fale connosco


2016-04-20

Arsénio Sousa Pires - Porto

Meu caro amigo Aventino:

Pois acho mal o teu programa de consultas para erradicares o silêncio!

Nem tu vês mal com os que a terra te há-de comer.

Nem as tuas mãos te tremem como quem tange viola desafinada.

Nem os teus neurónios definham nas suas conexões como margens sem cacilheiros.

Do que tu precisas é dum bom biólogo especialista em palmeiras.

Diz que as palmeiras não são árvores mas sim ervas grandes porque só têm um tecido produtor de folhas e, quando o insecto a ataca, é certo que a palmeira vai morrer.

Não consultes curandeiros!

Basta-te só armadilhar e caçar o insecto. E quanto a mezinhas, consulta as tuas tias! Aquelas de quem carinhosamente nos falaste na viçosa Palmeira.

Depois, avisa-nos por favor.

 

Tá?

2016-04-20

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

Considero estupendas estas entradas do nosso "anarquista" mor que é o Aventino.   E, não sei dizer se me agrada mais quando ele  provoca ou se quando escreve. Lembro-me de boas provocações mas também recordo excelentes textos dele.

Entendo que, para a AAAR, são óptimas estas duas facetas do Aventino. Claro que estas "farpas" devem ser entendidas como um acicate para todos nós. Certamente que o Aventino, ao provocar-nos deste jeito, não pretende que as coisas tomem o rumo do ditado brasileiro : «deixa estar como está para ver como é que fica ». 

Espero que o Aventino acerte na consulta que vai fazer  e que  o " curandeiro" especialista que ele visite o "oriente" para que  nos torne a brindar com aqueles belos textos que tão bem sabe escrever.

Um brinde, amigo Aventino, com um HENDRICKS ( mas eu ando baralhado com o elevado número de óptimos gins que, nos últimos tempos, inundaram o mercado). Mas esse serve!!!!!!!!!!! 

2016-04-19

AVENTINO - PORTO

A PALMEIRA Nº 39

 

1.O que penso:

Nada.

2.O que gostaria de pensar:

Nada.

 

Após a leitura de tanta pronúncia sobre A PALMEIRA, arquivei os dois textos que escrevi sobre ela: "o seu ser" e "o seu dever ser".

Marquei, porém, três consultas médicas:

-uma no oftalmologista;

-outra no neurologista;

-outra no psiquiatra;

Receio bem que esteja afetado na minha capacidade de ver, de sentir e de entender.

Do que for o resultado dessas consultas, voltarei ao meu arquivo; ou não. 


2016-04-18

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

 

 

Toda a gente sonha, sonhos deleitáveis ou pesadelos, só que, depois de acordar, ninguém os guarda e ninguém se lembra deles. Entendo que será bom relembrar um dia todos os sonhos que sonhamos. Pelo contrário, tenho a bizarra fantasia de guardar muitos dos meus sonhos dentro de um velho arcaz que venero como se fosse um sacro relicário para mais tarde, quando necessitar, acudir com o seu simbolismo a penosas aflições. Tornei-me, dessa forma, num guardador de sonhos.

 

Uma vez sonhei que era ainda criança irrequieta, que brincava com outros meninos pelos bisonhos carreiros  do meu lugarejo, com brinquedos feitos por nós a fio de navalha, jogando ao pião, rodando o arco, deslizando por encostas de montado num carrinho de sabão guiado por um cordel. Depois, dali me levaram para uma casa senhorial na Barrosa sombreada por frondosa palmeira de cujo tronco pendiam grandes cachos de tâmaras. Este sonho resolvi guardá-lo na minha arca porque marcava o início duma longa caminhada.

Doutra vez, veio-me um sonho no qual fazia um poema tão sublime e encantador que vieram os anjos do céu para o recitar em todos os auditórios do Planeta. De seguida, escrevia um livro tão profundo e transcendente que me tornei admirado e famoso, recebido nos areópagos de todas as nações onde era acarinhado e aclamado com prolongadas e estrondosas salvas de palmas. Também este meti num gavetão da arca porque exaltava a minha personalidade.

Numa ocasião tive um sonho em que granjeava uma incomensurável fortuna que fez de mim um homem rico e poderoso. Com ela tornei-me num bom samaritano socorrendo todos os infelizes do universo, matando-lhes a fome, sarando-lhes chagas, enxugando-lhes lágrimas, dando-lhes um laivo  de esperança. E quanto mais gastava nessas andanças mais incontável ficava essa fortuna. Claro que este sonho também ficou guardado porque era o atributo da misericórdia.

Noutra altura, dei-me a sonhar que era um obstinado viandante percorrendo todas as veredas da Terra, navegando mares desconhecidos e remotos, visitando as mais exóticas paragens, embrenhado em selvas aterradoras, jornadeando através de desertos ressequidos por sóis ardentes, calcorreando regiões imensas e geladas. Também este meti na arca para relembrar o espírito aventureiro. 

Veio outro sonho em que tentava subir ao Céu para falar com Deus mas dei comigo no cimo duma sagrada montanha donde abarcava todos os confins do Mundo. Lá me foi dado contemplar o misterioso Aleph de Borges e com ele todo o Cosmos a fundir-se na Eternidade.  Este sonho foi guardado junto dos outros porque concedia á minha alma uma esotérica e profunda  transcendência.

Até que certa noite, ó almas penadas, senti-me envolvido num sonho em tinha nos braços a suspirada mulher que eu amei um dia e lhe saboreava o amor num tresvariado deleite. Fora a menina dos meus olhos, um sonho dentro de outro sonho, o meu desejo, a minha perdição. Mas foi um sonho breve! Mal despertei e abri os olhos logo percebi que este era um sonho errado e falso, um sonho de mentira, um sonho impossível que nunca deveria ter sonhado, pois nos dias reais essa mulher que tinha amado era uma mulher ruim, uma mulher agreste e dura, uma mulher agressiva, uma mulher que só infundia desconsolo e miséria. Entendi que não merecia um sonho desses e era forçoso esquecê-lo. Um sonho desses, não; era um sonho funesto que só trazia mágoa e desencanto, desgosto e fracasso, raiva e frustração. Um sonho desses, nunca; tinha de rejeitá-lo e deitá-lo fora para longe das minhas recordações. Um sonho desses, não: tinha de esconjurá-lo por só trazer maldição. Um sonho assim nunca o poderia guardar e antes o lancei-o na escuridão das trevas. Por isso, um sonho destes não, não o guardei na arca-relicário dos outros sonhos meus.

 

Fátima, Fevereiro 2016

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2016-04-18

manuel vieira - Esposende

Boas colheitas por estes lados com um manancial de participações transversal aos diversos estilos e a mostrar como estamos vivos e bem vivos.

O Gaudêncio tem razão quando refere que o poema foi difundido por ele e apreciei tanto que fiz o copy past para o fale connosco sem qualquer referência ou comentário, o que faria posteriormente e aqui vim, ficando surpreso já com outras intervenções.

É claro que a tal pessoa que se chamava Fernando também era poeta e soube interpretar nos seus versículos o nosso mundo de coexistência e de amizade evidenciando como esta última é inequívoca. Apeteceu-me de imediato começar a falar do Encontro de 2016, do seu planeamento, do grupo que vai dar vida a esse reencontro juntando os amigos porque dizem que o tempo passa e não regressa. Acho que são horas de colocarmos o mapa na mesa, de colocarmos o foco no que tem valor para convivermos mais uns dias, que não serão tantos os que temos para isso (subtraindo os que faltamos no ano anterior).

Não sei como estão as favas do Assis que tem tido pouco tempo para cuidar delas devido à saúde mas estamos muito crentes em mais uma favada e para isso irei alertar os gaios e os melros para que deixem sobras. Sinto no ar a necessidade de convivermos.

Não dei as boas vindas ao Cardoso, que veio cá pela primeira vez, o que muito me alegrou. O Gaudêncio, para além da inspiração do poema, deu outros contributos que sabem bem, como deu o Castro numa abordagem transversal à nossa "revista", bem como os inspirados Barrosais do Alexandre, sempre magníficos na sua textura filosofal e poética.

Gosto quando o Aventino "mexe" com a situação a provocar o pessoal e assisto sereno e compreensivo às competentes reações. Sereno mas com um sorriso, como convém neste palco talvez sereno de militância palaciana.

A nossa revista cumpriu a sua missão de mensageiro da nossa realidade, batendo à porta da casa de cada um (cerca de 300) e entrando. Foi desfolhada e foi lida, com a energia de quem enrola a corda da sua vida. Mais lento ou mais rápido dando corda à sua curiosidade.

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