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2012-05-29

manuel vieira - esposende

A crónica do Alexandre Pinto mostra como este espaço se ajeita a receber um préstito de boas artes literárias para consolo dos seus leitores regulares. Mais deviam seguir-lhe o jeito.

Com a arte do buril literário que tão bem o identifica, é um contentamento de alma tosar os seus textos.

O nosso Assis sentiu-se fiel de armazém com tantas benesses e até já diz que o material chega bem para uma próxima investida.

Com o calor e um tolde leve  a cruzar os limites da relva, fácil será forçar um convívio amplo à luz de um bom churrasquinho e graciosas saladas de  produção local. Com os vinhinhos frescos já reservados e a paisagem a estender-se pela encosta melhor não haverá.

Mas a procissão ainda vai no adro e mais dias virão.

2012-05-28

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

 Falaram aqui alguns do que lhes vai na alma (e muito é) após o inolvidável convívio naquele belo recanto que surge no cimo da pequena encosta do “caminho do fradinho” assinalada, como convém, por explícita e oportuna placa: não dá, pois, que enganar. Falou o Alexandre através do seu poético texto com algumas letras minúsculas envergonhadas e fora do seu lugar (será moda?) mas que merece palmas; falou o nosso Vieira em termos mais prosaicos, falou o anfitrião Assis que, desde já o digo, não tem nada que agradecer e falou o ex-recluso Peinado tentando dar umas alfinetadas eivadas com a mistela do “biagra” ou sei lá o quê. Caro companheiro, volto a afirmar que ainda não uso nem de um nem de outro e ainda sei bem como elas mordem: nada de confusões! Sendo assim, agora também eu vou falar e digo-vos do coração que as favas excederam as minhas expectativas e estavam mesmo divinas, acompanhas de toda aquela parafernália de garrafas e garrafões de vinhos, espumantes e licores, (também água, é certo) largamente consumidos de forma que, pareceu-me, produziram já perto do fim um certo efeito de inusitada euforia. Pudera, para quem não tem a percepção destes subtis pormenores, não notou que o bródio estava bom porque tinha a mão de um experto cozinheiro, equipado até com avental a condizer. Quanto àquilo que esteve para além dos comes e bebes eu já me considero muito traquejado de outras andanças naquele deslumbrante sítio e, por isso, não extravasei o meu espanto como se faz quando acontece pela primeira vez. No entanto, fiquei com a alma cheia de encantamento só de escutar os que não falando aqui, falaram lá. A erudição poética e musical do Escaleira, os devaneios românticos do Alex que deveras me entusiasmaram e que dá gosto apreciar, as ponderadas e calmas considerações do Aventino e as explanações técnicas de artes gráficas do colega Barros. Eu limitei-me a ouvir, com a devida atenção e metendo pouco bedelho, toda essa torrente de cavaqueira cultural: suponho que também o Meira e o Sacadura. Afirma o Assis que as favas ainda não acabaram e que estará pronto para oferecer receita igual àqueles que faltaram ou não puderam ir desta vez. Concordo com isso pois quem não foi não sabe o que perdeu e confirmo que vale a pena. Quanto mais não seja só para passar momentos de grande quietude e serenidade num lugar como aquele, quase bíblico, vestido de verde e mar, coberto de céu imenso, animado por trinados e gorjeios, pelo ramalhar da folhagem tangida pela brisa, pelo cicio mitológico do oscilar dos pinheiros no montado. Vale mais que qualquer poema e é o melhor que se pode aproveitar nesta vida. O resto é palavreado, como diz o inteligente! Para além de tudo, fiquei com a impressão de que todos gostaram de ir á fava.

2012-05-28

Peinado torres - PorttoA MANSÃO DE FRIE

A MANSão DE FREI ASSIS Foi a Orbacem que rumaram 9 ex-reclusos, para confraternizarem a convite do ASSIS à moda dos anos cincoenta, quando todos estavamos no seminário. O mais jovem o AVENTINO, os restantes todos já "jarretas " mas muito bem dispostos, è de registar as presensas do Escaleira, Barros e Sacadura, queremos ve~los mais nos nossos convivios, a eles e a todos os outros. O alex e o Né Vieira já quase descreveram tudo, e ve-se pelo maravilhoso escrito do Alex, embora em prosa, todo o texto é uma poesia, o locL DA "ERMITA " é simplesmente fabuloso. A convite do anfitrião, ficou já marcado no nosso calendário, que este repasto se voltaria a renovar no próximo ano, Assis que DEUS te de saúde a ti aos teua, e claro a todos nós, para conttinuarmos a VIVER conjuntamente. O nosso amigo Diamantino que faz parte do núcleo duro destes ex-reclusos não esteve presente, foi lembrado, é o nosso abastecedor de champanhe, mas o mesmo não faltou porque o CRIADOR iluminou o AVENTINO que foi o portador, francês com o manda a tradição e de elevado sabor. Hó Martins Ribeiro eu escrevi "biagra " e não VIAGRA, porque será que a " juventude " de hoje não lê, não pensa, ou melhor só pensam no que lhes dá ou deu PRAZER, não são mal intencionados , são INOCENTES. Um abraço para todos avoltarei
2012-05-28

Assis - Folgosa - Maia

Aos nove peregrinos (?) de Cabanas de Orbacém...uma só palavra: "OBRIGADO"!

Fostes até Orbacém levados pelo odor quente das favas, é certo, mas o odor que lá deixaram vossos pés peregrinos foi mais intenso do que o delas, em FRATERNIDADE. Foi um dia tranquilo, sem o mínimo sobressalto, como a paisagem o exigia. Pena que o sol não tenha sido mais generoso, como em outras ocasiões. Quiçá tenha sido mais favorável assim, proporcionando-vos a natureza envolvente um melhor acolhimento. Não nos desperdiçámos... Mas, mais. E esta nota também para quantos desejariam ter participado deste convívio e não puderam. Eu dei apenas as favas que os gaios não puderam comer...mas vós, o que levastes? - Foi o bolo, as moelas, o entrecosto, a jeropiga, o melhor moscatel do mundo, o champagne francês, as caixas de vinho verde, branco e tinto, o garrafão de maduro...Meus amigos: Já temos vinho que chegue para a próxima "favada", ainda que seja daqui a um ano... Se os gaios respeitarem as favas que semeei mais tarde e que se encontram ainda em flor, alguns dos associados que não puderam estar presentes neste, poderão ainda delas vir a provar num outro encontro, já que vinho esse não falta...

Termino como iniciei: Aos nove peregrinos (?)...uma só palavra: "OBRIGADO"!

PS - Não nomeio os ditos, pois sei que os fotógrafos de serviço vo-los apresentarão em breve.

 

 

2012-05-27

Alexandre Gonçalves - palmela

O CAMINHO QUE LEVA FRANCISCO

 

Comecemos pelo porto. É ainda cedo. É quando, no leito nupcial, mais apetece um aconchego reforçado, na manhã fria e nublada. Como quem se refaz duma noite clássica e viril, após os deveres conjugais. À saída do metro, em pose de sedução anónima, está o antónio torres, na sua idiossincrasia original. O dia adquire de imediato outro ritmo e uma irreverência singular. E o bom do torres impõe com argumentos matinais a confeitaria, que estava ali mesmo ao lado. Uma donzela queirosiana, a mesma de tormes, atraída pela nossa entrada arrogante e possessiva, inclina-se com notável profissionalismo. Que tomam? O resto não se diz, porque a jornada é longa. Surge então, na curva dum passeio, um volvo mais idoso do que nós. O meu amigo antónio surpreende-me sempre. Mas desta vez excedeu-se. Pôs um boné de pala, sentou-se ao volante e virou-se para mim: onde quer que o leve? Antes de eu alinhar qualquer ideia, já ele disparava para esposende. Aí nos aguardavam pontualíssimas duas fabulosas criaturas. De um lado, o sólido e abundante presidente, carregado de mantimentos e duma escrita gastronómica soberba. Do outro, o líquido fernandes da silva, com um cristalino poema na imensa mala do carro. De ambos se pode dizer que a estética lhes comanda a vida. Ambos nativos da

região, imprimem aos encontros bens essenciais. O primeiro dá-nos o corpo, isto é, o pão. O segundo dá-nos a alma, isto é, o vinho. Cria-se assim uma harmonia musical, um concerto de afectos, que nos beneficia a todos, elevando-nos a uma espiritualidade integradora, tanto mais verdadeira quanto melhor incorpora a matéria que a suporta.

Minutos depois, a A28 expande-nos o olhar pelas verdíssimas colinas minhotas, à medida que vai subindo pela serra de arga, para depois nos mergulhar nas dobras íntimas da paisagem. É então que emerge ORBACÉM, um nome que passa a integrar a área reservada das nossas incursões, que já cobre o território nacional. Os extremos norte e sul tocam-se agora através duma ponte, que não é de betão mas de braços e palavras recentes, que a idade encheu de sabedoria. Orbacém sobe a colina em férteis e lentos socalcos, amparados por paredes de xisto. Quando o horizonte se amplia para sul e poente, lê-se numa placa: “Caminho do Fradinho”. Concordámos sem hesitações. Nada acontece por acaso. É aqui, disse o manel, com autoridade. E era. Era o caminho que leva a vida do francisco e nos levou a nós a uma ilha de um verde excessivo e barroco. A casa quase se senta para não ser vista. Veste-se de burel, para se perder em meditação e frugalidade. O xisto dá-lhe um ar doce e calmo, como se fizesse um intervalo numa já longa viagem. É uma casa de romeiros sem nome, que em vez de orações rezam quilómetros de pura fruição. A natureza sim, essa é rainha sem castelo. Move-se profusamente pelo espaço inclinado, ora rolando irreverente de socalco em socalco, ora extraindo de um violino invisível melodias apaziguadoras. Quando entrares neste lugar sagrado, meu irmão, descalça os sapatos urbanos e deixa lá fora os mil cuidados que atrapalham os dias. É a hora de estar calado, de olhar a feminilidade da terra, de absorver o seu perfume, de ver as suas vestes transparentes. E de provar a sua fecundidade. Os seus frutos de mil cores, uns para consumo imediato, outros humildemente prometidos. O francisco, sereno e feliz, explica e vai contando. Como nasceu a casa, como abriu as portas a quem passa, como acumulou flores, como fez correr a água nas pedras, em cujas fendas as boninas de camões deitam raízes.

Depois foi o delírio FAVAL. Enquanto a maioria comentava a brevidade dos suaves prazeres terrenos, lá dentro algumas abelhas produziam mel. Um mel que se extrai do coração duma fava ecológica, que a mãe-terra deu à luz. Um exemplar foi submetido às convenções métricas. Um prodígio de tamanho e volume. Quantos não terão tido maus pensamentos! Aquilo ultrapassava os quarenta centímetros. Mas o que importa é vê-las, as favas, a fumegarem já na mesa, e as respectivas guarnições. Se o eça viesse lá de tormes e provasse destes vinhos e comesse destes frutos no século vinte um, em mesa de irmãos chegados de longe, teria de reescrever a cidade e as serras e perceber como tudo na vida é surpreendentemente relativo. Éramos dez os comensais mas cabíamos lá cinquenta e a comida dava para cem. A fala jorrava sem fim à vista. Um dia assim é mesmo escasso. Mas aberto o caminho de par em par, outros favais nascerão, outros dias mais amplos hão-de vir. Por fim, ensaiou-se a urgência e a paz dos cânticos finais, com breves incursões no gosto popular. E deu-se por terminada a liturgia, com doces e melancólicos abraços de despedida. Parabéns, francisco! E um obrigado colectivo fica-nos a todos muito bem.

 

 

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