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2016-04-06

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Aventino,

Se percebi bem o teu repto do dia 02/04/2016, provoco-te: envia-nos os dois.

Se me mantiver por cá e lúcido garanto-te que terás, pelo menos, um leitor.

Saúde

2016-04-03

Arsénio Sousa Pires - Porto

Aventino, por minha parte agradeço o teu repto.

Provocador, como sempre és, mereces bem que te responda!

Sugiro, então, que nos envies o texto que escreveste sobre o que pensas da Palmeira. Talvez assim fiquemos a conhecer o outro que escreveste sobre o que gostarias de pensar!

Aquele abraço de sempre.


2016-04-03

Delfim Pinto - Almada

Meus amigos:

É por estas e por outras que muitas das vezes as coisas não funcionam...

Vá-se lá saber como é possível, depois de um texto com a qualidade do acima publicado - A GRANDE PÁSCOA TRISTE - o nosso amigo e excelente escritor Aventino vir com o apontamento acima publicado - a Palmeira 39 - sem que fizesse uma pequena abordagem àcerca do que pensa do escrito do  Alex.

Custa-me este passar pelas brasas...a fugir...indiferente ao que do mais belo nos é oferecido sobre nós.

Tenho que referir este meu desabafo pois fico triste ao constatar que raramente aconteceu haver elogios ou críticas aos textos maravilhosos publicados pelo Alex neste espaço de cultura.

E o que refiro quanto aos textos do Alex aplica-se a outros excelentes textos aqui publicados.

Eu também o não tenho feito? Tenho, sim, directamente com os visados.

Neste espaço não o tenho feito porque não me acho com a qualidade suficiente para o fazer.

E já falei mais do que devia...mas sou assim e assim continuarei a ser...

Boa noite.

Delfim Nascimento...

2016-04-02

AVENTINO - PORTO

A PALMEIRA 39


Escrevi dois textos: um, sobre o que penso de A PALMEIRA; o outro, sobre o que gostava de pensar.

Indeciso, questiono-vos: qual deles quereis?

Nenhum?!

2016-04-02

alexandre gonçalves - palmela

BARROSAL XX - A Grande Páscoa Triste

                                                        Nós os vencidos do catolicismo

                                                        que não sabemos já donde a luz mana

                                                       haurimos o perdido misticismo

                                                       nos acordes dos carmina burana

                                                                         Ruy Belo


Quando passo pelas esquinas da vida. Ou quando subo a sítios altos, de onde se vê o mar. Ou recorto pedaços de silêncio, por entre os anónimos sons da cidade. Se puder sento-me. Numa igreja vazia, na margem de um rio de província, num calhau disforme no cimo de um monte. Sento-me apenas e não penso. O que for se verá. E é quase sempre um desfile de imagens antigas. Fotografias fora de álbum, desbotadas, ingénuas, sem data nem legenda. E muitas vezes acabo tão mudo que nem consigo falar nem escrever. E se houver música por perto, como quando na estrada acelero cavalos sem urgência, tudo se agrava, tudo é maravilhosamente triste. A memória é um campo de neve. Um cerejal em floração. Um piano distante, em paisagem de chuva. A memória comove. Não explica nem informa.

Páscoa feliz? Porquê? Onde? Possum destruere templum Dei et postridie reedificare illum. Era uma sexta-feira santa. Pela primeira vez, integro o coro, defendendo convictamente o papel de tenor. O maestro dá claras indicações para que nenhuma voz se distinga das outras. Mas os rituais estão encenados como se de um dramalhão se tratasse. Representava-se  a morte de Deus ou de Cristo. Para mim era confusamente igual que fosse um ou o outro. Eu tinha de gritar aquele latim, como se fosse uma tragédia grega. A música era de Tomás Luis de Victoria. Em chegando àquele versículo (posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo no dia seguinte), a fonética latina, associada a uma harmonia deslumbrante, esmagava-me, exaltava-me, arrepiava-me, até ficar fora de mim. Achei então que a música era a minha mãe, a minha namorada secreta, a minha paixão radical. Vocação não teria muita mas só por isto já muita coisa valia a pena. No sábado de aleluia, celebra-se alegria na capela. Abril anda no ar, sugerindo luz, brancura, natureza explosiva. O António, desafiando as teclas, interpreta como lhe apetece a euforia ritual. Há uma festa delirante, que se respira por toda a parte. Eu próprio, sempre em litígio com a divindade criadora, vejo um ramo novo de tília a entrar pela janela. E disse para Deus, ganhaste. Hoje tenho fé suficiente para acreditar que sem Ti nada disto era possível. Rendo-me. Aqui me tens. Chamaste-me para padre? Muito bem, sê-lo-ei!

No dia seguinte, era a páscoa, o povo judeu libertava-se da escravidão egípcia, e Cristo ressuscitava. E um verdadeiro crente ressuscitava para uma alegria nova e uma nova vida. O almoço era abundante e requintado, como que a simbolizar a felicidade futura da futura passagem desta para a outra vida. A memória aqui é toda branca, vazia, confusa. Vai sê-lo durante vários anos. Após o banquete, a tarde é longamente inútil. Haverá o bosque, a avenida, não me lembro de ninguém. Recorto a sala do quinto ano, virada para nascente. A escola está fechada. Nenhum som feminino chega de Soares dos Reis. Ao fundo do corredor há-de haver um piano. O António também anda por ali à busca de sobrevivência. Encontrou-a desvairado nas teclas abandonadas. Transformou os dedos em martelos. Ele não toca, ele esmurra. O som escavacado espalha-se por escadas e corredores. Entra na sala e esfanica sem piedade o que restava de alegria. As mesas enceradas gravaram para sempre mútiplas lágrimas que ali correram em vão. Anos mais tarde, há disso fotografias nítidas, a avenida Nuno Álvares atravessa a linha da solidão da beira baixa. Do outro lado, é o trágico barrocal. Pedregulhos dos começos do mundo, medonhos e estéreis, longe de quaisquer elementos da espécie humana, são escolhidos para a grande celebração, para digerir o lauto repasto pascal. O João, com o seu gravador portátil, encostou-se ao penedo, para o penedo não cair. O Sousa estende uma toalha e uns petiscos suplementares, de origem protegida. É festa até ao fim. O alves mói tristezas inconfessáveis. O Sanches sorri silêncios remotos. O Emanuel soluciona o problema da angústia, como um gatinho que se estende ao sol. Etc. Está tudo nos documentos. É uma tarde longa de páscoa, são muitas tardes longas de páscoa. Os afectos, de tão jovens, nem sabem quem os capturou.

À noite, antes de adormecer, já não tenho nem fé, nem vocação, nem um lugar que apeteça. Com algum esforço, irei adormecer numa outra luz onírica, procurando no escuro segredo um rosto moreno e triste, que me sirva morangos de páscoa, no alto de uma colina.   

 

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