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2016-11-08

Arsénio Sousa Pires - Porto

Mais uma Palmeira?

 

Amigo: 

Continuamos a publicar a nossa revista, ou ficamos mesmo por aqui sem chegarmos ao Nº 40?

A ti compete responder SIM ou NÃO.

Se responderes SIM, podemos contar com um artigo teu? Conheces as condições:
              1. Tema: totalmente livre.

              2. Número máximo de palavras: 750.

              3. Data limite de recepção: 30 de Novembro.

Nota: Responde, até ao próximo dia 15, para o mail: arseniopires@gmail.com

 

Arsénio

2016-10-27

alexandre gonçalves - palmela

PALMELA: CÍRCULO DO FOGO 2016       



Que bom! Sábado à tarde não morre

ninguém na cidade:

a agência funerária faz semana inglesa

Anda comigo meu irmão

podemos passear tranquilamente



Ruy Belo



Viajantes da vasta vida!

Saudações outonais, conforme o tempo que está passando sobre as nossas peregrinas cabeças. Quando as primeiras chuvas do sul bateram nos vidros das janelas e em directo as ouvi de noite na acústica do telhado, lembrei-me de novembro. O primeiro sentimento foi de melancolia gregoriana. Coisas como Rorate, kyries, salmos e afins. Assustei-me como se tivesse sido apanhado em distracção. A chuva do sul é tão rara mas tão cheia de ausências e de pianos longínquos!... Foi quando o círculo do fogo acordou o que restava em mim de esperança e utopia. Essa ponte que une as múltiplas e penosas distâncias. Já tudo vai ficando um pouco longe. Mas em rigor ainda é cedo para não acreditar na mobilidade. Na mesa que inventámos ao longo de vários encontros sazonais. Na doçura clássica da amizade. Afectos que resistem, até à prova de amores híbridos e outras obscuridades.

Por tão desnecessárias razões, gravo nesta pedra o selo do regresso. O paraíso talvez não seja tão habitável como prometeram. Aqui neste sul preservado, de conventual pudor, entre os bíblicos cedros e os altos muros do silêncio, há vestígios das promessas que foram retiradas de outros bem merecidos programas. Ser feliz aqui, nem que seja por um escasso gesto de passagem, não é uma oportunidade impossível. E depois de uma ausência insustentável, é legítimo esperar que o norte e o sul, o leste e o oeste, se concentrem neste círculo, comandado pelo fogo. O filho do homem não se pode distrair. O tempo já não chega para os serviços mínimos. Cada convite, selado por uma palavra comum, a mesma memória, o mesmo albabeto de iniciação, CADA CONVITE tem de ser uma guia de marcha imperativa. Sentar-se, em época de tanta urgência? Consumir lugares comuns, esgotados até ao tutano?

Viajantes! Atentos estai. No dia 12 de novembro, sábado de S. Martinho, um santo que para o ser só teve que dar a sua capa a quem teve frio, oliveira do paraíso põe mesa, serve pão e vinho, abre portão às dez, fecha no dia seguinte, canta, dança e fala. E junto ao fogo, as louras castanhas do nordeste oferecem-se como prémios aos vencedores de tão duros combates. Vinde e vede. E ao erguer a taça dos frutos vermelhos, que líquidos correm por estas ruas e campos, brindemos aos suaves laços que nos prendem. Às palavras maternas que nos exprimem. Ao futuro, que não sendo longo ainda está vivo.

Vem meu irmão da vasta terra! Bebe comigo este sábado docemente ocioso! Esta outonalidade genuinamente tranquila, feita de lentos gestos, que a longa memória preservou!!!



Nota Final

 

Após o demorado lenho, que a imaginação feminina cobriu de requintes finais, caminharemos em direcção ao fogo. Aqui, enquanto se humedece a voz de líquidas alegrias, seria desejável uma palavra original e colectiva. Era bom que fosse nascendo lentamente, para não improvisar um qualquer lugar comum, na hora da despedida. Era bom que no regresso às várias vidas continuasse a arder, para destruir distâncias e ausências.

2016-10-23

Delfim -

Uma música que me faz sentir, me maravilha, me projeta, me liberta.

Uma análise da mensagem que me seduz de todo.

Uma poesia difícil, do género do, muitas vezes premiado, nosso amigo Echevarria, que nos obriga a reler várias vezes, mas que nos compensa com a satisfação de a termos percebido.

Um obrigado por esta nova entrada em campo.

Fico a aguardar o prometido.

Um grande abraço.

Delfim.

2016-10-15

Adolfo de Barros - Práqui'stão ...

Miserere Mei (Salmo 51)

 

A mim a psicologia barrosista (dos agapantos, como lhes chamo) fascina-me deveras e é fonte de estudo. Cada encontro, como o da última favada, é mesmo delicioso. Isso permitiu-me extrair algumas conclusões psicanalíticas, que algum dia passarei a escrito.

 

O salmo Miserere Mei é posto em causa assim tão leviana e desnecessariamente, não se vendo nele uma linha de conduta para a vida nem a muita luz existencialista que dele emana, fruto de um coração sincero e profundo. Enfim, sofre-se inutilmente, porque não se reconciliando consigo próprio, não se pode atingir aquela paz interior que apazigua o coração e o encaminha. E eu fico triste; não gosto de ver sofrer ninguém assim tão inutilmente, e tudo apenas por não se reconhecer que a nossa alma é pecadora, limitada e imperfeita, com muitas aderências descartáveis, mas ao mesmo tempo capaz de aspirar a mais, evoluir e aperfeiçoar-se, eliminar teias psicológicas, em suma: de crescer. Mas enfim… Creio que há hereges que realmente gostam de o ser. Só que ser-se herege para sempre não é bom, faz-nos masoquistas e solipsistas. O caminho da catarse e da resiliência é superior.

 

Sempre pensei que há heresias altamente pedagógicas e que vêm a revelar-se caminho para a libertação e evolução pessoal da consciência. Nisso meditei muito tempo. Porque, claro, eu assim pensava. Mas era eu. E ao mesmo tempo dizia cá para mim: “E Deus… o que pensará disto? Será que pensa o mesmo que eu?” E andava neste dilema até que um dia, apiedado de mim, o meu anjo me deu uma resposta desconcertante. Disse: “Deus não pensa nem raciocina. Apanha flores nos jardins da mente. E canta docemente: Eu sei que você tem um jeito quase único de Amar e de Crer. Eu sei.” E imitava-O. A canção tinha um sotaque abrasileirado, mas a melodia era tão doce, tão inominável e amoruda, como que me trespassou. Não se resiste, coisas que não mais se esquecem… E concluí: Heresias contra Deus não têm importância nenhuma. Mas as que atingem o homem (como a heresia em questão), essas sim, são malignas e não devem ser por nós aceites. Quero, por isso, deixar um pequeno contributo, para a compreensão do salmo em questão, e faço-o numa versão poética para que assim mais eficazmente possa chegar aonde deva chegar. Falta-lhe aquele ritmo salmódico tão próprio de um Inocêncio I, ou de um Gregório (de cujo nome derivou o nosso canto), mas não vá o sapateiro além da chinela. Eles eram Santos, de grande virtude e muita inspiração divina. E, apesar de Santos, foram homens de vasto saber e que muito têm a ensinar ao mundo de hoje. Daqui claramente se infere, meus caros, que a santidade está ao nosso alcance. É que Deus abate os poderosos e arrogantes e exalta os humildes. Mãos à obra, pois. A vitória será nossa! (desculpem-me tanto entusiasmo! Será do Euro?). É o que a todos desejo.

 

 

Os muitos afagos da pecadora

 

 

suplicante amanhecia

luas cheias em seu corpo

maré alta pelos caminhos

ela veio

 

de portas abertas até ao deserto mais fundo

ignorando preces

redemoinho de cabelos e lágrimas e afagos

a teus pés inapreensíveis chorando

 

ela veio

pó e becos infindos onde a alma se perdia

nas feridas onde só amor ardia

e o pensamento pára

 

as roupas incoerentes eram inúteis

agora que a tormenta explodia

e nela amanhecia

correndo até onde o coração em demasia latindo mais acudia

 

no pecado de ser assim

e assim ter nascido,

sem nenhum deus sem alma a teus pés caindo perdida

de amor cativa arfando

amanhecia.

 

e sabendo que ela era eu

assim de tão sem sobrevida chorando tão despida se sentiu

que chorando de Infinito perdida a teus pés expectantes

longe do mundo sorriu

 

e latindo amanhecia

sem vento sem culpa sem tempo

2016-09-25

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

Sou um dos que admiram  e apreciam esses belos nacos de prosa com que, de quando em vez, o Alexandre nos presenteia. 

Nunca utilizei este sítio para trocar impressões com ele sobre os seus magníficos textos  pois temo-lo feito sempre doutras formas e noutras instâncias. Mas hoje abro uma excepção e quero registar com muito agrado a mudança de registo pois este tema já não versa sobre amores perdidos, amores desesperados, amores chorosos, amores platónicos e outros mais amores. Desta vez o Alexandre ofereceu-nos um texto primoroso que vale a pena ler duas vezes pois, em cada uma dessas leituras, surgiram-me recordações e lembranças diferentes e novas que me tinham passado desapercebidas na primeira  passagem. 

Obrigado Alexandre e que nunca as mãos te doam para continuares a escrever.     

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