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2011-09-07

PEINADO TORRES - PORTO

Bom dia companheiros É com toda a alegria e amizade que hoje me dirijo o todos vós. Por uma boa causa e para que a verdade não morra solteita ,o nosso comum amigo ALEX ( o filósofo )requeeu aqui a minha presença para confirmar que ele sempre esteve DISPONÍVEL para participar na " FODA Á MONÇÃO ", facto que eu comuniquei telefónicamente ao nosso DECANO MARTINS RIBEIRO. A conversa foi longa, tratamos outros temas e é provável que que o nosso amigo não tenha registado este assunto. NOTA IMPORTANTE: o convivio na " FODA Á MONÇÃO " vai ser uma relidade. Vem uma forte delegação de compamheiros residentes no SUL, e como grande aquisição O DELFIM. Mas temos mais. Chega hoje dos STATES o nosso inestimável companheiro " O MÚSICO, PÍNÓQUIO, O GONISSALVES ( como lhe chamava o falecido Padre Vaz ) o meu condiscipulo e AMIGO DOMINGOS GONÇALVES, outro grande amigo e companheiro HUMBERTO MORAIS ( também filósofo ) está a desenvolver todas as diligências para que o GONÇALVES também esteja presente. Tudo isto se deve à amizade que nos envolve a todos nós, ao convívio que ontem realizaram os nossos amigos que residem no SUL, com o PASCOAL & CA, e a um trabalho desenvolvido por outra grande figura do nosso convívio também meu condiscipulo que dá pelo nome de ANTÓNIO GAUDÊNCIO (o perna longa ). MARTINS RIBEIRO temos " FODA Á MONÇÃO " e a NATALI que se prapare , pois segundo informações recebidas de fontes que não podem ser divulgadas, temos companheiros em grande forma e outros que não querem BOTAR má figura já estaão a tomar VIA... , é claro que isto são assuntos de confessionário, por tal motivo sigilosos. Companheiros o meu abraço . VOLTAREI
2011-09-06

alexandre gonçalves - palmela

Admirável Decano Martins Ribeiro: Não venho defender-me dessa oblíqua acusação de ter "perorado" abstratamente. Porque tenho o hábito de não dizer o óbvio, ou antes, de o escrever. Por esse motivo aqui lavro um protesto pela ímpia presunção de que eu faltaria à exaltante liturgia de Monção. De resto, convoco para testemunha da minha clareza o insuspeito Peinado, a quem oportunamente garanti a minha presença nesse acto de imolação. No dia 13 de Setembro, pelas nove horas, estarei algures no Porto, para me integrar nessa jacobaica peregrinação, em ordem ao sacrifício do cordeiro. De ser tão óbvio, nem sequer a tal me referi. E alerto toda a navegação para o esplendor do gesto, quer pelo conteúdo quer pela forma e paisagem, quer pelos celebrantes, quer sobretudo pelo criador da IDEIA. E aproveito de passagem para defender o direito à abstracção, porque, tal como se prova no exemplo em curso, só uma BOA IDEIA sabe o caminho dos grandes actos concretos. O elogio do silêncio é um apelo à vida concreta, aos actos amorosos, às boas práticas sem nome. Em suma, àquela mesa ampla e redonda onde os amigos se sentam mortos de sede e saudade pela beleza do passado e pela recusa da escassez futura. Encontrar-se é resistir, é demorar-se um pouco mais, é sentar-se lentamente, para ampliar a duração da utopia.
2011-09-03

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Vem aqui o Alexandre, num belo e filosófico texto, perorar sobre o abstracto e, como se diz em direito -creio eu- “quanto aos costumes disse nada.” E tal era importante: nem disse ele nem ninguém, a não ser o Assis que, ao menos, foi franco e sincero:

não contem comigo para a dita de Monção porque, (pasme-se), vou para Barcelona.

Viva o luxo, digo eu!

Parece-me que, pelos vistos, ninguém está disposto para a função programada nem sequer para aí virado. Por isso e a propósito, vou contar-vos uma história verdadeira sobre o dito trabalhinho que vos seria posto gratuitamente diante da focinheira, para não dizer da tromba.

Era eu pequeno e, por alturas da Páscoa, estava em plena praça Deu-la-deu de Monção um indivíduo á fala com uma distinta e respeitada senhora da sociedade daquele  tempo, afirmando-lhe convictamente:

a senhora esteja descansada que eu vou arranjar-lhe uma boa “foda” e vai ver que vai ficar satisfeita. 

Passava então nesse momento pelos dois interlocutores o Delegado do Procurador da República, magistrado quase sempre doutra região do País, e ao escutar tal destempero de linguagem e julgando que o cavalheiro estivesse a faltar ao respeito a tão distinta dama, interpelou-o com dureza e rematou com decisão:

o senhor está preso por atentado ao pudor!

O homem, atrapalhado, lá foi explicando ao magistrado que a “foda” de que ele estava a falar não era outra coisa senão o anho da Páscoa, conhecido por essa bizarra designação e que ele, como comerciante dono de um talho, procurava apenas prestar o melhor serviço aos fregueses. Confirmado tal facto pela madama ficou sanado, dessa forma, o equívoco.

Bom, e então lá terei eu de fazer o mesmo no local escolhido para o repasto. Vejo-me obrigado a ir dizer á Natali, filha do dono do restaurante e que nasceu em França:

--minha senhora, eu tinha-lha pedido que se aprimorasse na “foda” mas, afinal, parece-me não ser preciso porque aqueles com quem eu contava para dela desfrutarem se estão nas tintas e não querem saber dela, dando a ideia de que andam de papo cheio. 

Ó companheiros, deixai-vos de silêncios e de filosofias e resolvei-vos porque, como muito bem diz o Peinado, é um sacrilégio perder tão delicioso pitéu!

 

2011-09-02

manuel vieira - esposende

O silêncio ruidoso das férias traz alguma distância pela ambiência diferente e mudança de hábitos,mas nada que nos distancie dos amigos.

O silêncio tem força quando leva a que muitos pensem nele.

O Alexandre fala do silêncio e o Ribeiro e o Peinado da dita de Monção, aquele património gastronómico que não olha à idade, pese o silêncio dos que pensam que para a "dita" são precisos dentes novos.

O Ribeiro está a contar com o "Clube dos Mastigadores" e saltar até Monção é privilégio divino que junta os prazeres da mesa às paisagens minhotas fronteiriças.

Podemos falar de alvarinho, cabrito montanhês, dos temperos escondidos pelas tradições locais que transformam os produtos em iguarias de paladares únicos, mas é também o ambiente à mesa, as histórias contadas com sorrisos e outras emoções que dão a estes momentos passados em grupo, o alívio de alma que aumenta os anos de vida.

Têm duvidas?? Bom, bom é o que não se perde nas mesas e nas paisagens retemperadoras  do verde Minho.

2011-09-02

Alexandre Gonçalves - Palmela

3.ELOGIO DO SILÊNCIO. Duas vezes me referi a ele, ao homem discreto. Recusei dar-lhe nome. Tanto era o seu silêncio que só de olhar se ouvia na distância. E embora seja uma raridade biográfica, ainda se vão contando nesta paisagem múltiplos exemplares. Começo pela Nortlândia, essa nação verde e ofegante, quer no trabalho, quer na arte da mesa, quer na militância da salvação universal, quer ainda na projecção de ideais e utopias. Pois é nesse território, que parte de Gaia e avança até ao rio Minho,que me quero prender neste fim de verão. É um fim de tarde de Julho. Um vento quase fresco, quase água, perpassa no ar de Crespos. Não sei onde fica tal nome. Nem o mapa dá conta dele. Mas é um lugar terreno, embora pareça divino. Aí me sentei em cima do verão, entre vetustas árvores, sob latadas densas, já derramando o futuro vinho verde prometido. Como se isso não fora já demais, ao longo da propriedade corre com uma autenticidade absoluta um rio sereno e farto. Um rio sem metáforas, límpido como se nascera ali. O rio vinha de longe, como todos os rios. Trazia a pureza dos montes e não se perturbara na aspereza dos caminhos. Ao chegar a Crespos, abriu um açude cristalino, com juncos e amieiros. Só faltou trazer uma câmara e filmar ali ao vivo uma daquelas histórias literárias, vindas das narrativas antigas. À flor daquelas águas, excitadas pelos aromas futuros dum fresco e generoso loureiro, ouviam-se os rumores das trutas genuínas, esperando vagamente por um banquete de grelhados... Adivinhem o nome do rio, que eu nem isso sei. O que sei é que nesse silêncio conventual o homem discreto escreve a sua vida, a sua vinha, a sucessiva existência, o poema duma taça de vinho verde, a estalar de frescura sobre o deserto do verão. O homem discreto é da nossa extracção e integra gloriosamente a nossa memória colectiva. Também na pagã Sulândia há silêncios dignos de nome. Acordem um dia cedo num dos montes interiores do Algarve. Em moldura de fundo o mar. À volta um arvoredo talvez recente. Até parece que o mouro ainda anda por ali. Abundam árvores de fruto. Há no ar um aroma de laranja. Trepadeiras intensas disputam à luz o domínio da cor e da manhã. E ouve-se a água, uma água ainda muçulmana. Vem das entranha da serra, sai pelas fendas da mina e reúne-se por fim numa fonte rumorosa. Na manhã alta e azul, aquele som de violino acalma a violência do verão. Um azulejo árabe proclama a pureza científica da água, da qual se dirá a quem a beber que nunca mais terá sede. Vê-se ao longe o mar. Respira-se um aroma de laranjas. Ouve-se o verão numa fonte árabe. Sobre a eira, comenta-se a tarde e a vida. E bebe-se um vinho branco de eternidade. É um homem discreto da nossa extracção. Integra com vaidade a nossa memória colectiva.

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