fale connosco


2012-08-03

Aventino - PORTO

AO PEINADO

Dai uma palavra, dai. Um afecto, um abraço, um telefonema, um gesto simples que engrandeça a alma.

Dai de vós um "chisquinho" da generosidade com que nos fizeram.

Dai de vós o que tenhais para dar, que afague o sofrimento do PEINADO.

2012-08-02

Arsénio Pires - Porto

 

Palavras desafiantes estas do Martins Ribeiro.

E logo eu que tenho andado de poisio pois a cultura passada foi fraca… a indicar que a veiga necessita de ano sabático!

 

Palavras sábias as do Alex que nos recorda, no seu recente post tão literariamente belo e filosoficamente estimulante, que da Palavra Viva tudo procede.

 

Palavra Viva.

Palavras vivas como as do Aventino, do Martins Ribeiro, do Assis, do Ismael, do Manuel Vieira e de todos os que aqui soíam partilhá-las com quem as lêsse.

 

Do silêncio rezam os cemitérios. E as flores que nele murcham de secura.

Do ruído está o século grávido com rebentamento já da bolsa de águas.

 

Falemos… mas com palavras vivas. Palavras justas. Palavras que fazem. Palavras não mais do que palavras… VIVAS.

 

É tempo agora de recordar o conselho do nosso poeta e ex-colega, Jorge de Amorim:

 

“Não digas palavras

vastas …

Porque é triste!

Lenta é a orfandade dum eco:

e ampla.

Não digas palavras

vastas.

Porque é triste…

Aos céus,

à alma, à noite – imensa –

alastram.

Não digas palavras, vastas!

Porque é triste.

Palavras: alma, um vácuo…

Ah,

palavras….

 

(in A Beleza e as Lágrimas)

2012-08-02

A.Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

A BALADA DO SABÃO


Quando eu era puto pequeno, diria de infantário se os houvesse nesse tempo, decorria a II Guerra Mundial e era grande a miséria nas gentes, contudo, a muita pobreza existente era largamente compensada com bastante alegria e conformismo. O povo enquadra-se bem no aforismo, pobrete mas alegrete. Um dos artigos de consumo que mais escasseava, dado ser fortemente contrabandeado para a Galiza, era o sabão. Não quer dizer que a gente não se lavasse; até lavava, quanto mais não fosse nas águas do rio Minho, logo ali mais abaixo. Porém, em vez de sabão havia as flores duma planta ribeirinha que esfregadas com as mãos molhadas produziam uma espuma parecida mesmo com a dum cheiroso sabonete. E era uma alegria. Lembro-me disto e também me lembro de que havia em Monção um simpático velhote muito pequenino e baixinho, chamado Ti Pèdrinha, com a mania da música, que aparecia em público  agarrado sempre a um contrabaixo de corda maior que ele e que quase o encobria por completo. Tal qual o nosso Pedrosa daquela época, este senhor foi o fundador duma escola de música e dum rancho muito conhecido, que teve alguma fama, a que deu o nome de "Roc'ó Norte" o qual, tanto quanto sei, ainda hoje existe. Nesse tempo corriam pela voz do povo muitas canções populares inspiradas nas peripécias da vida e então o Ti Pèdrinha, como brilhante compositor que era, compôs uma modinha que recordo muito bem e que andou nas bocas do mundo; a sina do sabão, fosse ele "rosa", azul" ou "macaco". Assisti eu e vi muitas vezes com estes que a terra há-de comer, como os contrabandistas, debaixo dum cabano, faziam seis de apenas cinco barras de sabão. Tinham uma forma metálica mais pequena dois dedos do que um pau desse produto e cortando o bocado que sobrava iam enchendo o molde até completar uma nova unidade, como se pode entender uns dedos mais pequena que o convencional mas que, como a escassez era muito, ninguém notava. O certo é que, mesmo dessa forma, o produto desaparecia como por encanto e o preço era bem puxado.

E os versinhos que me ficaram nos ouvidos eram mais ou menos desta forma:


Sabão, sabão, sabão,

Onde é que te tu escondes;

Sabão, sabão, sabão,

Onde estás que não respondes?


E havia mais mas já me não lembro.

Ora, direis vós, que historinha é esta? Olhando para o "fale connosco" do nosso site e vendo o silêncio que nele grassa, (neste caso ele não é de oiro) troquei umas impressões com o Vieira sobre a analogia que parece existir entre muitos AARs com obrigações e a cantiga do sabão do Ti Pèdrinha. Poder-se-ia adaptar assim o refrão:


AARs, AARs, AARs,

Onde é que vos escondeis;

AARs, AARs, AARs,

Onde estais que não respondeis? 


Raio de miséria! Agora nem o Peinado voltou, como prometeu. E então lembrei-me de escrever uma chachada destas para ver se alguém aparece! Não há vergonha?








 

2012-08-01

alexandre gonçalves - palmela

PALAVRAS, HÁLITO MATRICIAL

 

No princípio era  a palavra. E foi ela que criou o céu e a terra e tudo quanto há nela. A palavra libertou a mão. A mão libertou o homem. E o homem libertou a matéria. Espiritualizou o universo. E fez uma cidade contra o perigo. Ele era um dos animais menos aptos para andar por aqui, neste obscuro vale de inquietações. A palavra foi buscá-lo ao medo. Depois juntou as múltiplas variedades humanas em volta duma fogueira, em sucessivos círculos concêntricos. Como quando num lago se atira uma pedra e se multiplicam em movimento contínuo graciosos desenhos de água, até ficarem imperceptíveis na distância. Assim a palavra fez o homem, em círculo inclusivo. Assim nasceu a cidade, não em concorrência mas em cooperação solidária. E essa espécie, assim aparecida num solo tão arenoso como este, vingou com relativo êxito, vencendo inenarráveis aventuras que nenhuma imaginação humana consegue descrever. A história nem sempre testemunhou esta maravilha. Há mais sombras na arqueologia do coração do que luz no esplendor dos olhos. Mas as sombras nascem no opaco e arrogante silêncio dos homens grandes. As palavras são seres vivos, muito vulneráveis. Muitas vezes sofrem o contágio de mentes infectadas, que espalham vírus por uma cidade inteira. Nem é raro as palavras serem apenas um ruído viscoso. E tão intenso que nada se ouve. Muitas vezes, não passamos de calhaus sonoros, sem qualquer luz para lermos o mundo. E sem quaisquer instrumentos para negociarmos a existência comunitária. Se distraída ou perversamente aumentarmos o ruído falando muito, muito pouco escutaremos. Porém, se perdermos a doçura que há no corpo nu das palavras, e nada tivermos para dizer, então nada ouviremos, porque nada nos dirão. As palavras põem-nos em dádiva. É da sua  natureza o amor. Em faltando o amor  e a sua  dicção, nós ficamos sós e sem recursos. Condenados sem justa causa à imprevisível extinção, só nos resta voltar ao adâmico paraíso e pedir a Eva que nos traga maçãs em abundância. E que fale connosco suavemente, enquanto a tarde vai descendo. Não fomos nós que inventámos as palavras. Foram elas que, no seu ventre imaculado, nos geraram e nos deram o nome que ainda temos.

No princípio era a palavra. E no jardim que ela criou viu que tudo era muito belo. E para que ninguém chamasse em vão os seres que ali habitavam, pôs uma etiqueta individualizante em cada um. Só depois é que fez um boneco de argila, que lhe saiu demasiado rude e muito arrogante. Mesmo assim soprou-lhe vida mas aquilo não era vida. Era antes um macaco, peludo e selvagem. A palavra, que não era divina, teve de lamentar o que das suas mãos nascera. Era o início de uma infinita aprendizagem. Foi então que teve um rasgo genial. Fez cair sobre o macaco um grande sono. E enquanto ele dormia uma eternidade, não só o foi aperfeiçoando como lhe tirou de lá de  dentro uma companhia de absoluta perfeição. Então deu-lhes o respectivo nome e disse-lhes: tu, Eva, és a mais formosa de todas as criaturas, para que Adão te ame sem limites. E te deseje para sempre. E faça crescer no teu ventre a vida que eu vos dei. Porque este jardim é imenso e precisa de ser habitado. Tu, robusto Adão, transforma estes montes e estes vales, para que nada falte na vossa mesa. Ao fim da tarde, quando regressares dos campos, encontrarás Eva tomando banho no rio. Serás depois recebido como um rei no seu palácio. E tudo vos é dado, porque tudo criei para vós. Inclusivamente os frutos mais vermelhos destas paisagens. Uma só lei vos deixo em herança: amai-vos e povoai a terra. 

Eles amaram-se e nunca tiveram vergonha de estar nus. Nenhum foi superior ao outro. Ambos se davam em palavras novas que eles próprios inventavam. E eram já ambos muito belos. E tiveram muitos filhos. Mas estes, já depois de os pais se cansarem da idade, fizeram do jardim uma horrorosa guerra. Por duas razões: porque deixaram de se amar e porque as palavras morreram em combate. A palavra foi o princípio mas nunca mais foi o fim.

2012-07-31

Arsénio Pires - Porto

Caro Assis:

Porque suspeitei de alguma confusão é que te telefonei logo na 2ª feira a saber o que se passava. E foi isso: ao dizer-te que ia domingo a Trás-os-Mostes aos 90 anos da minha irmã mais velha, tu depreendeste que iria lá passar todo o fim-de-semana. De facto, só saí do Porto no domingo de manhã. POr ese motivo nem te passou pela cabeça telefonares-me.

Está o equívoco desfeito. Só escrevi aqui o meu post porque era e é, como sabes, meu desejo encontrar-me com o Luís Guerreiro e fiquei com muita pena. Mas ainda hoje ele me telefonou e fica prometido um outro encontro tal como nós tínhamos pensado.

Com o Martins Ribeiro também já falei. Está tudo esclarecido. Ele partiu para férias não sem antes dizer que, apos ouvidas as sugestões dalguns colegas, está completo o vídeo sobre o nosso encontro em Messines na quinta do Delfim e que o trará para o Encontro Nacional a fim de que, quem quiser, o possa adquirir. Sempre se arranjarão uns euritos para a nossa Palmeira... que bem precisa pois está a ficar bastante cara a sua publicação.

Boa lavoura, amigo!

Até breve.

Grande abraço.

 

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