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2012-10-19

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Caros amigos e companheiros: a poesia tem de ser viva, não niilista como a de Paul Sartre, segundo afirma o Assis e estou de acordo com ele. Este último texto do Aventino foi um bocado despachado sobre o joelho, ele sim muito niilista, feito de tudo e de coisa nenhuma, muito saudosista de peripécias do seminário. Da azáfama do seminário eu já pouco recordo, não sei se é bom se é mau, mas não falo disso.  A poesia tem de ser substancial e quente como aquelas três coisas que, para serem boas, têm de ser também quentes, bem quentes; a mulher, a sopa e as castanhas. E, por falar em castanhas, calhava mesmo a propósito que houvesse alguém cá do nosso grupo que se dispusesse a fazer algum fumo nesse sentido e que as transformasse, como convém neste caso, em quentes e boas. Parece-me que para as bandas da Oliveira do Paraíso se está a pensar nisso, segundo informa o Davide e, se assim for, já lhe disse que gostaria de comparecer. Claro que, por motivos óbvios, preferia que fosse aqui bem mais perto e onde? Ora pois, noutro paraíso semelhante, o quinteiro do Assis, perto do céu e do mar. Ainda hoje comprei meia dúzia de dióspiros  e lembrei-me logo dos de Orbacém pois, mesmo comidos pelos melros e gaios, nem o que sobra deles se pode comparar sequer em doçura e sabor com quaisquer outros que por aí aparecem. Já sei que o Vieira foi presenteado com um cesto de physalis; sorte a dele. Os que eu cultivei aqui no meu eido, a título experimental, não tinham dado nada, mas agora desataram a florir em força e a produzir as suas cápsulas em barda. Só que piaram tarde e, estou mesmo a ver, o frio vai dar cabo deles. O Vieira tem vindo a sugerir receitas da pesada que nos vão fazendo salivar como o cachorro de Pavlov; então esta do sarrabulho é mesmo uma sádica provocação. Para mais, se for confeccionada pela sua mestria, nem quero imaginar! Vamos a isso e o Peinado que não falta porque, mesmo que não coma, vai sentindo o aroma pois cheirar já é bom, como acontece noutras circunstâncias. E devemos apressar-nos enquanto ainda sobram uns trocos pois, no ano que vem, para entrar nestas extravagâncias teremos de vender as calças e andar em cuecas. Entretanto e para prosseguir, vou ver se faço também a minha parte dando caça aqui pela serra a um cabritinho montês, bem mamão e bem chifrudo. 

2012-10-18

Assis - Folgosa - Maia

Olá, amigos...

Deixai que me espreguice um pouco...Deitei-me por volta das 3 h depois de ter posto a leitura das mensagens em dia. Até há bem poucos minutos, sentia-me quase como o Aventino, não a fazer a "poesia bela", mas como quem acaba de ler algumas páginas da filosofia nihilista de Sartre: Sem ter nada para dar, nem nada desejar receber... Abri agora, porém, o computador depois do almoço e recreio-me nos vossos escritos ricos em sabores. Mas vou lá fora ainda antes de vos juntar qualquer palavra mais...

Voltei. Não chove, mas também não há sol. Lá fora, fui recebido por sorrisos de miríades de flores, pequeninas, e o pio do Pisco. Ele voltou e veio acompanhado. Há outros, mas só um, ele, me reconheu. Cantou e respondeu ao meu desafio desentoado. Veio para mais perto e ali, descontraído, ficou ele a olhar-me. É ele, sim, o do ano passado. Já conhecia o diospireiro e pelos seus ramos se ficou. Como espantá-lo, amigo Ribeiro?... Quiçá ele tenha escutado os elogios do meu amigo aos diospiros do ano passado. Este ano, a chuva e o vento vieram juntar-se à passarada e aquela qualidade, então cantada pelo Ribeiro, está bem longe da qualidade dos disospiros já caídos ou ainda seguros nos ramos da árvore. Todavia, a quem os desejar provar, fica o convite para os vir guardar da passarada - gaios e melros - e lançar mão dos que se apresentem já apetecidos. E, se os diospiros não bastam, os physalis podem bem juntar-se-lhes. São abundantes e igualmente saborosos.

Quanto ao desafio lançado pelo Né Vieira, é questão de marcarem a data. Apenas, por razões familiares, peço não sejam escolhidos os dias 10 e 11 de Novembro. Vou estar ausente de Cabanas. Preferia, como o Aventino, ir jogar a bola, a pelota contra o frontão, a barra, o beto, o hóquei em campo, um passeio até Madalena, e até fazer um poema belo, como o seu, à minha mãe que Deus já há muito tem...mas há razões que nem sempre a nossa razão pode controlar...Ficai com o meu abraço fraterno.



2012-10-18

manuel vieira - esposende

Como diz o nosso Davide  "de volta de uma boa mesa e de um bom vinho é que se cimentam as amizades" e fala quem sabe.

A apologia da infelicidade feliz do Aventino assemelha-se ao orgasmo do nada e a sua filosofia poética que tão bem transmite no seu texto deve ser contrariada ou afrontada com os aromas deleituosos e entranhantes das travessas que fumegam.

Pode servir este espaço de "frontão" para o bater das bolas, das tais que o Aventino fala em resquícios de lembranças, lambusando esses tempos de  adolescência moldada a formatos que a forja destemperou, mas tragam-me os fumos das castanhas, dos arrozes, das rabanadas e dos sonhos.

E já poeta não sou...

2012-10-17

DAVIDE VAZ - soito - almada

Meus caros amigos ex-companheiros de desgraça: Espero que todos estejam bem!Ando há já uns tempos para dizer algoa, mas a preguiicite aguda ... sabem como é. Mas o facto de nada ter escrito não quer dizer que me tenha desligado de vós. tenho lido todos os escritos com toda a atenção que merecem. Mas, desculpem em particularizar, tenho gostado imenso dos escritos aqui deixados pelo Peinado. Parece-me muito mnais optimista e fico feliz por isso.Amigo Peinado estamos cá para as curvas e tu andas a imitar-me e isso é plágio e não vale. Quaqlquer dia eu volto a ver-te, tem calma. Pelas leituras do que deixaram os intervenientes verifico que anda toda a gente com vontade de uma comezaina. Pela minha parte essa vontade é enorme e estou disponível para, de volta de um tacho, fazer o cozinhado para todos. Só que, infelizmente, eu não tenho onde o fazer. Terá de ser em casa de um dos amigos... Provavelmente em casa do Alexandre se ele estiver também com disposição para tal. Agora, que terminaram o verão e férias e se aproxima o S. Martinho, parece-me que não serias má ideia voltarmos a reunirmo-nos na quinta da Oliveira do Paraíso. Que te parece Alexandre? Se talç acontecer diremos com a antecedência devida para o Martins Ribeiro poder estar presente. Aliás, se houver eu telefonar-lhe-ei como lhe prometi. Mudando de assunto, tenho a nunciar que pus o meu GPS em acção e descobri o nosso companheiro de desgraça Luís Maria Brígida Flor, o que comuniquei ao nosso Mané Vieira, dando-lhe a morada e telefone. Já falei com ele, está com alguns problemas de saúde mas pretende comparecer, se for em Palmela. Ficou felicíssimo quando lhe falei da hipótese de fazeremos um almoço em casa do Alexandre onde costumam ir alguns do seu tempo e que ele conhece, como sejam o F. Viterbo (eram do mesmo ano), o nF. Varandas, o Pascoal e eu pró+rio entre outros. Temos p+ois que voltar a reunirmo-nos e a fazer outro magusto. Até porque, de volta de uma boa mesa e de um bom vinhon é que cimentam as amizades, não te parece, Peinado? Por hoje fco por aqui e vão pensando em nova reunião à qual desejo a presença do nossdo Mané Vieira que além de um bom garfo e´um excelente mestre cozinheiro. Um abraço para todos do DAVIDE VAZ
2012-10-17

Aventino - Porto

 

O que hoje me apetece é não me apetecer nada. Sou um estado vazio, inútil, vegetal. Ou talvez nem isso. O que serei quando nem sequer me achar que sou nada?

Ao menos se tivesse tédio, poderia dizer que tenho tédio e escrever sobre essa coisa de ter tédio, ou chatear-me por escrever sobre essa coisa, de coisa nenhuma como é o tedio. Mas sou pobre, de pobreza imaterial e a minha maior pobreza é não ter bem nenhum, nem mal nenhum para poder dizer que, afinal, estou infeliz. E pensando bem, também não penso em nada, não quero nada, nem rojões, nem sarrabulho, nem castanhas nem um copo de qualquer líquido. E mesmo assim, o que eu queria era um jogo da bola, a pelota contra o paredão, as palmas a acordarem-me de manhã, a sêmea e a maçã, a Quinta da Barrosa. Se ao menos eu tivesse isso, poderia dizer que tinha infelicidade e perda e angústia e medo ou talvez pudesse dizer que o que tinha era o contrário disso e que, afinal, mesmo não o sabendo, eu era feliz.

Mas o que busco não é mar nem terra, nem partida nem ausência. O que busco, na verdade, é um momentinho sereno num qualquer canto onde possámos conversar sob o voo das garças que serenamente escutam o nosso Vivat.

Então, sim, poderei dizer que não há nada melhor do que querer ter alguma coisa.

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