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2012-12-29

manuel vieira - eposende

O ano aproxima-se leve, levemente do seu fim. como a balada da neve de Augusto Gil e o frio anda aí.

Amaciei agora o frio e o ligeiro semblante de fome com uma generosa açorda de bacalhau finalizada com um fio subtil e doirado de azeite virgem de Meireles, perto de Mirandela, que me truxeram um destes dias, a tempo ainda de acolitar  a ceia natalícia. Tem outro "acabamento".

Na dita açorda, o toque dos coentros e o sabor bem alhado são nobre tempero da calda sobre pão fatiado de marca alentejana. Não esqueci o reforço de um ovo escalfado de proveniência caseira. Abençoado galinácio.

O Natal já lá vai e assossega-se a lareira. Já se prepara o pão das rabanadas para a mudança de ano, mas antes vai-se botar o ano velho fora: "e bota o ano velho fora e deita o novo cá pra dentro, tralaralá...", cantam os miúdos que percorrem as ruas com a carrela e as caras enfarruscadas. E repetem a cantilena à procura da moedinha.

Não sei se estes costumes se repetem por aí fora mas em Esposende ainda se cumpre a tradição e até há um concurso a que espero assistir também este ano com mais amigos que assistem e trazem normalmente uma garrafa de Favaios e uvas passas. É no Largo dos Peixinhos, mesmo no centro da cidade.

Eu já contei a minha parte...

 

2012-12-23

Arsénio de Sousa Pires - Porto

Amigo António Rodrigues:

Efectivamente assim é! Aqueles dois rapazes que o instantâneo apanhou “em flagrante de litro” viram a luz e as sombras do dia em 1944.

Eu sei que não parecemos… mas somos!


Quero agradecer as tuas palavras de apreço e elogio sobre a Palmeira e seus colaboradores.

Apesar de não ser este o motor do esforço e dedicação que temos para conservar a Palmeira sempre jovem, sabe sempre bem ouvir opiniões de apreço como as que nos deixaste neste nosso saite.

Os autores apreciarão também.

Por nós e por eles, obrigado.

 

Agradecemos também o generoso contributo monetário que enviaste para alimento desta agora mais colorida Palmeira. Só assim poderemos manter vivo este projecto que já leva 34 edições.

Para ti e para todos os que nos lêem neste espaço, um Santo e Feliz Natal.

2012-12-23

manuel vieira - esposende

Com agrado registo o número de mensagens de Boas Festas que recebi dos colegas, umas em resposta ao meu "postal" e outras a anteceder essa minha missiva.

Algumas delas de colegas que têm estado mais distantes fisicamente nos últimos anos e que mostram a preocupação em reforçar por esta forma o vínculo que nos une.

É um sinal bem positivo e que confirma também que as novas tecnologias vão fazendo parte dos nossos hábitos de comunicação, pela rapidez, facilidade e custo.

Um abraço de Boas Festas!

2012-12-20

Antonio Manuel Rodrigues - Coimbra

Recebi, li e venho apreciando a Palmeira de Dezembro. Sem fazer nenhuma recensão crítica ou pretenciosa apreciação literária, deixem-me que pessoalmente destaque:

- Como cereja no cimo do bolo, aquele instatâneo fotográfico em que dois rapazes, há pouco desmamados, envolvem tão jovial e aconchegadamente aquele esquisito reservatório e o seu adivinhado conteúdo tão raro e precioso. Será que, precoces e atinados, repentinamente mudados do leitinho materno para o apaladado néctar, eles nos querem dizer ser aquele o ano da boa notícia de seu nascimento? Dificilmente acredito mas, se for o caso, oxalá conservem por muitos anos a boa saúde que aparentam, pelo menos enquanto forem os bons rapazes que nós conhecemos.

- Como ouro de outro quilate (de um modo muito pessoal, insisto) o texto O Lápis, da autoria de Sylviane Rigolet. Com modéstia e admiração, respeitosamente a saúdo. Não a conhecendo a ela, julgo que o Barros será um condiscípulo dois ou três anos anteriores ao meu, o de 1959.

Continuando num registo pessoal, nenhum dos outros autores me merece menor consideração, ainda assim:

- Uma natural e saudável inveja para com os poetas e todos os outros artistas, os da música, do desenho e da pintura, os da representação, etc. Para me explicar, aproveito-me daquilo que julgo ser da autoria de Mário de Sá-Carneiro e dum modo muito próximo diz: Ah divino tocador de harpa, se eu pudesse beijar teu gesto sem beijar tua mão.

- Alexandre Gonçalves, aprecio muito o teu texto: Natal - Um regresso à Infância - onde quero ver, nos primeiros períodos,  um homem inquieto, informado, racional mas afectivo e, para o fim, o regresso comovente da criança da qual necessariamente nos vimos afastando mas reparando nela quando carece de afago e protecção.

- O conto do nosso querido professor, Luís Guerreiro, Prefeito quase perfeito encantou-me e surpreendeu-me. A vice-versa também é verdadeira. A afabilidade, o sorriso franco e a disponibilidade conheci-lhas e lembro-as. Este pendor um pouco marginal, algo subversivo, agrada-me. Bem-haja por mais esta lição. Fico contente por, envelhecendo, ainda ter a oportunidade de ir aprendendo coisas novas com amigos antigos.

Finalmente, lamento o desastre de ter andado arredio durante tanto tempo. Ainda bem que regresssei. Fico agradecido pelo convívio e pela amizade. Todos nós sabemos ser maior e melhor o que sentimos do que o quanto conseguimos dizer.

Um abraço fraterno e um bom Natal para todos

António M Rodrigues,

PS: Ainda não li o Acordo Ortográfico e não sei quando o farei.

2012-12-20

Ismael Malhadas Vigário - Braga

 

Palmeira é um nome feminino

encanto de descobridores

  tropical porte e delícia de mar

motivo de arquitectos dos Jerónimos.

palmas a desafiar o horizonte estelar,

anfitriã  de visitantes e  transeuntes

em dias de vendaval.

 

És sineta em torre de igreja,

presenteira em todos os encontros

quer chova ou faça vento

és pináculo de encantar.

Segues em caminho hirto

alertas o olhar transviado,

saúdas o longe e a miragem,

abraças a quem nela se acolhe,

caminheiro antigo ou forasteiro

vindo de um qualquer lugar.

Uma delícia à aurora

ao entardecer uma brisa

um canto ao anoitecer.

és árvore de garbo porte

és sonho de encantar.

 

Ouves conversas de caminheiros,

 passeio acima zangas de namorados,

enlaçados na tua sombra,

dás a mão a  incautos  do vento.

 

 Palmeira é nome de revista

 comunicação dos aaar’s,

é uma estória de amores

e desamores,

uma vontade de querer  ir sempre além

haja nuvens ou faça sol

 ei-la desafiadora

em suporte da memória

a lembrar uma solidão,

 um desamor que queríamos abençoado

 de beijos de  mãe ausente,

de palavras sussurradas à distância,

chegavam oscilantes

em folhas ao vento

nos zzz’s  ciciados das palmas

 caíam abraços de irmãos distantes,

em saudades  de dores lancinantes.

 

Em noites de frio,

 soltava-se o vento em desvario.

Chegava o sonho

e vinha um anjo alado

e de mão em concha

tomava-me o corpo

e  seu ósculo não tinha hálito,

 e pedia  um afago

a quem não podia dar,

e em frente  de um olhar divino.

indicava um caminho:

  não caias em tentação,

Sê homem e não anjo.

ainda que comigo possas caminhar.

Esta estrada  é  mais ampla

e meada de ilusões.

Regressa  ao início do caminho

que uma palmeira altaneira

 pode  guiar.

 preparado para a viagem?

 Seja ao romper da esquina,

 lápide ou epitáfio de um destino.

 

Ismael Malhadas Vigário                     

 

 

 

 

 

 

 

 

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