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2016-09-25

Delfim - Almada

Soberbo, genial, especial,universal, de nós e de todos tal e qual.

Crítica social, regresso às origens,  melancolia, sabores de outrora, uma delicia de saudades.

Sinto-me bem.

Obrigado amigo Alex por mais este momento de felicidade.

Delfim.

2016-09-24

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XXVII - Outono e Melancolia

 

 

Agora sim, estamos a ficar pálidos, inclinados pelo tempo, abrindo a boca de tédio, como se tivéssemos de ouvir um político fazendo promessas. Há quanto tempo já que não sai da nossa privilegiada “cultura” uma palavra luminosa? Indiferentes à passagem acelerada dos brancos dias do verão, estamos de regresso à repetição dos anos, apanhados pelos flancos por mais um ritual inútil. Se abril nada nos dizia, se em maio nem uma flor colhemos, se em junho, julho e agosto nem um desejo levámos ao mar, que faremos nós neste momento preciso em que o outono cai arrefecido sobre a nossa cabeça de velhinhos sobrantes? Quem encontraste, meu irmão, neste café central, onde é suposto falar-se do que foi e do que ainda está para ser, porque o frágil futuro e o imensurável passado só se conjugam no presente do indicativo? A quem serve o silêncio que roubamos às palavras que nos deram? As palavras nem sempre são ruído cacofónico. Elas não são mero espelho da realidade. Elas são a realidade. Se as abandonamos, nenhum fragmento de realidade será criado por nós. O mundo da nossa rua é feito por vozes que gritam. Se a nossa caridade for uma intenção ostensivamente piedosa, visitando enfermos, consolando viúvas e pousando moedas sonoras nos peditórios, ou imitando a santa população celestial, então que haja Deus para punir a hipocrisia e a aparência.

Quero falar de um outono distante, onde a melancolia tanto tinha de encanto como de uma dor vegetal. As pálidas figueiras, sem a protecção das folhas, tremiam de frio. As vinhas punham aqueles olhos avermelhados, de terem chorado muito. A mão do homem colheu festivamente os frutos. O vento passou e agitou as folhas enferrujadas. A aldeia esvaziou-se. Foi estudar para longe. Nunca ninguém sabia onde era esse longe. Os que se retiram só tornarão a vir, se vierem, no próximo verão. Nas ruas já corre o primeiro vento de ausência e ouve-se o sino, semeando mágoas pelas paisagens. Os campos estão despovoados e as velhas casas em ruínas.

Quem ainda por lá passa é um menino que nasceu adulto. Num território imenso, fechado por uma pedregosa montanha azul. Ao fim da tarde perpassa um frio súbito e os lobos têm fome. Os rebanhos deixaram os bardos e passam a noite em palheiros. Os lobos aparecem aqui e além, numa luta desigual pela sobrevivência. Quando a fome ataca, eles respondem no mesmo registo. É assim que pensam as crianças. É assim que é contado nas histórias infantis. O menino que atravessa os campos tem medo. Há feras nas veredas, nos tufos rasteiros do mato, nos carvalhais, nos giestais, nos pinhais. E há sempre muito frio, talvez mais penetrante do que a neve. Talvez não seja frio. Talvez seja uma forma de morrer. Ou de fugir. Mas que fuga pode haver, se os montes são muralhas?

Há depois a outra face. As uvas penduradas no tecto da sala. Os figos secos, como então se fazia, polvilhados de farinha. As bicas de azeite, que os padrinhos davam aos afilhados. As primeiras castanhas, e o ouro que elas escondiam depois de assadas. A cozinha escura, iluminada pela chama do lume. A vontade sincera de regressar a casa, comer caldo de feijão e couve. Ficar ali olhando a chama e ouvindo adultos discorrer sobre a vida, com lobos e bruxas pelo meio. E as "tabornas", assadas na pedra do fogo e mergulhadas num recipiente cheio de azeite cru. Tudo somado e dividido por dois dá a média aritmética desse outono longínquo, que é precisamente a melancolia. Música em lá menor, muito melódica, cheia de breves e semibreves. Foi essa a conclusão que fui tirando, à medida que de ano para ano julgava saber mais solfejo.

Não me lembro de ter estado nesses campos, nessas outonalidades, depois de ter ido estudar para longe. Aqui neste sul, essa melancolia é música fina, pura, quase silêncio, quase piano que se ouve algures, anonimamente, em dia de chuva. E quando chove, se ruídos parasitas não me agredirem, eu bebo de alegria toda a água que flutua pelo mundo. 

 

 

 

 

2016-09-07

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Entrei no Seminário de Cristo Rei no ano lecivo de 1959/1960. Não me lembro de qualquer contacto com o padre Henri e não sei se por esse tempo ainda apareceu por lá.

Lembro-me, sim, do movimento dos Padres Operários (as maiúsculas são intencionais).

Primeiro fiquei surpreendido e estranhei que tal atitude pudesse surgir entre os padres. Passei, depois, a admirá-los e entraram na minha memória e nos meus afectos especiais, sempre com uma grande admiração e muito respeito.

Hoje ainda existirá algo de parecido? Os padres são tão poucos!

A esses, que adoptaram uma profissão e um serviço religioso e comunitário tão prestimáveis, ainda hoje os lembro como homens idealistas, generosos e românticos - no sentido mais amplo e actual deste termo.

Espero que o padre Henri ainda guarde gratas recordações desses tempos antigos e desejo que a sua saúde, a sua mobilidade e lucidez se mantenham boas e invejáveis.

Ele em nada precisa deste meu escrito. A mim agrada-me tê-lo redigido.

Se for publicado e chegar ao seu conhecimento, espero que o aprove e o sinta como uma manifestação de apreço.

Saúde para todos.

António M. Rodrigues

2016-09-05

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

       E porque todos sabem mas poucos querem saber ...

       Acho não ser por demais lembrar .

 

 

             Álcool e açúcar na bebida

             E na comida gordura e sal

             Consumidos sem peso e medida

             Podem fazer - nos muito mal .

      

       Aquele abraço

                              Zé Lamas

              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


2016-08-31

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

           

 

                    Vagueei por sul e norte

                    Por lá vi o diabo à solta

                    Ludibriei-o com arte e sorte

                    P'ra poder estar de volta

 

                    Tendo chegado com algum cansaço

                     Mas também livre de perigos

                    Posso e quero deixar aqui um abraço

                    P'ra todos os meus amigos . 

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