu tenha sido vítima de alguma confusão semântica.

 As tuas explicações são bem claras e acredito que não tivesses as tais intenções que eu te atribuí, mas eu não consigo ver o comunismo sem comunas, ou seja, para existir comunismo têm que existir comunas. E para " morrer um pouco de comunismo " têm que morrer uns quantos comunas. Daqui resulta a minha interpretação daquela tua frase.

 Um dia ainda havemos de falar sobre o comunismo como filosofia política. Foi pena que os intérpretes que, inicialmente, tentaram implantar o comunismo, como política de governo, tivessem sido uns canalhas da pior espécie. ( Refiro-me a Estaline e Mao essencialmente). Por isso, eu considero que os resultados que advieram do comunismo  se devem não à doutrina mas à forma como ele foi usado para benefício de uns quantos que só queriam o poder pessoal não para melhorar a vida dos seus povos mas para uso próprio.

E chega de faladura e contigo também vou cantarolar " o Bairro Negro " do grande e inesquecível Zeca Afonso. 

2011-03-08

Arsénio Pires - Porto

Meu caro Gaudêncio:

 

Agradeço-te o teres reconhecido esta pequena homenagem que aqui quis prestar ao nosso querido Zeca Afonso.

Algumas vezes o ouvi ao vivo e muitas outras o cantei em privado e em público, acompanhando-me à viola, azucrinando os ouvidos salazaristas do meu comandante de Batalhão nas matas da Guiné. A “Menina dos Olhos Tristes” e “Olha o Sol que vai Nascendo”, chorei-os muitas vezes.

Não ficaria de bem comigo se não assinalasse esta data.

 

Agora, vamos a outro assunto.

Sei bem que uma mentira repetida cem vezes se transforma em verdade.

Deve ser por isso que afirmas: “por teres demonstrado com esse teu gesto, de bom gosto, que aquela " barbaridade " que, faz tempo, escreveste sobre o mundo pular e avançar sempre que morre um comuna, devia ter alguma subjacente picardia, ou alguma motivação malévola contra alguém”.

Ora, esta tua afirmação é uma não-verdade que não quero deixar passar no escuro. O que afirmei, e podes consultar a páginas 50 e tal deste link, é textualmente o seguinte:

 

“Com Saramago morreu mais um pedaço do pouco que resta do comunismo. E quando morre mais um pedaço do comunismo eu sinto que o mundo pula e avança."

Caro Gaudêncio, eu nunca afirmei “sempre que morre um comunista”(muito menos um comuna…) como tu dizes.

Portanto, “aquela “barbaridade” não tinha “alguma subjacente picardia, ou alguma motivação malévola contra alguém”. Porque, simplesmente, não gosto de ofender ninguém.
Também não me alegro com a morte de ninguém. Não está nos meus valores. Combato, sim, com todo o direito, julgo eu, as ideias ou ideologias que vão contra os meus valores.

Tento sempre nunca confundir ideias com pessoas. Para mim, a pessoa é um valor absoluto. Não a sociedade! Muito menos as ideologias!

 

Mas, desconfio que terei de ficar com a tal mentira corcundada nas minhas costas.

 

Termino agradecendo-te, mais uma vez, as tuas palavras de reconhecimento. Este era um dever meu.

Alegro-me por saber que também tu és um dos amigos do Zeca.

Venham mais cinco!

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