fale connosco


2012-07-26

alexandre gonçalves - palmela

Amigo Vieira

 

Já levo várias noites a preceder o meu sono de um olhar final de mais um dia concluído pelo site da Palmeira. E apenas o teu nome aparece com uma fala de alegria e ânimo. Elogio aqui esse exercício permanente de atenção, como se estivesses de sentinela num quartel de desertores, entre os quais também eu me incluo. Será a decadência a infectar a Associação? Será apenas um fruto sazonal, a caracterizar a indolência da época? Ou será que estamos tão ocupados neste ócio da idade, que já não sobram nem ideias, nem críticas, nem gestos tão simples como os que este privilégio de escrita sugere? Que fazes tu, meu amigo, deste verão que é tão escasso? Não tens jeito nem tempo? Por que será que eu não acredito? Arriscas tu que outros pensem por ti, num espaço que também é teu? Achas que não há razões para impropérios, neste rectângulo dilacerado por mercenários? Se a raiva não te motiva, não achas que podes falar de sexo, de paixões inúteis, de frustrações inconfessáveis? Julgas-te definitivamente bem com a vida, com a memória, com as missas que digeriste, com a caridade que ofereceste ao universo?

Escrever. Dar corpo a um desejo. Comover-se com o esplendor da água. Com o vento que levita sobre a tarde. Com um rosto que passa, cheio de sede e solidão. E pressentir a vulnerabilidade que atravessa todos estes campos do olhar. Segurar ainda um fruto entre as mãos breves. Escrever é desprender-se. É recusar as verdades eternas. É sentir-se em perigo. É chorar, é lembrar, é amar. É jogar uma pedra contra uma janela. E é abrir uma janela sobre o abismo. E entender que entre o abismo e a vida, há apenas um espaço de urgência. 

Agarra o verão como um navio. Os navios saem às horas inteiras do cais. Fazem ligação para  todas as ilhas. Não é permitido adiar-se. Nem distrair-se das horas. Escreve portanto a tua vida, nessa folha branca e precária que chamamos de verão. 

2012-07-21

manuel vieira - esposende

Dizem que vai ser obrigatório pedir factura quando comprarmos alguma coisa, nomeadamente um café. Não me acredito em tal coisa sob pena de deixar de tomar café pois a passagem de factura implica disponibilizar o meu nome, morada e contribuinte e não teria paciência para tal. Poderei ser multado com coima até 2000 euros. E se assim for vou deixar de tomar café.

Parece que todo e qualquer gesto da nossa vida vai obrigar a registo.

Tenho receio até de ter de pagar imposto por escrever no fale connosco. Talvez dos poucos colegas que tem algum receio.


Também tenho saudades de ler um texto longo do Nicolau e até nem me importava de pagar imposto.

Claro que também do Gaudêncio, do Davide, do Zé Rodrigues, do JMarques, do Aventino, do Castro, do Celso, do Diamantino e outros doutos desta praça.

Não é que me falte que ler e onde ler. Também não me falta onde tenha que escrever e onde escrever.

Escrever é também uma lembrança. A escrita tem endereço e é uma forma de linguagem e não temos falta de interlocutores.

Não precisamos de um diálogo formal pois sabemos que quando escrevemos temos receptores garantidos do outro lado e que escutam com interesse.

Vá lá, não tenham receio que as nossas conversas paguem IVA.

2012-07-17

Assis - Folgosa - Maia

1 - A Palmeira chegou e, como sempre, sedentos ou famintos de novidades, todos nós pomos de parte tvs. e até livros que temos entre mãos, para sofregamente saborearmos os frutos suculentos que os colegas escrivães generosamente nos oferecem nas folhas da nossa árvore querida. São as tâmaras doces do deserto que, em ramos de papel, nos chegam hoje/tempo de crise, vindas do longínquo oásis da nossa meninice. "Recordar é viver..." É com prazer que recordamos tudo quanto a Barrosa nos ofereceu, mesmo quando o que então bebemos nos tenha então sabido a fel. Alguns dos textos da recém chegada Palmeira são prova provada. Eles são uma cura para os nossos males actuais. Pena que nem todos tenhamos ainda aceite esta forma terapêutica. Será que o "medo" do escuro - talvez envolto em manto de qualquer verdade dogmática - ainda nos perturba?

2 - O nosso amigo Luís Guerreiro - o nosso professor e autor do livro "O Peregrino" - já se encontra entre nós desde a passada 6ª feira, 13 do corrente. Boas férias...

M/Abraço fraterno

2012-07-16

Ismael Malhadas Vigário - Vale de Espinho - Braga

Gostei da Palmeira. Gosto da Palmeira. Quero gostar ainda mais da Palmeira. À sombra ou à roda da Palmeira ainda podemos reencontrarmo-nos. Reinterpretarmo-nos. A Palmeira é o órgão da comunicação das nossas diferentes vozes. Ela terá de ser sempre um espaço de diálogo e de encontro. Um espaço de aconchego e, às vezes, de espada.Esse gladio quer serve para libertar feridas, verbalizar desejos recalcitrados de um tempo que não é o tempo de agora.

Na Palmeira revisitamos vozes que nos trazem à memória marcas antigas de heróis: eram professores: o Pe. Augusto de que fala o Correia.

Os textos da Palmeira são expressões de generosidade e de vontade de partilhar o nosso sentir e o nosso pensar. Viva a nossa Palmeira e todos os seus escrevinhadores.

2012-07-12

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Recebi por este correio a nossa revista "PALMEIRA". Nada tenho a reparar pois vê-se que ela mantém já o padrão de qualidade a que nos habituou nos últimos tempos. Li-a de fio a pavio aplaudindo todo o seu rico conteúdo. Quanto ao aspecto gráfico a mesma bitola; bom papel e boa distribuição. Reparei que nela vem destacado o Encontro de Messines como acontecimento marcante da nossa Associação, que o foi. No próximo encontro em Gaia, conforme também se anuncia na contracapa, se lá chegarmos, poderemos então ver o filme sobre aquele inesquecível evento que terminei um dia destes e que, contra a minha expectativa, me deu mais trabalho do que tinha previsto. Parece-me, no entanto, que ficou bastante aceitável, principalmente no que diz respeito á parte técnica. 

Aproveito para frisar que, curiosamente, a revista chegou no "day after" ao de S. Bento, esse importante santo da Igreja muito venerado aqui nestas Terras de Valdevez em virtude da existência de diversos mosteiros beneditinos espalhados pelo concelho. O mais procurado é o de Ermelo, junto ás margens do Lima, onde na noite da véspera se realiza grande peregrinação de romeiros provenientes de variados pontos da região, compostos sobretudo por gente nova que, como é bom de ver, procura juntar a borga á devoção: mais borga, talvez. Depois vem o de S. Bento do Cando, na Gavieira, venerado numa simples capela de imagens toscas e adornos mofentas, situada na mítica e lindíssima branda encravada nas rugas da serra da Peneda, onde igualmente se leva a cabo fabulosa procissão nocturna. Existe ainda o mosteiro da Miranda e o de Sabadim onde pontificou um abade que, segundo dizem por aqui, tinha seis mulheres e quando elas se pegavam de língua, quiçá por ciúmes, ele as acomodava com os seguintes ralhos: "… calai-vos, putas, que não sois vós assim tantas!"

Mas não é só nestas terras que se presta culto a S. Bento. Vou citar só dois dos mais afamados santuários em sua honra; o de S. Bento da Porta Aberta, no Gerês, com festa de arromba no dia do orago. Dizem que também lá existe um famigerado bruxo em tempos muito procurado pelo flatulento Costa do futebol do Porto, cidadão corrupto e facinoroso, que o foi consultar provocando satânicos rituais com sangue, penas e ossos de galinha, em jeitos de macumba do Vodú ou dos candomblés dos Orixás. Uma vergonha que nem contada se acredita! Por último, falta ainda lembrar o famoso e popular S. Bento de Seixas, encostado ás margens do estuário do Minho e bem defronte das terras da Galiza. Para ele cantam as moças casadoiras quando os ares casamenteiros não lhes sopram de feição:

"Ora vira, vira,

S. Bento de Seixas

Leva-te o diabo

Se me agora deixas!"

S. Bento é o padroeiro desta Vila que ontem celebrou o seu feriado concelhio e, lá no alto, junto á igreja do antigo mosteiro beneditino, hoje propriedade privada, fica o campo santo desta paróquia, o cemitério de S. Bento. Desta forma, quando alguém da terra parte deste mundo todos falam com óbvia propriedade que tal pessoa foi morar para S. Bento. Claro que ninguém vai para lá por devoção ou de sua livre vontade e todos vamos pedindo ao Santo que não nos chame tão cedo.

Ah, já me ia esquecendo, não dum mosteiro de bons e santos religiosos, mas dum palácio onde moram os maiores ladrões deste País e dos quais nem o Senhor S. Bentinho nos pode livrar: o Palácio de S. Bento, de triste evocação!








 

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