fale connosco


2011-11-23

A.Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

REDACÇÃO DE UM PUTO DE ESCOLA

Os vampiros. Eu nunca vi nenhum vampiro. Dizem que são uns bicharocos negros e muito feios que voam de noite, em magotes. Que não têm ossos nem penas macias, mas nervuras ásperas. Que só bebem e gostam muito de sangue. Que têm uns dentes ocos e aguçados com que chupam o sangue das pessoas. Disse-me o meu amigo Tone da Reigada que já viu um. O Tone é um mentiroso porque está a dizer isso só para me assustar. Mas o meu pai, quando lho perguntei, encolheu os ombros e só me disse que os vampiros existem e  atacam tudo o que lhes cheire a sangue. Que começaram a aparecer há alguns anos, num certo dia de Abril. Eram muitos e mais vieram depois, engrossando o bando; tinham cada vez  mais sede e todo o sangue que havia já não ia chegando para os fartar e quanto menos sangue havia mais desaustinados iam ficando, ao ponto de perderem algum receio e começarem a sair do escuro da noite para se empanturrarem em plena luz do dia. Agora andam por todo o lado e atacam sem medo e ás claras.

Ah, se calhar é verdade e por isso é que eu vi tanta gente nas rua a berrar e então alembrei-me duma cantiguinha de vampiros que cantava que eles comiam tudo e não deixavam nada. Que sugavam o sangue e ficavam com os beiços muito focinhudos, como os dos aganões, todos lambuzados, tão gordos e inchados que até quase estoupavam. Mas logo lhes vinha a fome e então lá iam eles outra vez a voar de noite e até de dia á procura de mais sangue. E nunca se fartavam. 

O meu irmão mais velho, o Nelo, que já é casado, disse-me que já foi mordido por eles, que perdeu muito sangue e o fez ficar sem o dinheirinho das férias e do Natal. Que este ano não me ia dar a prenda do costume porque não podia, que nem aos meus primos, os filhos dele, lhas podia dar. Há dias ouvi minha mãe, danada, a barafustar que essa bicharada tinha andado por lá e a tinham cravado, que eram piores que os ladrões porque levavam tudo pela calada. Até o meu avô Bílio e a minha avó Quina, que mal vivem duma reforminha que recebem, me mostraram umas mordidas frescas que os malvados lhes tinham feito numa noite destas, tendo ficado sem algum do seu pouco sangue e também, por via disso, nem um rebuçadinho me iam poder dar neste Natal. A minha professora também me disse que tem sido muito mortificada pelos vampiros, que os sente á volta dela a quererem mordê-la e que, muitas vezes, nem a deixam sequer dormir. O meu tio Artur, que gosta muito de ir á bola, anda sempre a dizer que os viu lá pelos campos de futebol a chuchar as outras equipas e que no fim do jogo se vão embora tão gordos e inchados que até arrebentam. Por isso eu não sei se vou ter de acreditar mas, se tanta gente o diz, deve ser verdade. E começo a ficar também muito acagaçado.

Eu não gosto nada de vampiros!

 

Zèquinha

 

 

2011-11-23

Assis - Folgosa - Maia

Olá, meus amigos!

Quanta água passou por baixo da ponte e eu a dormir... Ainda bem que alguém me chamou à pedra e acordei para ler as vossas intervenções... 1 - Antes de mais, ainda que atrasados, os meus parabens ao nosso SITE pelo seu segundo aniversário.  2 - Agradeço o Email ao Peinado, embora tenha ficado com a dúvida da troca de um ponto (.) em vez da (,) que aparece entre o "peinado (,) torres". Eu pelo menos nunca vi. Mas não pretendo afirmar com isso que já vi tudo...Ok?...Vós já tinheis visto o Berlusconi como autor de baladas? Não, pois não?...Que ele era artista em outros campos, isso também eu já tinha visto... 3 - "Palra a pega e o papagaio. Cacareja a galinha....etc." aprendemos todos na primária. "...a fala foi dada ao homem, rei dos outros animais..."  mas é verdade, Aventino, por vezes também "ladramos"... Ouvia eu por vezes`, quando criança, às mães que chamavam na minha terra pelos filhos e eles se demoravam a responder ou ir até junto delas...«chamo eu...ou ladra um cão?...»(interessante! nunca diziam cadela...elas lá sabiam porquê). Que o mundo nunca esteve tão bom...aceito se estás a ironizar, mas não só em Portugal, claro. Azedar, azedar...não pretendo, nem desejo, mas olha que os os nossos governantes - estes e os anteriores, já mesmo após o 25 de Abril e também do tempo da velha senhora - têm-nos dado a beber cá um raio dum VINAGRE... não há salada que o suporte...Talvez seja graças a este maldito vinagre que ainda não consegui aliar-me a um qualquer partido político.  4 - A minha alegria pelo regresso do nosso amigo J. Marques. Com azedumes ou sem azedumes, com teres entendido ou deixado de entender o quer que seja - eu também não entendi algumas coisas -, ou até com as porradas que possam cair sobre as tuas costas, não te escondas, aparece, pois és dos nossos e tens direitos iguais a todos nós. 5 - Ao Beltrano A 75 - Que bom amigo Arsénio! Eu, que pouco aprendi dos símbolos químicos, apesar de ter aprendido ou pelo menos admitido que no nosso corpo todos eles se encontravam - até ouro, vê lá tu... - Beltrano foi termo que nunca usei. Fulano, sim. Pois, como beltrano ou fulano, cada um de nós pode ser FELIZ, mas não morto, VIVINHO da silva. É mesmo nossa obrigação, já que para isso viemos a este mundo, não para sofrer...Só que, como o nosso amigo Henri Le Boursicau (suponho que o amigo J.Marques é a ele que se refere) diz, temos logo de nos interrogar: "como posso ser totalmente feliz, sabendo que que irmãos nossos morrem de fome num mundo onde se esbanja tanto?" - 6 - De Mikis Theodorakis, admiro a sua bela música e, agora, também a sua opinião sobre democracia. A este propósito, já enviei em tempos, a muitos de vós, uma mensagem do nosso associado Álvaro Gomes. Seria bom que fosse colocada no nosso site, bem como uma outra que ainda não enviei e que lhe pedi me fosse permitido também divulgar, como a anterior, entre os amigos. São mensagens que merecem, a meu ver,o maior respeito e admiração. Aguardo contudo a autorização para a segunda. 7 - Ao nosso amigo Castro. - "Sou pobre mas honrado..." Lá que tenhas sido e continues assim por muito tempo, pelo menos honrado, ainda vá que não vá. Agora FALIDO...não. Pelo menos não dês o tiro na tola. Faz como os nossos governates e outros que tais...(a)ROUBA...são só quinze Kgs... "PORRA"! A isto acrescentaria, o agora pe. Teixeira, quando jovem em Gaia: «asso...asso, sor António...» como é que tu conseguiste ter sido tantas coisas e estado em tantas situações com as que descreves?... Tu mesmo dizes e tens que aceitar levar porrada por tudo isto...Pelo que nos contas já deves ter mais 20 anos do que eu e olha que eu já estou às portas dos 70... A única dívida que te podemos perdoar -pelo menos da minha parte - é que continues a escrivinhar como tão bem sabes no nosso site, ok?  8 - Finalmente ao homem das Quadras, ao Aleixo Gaudêncio. Que belas elas são e sábias, vindas de quem apenas recebera ensinamentos na primária, mas bebera na VIVDA vivida...

Agora digo eu: "PORRA, sor António...que já escrevi de mais..." já nem vou reler...emendai vós se vos aprouver...

PS - Só um agradecimento especial ao Alexandre e ao Pascoal. A ambos pela bela recepção no magusto e na quintina de cada um deles. Ao Pascoal e à D. Fátima, ainda pelas belas e saborosas clementinas do seu pomar e pelo leito quentinho em que me deitaram.

 

 

2011-11-22

António Gaudêncio - Lisboa

                         

                                                 CINCO QUADRAS

Acho uma moral ruim

trazer o vulgo enganado:

mandarem fazer assim

e eles fazerem assado.

 

Sou um dos membros malditos

desta falsa sociedade

que, baseada nos mitos,

pode roubar à vontade

 

Esses por quem não te interessas

produzem quanto consomes:

vivem das tuas promessas

ganhando o pão que tu comes.

 

Não me dêem mais desgostos

porque sei raciocinar.......

Só os burros estão dispostos

a sofrer sem protestar!!

 

Esta mascarada enorme

com que o mundo nos aldraba,

dura enquanto o povo dorme,

 quando ele acordar, acaba.

ANTÓNIO   ALEIXO 

 

2011-11-22

Arsénio Pires - Porto

Meus caros:

Este post do Castro, bem certeiro e diagnóstico perfeito do muito que se passa nesta pobreza-riqueza do nosso país, levou-me, embora por outro caminho, a redigir este grito de revolta.

 

Porra! Até já os explorados por esta roubalheira planetária dizem:

- Pois! Andávamos a viver acima das nossas possibilidades… Agora temos que pagar!

Esta nossa propensão para a auto-culpabilização e flagelação é confrangedora!

Mas quem é que andava a viver acima das suas possibilidades? Se isso pode ser verdade para alguns, acaso é verdade para todos? Para a grande maioria?

Para os reformados que trabalharam toda a sua vida e a agora se vêem roubados de grande parte da reforma com que contavam para acabar os seus dias mais ou menos amparados?

Para os jovens sem emprego que se vêem forçados a carregar a mala às costas em direcção aos aeroportos de outros países?

Para os milhões que dum dia para o outro acordaram e acordam no desemprego ainda a meio da sua idade produtiva?

São estes os que consumiram e consomem acima das suas possibilidades?!

Será que aqueles que vivem do seu trabalho não têm direito a retirar o que puderem para o empregar naquilo que é fundamental: casa, meio de locomoção e comida?

Alguém me responde a esta pergunta:

- Por que razão muitos deixaram de poder pagar os seus empréstimos que os bancos tão generosamente ofereciam e lhes metiam pelos bolsos dentro?

Respondo eu:

- Não será que o fizeram porque os juros iniciais foram subindo exponencialmente, puxados pela usura daqueles mesmos que lhes emprestaram tão facilmente o dinheiro?

Não será que muitos empresários avarentos e desprovidos de qualquer valor ético foram deitando para a rua do desemprego milhares e milhares de trabalhadores para manterem os seus objectivos de lucro sempre em crescendo de ano para ano?

Acaso esta crise não rebentou quando os pobres deste planeta deixaram de poder pagar as prestações aos donos do dinheiro e estes se viram entulhados nos jardins das suas casas com o lixo que eles próprios quiseram e ajudaram a criar?

Mas quem é que viveu e vive acima das suas “legais” possibilidades? Foram os milhões de pobres deste planeta ou a meia dúzia de ricos que enchem as páginas da revista “Forbes” e são donos desta Casa que deveria ser de todos?!

 Quantos pobres são necessários para fazer um rico? Alguém sabe?

Nada temos contra os ricos, contra os ricos que são honestos, que põem a sua riqueza ao serviço dos outros. Interrogamos, sim, os ricos desonestos! Desonestos porque figuram nas listas dos maiores possuidores de bens à custa da fome e morte daqueles que pouco ou nada têm.

E nós, em Portugal, temos alguns que figuram na Forbes!

2011-11-22

CASTRO - Gondomar

Caro Marques: Não podia ficar indiferente àquele abraço. É bom ter-te de volta. Estou certo de que vais provocar estragos neste exército acantonado de AAAR´S. Fico atento às tuas farpas que, estrategicamente teleguiadas, atingem sempre o alvo da pachorrice onde também habitualmente eu me encontro. Prova disso é que decidi dedilhar algumas teclas para te dar um abraço fraterno. Entra e senta-te! Agora e em jeito de despedida falando de dívidas... - Sou do tempo em que havia pobres. Pobres, mas não de espírito (para estes estava reservado o reino dos céus). - Sou do tempo em que ser pobre não era motivo de desonra. Com orgulho se ouvia dizer: "sou pobre mas honrado!" - Sou do tempo em que uma dívida fosse qual fosse era sempre para honrar. - Sou do tempo em que um falido era isso mesmo. UM FALIDO! - Sou do tempo em que um falido dava um tiro na cabeça (não discuto o mérito de tal ato). - Sou do tempo em que se não tinha dinheiro para uma casa própria arrendava uma. Se não tivesse dinheiro para a arrendar, ficava com os pais ou esperava para casar. - Sou do tempo em que não precisava que me perdoassem dívidas porque só as contraía se estivesse certo de que de uma maneira ou de outra as honraria.Vivia com dignidade dentro das possibilidades que CONQUISTAVA. - Sou do tempo em que havia ricos e pobres e sonhava um dia ser rico também. - Sou do tempo em que havia criadas e patroas e as criadas sonhavam um dia ser patroas. - Sou do tempo em que havia patrões e empregados que um dia alguns seriam patrões também. - Sou do tempo dos sonhos e da HONRA. - Não sou do tempo em que se entra no bar e se ouve alguém dizer com muito orgulho: "fui declarado insolvente. Agora Já ninguém põe a mão no que é meu porque não tenho nada. É tudo da mulher de quem me divorciei. Mas...continuo a dormir com ela). - Não sou do tempo em que todos são ricos. - Não sou do tempo em que todos querem ter um carro melhor do que o do patrão para se pavonearem com o que lhes não pertence. - Não sou do tempo dos que para alimentarem seus vícios e vaidades têm que mandar os filhos comer na cantina da escola para não morrerem à fome. - E OS PROFESSORES QUE OS EDUQUEM! SEM LHES RALHAR, PORQUE SERIA UMA GERAÇÃO PERDIDA CONDENADA AOS PSICÓLOGOS E AO S.N.S. PARA TODA A VIDA. - Não sou do tempo em que se vai para a fila do banco alimentar, com o carro à porta para encher a bagageira. - Não sou do tempo em que as mães vão para a fila do pão da Cáritas (e eu também fui), com as unhas pintadas a duas cores, com flores no meio e com uns óculos de sol bem grandes no alto da cabeça. - SOU DO TEMPO EM QUE NÃO HAVIA MENINOS DE RUA MAS SIM VADIOS. - SOU DO TEMPO EM QUE HAVIA PAIS E FILHOS E A FAMÍLIA ERA UM MUNDO. - NÃO SOU DO TEMPO DOS PROGENITORES. - AS DÍVIDAS SÃO PARA HONRAR OU NÃO DEVEM SER CONTRAÍDAS. GREGOS OU TROIANOS DEVEM VIVER DENTRO DOS LIMITES E ASSUMIR OS SEUS DEVANEIOS. - SE O DINHEIRO NÃO DÁ PARA TOMAR O PEQUENO ALMOÇO NA PASTELARIA, COMO UM PÃO EM CASA. PARA ISSO SEMPRE SERÁ SUFICIENTE O RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO OU EQUIVALENTE. E mais não digo, porque estou certo de que por estas, também já vou levar. MAS...SE ME PERDOAREM UMA DÍVIDA, FALHEI!

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº