fale connosco


2012-10-07

A. GAUDÊNCIO - LISBOA

Embora não se tenha dado por isso nem a falta se notasse, faz tempo que ando afastado deste sítio de diálogo, de amizade e de convívio. Atribulações várias na vida não me redimem do meu longo silêncio mas ajudam a explicar o meu desmazelo.

Mas estou de volta e começo por elogiar todas ( mas todas sem excepção ) as intervenções dos colegas que têm mantido viva e plena de interesse esta rubrica. Por esse motivo,declaro que me desagrada fazer referências especiais mas, desta vez, vou transgredir.

Começo por realçar as intervenções do nosso Presidente ( da AAAR, claro ) que, para além de interessantes, têm sido inteligentes pois vê-se à légua que muitas delas vão no sentido de estimular estas nossas conversas e de evitar que se instale um silêncio que, por tão prolongado, se torna, por vezes,  demasiado ruidoso.

Cronologicamente sigo para a última intervenção do nosso  decano, Martins Ribeiro, porque o que ele escreveu, subscrevo-o eu na totalidade. Tal como ele nunca pensei assistir ao que estamos vivendo. Aquela geração que vibrou com os horizontes abertos na gloriosa década de 60, do Século passado, nem por sombras imaginava que os seus sonhos e as suas utopias iriam acabar neste lodaçal pornográfico.

Por último quero falar do poema que o colega Aventino nos ofereceu ontem. Pessoalmente não conheço o Aventino porque, sendo de uma geração mais nova, nunca convivemos na Quinta e, certamente, por qualquer "descoincidência" nunca nos encontrámos em convívio algum da Associação, mas tenho lido e apreciado os vários escritos por ele pospostos neste sítio e este poema, mesmo que seja eu o único a dizê-lo, é excelente , é bonito e tocou-me.

Muitas vezes um poeta escreve só para ele e expressa os seus estados de alma sem pensar, eventualmente, no efeito que o seu sentir provocará em quem o lê. Se foi isso o que levou o Aventino a escrever este poema, eu continuo a dizer que é estupendo. Se não foi, e se o F. Pessoa tiver razão quando diz que " o poeta é um fingidor ",  eu insisto e reafirmo que o poema " vale um poema". Mas espero que o Aventino não fique "nas núvens" porque o meu elogio vale o que vale, ou seja, nada.  

Agora já tenho outro poema de referência para juntar ao do Miguel Torga que, julgo eu, toda a gente conhece ( Mãe, que desgraça na vida aconteceu que ficaste insensível e gelada..............)

Mudando de assunto : já li algumas referências a castanhas, a vinho novo e a outras coisas que nos vão fazendo salivar mas, cuidado, porque ainda é cedo e ainda faz demasiado calor e o vinho precisa de frio para se aprimorar.  E as vindimas ainda não acabaram pois eu acabo de regressar do Douro e vi que as uvas tintas ainda nem todas foram colhidas. Mas como diz o Manel, com vinho novo ou com um "reserva", a uma febrinha, a uma tirinha ou a outra coisa daquelas que nos fazem mal ( mas sabem bem ) nunca se faz uma desfeita.

Se não tivesse que pagar direitos autorais, diria como o meu amigo Peinado : "voltarei" mas eu não tenho dinheiro para isso. Por falar nele quero desejar-lhe uma rápida estabilização sustentável da sua saúde porque, ultimamente, a sorte tem sido bem aziaga para ele. Mas, em pensamento, claro está, vou mandar-lhe uma canelada porque, em tantas conversas que temos mantido ultimamente, só soube do seu aniversário pelo nosso Presidente e à posteriori. Mesmo assim, meu caro Peinado, os meus parabéns e que vivas muitos anitos !!!!!

Eu desejo não viver muitos mais e desconfio até que « La muerte me está mirando desde las torres de Córdoba » o que não me preocupa sobremaneira.

2012-10-06

Aventino - PORTO

SE A MINHA MÃE VIESSE HOJE BEIJAR-ME

Lembro-me de si, minha mãe.

Dos seus olhos verdes, das suas mãos,

dos seus dias de vida.

Dos seus sins e dos seus nãos.

 

Lembro-me de si, minha mãe.

Dos poemas que não lhe escrevi,

das vezes que não disse: amo-a, amo-a, minha mãe.

E dos seus silêncios

e das lágrimas que lhe vi.

 

Lembro-me de si, minha mãe

as flores no canteiro à porta de casa.

O choro da partida,

Tino, vem ver-me mais vezes, vem.

E a senhora, aguada,

perdida,

pela partida.

 

Lembro-me de si, minha mãe

em todas as lembranças de hoje.

O retrato, as flores, o mármore,

a laje branca e o sorriso,

"eterna saudade de seu filho".

E o seu sorriso mesmo ali, naquele lugar,

ao vento, à chuva e às noites tão longas

e o medo delas, e do escuro, e do cemitério e da morte.

 

Agora falo-lhe, ajoelho-me,

voltei a menino, fico ali ao seu colo

e falamos.

É claro, da próxima vez trago-lhe gerberas, sim,

e bananas da Madeira e o Porto e o Espumante e o jornal para lermos juntos.

Está bem, minha mãe, está bem.

Da próxima vez trago também o bolo da Teixeira e a pescada fresca

e o Alvarinho e, depois, lá vamos nós.

A tia Maria, o tio Adão e o mar. O mar!

 

Lembra-se minha mãe, lembra, pois lembra, quando ambos fomos conhecer o mar?!

O longe estava todo ali e a senhora chorava e eu chorava e a senhora dizia

porque choras, meu filho?!,

e eu perguntava, porque chora, minha mãe?!

Vamos ver o mar, vamos?!

É só um instante. O guarda do cemitério vai deixar.

Vou chamá-lo!

 

(Aventino, em Outubro de 2012)

2012-10-04

manuel vieira - esposende

Comungo da "bochornosa angústia" do nosso amigo Martins Ribeiro mas sem tirar os olhos da "Foda monçanense" e outros paladares que eivam a nossa concupiscência gastrónoma.

Dá vontade de emigrar e até não estamos longe do estrangeiro, o Ribeiro ainda mais do que eu pois nasceu em Cortes,ali pertinho de Espanha, mas a onda de angústias também já navega por lá.

Estimula-se a economia paralela que favorece o consumidor mas não o contribuinte, obriga-nos a engendrar contornos que não deve confundir-se com as alminhas penadas em labaredas gritantes representadas nas capelinhas benzidas das encruzilhadas das nossa aldeias.

Não vou confessar-me pois penitência já levo que chegue com tanto anúncio austero.

Vou meditar na estratégia para o novo ano que termina em treze e depois agir.. contornando as labaredas sem contorcer as regras.

Vou aconselhar-me com o Assis de Orbacém para planear a mesa e desenhar os fumos deste Outono.

E vou esperar que outras almas "depenadas" escrevam...

2012-10-03

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Desculpai se eu hoje não vou falar em coisas agradáveis, como "fodas", cabritadas, alvarinhos, castanhas, fisális, dióspiros e "cornelhos". Deixai-me dar um grito de socorro, pois uma bochornosa angústia se vai apoderando de nós todos. Sei que não devia falar de mim mas também sei que, falando de mim, estarei a falar de  milhões doutros  concidadãos cujo infortúnio é igual ao meu. Nasci (e bem) num lindo recanto deste belo País, num tempo difícil duma cruenta guerra mundial, porém, nunca vi nada como nos tempos de hoje. Trabalhei mais de 40 anos ao abrigo de regras que aceitei e cumpri, usufruindo, no fim, daquilo que me prometeram. A tristeza e a ignominia é que, dum momento para o outro, como sombras demoníacas saídas do esqualor das trevas e dentre o cerrado nevoeiro da injustiça, surgiu uma iníqua e perversa quadrilha de ladrões que, sedenta de pilhagem e subvertendo unilateralmente todas as regras e compromissos, extorquiu, espoliou e confiscou todo o resultado do esforço e suor desse longo trabalho. Se nasci (e bem) num lindo e belo recanto deste mundo, também hoje se me torna certo que irei morrer (e mal) num insuportável e aterrador País, cheio de insaciáveis e monstruosos predadores. Assim, do “de profundis” da minha angústia e da minha agonia, clamo a Vós, Senhor; Senhor ouvi o meu grito de revolta e tende de nós misericórdia! Espalhados por carreiros e caminhos, por montes e vales, como manifestação da piedade deste Povo íntegro e piedoso, podem ver-se pequenos nichos de fé chamados de “alminhas” que eu muito respeito e venero; então volto a pedir ao Céu que, no devido tempo, coloque num deles a minha alma para poder fugir deste pavoroso inferno a que fomos condenados. E se um dia passardes por um desses singelos monumentos, rezai ao menos uma curta prece de redenção, pois lá poderá descansar uma alma que foi minha.  

2012-10-01

Assis - Folgosa - Maia

Desde o reino do rei PHYSALIS, o meu abraço para todos os associados e um mais apertado para os anivers/antes(ados)...Nunca é tarde para a amizade.

Cheguei ontem pela tardinha depois de me ter ausentado durante uma LONGA semana. Os pêssegos todos no chão e podresAs couves todas comidas pelos lentos caracóis que desta vez parece terem sido galgos...As lagartinhas também deram a sua ajudinha no banquete. Restam-me, além das abundantes e coloridas flores e da promessa de diospiros, os "cornelhos"...- sabeis o que isso é? Eu depois dir-vos-ei, caso sejam saborosos -, os physalis, que se multiplicaram em grande abundância, e a visita dos melros e dos piscos com seus cantos. Não posso queixar-me...

Vêm aí as castanhas e o bom vinho e o verão de São Martinho...Todavia, ainda por cá reina o bom sol das despedidas de verão depois da abundante chuva que caiu na passada semana. As uvas do nosso amigo Nabais reclamam a nossa presença. Amanhã lá estarei bem cedinho de tesoura em punho para saborear a doçura dos bagos brancos, já que os tintos foram já convertidos ao doce néctar, e partilhar da sua labuta...

Cabanas está sempre arrumada, mesmo que seja, como a casa do Pedro Pedreiro, uma casa em construção. Marca a data, amigo Manel, ou pelo menos tenta dar uma dica, para que não haja outrem a antecipar a marcação de qualquer outro evento. Eu responderei prontamente sobre a viabilidade.

O meu abraço fraterno


 

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº