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2013-02-16

Ismael Malhadas Vigárip - Braga

Ato poético

                                               Olhei o mar

                                               recolhi uma imagem

                                               lancei-a no papel

escrevi letra por letra

preenchi os desvãos

da folha branca.

 

marquei um sinal

em rastos do areal

e no tempo da memória

selei na vida do momento.

 

II

Varrida das ondas e gasto o tronco

mata-borrão da árvore enlameada

pus a mão no tronco gasto do areal

à beira rio imaginei-o garbo

de seu porte secular.

Um corpo de árvore é um corpo de um qualquer lugar,

anseio de mar-alto por onde queria andar.

Ser barco à bolina sem parar num qualquer porto de mar.

Ao fundo corre uma água de olhos partidos

 vem em busca de um qualquer lugar.

2013-02-12

AVENTINO - PORTO

RETRATO DO AAAR NO DIA DE CARNAVAL de 2013

A esta hora estás sentado, longo sofá gasto e escuro, a televisão ligada, o lixo a entrar pela nossa casa adentro e tu, alienado no écran, esperas a noite, esperas o jantar e depois, até amanhã querida, até amanhã, querido.

Tu és contribuinte, consumidor, passageiro, leitor, utente, doente, testemunha, o senhor que se segue. Tu és cônjuge, pai, avô, o doente, a vítima, o queixoso, o crente, o ateu, o peregrino.;

Tu és tanto e tudo, tu és a plenitude e, afinal não nos dizes nada, não dás a tua voz a tantas vozes que aqui proclamam um tempo e um sentir.

Continuas sentado no sofá onde enterras os dias. Ouço-te já no silêncio do teu olhar e nessa voz da sabedoria, tu dizes, o Aventino é um provocador; sim, o Aventino é um provocador. Era isso mesmo o meu encanto,  que eu fosse um provocador, levando-te e elevando-te aqui, a este palco onde todos temos os nossos quinze minutos de glória.

(Se alguma vez te pudesse falar da angústia que há na escrita! Se alguma vez, sentados num banco qualquer de um jardim qualquer, pudéssemos falar do medo que bordeja o sair letárgico dos sentimentos, talvez soubéssemos que todo o ser humano está só e que, afinal, só nessa solidão é que há esperança).

 

2013-02-11

manuel vieira - esposende

"O poema em cima da mesa" do nosso Ismael Malhadas regurgita memórias que invadem lo frontão com o jogo do beto, o campo de cima e o campo de baixo, os ecos do bosque onde encostava o "castelinho" que ainda se ergue agachado junto ao edificado moderno a servir talvez de espaço de vendas em formato de contos misteriosos.

Curiosamente o formato em verso das últimas mensagens vem exibir o potencial criativo dos nossos colegas e muitos se escondem ainda atrás do frontão, quando conhecemos e já lemos até algumas das suas criações poéticas em outros ninhos agasalhados.

A Palmeira é um espaço de tradição de poesia e tanto lá como cá a "solidão dos agapantos" é um corredor por onde " corremos todos à procura de uma ilusão" como versejou o Ismael.

Eu ando mais virado para as texturas e sabores e por aí vou dando voltas à minha inspiração poética apostando mais na Fisiologia do gosto pois, como diria Brillat-Savarin nos seus aforismos " O universo não é nada sem a vida e tudo o que vive se alimenta" e "o Criador, ao obrigar o homem a comer para viver, convida-o com o apetite e compensa-o com o prazer".

Fevereiro, Março e Abril são meses de pratos de excelência como os da conhecida lampreia...

2013-02-11

Ismael Malhadas Vigário - Braga

  O poema em cima da mesa,

deslocavam-se  as palavras latentes do tempo

 de brincadeiras ecos de rapazes no bosque.

 A pelota ressoa no frontão

 toca de esquina e cai no chão

 vaivém de bola, foge a vitória em desmazelo da mão.

 Correm os rivais em aperto de passo

desprende-se o beto em inépcia de relapso.

 

Oiço vozes  à distância de um quarteirão

vêm fogosos  e de raquete na mão,

passam em rasgões  de foguetes

e fazem  piruetas de tantas tentações.

Montou a pelota o frontão,

 corremos todos à procura de uma ilusão.

A todos parecia uma bola real

e não sentíamos ser  uma bola de sabão.

Amanhã não há pelota por contramão,

jogamos à peçonha ou cosemos a bola de capão.

Tentemos o speedball que não foge da mão.

                               II

Hoje é a vez da baliza de trave no chão

 ergamos juntos o pau como um balão,

subiu o alpinista  no cavalete do João

e das costas do decano  saiu um grito!...

Agora não é golo!... Não?!...

E à força d’ um prego de solho

seguramos o edifício da nossa paixão.

 

Temos campo e bola rota a ziguezaguear

que mais queremos nós?!...

venham  – disse o perfeito:

“está ali a carrela pr’a alisar o  campo,

 amanhã é jogo de torneio de quarta-feira”.

A bola está pronta para enfrentarmos o piruetas

 traz truques na manga para fintar o decano,

pensa-se melhor,  à  falta de fair play,

o que mais lhe falta é força nas canetas

 e que avance  com confiança e sem tretas!...

2013-02-08

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

É inútil dizer o que se pensa.

Se é frouxa a frase, é nada; e é vã se é intensa.

Cada um compreende só o que sente,

E entre alma e alma a estupidez é imensa.

Julgo que Fernando Pessoa  exagerou ao expressar-se deste modo neste seu poema porque, numa primeira leitura, ficamos com a sensação de que é inútil dizer o que se pensa. Mas, para o contraditar, eu creio que "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e por isso vou escrevinhar meia dúzia de coisinhas, quanto mais não seja para contentar o Arsénio. Todavia, mesmo sem o apelo dele, já eu tinha pensado " na minha cabeça " em aparecer para não cair no olvido.

A primeira ideia que me ocorre ( e há que aproveitá-la já) é de  enaltecer, outra vez, este nosso " sítio " pelo mérito que tem de nos pôr a falar uns com os outros e de, normalmente, nos deliciar com  textos muito bons e com largo interesse. Se analisarmos apenas as últimas três ou quatro entradas, verificamos que o Aventino, na sua forma habitual, nos brindou com um belo texto que nos remete para  recordações e épocas onde subsistem conflitos  mal resolvidos ou ainda não resolvidos ( pelo menos no meu caso ).

Logo a seguir surge o nosso decano, Martins Ribeiro, a relembrar-nos que vida só há uma e quanto mais a prolongarmos melhor.

O Peinado dá-nos um quadro, praticamente, igual mas com outro tipo de alegrias. Ele vive, ele vibra com coisas que alguns teriam algum pejo em confessar, ele sorve a vida e preocupa-se em viver o dia a dia com uma intensidade que nos comove.

O Arsénio aparece a convidar-nos para uma maior participação o que, convenhamos, é sempre bom pois " todos não seremos demais" para relançar temas, recordar episódios, falar das coisas nossas e de outras. Mas era interessante e importante que tantos "ex-reclusos" ausentes viessem também contar aqui as suas mágoas e alegrias, as suas experiências, eventualmente, traumáticas e que partilhassem connosco um passado que, pelos vistos, ainda pesa sobre os ombros de muitos deles. Venham, companheiros, nós ajudamos a aliviar a carga!!!

Do Alexandre não vou falar pois ainda não tive tempo bastante para ler e " digerir " o texto, mas foi ele que me deu uma pequena dica para  terminar este pobre escrito com um pensamento de Teixeira de Pascoaes:

"O HOMEM não suporta sempre a mesma esposa, nem o mesmo Deus. É um nómada de origem. Parado, degenera em bicho doméstico ou reumático, - aborrecido." 

Amen, digo eu!!!!!!!!!!       

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