fale connosco


2016-08-23

Delfim Pinto - Almada

Um homem de causas...
Um santo homem...
Uma simplicidade...
Uma referência para mim.
Obrigado padre Henri.

 

2016-08-23

manuel vieira - esposende

Hoje o padre Henri faz 96 anos e esta sua persistência em viver mostra-nos ou pretende-nos mostrar, como alguns estudos o afirmam, como é importante viver para os outros, como é relevante lutar contra a miséria, contra as injustiças.

Bretão de nascimento, não lhe fogem ao seu ADN estas profundas raízes genéticas de um lutador insistente, teimoso muitas vezes, visionário e arrebatador de fãs.

96 anos já lhe pesam pelo desgaste físico, um condicionamento que ele sabe ser um testamento próprio da longevidade e que lhe trará angústias próprias de um guerreiro a quem a armadura já pesa.

Posso durar mil anos mas o padre Henri será sempre e sempre o meu herói. Parabéns padre Henri, agora só quero que tenha muita saúde.

2016-08-11

Delfim -

Boa noite amigo Ribeiro:

desejo-te uma boa noite, pois parece que há problemas com o fogo...

Faço votos para que tudo se resolva sem problemas.

Um abraço e a minha amizade.

Delfim 

2016-08-11

alexandre gonçalves - palmela

 

 BARROSAL XXVI-Soneto Violento

 

Há quantos anos ando a despedir-me

de tudo quanto em ti não encontrei!

Já nada me sobeja do que amei, 

nem a graça que tinhas de sorrir-me.

 

Eu via nos teus gestos um chão firme,

nas tuas mãos eu nunca flutuei.

Nunca soube em que ponto me enganei

e nem sei se foi erro ou se foi crime.

 

Faz agora um verão cheio de ausência.

O tempo não tem pena do passado.

Viver às vezes é pura violência.

 

Mas agora o desejo está parado.

O verão é um fogo de consciência,

que não pára sem tudo estar queimado.



2016-07-26

alexandre gonçalves - palmela

 

BARROSAL XXVI-Entre Cedros e Casuarinas (Carta a Rute)

 

Quando soube da tua morada virtual, foi minha intenção cometer um acto de humildade e submeter-me livremente às razões pelas quais declaro, sem pudor, ter  a mania da escrita. Não demorei a alterar os planos. A fala mostrou a evidência dessa nulidade. Além disso, a mesma fala trouxe ao meu silêncio outra urgência: a mesa do mar enquanto "aparição". Lembras-te? O nosso primeiro encontro foi na década de noventa, a propósito da cadeira de Filosofia Contemporânea, que eu leccionava. Chamaste-me a atenção quando me propuseste tratar filosoficamente o tema da "Aparição", em V. Ferreira. Devo confessar-te que a tua presença física se impôs primeiro que a tua inteligência. Ambos acabávamos nesse ano qualquer coisa: tu o teu curso e eu o meu casamento. Achei que podia lançar a rede e colher-te nas malhas. Mas havia pescadores muito atentos, mais jovens do que eu. Retirei-me da disputa, antes que tu dela me expulsasses. Dei-te os parabéns pelo teu trabalho e pensei que, fosse qual fosse o caminho, havia muito mundo para ti. Não havia, mas pensei que houvesse. No último dia de aulas, alguns alunos propuseram um jantar solene. Tu estavas deslumbrante e facilitaste-me o olhar. Mas eu já caminhava noutra direcção. Os quinze anos que nos separavam não eram de mais para mim, mas eram-no decerto para ti. 

Deixa passar mais quinze anos. Irei dar uma conferência a aunos do 12º, numa escola da periferia. Como está, Dr. Artur? Quem se dirige a mim és tu, Rute, a tal aluna brilhante da faculdade. Não foi instantânea a ligação a esse tempo. Pouco a pouco, tu cresce-me na memória. Tenho-te na frente e julgo pareceres mais jovem do que és. Abreviei a minha comunicação, seguida de algumas questões. E houve um almoço para os lados do mar. Tu apresentas-te. Divorciada, sem filhos, professora do ensino secundário. Quarenta anos frescos, um corpo disciplinado, sem grandes sacrifícios, garantes. E os mesmos olhos ofuscantes cor de mar, que já outrora iluminavam as aulas de filosofia. De tudo se falou. E até de promessas, creio.

 O tempo acelerado, que marca o ritmo da existência, tornou obscuras e vazias as relações, declarei eu com autoridade.Olhamos e não vemos. Habituamo-nos uns aos outros, com mais ou menos respeito, mas estamos sós. Mesmo quando nos acotovelamos na vida social, não vamos além de uma rude justaposição de corpos e palavras de ruído. O mais interessante de nós fica fora de quase tudo. A primeira consequência é uma supressão gradual de afectos. Os nomes são irrelevantes. A vida pessoal será para muitos uma forma de patologia agorofóbica. Nasce também aí um comportamento de imitação. Ser como os outros dá conforto e segurança. "Todos ao molho e fé em Deus". Algumas práticas religiosas são também uma forma de ver e ser visto. Ser-se pessoa, ser-se indivíduo ( não individualista), eis a grande questão para dar sentido à vida. Construir diferença, ser-se "eu", não sozinho, mas em relação com outros eus, eis o programa que implica maioridade, beleza, sentido. Uma síntese possível: descubro-me através de ti, descubro-te através de mim. A palavra "aparição", como tu sabes, não é minha filha. Fui buscá-la ao teu V. Ferreira, que a desenvolveu num romance homónimo. Ela traduz a emergência súbita, luminosa, de um rosto, de um perfil, de uma intensa emoção que mostra um caminho.( Terá sido este o resumo da minha comunicação).

Na mesa do mar, num mês de julho qualquer, tu "apareceste" em jeito de personagem literária, num misto de metáfora e realidade, num hino à vida, ao desejo, ao esplendor do universo. Lembro-me da branda luz marítima, que embora surpreendente eu já sabia de cor. Lembro-me desse verão de vertigem, que embora breve encheu a praia de uma serenidade inédita. Porém, não sei se o teu vestido era de algodão rendilhado a oiro, ou se era o próprio sol. Alguns dias depois, na hora em que o tempo hesita entre a tarde e a noite, tudo foi ficando mais claro. Pude então ver que não havia mar algum a não ser o dos teus olhos. Que o verão era o teu próprio corpo, sublinhado por palavras nuas, criadas na doce alegria de bebermos a vida, como se fora vinho branco. Que o teu vestido era a extremidade mais fina da onda, alisando as areias, subindo até às dunas e repousando na espuma dos alvíssimos dentes. À distância, já não me recordo se a ementa incluía "alvarinho" ou sangue de frutos silvestres. Mas não tenho dúvidas de que gritei o teu nome entre cedros e casuarinas. Três vezes convoquei as estrelas e a cumplicidade maternal da lua. A resposta foi um infinito silêncio.

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