fale connosco


2011-07-10

manuel vieira - esposende

Animar um site não é fácil e esta rubrica do "Fale connosco" por vezes "assenta o casco na areia" e só com uma maré mais forte é que retoma a navegação.

O Arsénio espetou a vara e o barco retomou caminho... resultou.

E se alguns textos que por cá deslizam estão por vezes próximos da poesia, sendo incrivelmente musicais, outros mostram como a linguagem é por vezes um utensílio imperfeito.

Às vezes espeto o olhar a ver a maré crescer nos caneiros do rio junto à foz, onde eu moro.

Vou identificando os avanços e recuos da água pela esquerda e pela direita. E algum tempo depois a água já corre com a força natural num só sentido e as margens compõem-se num leito reluzente de murmúrios. Isto já me cheira a poesia...

Poucos dias depois do nosso Encontro ligou-me a Isabel Oliveira do Secretariado, a tal senhora que tem por missão contactar as Associações dos Antigos Alunos e tinha como tarefa desse dia fazer um ponto da situação junto dos grupos. Com a clareza das outras vezes informei-a de que a nossa Associação tinha abordado uns dias antes o assunto em Assembleia e que não estava nos seus propósitos a adesão a qualquer movimento de federação de organizações de antigos alunos de seminários, sendo consenso bem abrangente.

A Senhora percebeu e juntou certamente esta nossa opção a outras que tiveram o mesmo sentir, num cardápio onde também constavam indefectíveis do processo.

O colega com quem mais vezes troquei impressões sobre este Movimento desde o seu início foi o Arsénio, por factores diversos que favoreceriam a minha análise crítica sob variáveis diferenciadas que tinham também a ver com a sensibilidade geracional. As ideias do Arsénio foram sempre muito claras e na resposta ao Gaudêncio repetiu-as. Mas a abordagem frequente por parte do Secretariado obrigava-me a escutar sensibilidades e depressa percebi que a nossa forma de estar em grupo não tinha enquadramento nos propósitos de Fátima, onde se organizou o primeiro Congresso e onde quisemos estar presentes.

O assunto foi abordado nesta Assembleia com clareza, e para que ninguém mais tarde reagisse à omissão do assunto no local certo. É um assunto em que apenas a Assembleia tem capacidade para deliberar e o consenso foi claro e evidente.

2011-07-10

Arsénio Pires - Porto

Caro Gaudêncio:

Tinha dois objectivos com aquela minha intervenção. Um deles, confessei-o hoje ao Vieira, era espevitar o povo e, duma maneira agressiva (se quiseres…), fazer nascer água do rochedo!

O outro objectivo, que não era só para ti (se o fosse, já tinha intervindo mais cedo…) era pôr, mais uma vez o ponto em todos os “is” (tu não assististe a muitas das nossas lutas nesse sentido) sobre aquilo que se pode considerar facciosismo: tanto da parte dos que pretendiam transformar a AAAR numa espécie de Ordem Terceira (a expressão que sempre usei…), como da parte dos que queriam fazer da AAAR unicamente um clube dos que se sentam com os pés debaixo da mesa.

Ora, a minha luta em público, mas mais nos subterrâneos, foi procurar que imperasse o meio termo: fazer da AAAR um espaço de tolerância onde TODOS, crentes ou não-crentes, se sintissem bem, sem alfinetadas de parte a parte. O que nos une é muito mais do que as crenças ou descrenças que cada um tem!

Foi assim que, graças a essa luta, conseguimos este equilíbrio de gerações e sentimentos que faz da nossa Associação um espaço livre mas tolerante, onde ninguém se pode sentir menos confortável. Cabemos todos!

Só nesse sentido é que, também, na minha intervenção na nossa Assembleia passada, eu me levantei dizendo: Para transformar a Associação Nacional dos Ex numa arma a utilizar pela Igreja portuguesa, Não! Obrigado!

O nosso sonho foi concretizado: fazer da AAAR um espaço não confessional. Que cada um intervenha na sociedade civil ou religiosa como bem entender. (E olha que, apesar de tu já uma vez mo teres dito, eu não tenho sonhos de “voltar a ser diácono, padre ou bispo” (nunca o fui, nem concordo com essa ordem hierárquica nem, muito menos, desejo a ela pertencer!).

Mas concede-me ao menos algum mérito de, por variadas vezes ter dado o corpo ao manifesto para que a nossa Associação seja hoje o que, na realidade, é: Um espaço livre e tolerante. Nos actos e nas  palavras! Que também nas palavras podemos ser menos tolerantes!

Termino: A minha “hipersensibilidade” não é a respeito das palavras que tu disseste dirigidas a todos (como as minhas, aliás!). Se ela existe é em relação ao equilíbrio tolerante e respeitante entre TODOS nós. Esta tem sido a razão da minha constante presença na nossa Associação.

Consigo perfeitamente distinguir entre o que são ideias e o que são as pessoas. Podes combater as minhas ideias ou crenças que a minha amizade e consideração por ti em nada mudam. O nosso passado é muito maior e mais “igual” do que as nossas diferenças.

Mas há quem não consiga fazer esta distinção! E nós temos que saber acolher todas as sensibilidades!

Foi só por isso que intervim.

PS. Quanto ao Afonso Costa. Este republicano, também conhecido como o “mata frades”, proclamou do alto da sua ética maçónico-republicana:

“Ao fim de duas gerações não haverá catolicismo em Portugal”.

A minha referência a este personagem medíocre da nossa Primeira República, concedo, foi um pouco cínica! Peço desculpa a quem, eventualmente, se tenha sentido menos bem com esta tirada!

Um abraço (que não é “de atacado” como alguém baptizou os que aqui costumo mandar). É sincero!

2011-07-09

António Gaudêncio - Lisboa

Da minha pouca experiência de vida (ainda sou só sénior ) constato  que tenho muito, ainda,  para aprender e para conseguir captar alguns sinais  porque verifico que, às vezes, parece-me ouvir uma coisa quando, na realidade , outros me garantem que disseram outra.

Desconhecia que o Afonso Costa dava gritos. Eu conhecia-o por outras facetas mas se dava gritos de pouco lhe valeu essa gritaria porque , da história, poucas lembranças ficaram  do Afonso Costa e  o que ficou não o favorece por aí além.

Também desconhecia a tendência do Arsénio para estes gritos à Tarzan! ( Como  verificas o meu fraco poder de observação é notório, uma vez que nunca  tinha conhecido esse teu jeito, ó Arsénio !!!!). E o meu escrito não te era dirigido, daí podias-te poupar esta canseira. Se eu conhecesse essa tua hipersensibilidade ( que a tens e em grau elevado ) eu teria escrito, talvez, com mais virulência para tu sentires que era contigo que eu estava a falar.

  Homem, está descansado que ninguém vai bolir com a tua FÉ assim como eu, também, estou seguro de que não vais implicar com a fé dos outros, com a minha ou com a ausência dela.

Para simplificar, vou explicar, uma vez mais, que a minha reacção sobre o assunto da FEDERAÇÃO tem a ver com uma coisa que te pareceu tão clara e a mim se me afigurou algo escura: Logo ali, na Assembleia, ficou patente, para qualquer observador, mesmo desatento, que os campos já se começavam a alinhar. E eu que desanimei quando o Amílcar transformou a AAAR numa sucursal do Piaget, quando o Pe Peres tentou , e quase conseguiu, tranformá-la numa Agência de Viagens e o Pe Leonel quis reduzi-la à Ordem Terceira dos Redentoristas, não pretendo vê-la agora integrada numa qualquer Federação, cujos objectivos me parecem mais que dúbios.   E sobre isto chega!!!!!!

Embora reconheça que, ao fazê-lo agora, o mérito já seja escasso ou nulo, quero voltar ao Encontro Anual para deixar duas breves  notas : Saudar com satisfação a presença de algumas caras novas que, há muitos anos, andavam afastadas da Associação e recordar, com pena, as várias ausências que são sempre tristes. Mas, de entre estas, quero destacar ( por motivos pessoais, claro) a falta do nosso incontornável amigo ( amigão ) e companheiro Peinado. A sua alegria de viver, o seu jeito de estar e o seu esfusiante bom humor fazem falta em qualquer das nossas reuniões.... Que te restabeleças depressa, amigo Peinado, e que recomeces a dar-nos, de novo, o prazer da tua companhia que dá sempre uma animação diferente aos nossos eventos.   

    

2011-07-08

Arsénio Pires - Porto

Da minha larga experiência da vida (sou sénior...), já há muito tirei esta conclusão:

Há muito boa gente que convive mal com a fé dos outros.

Eu, porém, convivo muito bem com a falta de fé de muitos.

Não tenho qualquer dificuldade em dialogar, em aceitar a diferença.

Penso que talvez seja este um dos meus maiores defeitos!


Vem esta introdução a propósito das dúvidas que, pelos vistos, ainda permanecem em relação ao ponto que o Vieira levantou na nossa Assembleia:

Aderir ou não à Associação Nacional dos Ex-seminaristas.

Se bem me lembro, o assunto ficou solucionado logo ali:

Não vamos aderir enquanto não se conhecer melhor quais os objectivos concretos da dita Associação. Não fechamos a porta mas, a manter-se a Associação ligada intimamente à Igreja portuguesa, como até aqui, somos contra!

A nossa AAAR tem outra perspectiva do que deve ser uma associação deste teor.

E estamos muito bem! Obrigado!

 

Pelos vistos, focaram dúvidas. Mas… todos falámos (ou pudemos falar). Todos ouvimos. Todos concluímos: NÃO!

 Para quê, agora, esses gritos à Afonso Costa?

Quem tem ouvidos para ouvir… que ouça!

2011-07-08

Alexandre Gonçaves - Palmela

Não venho justificar o meu silêncio. Calar-se de vez em quando é apenas ceder o microfone. Ou retirar-se um pouco porque as muitas palavras às vezes sugerem objectos obesos, ocupando em vão o escasso território da comunicação. Como o Gaudêncio entrou a ferrar o dente, senti-me na urgência duma solidariedade meridional, corroborando a clareza e a audácia manifestadas. Aquela piedosa incursão em Gouveia pelos domínios do óbvio e do zelo apostólico em sermos incluídos numa brigada de salvação da boa Fé nacional, e provavelmente dos cristãos costumes lusitanos, teve o sagrado efeito de nos distrair da festa recém-começada. Gouveia já é montanha. Montanha já é V.Ferreira. O sexo angélico deve ser dos mais atraentes da nossa massa encefálica. Ferreira nem uma palavra. Não porque a não houvesse. Mas porque ela deixou de caber naquele alarido de repetições, como quem aclara a voz para uma intervenção determinante para o destino do mundo. O assunto em causa não carecia mais do que uma simples informação. A sua irrelevância extingui-lo-ia tão naturalmente como aquilo que só existe porque é dito. Falando da viagem em si mesma, e tendo auscultado diversas sensibilidades, acredito convictamente que ela correspondeu às melhores expectativas. Os pormenores de circunstância, que porventura tenham suscitado algum desagrado, não anulam a excelência das intenções e dos respectivos esforços para as levar ao terreno. Houve momentos de elevação por sobre as rotinas das nossas existências, naturalmente já cansadas de tantas fraudes a que a vida já nos sujeitou. A duração começa a ser longa e muitas promessas vão ficando por cumprir. Mesmo assim, teremos de assumir que a nascente do Côa, onde ressoou uma surpreendente memória milenar, valeu o risco e a utopia. Que na mesa, duma expressividade inédita de presenças, houve encontro, houve alegria, houve fala, e uma silenciosa permuta de afectos. Que no porto de honra se lavrou em pedra uma reconciliação universal de judeus, cristãos, muçulmanos e outros pagãos afins ou ateus de variadas extracções. Que no autocarro quem se apoderou do comando foi o alentejano Silveira, homem incontornável nas decisões do mundo. Que no largo da cidade, a piroseira está casada com o poder local. E de nada servirá uma boa intenção, se lhe for negada a previsibilidade dos bens elementares. O hotel do Sabugal, emoldurado sobre as serenas águas do mais belo rio do mundo, protegido a poente pela tutelar sombra do castelo, tem uma arquitectura de paz e uma discreta sugestão de amores tranquilos e regeneradores. Cerejas? Em rigor, ninguém pode afirmar que as não houve. E o Silveira, que nos vastos campos alentejanos nunca viu nem sequer a sua cor, só admitia que uma recta era o caminho mais curto entre Folgosinho e uma boa cama de hotel. Arrecuas? Quem as não faz, mesmo sem a perícia modelar do Silveira? Vá lá, ó nordestinos, repitam a dose e levem-nos pela mão aos abismos trasmontanos. Acabando, um profundo agradecimento público a todos os participantes, especialmente àqueles que ousaram confiar, pela 1ª vez, na proposta que lhes foi feita. E dum modo mais particular, quero referir aqueles suspeitos do costume, sem os quais nenhuma ideia se põe a caminho. Uma viagem como esta tem sempre, na obscuridade de muitos gestos, a força que a põe em movimento. Em jeito de "P.S.", e em resposta à justa crítica do Gaudêncio, V. F. foi antes e depois. Não podia ser durante por razões que só os deuses conhecem. E amemo-nos uns aos outros, porque os dias estão mesmo a fugir...

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