fale connosco


2012-02-06

A.Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

 

GERAÇÕES SEM CONFLITOS


Por via de certas quezílias que sucedem no dia a dia, aborreci-me com o pessoal da casa onde todos as manhãs ia tomar o meu café e dar dois dedos de conversa com os amigos. Dessa forma, mudei para outro estabelecimento perto dali  pois, como soe dizer-se, cafés há muitos e o freguês tem sempre razão. 

Sentado a uma mesinha logo surgiu para me servir uma rapariga para mim desconhecida, fogosa e cheia de simpatia, com a solicitude e presteza dos seus frescos dezoito anos. 

Um pingo normal, bem quentinho;  pedi eu.

Dali a instantes, sempre sorridente, a moça colocou na minha frente o que pedira e pude então reparar na sua rara beleza. A mão que me estendia a chávena era pequenina, bem feita, podia dizer-se, uma jóia de porcelana. O rosto lindo como o de um anjo; imagino, porque eu nunca vi nenhum anjo, porém, estou certo de que nenhum anjo poderia ser mais resplendente: um botãozinho de aleli, um raiozito de lua duma noite de Janeiro. Tinha nas orelhas brincos de pechisbeque com pingentes que lhe iam debicando com leveza as protuberâncias assomadas no peito, das suas perfeitas e sedutoras maminhas, duas suculentas maçãs do paraíso. Por fim, sobressaía ainda nela um traseiro bem torneado, completando o elegante conjunto de toda a sua harmoniosa figura. Todo o seu porte era  de uma irreal escultura, com mais justeza uma verdadeira obra de arte. Não se via, mas sentia-se que daquele ser irradiava um fogo telúrico, em labaredas crepitosas, semelhante ao que ardia outrora  dentro de fornalhas mitológicas. 

Embora marcado pela fantástica impressão, o que mais me atraiu na jovem foi, contudo, ter visto a sair-lhe do bolso da bata que trazia vestida, um pequeno lenço em cuja ponta figurava o emblema do grande Benfica, bordado com esmerada perfeição. 

Sem receio, atirei-lhe então:

Miúda, como te chama

Karina, respondeu de imediato.

És muito bonita, sabes?

Sorriu, sem mostrar lisonja.

Vejo que gostas do Benfica:

Quase me não deixou acabar e olhando intencionalmente para o lenço, foi sorrindo:

Desde pequenina, meu senhor: gostava de ir ver um jogo a Lisboa, ao estádio da Luz, mas não posso. Nunca fui a Lisboa: 

O quê, tu nunca foste a Lisboa?

Nunca calhou;

Deixa lá, disse eu em jeito de reconforto. Olha, se queres que te seja franco, eu também ainda não vi o novo estádio da Luz.

Em face disto, agora lá me encontro eu sempre, todas as manhãs, no novo café, ali perto do outro, aproveitando todo o tempo que posso para conversar com tão sedutora garota. 

Porém, quando regresso a casa, vou cismando sempre nas voltas que a vida dá. Se bem possa dizer-se que as gerações mais antigas possuem o apanágio da grande experiência e são credoras de merecida veneração, para mim não passam já, em termos vivenciais, de farrapos, de refugo, de lixo do passado, quando confrontadas com a força e generosidade da linhagem que desponta. 

Quando me é dado ver o sócio número um desse imorredoiro Clube, centenário encarquilhado e relho, compreendo a necessidade da morte e não me revolto, nem lamento, nem sinto saudade; apenas satisfação por ter vivido, realização por ter chegado e, porventura, ânimo ainda para conviver com a juventude que  se vai cruzando comigo. 

E pronto, a partir dali, nasceu entre mim e essa encantadora jovem uma irresistível empatia, como entre um avô e uma neta, quiçá mesmo bisneta, tão distantes eram os mundos que separavam as nossas origens. Procurei sempre a convivência com gerações diferentes da minha, pois entendo que não devem existir conflitos entre elas e sim que as mesmas se deverão completar. 

Devo concluir que as gerações mais novas se podem misturar sem conflito algum com aquelas que as precederam, sobretudo se ambas se deixarem unir por valores transcendentais e eternos, compreensão e respeito, muito mais se adorarem os mesmos deuses, como é este meu caso; o da moça era o Benfica, o meu também o era.

 

2012-02-06

Peinado torres - PORTO

Bom dia Companheiros ASSUNTO DA ORDEM DO DIA - TOCA A INSCREVEREM-SE VAMOS TODOS A MESSINES. O nosso Amigo e companheiro DELFIM, seguindo os bons exemplos do nosso Amigo e companheiro ALEX, resolveu abrir as portas da sua mansão, aos EX-RECLUSOS da " quinta da barrosa " e suas famálias, para mais uma jornada de sã camaradagem, convívio e alegremente pudermos reviver o passado bom que tivemos e festejar o presente porque AINDA ESTAMOS VIVOS. Será uma FESTA Á VIDA. Desde já lhe envio os meus parabéns, pelo programa que elaborou. É FANTAÁSTICO, vai ser muito divertido. Malta como esta não há. Sejam rápidos a fazer a mercação o 21 de Abril É JÁ AMANHÃ. Meu caro J. MARQUES Aminha idade e a vida que tive, leve~me, creio eu, a estar praparado para todos os escritos e eventualidades. Já quase nada me choca, quer seja de ordem espiritual, quer seja de ordem material, e até politica. Porque na minha ótica já estou na parte descendente da VIDA, o que faz bem ao meu ego são temas SUAVES, no entanto você tem todo o direito de escrever e cultivar o seu estilo, Prometo que enquanto tiver vista lerei sempre os seus escritos. E já agora tire-se dos seus cuidados e entusias-me os seus condíscipulos, os do ano seguinte e os do ano anteior a participarem nestas andanças . Assim teremos temas mais diversificados . Cada um tem a sua personalidade e o seu estilo, eu sou dos que dão preferência ao contato pessoal, mas uso o telefone e a escrita. Aqui fica a minha mensagem de hoje VAMOS TODOS A MESSINES. Na passada sexta-feira, deu-se um dos pequenos encontros REGIONASI, foi uma jornada de descontração e como sempre de um bom almoço, vai haver mais. VAMOS TODOS A MESSINES . VOLTAREI
2012-02-06

Arsénio Pires - Porto

Meu caro “eremita” JMarques.

Assim o apelidei por mor do seu distanciamento desta praça.

Saudemos, portanto, a sua descida ao povoado.

E começando pelas suas saudáveis dúvidas. Quem não duvida, penso eu, desistiu de ser homem. Mais, penso novamente, só os ateus não têm dúvida alguma sobre a existência de Deus. Esses existem mas não duvidam. Outros pensam e, portanto, não existem. Complicado? Talvez…

Das suas preocupações e receios em relação à sã discussão nesta praça, também eu comungo.  Não só comungo como até, confesso com tristeza, estou chamuscado! Infelizmente, nisto de religião e política (as duas são religiões porque bebem de absolutos e de fé… e até de santos e santas…!), ainda não sabemos distinguir ideias de pessoas.

Sonho pelo dia em que sejamos livres e libertos para podermos trocar impressões sobre tudo, sem nunca confundirmos o amigo com as suas ideias ou crenças.

Em relação ao tema que levanta, poderemos aprofundá-lo.

Para começar, eu aconselharia um belíssimo livro com o título “Jesus, uma abordagem  histórica”. Autor: José António Pagola.

Curiosidade para os AAAR! A tradução é do nosso colega e amigo Bernardino Henriques (não sei se conhece…) que exerceu a sua actividade profissional como professor em Mirandela.

Por agora, ficamos por aqui.

2012-02-05

JMarques - Penafiel

Estimado Arsénio,

Confesso que achei alguma piada à sua expressão "eremita" pois ela pouco tem a ver com a minha identidade diária embora esteja distante do meu ninho de nascença.

Aprecio a sua fé e também a sua distância dos enquadramentos normalizados de Igreja e também da milagreira Fátima.

Curiosamente muitos contestam os comportamentos extremistas dos muçulmanos, esquecendo que eles também se fundamentam em interpretações conservadoras dos seus líderes.

Não faltarão nossos antigos colegas com formação teológica, o que confesso não é o meu forte.

Mas questiono-me com alguma frequência sobre alguns temas e sempre causou dúvidas no meu espírito de bastantes leituras que fiz o facto de os Evangelhos falarem de Jesus quando se refere ao seu nascimento, uma ou outra vez quando já criança a discutir no templo e depois só aparece quando já é adulto trintão. O que se terá passado num intervalo tão grande da vida?

Provavelmente Jesus terá casado como qualquer jovem hebreu e nada consta dessa fase da vida. Terá trabalhado como qualquer adulto pois era o normal nas famílias.

Terá deixado a família como pediu aos seus apóstolos quando lhes disse para deixarem tudo e segui-lo?

A existência de outros Evangelhos não reconhecidos pela Igreja e os aceites terem sido escritos muito mais tarde depois da morte de Jesus por inspiração do tal espírito santo que se esqueceu de influenciar as "santidades" que dirigiram a Igreja dos homens ao longo dos séculos, causa-me muitas dúvidas. Não questiono a sua existência, a de Jesus, porque me parece que o crédito da história me leva a ficar por aí.

Estas e muitas outras questões seriam curiosas para abordar nestes espaços, mas também muitos temas da modernidade teriam bom cabimento, embora eu me aperceba de um elevado comodismo que invade as mentalidades seminarísticas, com a fobia às abordagens públicas, como se de sermão de púlpito se tratasse.

Toda a gente tem jeito para lançar lenha para a sua lareira, mas todos fogem quando se trata de lareira colectiva com receio de que olhem para a acha que atiram.

Também reconheço em mim alguns constrangimentos de debate mas apercebo-me por aqui de gente com competências para transmitir ideias de elevado nível e por isso me atrevo por vezes a abrir a agenda a que o Arsénio quis dar seguimento. 

2012-02-04

Arsénio Pires - Porto

Saúdo o eremita J.Marques e pego nas suas palavras quando diz:

“Eu sei que colocar em causa dogmas é um sacrilégio imperdoável na mente de alguns e também Cristo teve esses problemas (…).

 

Concordo.

A minha fé é em Jesus: Creio na PESSOA de Jesus.

E a fé de Jesus não foi crer em dogmas que, aliás, nem sequer existiam!

A fé de Jesus nunca foi submeter-se a uma hierarquia que ele combateu e proclamou bem alto que nunca deveria existir.

E o sonho de Jesus, atrevo-me a dizê-lo, nunca foi fundar uma Igreja que em muitos aspectos desrespeita os direitos iguais de todos os baptizados, nomeadamente desrespeita os direitos das mulheres a quem Ele fez discípulas e a quem escolheu para se revelar primeiramente como ressuscitado antes de o fazer aos outros discípulos.

A fé de Jesus não era, seguramente, fundar uma Igreja que fosse, ao mesmo tempo, um Estado!

A fé de Jesus, não era seguramente o escândalo de Fátima!

 

(Agora venham os gregos e os troianos… Penso ainda possuir uma jangada (que Calypso me proteja!) para regressar a Ítaca onde me espera Argus, o meu fiel amigo).

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº